30 de maio de 2008

Futebolísticas

Bons jogos na última quarta. Quarta que, além da libertadores, teve a definição dos finalistas da copa do brasil 08.
Em mi Buenos Aires querido o tricolor das laranjeiras encarou o todo poderoso boca juniors. Com a vantagem de não jogar na bombonera; esta só poderá ser utilizada na final, se os donos lá chegarem. Jogo parelho, muito pegado, ao meu ver mais raçudo que técnico. O que não significa ausência de boas jogadas. Thiago Neves apareceu um pouco mais que nas últimas partidas, e seu xará Silva teve as boas atuações recompensadas marcando o primeiro gol do flu na partida. Com os argentinos pressionando muito, Fernando Henrique fez boas defesas. O "cara" da partida, para mim, chama-se Juán Román Riquelme. Falo muito dele,de fato sou fã de seu futebol. Se ele "amarela" contra a nossa seleção, agiganta-se nos embates entre clubes. Ano passado - e escrevi aqui - foi o nome da final, melhor em campo, nos dois jogos. Anteontem, Riquelme repetiu a dose. O Fluminense tem totais condições de chegar à final. Tem elenco consistente e certamente o Maracanã lotado na próxima semana. Precisa lembrar, contudo, que do outro lado há um time acostumado a decisões, a jogar com torcida contra. E, nessas condições, costuma surpreeder.
Na outra chave, com LDU e América, empate em 1x1 no méxico. Acho que o vice-campeão sai desse duelo.
Pela copa do brasil, a final será disputada entre sport e corinthians. Os pernambucanos contaram com a ajuda de edmundo, que joga muito mas perdeu mais um pênalti decisivo - chutou a bola em niterói. No morumbi, os sem-estádio passaram também nas penalidades pelo botafogo, 5x4. Muito esforçado, o corinthians vai para mais uma decisão no ano em que disputa a segunda divisão. Méritos para mano menezes, que armou um time de série A, e jogadores que, se não são tudo aquilo tecnicamente, esbanjam vontade. Aliás, os cariocas perderam também o técnico. Fica a dúvida, o que acontecerá no botafogo depois que o cuca ir?
pqpensa

Blog dedicado a publicações de textos ensaísticos, crônicas, poesias, fotografia, enfim; todo tipo de manifestção artística. Participo de seu time de colaboradores com algumas fotografias, algo mais relaxado, sem fotojornalismo.

O endereço é http://pqpensa.wordpress.com/.

28 de maio de 2008

Vi hoje, pela primeira vez em floripa, o disco do rilo kiley. A banda foi formada no ano de 1998 em los angeles e leva charmosos vocais femininos com pitadas de guitarras indie. Under the blacklights, quarto álbum do grupo, tem boas músicas misturando rock com uma levada bem cool. Os R$34 do preço não me ajudaram a levá-lo, mas é uma boa pedida.


Ironias




Considero importante armazenar certos acontecimentos na memória e estabelecer relações com a atualidade. Nesse famigerado século, em que todos dizem ser o tempo uma jóia rara, o etéreo passa a ser conseqüência; os fatos passam, o que vale é o agora, porque o ontem já foi. No meu impulso de atualização, eu, que antes abria um jornal, hoje me flagro a abrir sítios que conglomeram informações de toda e qualquer natureza na primeira página. Ainda assim, vez ou outra, consigo estabelecer relações e ter algum senso crítico.

Por exemplo: reparo sempre no que o futebol faz com as pessoas. Principalmente em Copa do Mundo, quando amigos se unem, inimigos se perdoam, os problemas sociais desaparecem e a felicidade se torna estado decretado. O momento epifania causa a falsa impressão de que tudo vai bem. Para um país que sedia o evento, então, nem se fala! É motivo de orgulho, de auto-estima para a nação, é símbolo de modernidade e de preparo. Lógico, não é para qualquer um!
A África do Sul sediará a Copa em 2010. O fato torna-se catalisador de agilidade política e econômica e prontidão vira palavra-chave: até dezembro deste ano, cinco novos estádios de futebol devem ficar prontos. Isso é parte de um investimento de 1 bilhão de dólares despendido pelo governo. Peço ao leitor que guarde esse parágrafo.
Desde a semana passada noto manchetes do tipo “África do Sul já tem 24 imigrantes mortos”, “Mais de 10 imigrantes são mortos na África do Sul”, “Violência resulta de disputa por subempregos”. Thabo Mbeki, presidente Sul-Africano, por sua vez, tornou-se alvo de muitas críticas. Ele é acusado de privilegiar empresários em um momento de alta taxa de desemprego, concorrência por subempregos da economia informal e crise na economia.
É perfeitamente previsível que uma população mergulhada em tantos problemas aumente sua ira ao ter que disputar o espaço, já restrito, com imigrantes – vindos em maioria do Zimbábue, outra região problemática. Ironia é pensar que os ataques xenófobos têm acontecido em Johannesburgo, a maior cidade do país, e mais: concentradora do maior centro produtor de ouro e diamante do mundo.
Eis aqui a relação de que falei no início do texto: a desassistência parece não se repetir quando o assunto é futebol. A não resolução de questões básicas como moradia, abastecimento e ampliação do mercado de trabalho é característica comum dos governos pós-apartheid. Mais uma vez, a bomba estoura do lado mais fraco, pessoas chegam a situações extremistas e a esperança não é mais a última que morre, e sim o motivo que leva a essa causa em momento de desespero.
Calma! Em 2010 os sul-africanos terão o que comemorar!

27 de maio de 2008

Que o CQC daqui é muito bom já se sabe. O que talvez nem todo mundo saiba é que originalmente o programa é argentino. E, como o brasileiro, muito bom.
Na Ruta 11, uma espécie de BR-qualquer coisa da Argentina, há um trânsito intenso de pedestres, principalmente crianças, mas nada de semáforos. Gonzalito - um Rafinha Bastos portenho - foi conferir, junto de seu amigo farolito. Muito engraçado.

22 de maio de 2008

Fluminense 3 x 1 São Paulo

-Jogão. Quiçá um dos melhores do ano. O são paulo entrou em campo com o empate a seu favor, o fluminense precisava derrubar um time acostumado à competição. E foi o que fez. Bem arrumado em campo, bastante esforçado, e com o treinador sabendo que o jeito era ir para frente, fez por merecer. Acreditou, mesmo sabendo que precisava de dois tentos em pouco menos de 20 minutos. Bonito de ver.
-Teve todos os ingredientes necessário a uma partida desse nível: o Maracanã, lotado - com direito a carga extra de ingressos. Um frango para ninguém botar defeito, no gol de Dodô. Rogério caiu estranho e teve a visão privilegiada da bola passando entre suas pernas antes de balançar as redes. Um gol nos acréscimos, quando até os tricolores das laranjeiras pareciam conformados coa eliminação.
-Falta muito, mas muito, para Thiago Neves ser o melhor jogador do país. Cícero fez uma partidaça, Washington nem precisa comentários. Fez o gol que leva o Flu à inédita semi-final da Libertadores. No lado do Morumbi, Rogério fez ótimas defesas, algumas bem difíceis. Só falhou quando não poderia. Dagoberto não apareceu, Fábio Santos devia ter sido expulso.
-Palpite para final: Boca x Fluminense
-Muito fala-se do futebol europeu, milhonário, cheio de craques dos quatro cantos do planeta. Pois a final da liga dos campeões, entre Chelsea e Manchester, não foi lá essas coisas. Claro, toda a pompa, o cerimonial, o charme de decisão, tudo isso conta. Mas, no campo, bola rolando, foi um bom jogo. Nada de excepcional. Para mim, o embate dos tricolores apresentou muito mais futebol do que o dos bretões. Ah, o Manchester foi campeão nos pênaltis, 6 x 5.

21 de maio de 2008

copa do brasil

Ontem à noite botafogo e corinthians se enfrentaram no primeiro jogo das semifinais da copa do brasil 08. Como estou com preguiça de escrever de novo,expresso minha opinião através dos comentários que fiz nos blogs do mauro beting e do pvc, colunistas do diário lance!
-Mauro, acho que o empate estaria de bom tamanho. Embora o corinthians tenha criado mais chances de gol, vacilou quando não podia. E o botafogo, convenhamos, deu sorte em tomar dois gols e vê-los anulados. Não digo que o juiz ajudou ou qualquer coisa desse tipo, mas serve de alerta para a volta.
-Acho que não chega a ser aquele favoritismo PVC. Talvez uma vantagem bem pequena, por poder empatar. Por mais limitações que o corinthians tenha, deu muito trabalho para o botafogo ontem, e não seria estranho se ganhasse, pelo jogo que fez. O ataque do botafogo também pode fazer a diferença, quando conseguem encaixar as jogadas sempre levam perigo - precisa é escapar mais da marcação. Jogo aberto na quarta que vem.

20 de maio de 2008

A outra do dia: "Pesquisa revela que seis em cada dez europeus preferem futebol a manter relações sexuais". Ora, tem fundamento. Uma partida de futebol garante 90 minutos de emoção, já uma relação...
Abro o sítio do terra leio a manchete bombástica: "Pelé não tem dignidade". Em cima, uma foto de Maradona. Naturalmente clico para ver do que se trata. E, pois, o argentino tem razão.
Não, não acho que Pelé não tenha dignidade. Mas, a frase inteira (segundo o sítio, claro) do craque argentino foi: "Pelé só sabe negociar agora, ele já foi (um jogador de verdade), e tinha que estar mais com os jogadores e não com presidentes da Fifa; portanto, ele não tem dignidade para falar de mim".
Concordo plenamente. Além de volta e meia falar umas merdas, que tem o Pelé que se juntar com havelange, ricardo teixeira e esse monte de enrolões da cbf, que só sabe marcar amistosos mercenários bem longe do território nacional? Ainda mais para participar do circo que deve ser essa copa no Brasil. O rei do futebol deve ter coisa melhor para fazer.

18 de maio de 2008

Ilustrada


15 de maio de 2008

Aventura na Amazônia...até o Pico da Neblina

Era noite na casa de Marcel Henrique Tonel Soares. Em volta da mesa, toda a família, menos o próprio Marcel, discutia sobre a nova aventura que ele havia divulgado dias antes.

- Você viu o que o Marcel inventou agora? Vai para o Pico da Neblina – disse a mãe.

- Duvido! Logo ele desiste disso – retrucou a namorada do irmão.

De repente, o irmão de Marcel, que havia saído por alguns instantes, volta ao local onde ocorria o debate.

- Se ele disse que vai, é porque vai – encerra o irmão.

Desde a adolescência, Marcel se aventura pelas estradas e trilhas de Santa Catarina, participando de viagens de bicicleta e corridas de aventura. Três das viagens em duas rodas tiveram percursos com média de 300 quilômetros de distância. A mais longa delas foi de Florianópolis até o Morro dos Conventos, em Araranguá.

- Nas primeiras vezes que eu ia com amigos até a praia da Barra da Lagoa, achava a distância imensa, parecia que não acabava mais. Hoje em dia, consigo fazer isso normalmente – revela Marcel, que sempre ouvia da família que encarar seis dias em uma viagem como essa era “um programa de índio”.

Para ele, essas viagens de bicicleta e as corridas de aventura mostram o mundo de maneira diferente de uma viagem de carro, por exemplo. O fato de que as paisagens e objetos passam pelos olhos mais devagar ajuda a apreciar a beleza nos pequenos detalhes que a velocidade do carro esconde em uma mancha praticamente monocromática.

Depois de um ano de planejamento, no verão de 2006/2007, Marcel e mais alguns amigos saíram de Florianópolis, de carro, em direção ao sul extremo da América, na cidade de Ushuaia, na Argentina. Essa foi a primeira grande viagem dele. Foram 30 dias e mais de 15 mil quilômetros rodados pelas estradas do Brasil, Argentina e Chile.

Sua aventura maior, porém, só teve início em uma conversa com seus colegas de ciclismo. Em novembro passado, a idéia de ir ao Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, com 2.994 metros de altitude, localizado no Norte do Amazonas, no meio da floresta, surgiu ainda de modo descontraído, sem nenhuma pretensão maior. Todavia, Marcel levou o intento a sério. Seria a primeira vez que ele faria uma aventura assim. Em meados de março, Marcel e mais três amigos desembarcavam no Amazonas dispostos a alcançar o cume do morro.

A preparação para a aventura se deu ao longo de um mês. Pelo menos três vezes por semana, ele corria de sete a 10 quilômetros. Uma subida ao cume do Morro do Cambirela, em Palhoça, também foi realizada. Nesse momento, Marcel, aluno da oitava fase do curso de Engenharia de Produção, usou dos conhecimentos sobre planejamento, aprendidos em sala de aula, para programar como seria a expedição que o levaria ao ponto mais alto do país.

- Foi com a subida ao Cambirela que pude prever muitas das dificuldades que enfrentaríamos lá no Amazonas. Se não fossem as aulas de planejamento, provavelmente teríamos grandes problemas – acredita Marcel.

Na bagagem, roupas de frio, redes e sacos para dormir e a comida. “Foram 10 dias passando, basicamente, a arroz, feijão e macarrão”, lembra Marcel. Havia um peso médio de 8 quilos em cada uma das mochilas. Ele conta que todo o material básico para a sobrevivência do grupo estava com os guias, contratados no local.

- O mínimo de conforto que tínhamos, carregávamos conosco.

Da selva, o maior medo de Marcel não eram os grandes animais, mas sim as aranhas. Isso porque, apesar de pequenas e, muitas vezes, quase invisíveis, elas têm um veneno mais poderoso que o de muitas cobras. Assim, a maior parte das roupas utilizadas pelo grupo era bastante fechada, cobrindo boa parte do corpo.

O frio também era um problema. Mesmo estando em março, devido à altitude e à umidade excessiva do local, as temperaturas eram similares às de um inverno rigoroso em Florianópolis. Quando ainda estavam no acampamento base, no quinto dia de expedição, o grupo enfrentou uma noite com temperaturas em torno de 9ºC.

A aventura começou de barco. Durante dois dias o grupo subiu o rio que os levaria até a foz do rio Tucano, onde fica o início da trilha para chegar ao cume do Pico da Neblina. Depois, começou a caminhada de seis dias até o topo. A chuva era um dos maiores revezes enfrentados por Marcel e seus companheiros de viagem. Foi preciso, logo no início da trilha, conseguir uma autorização da Funai, para entrar na reserva indígena ianomâmi.

- Mesmo com a autorização, segundo os guias, havia a possibilidade de os índios impedirem a nossa subida.

Como se sabe, chuvas na Amazônia acontecem o tempo todo. Isso incomodava o grupo, pois, a cada temporal, tudo o que carregavam terminava molhado, inclusive o que estava guardado nas mochilas. Assim, além do aumento de peso, eles precisavam agüentar o fato de não terem mais uma única peça de roupa seca. Era necessário vestir roupas molhadas e esperar que elas secassem no corpo até que viesse a próxima chuva. Além disso, boa parte da trilha, que já era alagada naturalmente, ficava ainda mais complicada com o excesso de chuvas.

A trilha, apesar de não aparentar ser difícil, exigia cuidados. Logo no primeiro dia, os guias instruíram o grupo a não andar na frente deles, para que não se perdessem no meio da mata fechada, onde nem o GPS funcionava. Contudo, a recomendação só foi seguida nos dois primeiros dias. Logo Marcel e seus amigos já andavam à frente dos guias. Nesse momento receberam rádios e foram avisados a entrar em contato com os guias nos cruzamentos que encontrassem.

- Quando terminamos, os guias elogiaram nossa forma física, pois foi a primeira vez que não conseguiram acompanhar um grupo – argumenta Marcel, que credita o fato de ter conseguido ser mais rápido que seus guias às corridas de aventura das quais já participara.

Entretanto, a boa forma do grupo não poderia ser comparada a de alguns habitantes da região que Marcel encontrou. Havia garimpeiros que ficam lá durante seis meses do ano e o grupo cruzou com eles, durante a subida, carregando nas costas sacos de alimentos que pesavam em torno de 50 quilos. Além do peso, eles ainda andavam mais rápido que os incipientes aventureiros.

Durante a viagem, Marcel diz ter começado a avaliar questões da sua vida. “Quando se está lá, você pensa no que é importante”. No meio da mata, à noite, ouvindo os sons dos animais, em um estado que misturava medo e alegria, os problemas da vida cotidiana acabam ficando pelo caminho. Eram apenas seus amigos, a selva e o morro a subir. O cume foi alcançado no dia 28 de março, quando Marcel completou 29 anos de idade.

A experiência obtida no Norte do Amazonas trouxe o incentivo necessário para Marcel continuar suas aventuras. Agora, ele pretende ainda subir os 10 maiores picos do Brasil e conta com o patrocínio da empresa onde trabalha para isso acontecer.

10 de maio de 2008

Brasileirão 08

Começou nesse final de semana o campeonato brasileiro 2008. 20 times brigando para comemorar em dezembro um dos torneios mais disputados do mundo. Sim, do mundo, pois em que outro país temos no mínimo cinco ou seis clubes com chances reais de erguer o caneco?
Flamengo, apesar da ridícula derrota para o América, tem um belo time. Fluminense geralmente monta boas equipes, esse ano não foi diferente. São Paulo tem poucos mas competentes jogadores - ainda assim não leva o tri. Internacional, bem treinado, também tem chance. Campeão estadual, o Cruzeiro possui equipe equilibrada - até achei que poderia passar pelo Boca, mas o time portenho é realmente muito bom. E, finalmente, o Palmeiras, que pode muito bem repetir o que fez em 93 e 94, quando levou estadual e nacional. Equipe tem, além do melhor jogador do Brasil.
Agora é esperar as 39 rodadas e ver o que acontece. Em dezembro, se tudo correr como deve, escrevo a comemoração do penta.

9 de maio de 2008

Comunisul

Está no ar, desde o último dia 26 de abril, o blog Comunisul, um espaço para a publicação de produções acadêmicas de todos os alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, da Unisul. Vale a pena dar uma olhada para sentir o nível - em boa parte dos casos, bastante elevado - dos nossos colegas de faculdade.

O link também estará disponível na lista aí do lado "Nós Indicamos". Já que vocês não comentam aqui, ao menos o façam lá. A calourada, sobretudo, agradece.

Sobre comentários, ficou decidido, em reunião, que comentários que contenham propagandas para sites com vírus ou blogs sem o menor sentido - literalmente - serão sumariamente deletados. Entretanto, se você tiver um site com algum conteúdo que não seja de venda de camisetas, ou coisas do tipo, pode ficar à vontade em colocar seu link em nossos comentários. Se o negócio for bom, também pode terminar em "Nós Indicamos".

8 de maio de 2008

CQC

Faz tempo que não via um programa tão bom e divertido na tv. Não que nossa tv seja ruim, sempre tem uns malucos dispostos a falar merda em rede nacional. Todavia o CQC, que estreou na band há uns dois meses, é o que há de melhor hoje na programação nacional. Jornalismo sério, sim senhor, ou não é um absurdo perturbarem sepulturas alheias?
Comandados pelo rodado Marcelo Tas, seis repórteres intrépidos realizam todo tipo de pauta. Inclusive algumas onde quase apanham. Com muita irreverência, tratam assuntos sérios e não devem em nada para quaisquer outros telejornais. Sempre às segundas, 22h15min.

24 de abril de 2008

Para quem gosta de design, como eu, ótimo blog. Várias peças - e algumas tranqueiras - mostram que, até o que você nunca pensou que existisse, alguém fez. E o que você pensou que era idiota demais para se inventar, também.

22 de abril de 2008

Isabella, por Balzac

Desde que Balzac escreveu o clássico livro Ilusões Perdidas, até os dias de hoje, já se passaram quase 200 anos. De lá para cá, o jornalismo, até então incipiente, cresceu e cobriu grandes tragédias humanas. Na sua trajetória, estiveram duas guerras mundiais, uma guerra fria, revoluções socialistas, independência de vários países.

No Brasil, não foi diferente. Também passamos por monarquia, república, revoluções, ditadura. Tudo com os olhos quase sempre atentos da mídia. Nas últimas semanas, O caso da morte da menina Isabella Nardoni levou repórteres, fotógrafos e curiosos a fazerem vigília nos locais onde o casal suspeito de ter cometido o crime passaram.

Em entrevista, o professor de literatura José Miguel Wisnik trata do tema sob a ótica deste livro de Balzac, que mostra as relações entre jornalismo e literatura e de que forma esta e aquela estão intimamente ligadas ao discurso jornalístico.

Repórter: Por que a mídia se interessa tanto com este caso?

José Miguel Wisnik: Toda a imagem é um recorte da realidade, desta forma, se pensarmos na representação literária e no jornalismo, veremos que no primeiro caso, o contexto é dado pela própria história, enquanto que no jornalismo há uma ligação direta do discurso com a realidade. A reportagem nos dá a representação de algo que parece real, próximo.

Repórter: E por que as pessoas compram esse discurso com tanta facilidade?

José Miguel Wisnik: Balzac mostra em Ilusões Perdidas que, a partir da criação dos jornais, os jornalistas tomaram o lugar dos escritores, se tornando intérpretes diários do mundo. No mais, os dois estão muito próximos no sentido de que são baseados, de certa forma, na realidade. Só que o jornalismo acontece todos os dias, aumentando a verossimilhança no discurso, trazendo os leitores para perto do tema.

Repórter: E com relação ao fato de que a mídia pré-condenou e julgou o casal suspeito de cometer o crime, o que o senhor pensa a respeito?

José Miguel Wisnik: Analisando novamente sob a ótica de Balzac, basta lembrar que no mesmo livro há uma passagem em que o autor escreve que, para os jornalistas, “tudo que é provável é verdadeiro”. O jornal é uma máquina de montar e desmontar contextos. A partir do momento em que um fato sai de seu tempo “real”, e vai às páginas do jornal, há uma mudança drástica desse primeiro contexto a partir de pequenos recortes da realidade. Desta forma, fica mais fácil de mudar as idéias ao se transcrever uma fala, por exemplo.

Repórter: Portanto seria possível dizer que o jornalismo e a arte, de certa maneira, explicam todo esse interesse?

José Miguel Wisnik: Só nos sustentamos de ilusões. Os jornalistas também trabalham com ilusão, ficção. Tanto a arte quanto o jornalismo produzem versões que são recortes do mundo.



P.s.: Essa foi mais uma matéria da séria série Entrevistas que não fiz, matérias que inventei, produzida na aula de Redação. As falas de Wisnik são o mais próximo possível do real, baseado em um documentário que já assistimos 32165465170 vezes na faculdade e versa sobre a ética no jornalismo.

11 de abril de 2008

Cotidianas


7 de abril de 2008

a 7 de abril.

No dia do jornalista, uma crítica que pode soar como algo negativo, como uma súplica ou simplesmente as coisas como elas são.




Jornal-esmo

A caminho do meu mesmo destino de todos os dias, desviei meus passos para tomar um café. Os ponteiros do meu relógio acusavam um intervalo de cinco minutos que me possibilitaram tal ousadia. Eu mal sabia que tão pouco tempo seria mais do que o necessário. O meu dia inteiro estaria, a partir de então, sujeito a uma cadeia de devaneios inconformados.

Minha atenção centrou-se na banca de jornal do outro lado da rua enquanto eu ainda me permitia apreciar o perfume exalado da xícara; o café estava quente. Foi quando um mendigo entrou em cena. Sua condição não o tornava menos digno: sorridente, ele se propôs a ajudar um homem cujos papéis foram repentinamente levados pelo vento até a calçada próxima à banca. O cenário constituía-se, tudo de forma muito natural. O meu tempo teimava em não esperar e aproximava-se do limite.

O homem pobre pôs-se diante das capas dos jornais do dia. Estavam todos expostos na parede da banca, de forma a constituir uma diversidade dentro de uma mesmice. Salvo casos raros, as manchetes eram parecidas, as tragédias postas em letras desmedidas e a vida transformada em confusão. Logo me acometeu o pensamento o texto de um escritor que tenho como um de meus preferidos; por coincidência, levava-o em minha pasta para a aula a que assistiria dentro de alguns instantes. Diante do fortalecimento do jornalismo, Machado de Assis afirma essa prática sob uma perspectiva positiva no artigo O Jornal e o Livro. O autor escreve que o jornal é a liberdade, é o povo, é a consciência, é a esperança, é o trabalho, é a civilização.
Ora, de que maneira – perguntaram a mim os meus botões – uma vitrine de tristeza pode representar uma "reprodução diária do espírito do povo"? Por que um impresso dedica um espaço para descrever mortes e não faz o mesmo para noticiar nascimentos? É de se pensar. É o que me fez pensar.

Mas, voltando à cena da manhã ausente de brilho. O mendigo continuava parado, com o olhar fixo que pude perceber pela inclinação de sua cabeça, partilhando das informações de todas as capas ali dispostas. Imaginei-me, pois, na condição dele. O que moveria meu espírito ao perceber o mundo de forma tão negativa? Dizem estar estampada na entrada do prédio em que funciona o jornal New York Times (aquele dos colegas estadounidenses) a expressão
Bad News Good News. Quer dizer: más notícias são boas notícias. Isso explica a concepção difundida entre as redações espalhadas pelo mundo. É claro que não se podem negar as exceções, assim como não é preciso muito esforço para notar que o predomínio no cardápio de notícias de cada dia é de sangue, de ódio, de tragédias.

O sorriso do mendigo já não compunha sua expressão quando ele se voltou em minha direção. No balcão, o café já cumpria com sua função de afugentar meu sono e a xícara estava vazia. O relógio alertava para a escassez do tempo – os cinco minutos eram agora dez. Atravessei a rua. Reconheci verso de Vinicius: tristeza não tem fim, felicidade sim...
O assobio e o canto vinham do personagem dos dez minutos daquela minha manhã.
Arielli Secco

3 de abril de 2008

Era uma vez um jornal...

As portas do prédio sempre foram abertas a todos. Assim que se entrava, já era possível enxergar, ao fundo, uma sala imensa, cheia de máquinas de escrever nas mesas. Todavia, poucos as usavam ao mesmo tempo. Diriam, em um futuro próximo, que tanta tecnologia assim não deveria ser desperdiçada. Telefones tocavam incessantemente. O ritmo frenético e desordenado das campainhas formava uma desconexa orquestra.

Fumaça de cigarros, pilhas de copos de café, estojos com centenas de canetas e lápis, tudo isso brigava por espaço entre uma imensidão de folhas de papéis espalhados pelas mesas existentes na sala. Aparentemente, não havia a menor organização naquilo. Quem lia o jornal todos os dias jamais poderia imaginar que aquela balbúrdia era o embrião das páginas de diagramação reta e organizada, que iam às ruas todos os dias.

Nas ruas em torno do edifício, vários carros estavam sempre chegando e saindo. Pessoas saíam apressadas deles, corriam para as maquininhas de escrever e só saíam de lá horas depois. Entretanto, apesar da pressa, os homens e mulheres, aparentemente estressados, não hesitavam em cumprimentar quem quer que fosse pela rua.

Em frente ao prédio de arquitetura bucólica, havia um bar. Era lá que todos se reuniam. Diferente de outros profissionais, suas bebedeiras só começavam depois das 10 da noite. Nem todos gostavam daqueles caras, principalmente os poderosos daquela metrópole. Eles eram, todos, contestadores da realidade em que viviam. Não aceitavam que alguém com dinheiro pudesse destruir a vida de outro só por causa de sua classe social.

Só que esse dinheiro dos poderosos financiava a publicação do jornal. De início, as moedas de cobre vinham com singelos anúncios de produtos sem grande importância. A maioria, sequer dava para ser notado, pois vinham escondidos no meio de reportagens com belos textos, que prendiam os leitores até o último ponto final. Um dia, porém, alguém perguntou ao dono do jornal se ele venderia um espaço de meia página. Inicialmente, ele relutou, mas não conseguiu resistir à oferta. Pouco tempo depois, foi uma página inteira, duas, três... Certo dia, a publicação, que nunca havia saído com mais de 20 páginas, chegou a 60.

Pela falta de espaço nas páginas, os textos, que antes eram bem trabalhados, se transformaram em pequenas notas, sendo que a maioria delas era feita por telefone. Como não precisavam mais sair às ruas, as mesinhas começaram a se encher diariamente. O dono do jornal percebeu o fato de que não era mais necessário haver tantas pessoas na redação. A conta era simples: se uma pessoa era capaz de escrever uma matéria de 30 linhas sobre um mesmo assunto, estaria apta a fazer, sozinha, seis notas de cinco linhas.

E assim, as dezenas de mesas viraram uma dúzia. O prédio também deixou de ser necessário. Mudaram-se para uma sala, em um edifício comercial. Os vários carros foram vendidos. Só sobraram dois: um para fazer as poucas reportagens que ainda persistiam – quando faltavam anúncios – e outro para um profissional, que havia sido contratado para vender espaço publicitário.
Ao contrário do que possa parecer, o dono do jornal passou a ganhar mais dinheiro ainda. Deixou de ser apenas alguém que vivia bem e virou milionário. Os populares, que antes defendiam os repórteres, passaram a ignorá-los. Por outro lado, os poderosos chegavam a oferecer presentes constantemente.

Mas a vida continuou na Ilha da Magia Perdida...

2 de abril de 2008

crônica jornaleira

Qualquer um que vá a uma banca hoje em dia terá uma infinidade de jornais à disposição. Os de fora já vieram mais para cá. Hoje, quiçá pelo enfraquecimento enfrentado por tal meio, não são mais vistos – caso dos jornais do Rio, O Globo e Jornal do Brasil.

De qualquer forma, temos aqui opções deveras distintas: Os “tradicionais” são o Diário Catarinense e A Notícia. Este, até pouco tempo, era a única voz alternativa à RBS (conglomerado midiático que manda nos estados de SC e RS), era um bom jornal. Todavia, no último ano, as sucessivas investidas dos gaúchos surtiram efeito, e o periódico foi incorporado. No começo nada mudou, porém é natural que suaves mudanças aos poucos afetem sua linha editorial.

Com a maior tiragem do estado, o Diário cumpre seu papel de jornalão local. Sem muitas denúncias, uma reportagemzinha aqui, outra coluna ali. Até que serve para saber o que está acontecendo. Surgiu em 2006 o Notícias do Dia, primeiro jornal “popular” da cidade de Florianópolis. Sua aceitação foi boa, o preço de R$ 0,50 era chamativo e o DC sentiu o baque. Pouco tempo depois apareceu o Hora de Santa Catarina, concorrente lançado pela RBS que, além de custar a metade do Notícias, dava jogos de panelas. No viés do escracho vem o Diarinho, que publica tudo como comédia. As manchetes dispensam comentários: “esposa pega marido com outra na saída do fodódromo”. Impossível não falar no tradicionalíssimo O Estado. Seu fim, com mais de 80 anos, levou boa parte da graça de ler jornal em Florianópolis.
Em cidades grandes, como São Paulo, o cenário é diferente. Uma banca simples, na rua, oferece mais jornais do que se possa imaginar. Uma infinidade de títulos, cores, idiomas. É possível comprar a edição latina do Granma, por exemplo, ou o Corriere della Sera. Claro, os preços não são muito atrativos, mas sem dúvida é bom poder ler notícias do outro lado do mundo compradas na banca da Teodoro Sampaio.
Muitos acreditam que o jornal está fadado ao fracasso, que a internet irá derrubá-lo, etc. Sempre surgem comentários desse tipo, mas o cinema não acabou, o rádio não acabou, a televisão não acabou. Eles mudam, adaptam-se, acompanham a evolução das comunicações. O fato é que o bom e velho jornal está aí, na banca ao lado da sua casa, pronto para quem quiser vê-lo. Então. Que tal aproveitar que o texto acabou e dar uma olhada nas manchetes do dia?
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