31 de outubro de 2007

O fim do meio impresso.




TV digital, internet, convergência de meios de comunicação. A tecnologia, sem dúvida, transformou para sempre a forma como lidamos com a comunicação. Tantas metamorfoses fizeram com que se abrisse a discussão sobre o fim do meio impresso. Será que o livro vai realmente acabar? E qual será o futuro dos jornais? Haverá espaço para o papel em um mundo completamente digital? O bate-boca sobre isso ganhou mais intensidade quando o New York Times anunciou que deixará de ter a sua versão impressa dentro de alguns anos e irá manter apenas sua página na rede.

Recentemente, dois jornalistas passaram por Florianópolis e deram a sua opinião sobre esse tema. Marcos Sá Corrêa, editor da Revista Piauí, disse que é questão de tempo para que o último jornal seja lido. De acordo com dados que ele pesquisou, em 2043, sairá a última edição de um jornal impresso no mundo. Isso porque os leitores habituais de jornal estão começando a entrar em extinção. Ricardo Noblat, também discursou sobre o tema e lembrou à platéia que o assistia na Assembléia Legislativa que se os jornalistas não se adaptarem às novas tecnologias, estarão fadados ao desemprego muito em breve.

No entanto, o que nenhum deles se deu conta, é que apesar do crescimento vertiginoso que os meios eletrônicos têm tido nos dois últimos anos (o Brasil já possui 39 milhões de internautas e é o país que possui o maior tempo per-capita de acesso no mundo, com 19 horas mensais), vivemos em uma sociedade de grande exclusão social. Hoje, o salário mínimo é de 380 Reais. Um computador que consiga um acesso razoável à rede não sai por menos de 1000 Reais. Além disso, há o fato de que é muito caro para entrar na rede. Dois minutos de ligação em Santa Catarina custam 25 centavos e os provedores de banda larga ainda são inacessíveis para boa parte das pessoas que compraram computadores ultimamente. A introdução da TV digital, proposta para começar em São Paulo em dezembro, não terá o mesmo valor da internet, visto que as possibilidades de interação são limitadas àquilo que o canal transmissor considerar importante. Fora que todos os aparelhos de televisão vendidos no país hoje, vão necessitar de um conversor de sinal.

Como se não bastasse, a falta de educação da população exclui ainda mais a população com menor poder aquisitivo. Para manusear um computador é necessário saber ler, escrever e interpretar em inglês e português para se entender os milhares de comandos e mensagens de erro que eventualmente aparecem na tela do PC. Além disso, há que se considerar que uma boa parte dos usuários acessa a internet para buscar humor barato, pornografia, bate-papo, orkut, etc.

No entanto, não se pode desconsiderar que a rede mundial realmente vai ditar o futuro da comunicação. A velocidade com que as informações podem ser publicadas e o número quase infinito de fontes, ajudam a criar uma nova era de democratização da comunicação. Os meios impressos infelizmente não podem competir com isso. Talvez seja esse o motivo de tantas pessoas considerarem que o fim dos jornais e revistas está próximo.

O que é possível fazer é repensar o modo de se fazer jornais e revistas. Investir em matérias com mais profundidade e conteúdo e deixar de lado a factualidade pontual e, muitas vezes, estúpida e superficial, pode ser uma saída. Levar as matérias para um lado mais social e humano. Há uma escassez de pautas desse tipo, em especial na grande mídia. Assim, ao invés de continuar em declínio, novas portas se abrirão para os jornais e revistas.

30 de outubro de 2007

Fala aí!
Claro que não farei uso de limitações: a quem quiser sugerir outras possíveis justificativas, que fique à vontade! Em se tratando deste blog, mais à vontade do que o normal! Não há nada pior do que escrever, jogar palavras, explanar idéias, tudo ao vento! Existe o link para comentários, intervenções, críticas. Conversar com o Sr. Eco é uma coisa muito repetitiva! Cansa!
Voltando à suplica: que diabos acontece?
Fatos da semana que me têm descabido à tolerância:
- O BOPE ora IBOPE...
Você liga a televisão e lá estão os famigerados homens de preto falando uma, duas, três, quatro vezes em cinco telejornais sobre táticas, combate "e tudo, e tal". Muito bem! Ops...eles trabalham para a sociedade ou para a imprensa? O filme retrata a realidade ou a realidade retrata o filme?
- O Paulo Coelho se pronuncia em conferência da FIFA...
Ahn? Já não basta o parvo encher páginas de futilidades envoltas em algo a que chamam de magia [supérflua] e ele ainda insiste em cuspir besteiras ao microfone? "Eu já vi conversas durarem 5 horas discutindo um jogo de futebol, mas eu nunca vi uma conversa de 5 horas sobre uma relação sexual" [COELHO, 2007]. Além de que o perfil do ilustre figura dos besta-sellers tem mesmo tudo a ver com futebol!
- Copa do mundo no Brasil em 2014...
O Brasil precisa mesmo de mais epifania para curar as intempéries da atmosfera social que já tem mais buracos do que a camada de ozônio. A política do pão e circo troca apenas os elementos: banana e futebol pra eles! Teremos um carnaval prolongado em 2014. Teremos os problemas prolongados até 2014. Teremos os problemas prolongados além de 2014. Se o Canadá e tantos outros países têm problema com a violência, por que é que o Brasil não pode ter? Sem contar com as pérolas do presidente ao discursar sobre a história do futebol...



Amanhã vai ser outro dia, amanhã vai ser outro dia..........

27 de outubro de 2007


Duas boas pedidas. Tegan e Sara Quin são gêmeas de Vancouver, no Canadá. Começaram a cantar após ganhar um concurso musical local. Lançaram o primeiro álbum há oito anos, e o último -The Con- é desse ano. Cantam em inglês (quiça em francês também) e fazem um indie com levadas bem interessntes. Quatro músicas podem ser ouvidas no http://www.myspace.com/teganandsara. O sítio oficial é http://www.teganandsara.com/.
A outra é literária. Recebi hoje -quer dizer, abri a caixa de e-mails hoje- mensagem de meu amigo Fernando Evangelista (repórter da Caros Amigos) informando que o sítio da Caros republicou uma matéria dele com Juliana Kroeger sobre o Curdistão. Eles andaram por lá em Março, na companhia do fotógrafo italiano Matt Corner, e a reportagem está em http://carosamigos.terra.com.br/.




21 de outubro de 2007

Do que é realidade.


.O boné era instrumento da timidez. “Não gosto de aparecer em foto”, alertou Cezar. Os olhos claros procuravam fugir ao contato. As confidências fluíam na conversa enquanto a cabeça permanecia ligeiramente inclinada para baixo. As palavras eram o sinal de uma confiança rápida, construída naquele mesmo instante - e que se mostrava necessária. Tem treze anos, freqüenta o Centro Educacional Dom Jaime Câmara pela manhã e vai ao colégio à tarde. Das 18h às 20h, vende os salgados que sua tia faz. “Minha mãe nunca me obrigou a nada. Faço isso porque eu quero. Ela só me proibiu de brincar com as outras crianças. Meu irmão brincava e virou maconheiro”.
A conversa foi interrompida pela convenção dos bons modos. A palestrante da Procuradoria Regional do Trabalho precisava falar sobre números. Pediam o nosso silêncio.
Depois das exposições sobre o Diagnóstico do Trabalho Infantil em Palhoça e em Biguaçu, realizado pela Organização Internacional do Trabalho, e sobre exploração sexual, a primeira pergunta de Cézar a mim:
- E o pessoal da tarde, como fica?
- Oi? - os ouvidos desatentos me fizeram indagar.
- É! As crianças que vêm pra cá de tarde! Eles vão ter isso também?
- Não sei, Cezar. Essas palestras são por causa do nosso trabalho, e viemos de manhã porque é nosso horário de aula.

- Mas tem que ter à tarde, também! É importante pra eles, né?
- Verdade! Vou ver o que consigo fazer.
Falei com a Samira, coordenadora do projeto Jornada Ampliada [uma execução do PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - que acontece dentro do Centro Educacional Dom Jaime Câmara]. Já estavam combinando com os palestrantes para que fizessem a mesma coisa durante a tarde. Ela me agradeceu e aproveitei para me desculpar pela conversa com o Cezar, que por vezes pôde ter sido abusiva – embora eu soubesse que deveria ter aproveitado o momento e preferia ter atrapalhado a palestra a interromper a sede de confidência do garoto.

Cezar correu junto às outras crianças para o almoço. Antes, pedi a ele um abraço, que não me foi negado. Abraço apertado. Foi só o começo. Quem sabe, na próxima semana o boné já não seja mais tão utilizado.

17 de outubro de 2007

Devia ser nove horas, talvez um pouco menos. Tocava uma música tosca, desses hip-hop americano, bem alta no táxi. "Maestro Francisco Braga", falei para o taxista, que devia ter uns 30 anos. A rádio continuava com músicas que não gosto, e o cara todo empolgado, cantava, balançava a cabeça. Cada maluco que aparece, penso. Não muito longe de meu destino o taxista pergunta se me importo de ele acender um cigarro. "Não", respondo.
-você fuma?
-não.
-ah, então deixa, acendo outra hora, você não fuma é?
-não fumo cigarro
-ah, tu fuma uma maconha então
Murmuro algo que não diz sim nem não.
-é, quem hoje em dia não gosta de uma macoinha. o meu tá pronto já, daqui a pouco boto fogo.
-ah, tá pronto já é, para depois do expediente
-é, hoje à noite acendo
Vi que a situação poderia render boa história
-a maconha daqui é boa é?
-é, de primeira. tá aqui ó -enfia a mão no porta-objetos da porta e tira o baseado, enquanto quase entra na rua errada- saca só
Pego o pequeno cigarro, analiso, cheiro
-de onde é esse?
-tuiuti
-parece bom, é bem pura?
-é, tem só um negócio que eles usam para dar liga, mas é boa. Se quiseres a gente pode tocar fogo agora...
-não não, tô indo para casa agora
O carro pára na frente de meu destino, a corrida foi R$ 7,50. Abro a porta e o 0,50 do troco cai no bueiro. Paciência. Coisas do Rio de Janeiro.
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