31 de agosto de 2007

Mais informação no AJ. Fechamos uma parceria coa revista Placar, que agora colabora com este modesto blog. Toda semana o leitor poderá ver a tabela atualizada do campeonato brasileiro, embaixo da sessão arquivos.

30 de agosto de 2007

O cansaço me cabe, mas o sono não me toma. Longe de qualquer discurso melodramático ou de qualquer descrição exagerada, é este o estado em que me encontro. A insônia vem da angústia. Eis a cena que ecoa arrogância em minha memória recente:
A porta de um shopping, uma viatura de polícia, uma carroça carregada de restos urbanos e olhares desviados. Na entrada principal do shopping Iguatemi, a covardia despertou a atenção. Distraída pela conversa com uma amiga, demorei a perceber o rebuliço e não posso afirmar com convicção o que precedeu as ações. Surpreendi-me ao ver dois policiais, junto à parede, a agredirem, sem prudência alguma, um catador de papelão. Os socos e pontapés tinham como resposta o desespero de um homem algemado, ao chão, que suplicava por uma interrupção das agressões. Em frente à viatura (que manteve a sirene ligada o tempo inteiro, atraindo ainda mais a atenção dos passantes), parou um carro convencional, de onde desceu mais um homem uniformizado com os trajes da Polícia Militar. Durante dez minutos, pelo menos, a pancadaria não cessou. Os golpes eram dados com raiva, com fúria e impiedade. Um outro veículo, sem qualquer distinção que o identificasse como policial, parou no meio da rua e o motorista, fardado, desceu para participar da confusão.
Assumo a falta de informações sobre as atitudes do catador de papelão que ocasionaram a ação da polícia militar. Porém, acredito que a partir do momento em que um ser humano está algemado, sem possibilidade de qualquer resistência física, não existe necessidade de brutalidade. Aquele homem que foi espancado transita pelas ruas ao redor do shopping todos os dias com seu cavalo e a carroça, recolhendo o lixo reciclável. Como cidadã e futura jornalista, a cena a que assisti terminou o meu dia de forma indesejável. Fui infeliz no sentido de não ter corrido atrás de detalhes no momento. Eu saía do trabalho e não tinha nenhuma câmera comigo para fazer algum registro, além de todo o cansaço que eu carregava em meu corpo. Resta-me, por ora, apenas manifestar meu descontentamento e minha insatisfação para com essas pessoas que acreditamos serem capacitadas e devidamente treinadas para lidar com situações como a ocorrida.
Hoje tentarei descobrir alguma razão (se é que ela existe) para o fato. O post é um desabafo e o relato de um furo, antes de jornalístico, pessoal, pela falha e pelo alerta que isso tudo me significou.
Arielli Secco

28 de agosto de 2007

Mais um desses textos que, corriqueiramente, escrevemos para aulas que colocam em pauta discussões batidas e têm o final feliz de sempre: o bem vence, todos estão conscientizados acerca das desigualdades e o caos tem solução.
O Diabo veste Prada


O nome do filme traz a mesma marca que os sapatos vermelhos aos pés do papa. Boas atuações, Oscar para a atriz Meryl Streep (que, convenhamos, de Cruela Cruel para Miranda Priestley não foi grande diferença), o tradicional jogo de câmeras Hollywoodiano e o glamour do mundo da moda. O filme permite duas análises: a de que ele mostra os bastidores da moda como um mundo de poder e de estrelismos, ou a de que ele tem elementos suficientes para vir a ser uma crítica às banalizações da vida pós-moderna.
A cena inicial é o retrato puro e simples da uniformização provocada pelo que é convencionalmente chamado de “beleza”. Mulheres supostamente diferentes se maquiam em frente ao espelho e vestem as roupas da moda a fim de se enquadrarem ao padrão. A Impressão que se tem é de uma auto-fábrica a que todas se submetem. Os cílios postiços, os tecidos esvoaçantes e o salto alto forjam uma imagem plástica, irreal. Já antes de Cristo, filósofos como Aristóteles discutiam a beleza em um patamar diretamente relacionado ao bom, ao amor, à felicidade, diretamente interligados com a alma, a essência, o ontológico dos seres. Uma beleza construída, não comprada. Como pode o ser humano, então, ter perdido tanto ao restringir o belo a marcas, a cores estampadas artificialmente no rosto e à aparência?
Acredito que, antes de relacionar tal fato com hábitos como consumismo, é preciso aprofundar a questão ao sentimento humano: à ansiedade, à solidão e à necessidade de se sentir parte de um segmento social fruto de impressões. Não se usa o que se gosta, pois o gosto se confunde ao que está destacado nas páginas ou nos programas de televisão como “o que está na moda!”. As pessoas não se interligam simplesmente por afinidade ou por compaixão, e sim pelos óculos, pela bolsa ou pelo tênis da vez. A sociedade da espetacularização (conceito proposto por Guy Debord) provoca uma sensação de satisfação àqueles que estimam valores materiais em lugar de valores construídos pela vivência. Uma marca não passa de um vazio. Uma ideologia superficial é difundida em outdoors e em formas diversas de publicidade a troco de um nome bordado em uma etiqueta, supervalorizando um objeto que pode não passar de um pedaço de tecido. Encontramo-nos na sociedade dos signos, a que não se atribui significado algum além do capital, ao contrário do que é proposto pela semiótica. Tudo é fabricado para ser exposto e desfilado nas passarelas de asfalto, que são as mesmas por que pisam pessoas à margem do glamour.
A coisificação do ser pode ser explicitamente identificada no filme quando a editora-chefe da revista Runway, Miranda Priestley, chama sua nova contratada como segunda assistente, Andrea (a mocinha inocente que só queria conseguir um bom emprego como jornalista e que sempre criticou o mundo da moda) de Emily (nome da superior primeira assistente). Isso prova, além do poder e da submissão, que não havia diferença para a editora levar em consideração que existia uma pessoa trabalhando, com nome, personalidade e sentimentos. A própria Andréa, aliás, submeteu-se a desrespeitar-se: re-personalizou-se para se enquadrar na função que a cabia. Sempre humilhada por seu modo de se vestir e pelo seu modo de lidar com os fatos, ela passou por uma transformação que provou ser supérflua e temporária ao final do filme. O final feliz foi que, mesmo tendo mudado seu modo de se vestir e de lidar com as pessoas, seu pensamento permaneceu o mesmo e falou mais alto em uma das últimas cenas, quando a Andréa-que-não-Emily virou as costas para a vida que levava como assessora da editora da Runway para voltar à busca pelo emprego que realizaria verdadeiramente seu sonho como jornalista, ainda que isso não equivalesse a glamour e purpurinas.
A essência é a mesma. Todos temos alma, todos temos corpo. Alguns compram aparências mais caras que outros. E a única diferença é uma etiqueta.
Arielli Secco

24 de agosto de 2007

Essa semana estava numa sala de espera, acabei pegando uma veja. Era meio velha, era desse ano. Comecei a leitura pelo final da revista. Tinha uma matéria de peixes abissais, interessnate. Também um "guia" de águas minerais. Até aí tudo bem, mas quando chegaram as primeiras páginas... Primeiro um artigo, tratava da ocupação da USP pelos universitários. Escrito por um, acho que era economista, sei lá. Posso estar enganado, contudo se bem me lembro jornalista não era não. Enfim, o artigo era uma bosta, só que artigo é assim mesmo, a opinião do cara.
Virando a página, a pérola. Uma matéria - pelo menos pretendia ser - sobre a ocupação. Não era assinada. Gostaria de tê-la em mãos, garanto que era bem engraçada. Ri na sala de espera. Tem coisas que só veja faz por você. Dizia que os estudantes não tinham direito de protestar. Que a USP é de São Paulo, aquilo era uma agressão. Comparava-os a traficantes, completando com uma legenda "até a polícia apanhou". Acho que esse repórter não foi até o local. Ainda mencionava que ajudavam os uspianos "um tal de Mab" (sic) e o MST. Claro, todos patrocinados pela União Soviética com a intenção de instalar o socialismo no Brasil. Os adjetivos, sem comentários, toda linha comunistas-anacrônicos-baderneiros-rebeldes sem causa. Só faltou falar que o cabeça da ação foi o presidente Fidel Castro, patrocinando tudo com os tais dólares cubanos.
Hoje, na hora do almoço, assistia o jornal do almoço. Passa uma matéria sobre a ocupação da reitoria da Ufsc, em seguida o comentário do Luis Carlos Prates. Puta merda, não sei como dão espaço pra isso, nem jornalista esse sujeito deve ser. Primeiro deu todo discurso reacionário pré-fabricado inerente à sua turma (um absurdo, todas as medidas precisam ser tomadas para acabar com isso, desordeiros, etc). Fechou o comentário dizendo que "estudante só tem um direito: estudar. O resto é dever". Não concordar cò ato, até vai. Porém soltar uma dessa, francamente. O cara não deve ter noção da função que ocupa, que imprensa não é para falar a merda que bem entender e fica por isso mesmo. Mas o pior é que no fim fica mesmo.
Fiz esse comentário no http://aquiearrabaldes.blogspot.com/. Olhei bem e resolvi colocá-lo também aqui

Muito rende o pertinente assunto. Ainda que não seja verão, aproveito a temática da incorporação do público como privado para lembrar dos bares e hotéis do Jurerê. Seja final de semana, seja terça-feira; ocupam todos metade da praia com suas cadeiras e gurda-sóis. Não importa se o cidadão chega cedo, lá estão dezenas de cadeiras vazias ocupando a areia. Como infelizmente quase ninguém se arrisca a ficar no meio, ficam quase áreas privadas - faixa de areia do beach village, do el divino, etc. Sem contar as músicas que tais bares obrigam todos que estão num raio de quatro km a ouvir. Só uns bate-estaca de merda.

23 de agosto de 2007

Antes de mais nada, vou explicar o motivo do seguinte texto. Descobri hoje que existe um concurso da revista Piauí onde a cada mês os editores dão uma frase qualquer e os postulantes devem enviar um texto de até 3000 caracteres. O melhor é publicado na edição do mês seguinte da revista. Quando vi isso, larguei tudo e escrevi o texto que segue. No entanto, a minha ignorância me impediu de ler o regulamento. Perdi o prazo para envio. De qualquer maneira, decidi não jogá-lo completamente fora. Ei-lo:


O Condenado




Não havia mais nada para ser dito. Meses e meses de espera e o ato fora consumado. Ele caminhava sem rumo em volta de si. Kafka ou Poe nunca imaginariam uma situação como esta. Seus pés flutuavam em um carpete sujo. As paredes revestidas de madeira davam um ar sóbrio ao local. Ele queria ajuda, porém, o homem era muito orgulhoso para isso.


Dois caras o acompanharam até a porta. Pensou ter ouvido alguém chama-lo antes de sair. Que se dane! Quem eles pensam que são? Será que pensam em alguma coisa? Só sei de mim. Agora sei com certeza. Sei tudo o que vai acontecer comigo. Mas não me assusto. Aceitarei o que aconteceu. Perdoarão-me pelo que fiz.


Ele continuou a dar seus passos. Ainda acompanhado pelos homens. Pensou em sair correndo. Desistiu logo. Os homens o acompanharam até um carro preto. Colocaram-no lá dentro e sentaram-se na frente. O veículo saiu da inércia. Os 115 cavalos relinchavam alto. Logo não se veria mais o prédio em que outrora ele estava.


Seguiram dentro do carro por mais de duas horas. As luzes da cidade também ficaram para trás. O destino já estava traçado. Em poucas horas chegaria a sua vez. No banco da frente os homens riam alto e tiravam chacota do passageiro. Em momento algum ele pensou em revidar qualquer uma das ofensas que lhe eram dirigidas. Baixou a cabeça. Baixinho, pediu um cigarro. Ninguém deu a mínima. Resignou-se e não falou mais nada durante todo o trajeto.


No outro lado da cidade, o homem traído dormia calmamente. Ao seu lado, uma senhorita 24 anos mais nova. Deitaram e rolaram por longos cinco minutos. Dormiram em seguida. Os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile.

19 de agosto de 2007


Um registro: dia internacional da fotografia. Há cento e noventa e oito anos o click congela o tic-tac por um instante; em um papel.



O piscar de olhos que se eternaliza. Etéreo eterno.
Arielli Secco

9 de agosto de 2007

Aí vai um fato constatado mais do que ao acaso e que resultaria em uma bela analogia caso eu não estivesse com o tempo curto para postar: aos curiosos, basta abrir uma janela do servidor da internet, digitar o endereço www.votabrasil.com.br e "Confirme!" [vulgo enter].


Um tanto quanto bizarro.

4 de agosto de 2007

http://www.fazendomedia.com/novas/politica040807.htm

Ótima reportagem. O Pan acabou, mas as confusões continuam.
Ontem à noite a banda Aerocirco fez show lançamento do clipe "ser quem sou", no Teatro Álvaro de Carvalho. O evento começou 20:30, com apresentação da Maltines, outra banda aqui de Floripa, bacana. Já estavam no palco quando chegui, após pagar entrada de R$ 5 - ou seja, de graça. Sentei na penúltima fila. A Maltines faz um rock com eletrônico, meio indie. Batidinha bem ritmada na batera, efeitos de teclado. Tocaram, hum, acho que uns 30 ou 40 minutos. Depois o palco foi arrumado para a atração principal, um telão exibiria o clipe. Um cara cujo nome não lembro subiu no palco para as "formalidades", falou umas besteirinhas enquanto não davam jeito no telão e saiu dizendo que não ficaria contando piadas até que o mesmo ficasse pronto. A impressão é que todos no teatro se conheciam, um grupo de amigos qe se reúne para fazer um som. Passados uns minutos o clipe começou a ser exibido, porém não tinha som. Nova tentativa sem sucesso e na terceira a música foi ao vivo. Todos de preto - mesmo figurino do vídeo - executaram "ser quem sou". Fábio Della, voz e guitarra, anunciou que não houve problema, a banda queria mostrar o primeiro clipe musical mudo. O show prosseguiu animado, um rock forte e vibrante. O teatro não estava lotado, porém abrigava bom público, que acompanhava com entusiasmo os músicos Fábio, Maurício Peixoto (guitarra), Henrique Monteiro (bateria) e Rafael Lang (baixo). A conhecida "eu não conheço" não ficou de fora, além de outras boas do quarto disco, Liquidificador. Após o final do show, mesmo sem ter programado o bis, voltaram ao palco - atendendo entusiasmados pedidos da platéia. Repetiram a canção do clipe, tocaram mais algumas músicas e fecharam com a ótima "hipnotizar". Sai do teatro pouco antes das onze, e elegante nevoeiro cobria Florianópolis. Tomei um táxi e fui-me batucando sobre o cd Liquidificador, comprado na saída do show.
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