30 de setembro de 2008



A Fórmula da Reportagem





Quem passasse pelo hall do espaço hipermídia na noite da última sexta-feira poderia pensar que ali acontecia apenas mais uma reunião de alunos. Acadêmicos de jornalismo e cinema saboreavam os acepipes feitos pelos também acadêmicos da gastronomia. Um olhar mais atento, todavia, indicaria o motivo do ágape: entre os jovens, um senhor de cabelos brancos, olhos profundos e pesado casaco belisca alguns dos petiscos enquanto toma guaraná. Aproveito para ter meu O Gosto da Guerra autografado. José Hamilton Ribeiro, o repórter do século, preparava-se para sua palestra no encerramento da Semana da Comunicação da Unisul.

Passava pouco das sete e meia quando Zé entrou no auditório do bloco C. Após as formalidades, foi-lhe entregue um prêmio da Massey Ferguson, ao qual o repórter não pode comparecer. Sentado à mesa, Zé começa a falar sobre grande reportagem. Cita frases de Joel Silveira e Rubem Braga, dizendo que “um bom texto começa com letra maiúscula e termina com ponto final”. Levanta, vai até o cavalete e escreve a sua fórmula para feitura de boa grande reportagem: GR=(BC+BF)X(T.T’)n.

Senta novamente, deixa a equação de lado e aponta alguns fatores que considera fundamentais: cuidado com superlativos, usá-los com provavelmente ou possivelmente. Tentar dar uma alma feminina ao texto. Sobre isso, brinca que a notícia é uma fofoca confirmada, e comenta o avanço das mulheres nas redações: “daqui a pouco elas dominam se deixar”. Na questão imparcialidade, “é uma quimera” afirma. Lembra da cobertura de guerra, onde dificilmente se diferencia o que deixa de ser informação e vira traição.

Sua incrível simplicidade pode fazer com que algum desavisado não pense que é este cidadão o maior ganhador da história do Prêmio Esso, vencedor em sete edições. 72 anos de vida, sendo 52 dedicados ao jornalismo – a carreira, aliás, começou na Faculdade Cásper Libero, ao contrário de muitos colegas de profissão que exerceram a carreira apenas “na prática”. Além de jornalista, é também bacharel em direito. Dentre seus livros estão O Gosto da Guerra, sobre a experiência no Vietnã; Os Tropeiros, no qual conta a história da reportagem feita pelo Globo Rural que refez os 1.760km percorridos nos séculos 18 e 19 entre pampas e sudeste; e Música Caipira – As 270 Maiores Modas de Todos os Tempo.

Zé diz ter aprendido três coisas em sua vida, “azeitona preta é tingida, as torneiras quentes geralmente são as da esquerda e de ovo de cobra não nasce passarinho. O resto, tem que aprender todo dia”. Explica, então, sua fórmula da seguinte forma: GR significa grande reportagem; BC é um bom começo; BF um bom final; T representa o talento e T’ o trabalho; elevados a n, ou seja, o quanto for preciso. Por fim, dita a lei de Newton do jornalismo – não aquele Newton, mas Nilton Pelegrini, câmera da Globo: “matéria atrai matéria na razão direta da pauta e no inverso ao quadrado da preguiça”. Não é a toa que Zé Hamilton chegou onde chegou.

29 de setembro de 2008

O PRIMEIRO ROUND




O palco torna-se o ring e o soar do gongo fica por conta da vibração do público. All stars acionam pedaleiras e sincronizam bumbo e chimbal com as baquetas. O cheiro de cigarro toma conta dos ares, o que indica que a Célula está lotada. O lugar é pequeno, literalmente quatro paredes. Ali, todos se encontram e as batalhas entre bandas acontecem. Três grupos por vez sobem ao palco, semanalmente, a partir das 23 horas. O público que entra à casa tem acessórios punks ou convencionais, piercing na sobrancelha ou chapinha nos cabelos, all star, salto alto ou coturno, chapéu ou bandana, jeans básico ou estilo inusitado. Ao lado do viaduto do bairro João Paulo, as noites de sextas-feiras fazem ecoar os versos que embalam a luta pela afirmação musical na Ilha.
A semelhança com o filme não está só no nome. Além do caráter de resistência dos músicos, as regras remetem àquelas impostas pelo personagem de Brad Pitt nas telas. Todos devem estar por dentro do código do duelo sonoro.





regra n° 1 - você faz suas próprias músicas;
regra n° 2 - você faz suas próprias músicas;
regra n° 3 - a festa é toda sexta na Célula ;
regra n° 4 - os shows duram 40 minutos;
regra n° 5 - são sempre três bandas e um DJ;
regra n° 6 - quem chegar até às 23h só paga R$5 pila;
regra n° 7 - banda que começar de palhaçada não toca;
regra n° 8 - se quer brigar vá para outra festa, aqui a luta é outra.
(fonte: http:// http://www.clubedaluta.mus.br/)






A união da classe musical de Floripa é a nova forma que o Clube da Luta experimenta para apresentar a música a quem se dispõe a ouvir. Diante de tudo o que não existia para os artistas da cidade, as bandas locais não se deixaram conformar e tampouco se acomodaram com a situação. Se outrora não havia espaço e valorização, hoje as perspectivas do sucesso não estão aquém como estavam. “Infelizmente os artistas musicais daqui têm que lutar pra mostrar o seu trabalho”, registra Maurício Alves – baterista da banda Gubas e Os Possíveis Budas. Esta necessidade alimentou a sede pela luta, que está aí para quem quiser encarar.


Encontros entre duas ou três bandas que aconteciam aqui e acolá nas noites de Floripa passaram a ser parte de uma mesma idéia em setembro de 2006. “O Marcinho (banda Tijuquera) teve a atitude de juntar isso”, explica Jean Mafra ao se referir aos projetos Samambaia Convida, Circuito Aerocirco e Berbiga’s Rock Night, precursores do Clube da Luta. A partir de então, a ousadia não ficou em segundo plano: no Espaço Fios e Formas, embaixo da ponte Hercílio Luz, oito bandas passaram a se apresentar freqüentemente a fim de conquistar público e um lugar ao sol.


Para o vocalista Gustavo Barreto, que é músico há 15 anos, a iniciativa é inédita em Floripa e vem como resultado de uma perspectiva de valorização da produção artística local, deficitária já há algum tempo. “O Clube surgiu para que as pessoas comecem a fazer sua crítica musical e criem um sentido de identificação com a música produzida aqui”, Gustavo afirma.


Hoje, são 16 bandas integrantes do Clube da Luta. Samambaia Sound Club, Gubas e os Possíveis Budas, Jeremias sem Cão, Aerocirco, Maltines e Andrey e a Baba do Dragão de Komodo estão entre elas, que se alternam em apresentações na nova casa do projeto, a Célula Cultural. Os duelos contam com os solos de guitarra e com performances animadas reveladas de acordo com o estilo. Para se aquecer do frio, valem desde requebradas de quadris nos sons mais grooves até as chacoalhadas de cabeça acompanhando os sons mais rock and roll. Aqui vale a analogia: o lugar tem se tornado a célula embrionária da música em Floripa. Um dos produtores dos eventos do Clube, DJ Zé Pereira, observa: “é preciso que as pessoas de Santa Catarina reconheçam que aqui tem música de qualidade”.


Seja por meiose ou mitose, a música ali se reproduz e vence o espaço da membrana celular: no mês de aniversário de dois anos do projeto, a luta recebeu uma nova aliada para divulgação. No início de setembro, uma parceria com a emissora MTV foi selada oficialmente no show de lançamento do CD ao vivo da Aerocirco. Com a crescente presença de apreciadores na Célula e com a projeção que os lutadores vêm atingindo, uma coisa é certa: o primeiro round já tem um vencedor.

28 de setembro de 2008

Zezão grafitando em São Carlos, SP. Vídeo bem bacana.

20 de setembro de 2008

As luzes do ônibus atrapalhavam um pouco, mas não a impediam de dormir. Chovia levemente, as gotas caiam suavemente sobre sua face. Fechava os olhos, aquela sensação lhe era boa. Mal viu quando o motorista parou. Abriu os olhos, a porta já estava aberta. Entrou calada, passou pelas fileiras de bancos ocupados; sentou no fundo como sempre fazia. Não cumprimentara ninguém, estava longe dali. As luzes dos postes já estavam acesas, percebia-as diferentes, como se nesse dia tudo estivesse um pouco mudado.
Acordou pouco depois das duas da tarde. O pequeno apartamento tinha as janelas abertas, sobre a mesa da sala/cozinha livros, caneco sujo de café, cinzeiro, maço de gauloises, mais livros; uma blusa e a bolsa xadrez penduraras nas cadeiras. Levantou do sofá-cama lentamente, foi até o balcão que dividia sala e cozinha, pegou a moka usada, trocou o pó velho por um novo, colocou água e pôs no fogo. No som de três cds bajofondo, soda stereo e jorge ben. Deu play no segundo. As olheiras não incomodavam mais, de qualquer forma foi até o banheiro e lavou o rosto. Olhou-se no espelho, o cabelo solto, 12mm nas orelhas, a faixa tatuada no ombro. Sentou no balcão, tomou o café, comeu bolo de cenoura. Enquanto comia foi até a sacada, olhou o bairro, tinha saudades de sua terra, sua família, porém não queria voltar; sentia-se bem onde morava.
Terminado o café da manhã, sentou na poltrona, colocou o cinzero sobre a bancada da sacada, terminou o preparo com uma aleda. A fumaça subia lentamente, embaraçando ainda mais sua mente; esticou-se, pensava na noite anterior, em nada, em tudo. Ali ficou por quase uma hora, imersa em pensamentos que a acalmavam. Começava uma garoa, deixou que o vento soprasse e a molhasse suavemente. Terminado, em lentos passos caminhou ao banheiro, tirou a toalha pendurada no box. Tirou o short, a camiseta recortada pouco abaixo dos seios, tomou seu banho alegremente, gostava disso, sua mente ainda viajava enquanto a água quente escorria sobre sua espádua.
Entreaberta, a porta do armário exibia uma bagunça organizada. Vestiu short listado - como a maioria dos que usava -, a camiseta comprada na internet com ilustração de sua amiga paulista escondia o sutiã branco de bolinhas. Escolheu calça skinny azul-escuro, entre diversos tênis espalhados pelo chão pinçou o all-star azul. Pegou a pasta, um pacote de bolachas maizena, desceu três andares pela escada. Ainda chovia. Devolveu o cumprimento do porteiro, ceratamente o ônibus não passara ainda.
Quase uma hora até a universidade, culpa do trânsito caótico. Pelo menos tinha mais tempo para descansar. Chegando, a chuva prosseguia, foi direto para a praça de alimentação. Caminhava lentamente, ainda levemente aérea. Ninguém de sua sala havia chego. Entrou, olhou as mesas, as pessoas sentadas, achou aquilo tudo engraçado. Riu, sentia-se feliz por poder rir. Não ligava para o que os outros pensasem, se ligasse não teria a tatuagem escapando da cobertura das mangas curtas. Apenas ria, discretamente, de si e de sua felicidade. Pediu um café, com mais leite, sentou numa mesa do canto, próximo da rua, enquanto comia o lanche trazido de casa. Avistou dois colegas vindo do ponto dos ônibus, dali a pouco a aula começaria. Devia estar mais quente na sala, tinha um pouco de sono. Dormiria bem lá.
Quando cheguei ela tomava café e comia bolo de cenoura.

OsGêmeos em entrevista no Jô.

19 de setembro de 2008

Por um jornalismo mais Rock n' Roll

Communication Breakdown - Led Zeppelin

Bom, apesar de ninguém ter comentado ou avaliado o post anterior, acredito que foi uma boa idéia colocar aquele vídeo aqui. Então, a partir de agora, começarei a postar, uma vez por semana, um vídeo de alguma banda de rock famosa, cuja música que tocará aqui não seja tão conhecida do grande público.

13 de setembro de 2008


Stickers/FLN

10 de setembro de 2008

Floripa parece ser terra de ninguém mesmo. Não sei qual débil mental (secretário de obras, prefeito, ou todos juntos) tem a brilhante idéia de fechar a Mauro Ramos perto do meio-dia e a Beira Mar às seis da tarde, horários em que quase não há movimento. E quem pega carro ou ônibus para ir à aula ou voltar para casa, foda-se.

8 de setembro de 2008

Aerocirco na Célula

Excelente. Não há melhor palavra para descrever o show do Aerocirco no último sábado, lançando seu trabalho ao vivo - também gravado no Célula. Passava pouco das onze e meia da noite quando Della, Maurício Peixoto, Lange e Henrique subiram ao palco. Colados nele - sim, próximo ao ponto que, se eu esticasse o braço poderia dedilhar o baixo - fãs amontoados cantando cada música do começo ao fim. Trata-se de uma banda que, tocando ao vivo, é tão boa ou melhor que em estúdio.

Num setlist com 25 canções, ninguém deve ter ido embora sem ouvir sua preferida. A minha (embora goste de todas) foi a teceira tocada, Hipnotizar. Enquanto o som rolava, Viti pintava uma figura roqueira numa tela, quiçá semelhante a dois integrantes da banda. Mais de duas horas com puro rock, cerveja, pulos no palco e cartola. Ah, e um liquidificador levado por uma fã.


Para quem não foi, é possível baixar o álbum através da página do Aerocirco, as intruções estão no www.aerocirco.com.br.

6 de setembro de 2008

LOST.ART

Faz tempo que conheço essa página, não sei como não falei dela antes.

http://www.lost.art.br/ é um site desenvolvido por e com fotos de Louise Chin e Ignácio Aronovich. Fotos de tudo - como a vida (que bonito isso). Desde sertão a cachorros estilisos.
Para facilitar, deixo aqui dois links que tem fotografias sensacionais. Só conferir.

http://www.lost.art.br/graff.htm - vários dos grandes grafiteiros brazucas

http://www.lost.art.br/2ndskin.htm - photo&art.

5 de setembro de 2008

Como não tem nada mais importante para se discutir mesmo, falemos de seleção brasileira. Leio que lula falou que a argentina era melhor que o brasil, o júlio césar ficou "brabinho" e falou mal do lula.
Por partes. Como torcedor, lula tem todo direito de achar a seleção uma merda - como de fato está. Como presidente, e é impossível ele se separar dessa condição, de fato achei meio inoportuno seus comentários.
Já o goleiro da seleção, disse que nosso presidente devia se mudar para argentina. Ora, forçou também. Que culpa tem o lula se de fato o messi está jogando demais, se eles ganharam a medalha de ouro nas olimpíadas e (pelo menos para mim) a seleção dos hermanos empolga mais que a nossa. Estamos em quinto (quinto!) lugar nas eliminatórias, e precisamos ganhas os próximos dois jogos, além de secar os outros, para chegar à liderança.
Numa boa, acho que nenhum dos dois está com muita moral para falar. Se fizerem bem seus trabalhos, está de bom tamanho.

4 de setembro de 2008

e isso em Dez/1984:



...

Foto tirada do jornal O Estado.

3 de setembro de 2008


BsAs
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