31 de outubro de 2007

O fim do meio impresso.




TV digital, internet, convergência de meios de comunicação. A tecnologia, sem dúvida, transformou para sempre a forma como lidamos com a comunicação. Tantas metamorfoses fizeram com que se abrisse a discussão sobre o fim do meio impresso. Será que o livro vai realmente acabar? E qual será o futuro dos jornais? Haverá espaço para o papel em um mundo completamente digital? O bate-boca sobre isso ganhou mais intensidade quando o New York Times anunciou que deixará de ter a sua versão impressa dentro de alguns anos e irá manter apenas sua página na rede.

Recentemente, dois jornalistas passaram por Florianópolis e deram a sua opinião sobre esse tema. Marcos Sá Corrêa, editor da Revista Piauí, disse que é questão de tempo para que o último jornal seja lido. De acordo com dados que ele pesquisou, em 2043, sairá a última edição de um jornal impresso no mundo. Isso porque os leitores habituais de jornal estão começando a entrar em extinção. Ricardo Noblat, também discursou sobre o tema e lembrou à platéia que o assistia na Assembléia Legislativa que se os jornalistas não se adaptarem às novas tecnologias, estarão fadados ao desemprego muito em breve.

No entanto, o que nenhum deles se deu conta, é que apesar do crescimento vertiginoso que os meios eletrônicos têm tido nos dois últimos anos (o Brasil já possui 39 milhões de internautas e é o país que possui o maior tempo per-capita de acesso no mundo, com 19 horas mensais), vivemos em uma sociedade de grande exclusão social. Hoje, o salário mínimo é de 380 Reais. Um computador que consiga um acesso razoável à rede não sai por menos de 1000 Reais. Além disso, há o fato de que é muito caro para entrar na rede. Dois minutos de ligação em Santa Catarina custam 25 centavos e os provedores de banda larga ainda são inacessíveis para boa parte das pessoas que compraram computadores ultimamente. A introdução da TV digital, proposta para começar em São Paulo em dezembro, não terá o mesmo valor da internet, visto que as possibilidades de interação são limitadas àquilo que o canal transmissor considerar importante. Fora que todos os aparelhos de televisão vendidos no país hoje, vão necessitar de um conversor de sinal.

Como se não bastasse, a falta de educação da população exclui ainda mais a população com menor poder aquisitivo. Para manusear um computador é necessário saber ler, escrever e interpretar em inglês e português para se entender os milhares de comandos e mensagens de erro que eventualmente aparecem na tela do PC. Além disso, há que se considerar que uma boa parte dos usuários acessa a internet para buscar humor barato, pornografia, bate-papo, orkut, etc.

No entanto, não se pode desconsiderar que a rede mundial realmente vai ditar o futuro da comunicação. A velocidade com que as informações podem ser publicadas e o número quase infinito de fontes, ajudam a criar uma nova era de democratização da comunicação. Os meios impressos infelizmente não podem competir com isso. Talvez seja esse o motivo de tantas pessoas considerarem que o fim dos jornais e revistas está próximo.

O que é possível fazer é repensar o modo de se fazer jornais e revistas. Investir em matérias com mais profundidade e conteúdo e deixar de lado a factualidade pontual e, muitas vezes, estúpida e superficial, pode ser uma saída. Levar as matérias para um lado mais social e humano. Há uma escassez de pautas desse tipo, em especial na grande mídia. Assim, ao invés de continuar em declínio, novas portas se abrirão para os jornais e revistas.

30 de outubro de 2007

Fala aí!
Claro que não farei uso de limitações: a quem quiser sugerir outras possíveis justificativas, que fique à vontade! Em se tratando deste blog, mais à vontade do que o normal! Não há nada pior do que escrever, jogar palavras, explanar idéias, tudo ao vento! Existe o link para comentários, intervenções, críticas. Conversar com o Sr. Eco é uma coisa muito repetitiva! Cansa!
Voltando à suplica: que diabos acontece?
Fatos da semana que me têm descabido à tolerância:
- O BOPE ora IBOPE...
Você liga a televisão e lá estão os famigerados homens de preto falando uma, duas, três, quatro vezes em cinco telejornais sobre táticas, combate "e tudo, e tal". Muito bem! Ops...eles trabalham para a sociedade ou para a imprensa? O filme retrata a realidade ou a realidade retrata o filme?
- O Paulo Coelho se pronuncia em conferência da FIFA...
Ahn? Já não basta o parvo encher páginas de futilidades envoltas em algo a que chamam de magia [supérflua] e ele ainda insiste em cuspir besteiras ao microfone? "Eu já vi conversas durarem 5 horas discutindo um jogo de futebol, mas eu nunca vi uma conversa de 5 horas sobre uma relação sexual" [COELHO, 2007]. Além de que o perfil do ilustre figura dos besta-sellers tem mesmo tudo a ver com futebol!
- Copa do mundo no Brasil em 2014...
O Brasil precisa mesmo de mais epifania para curar as intempéries da atmosfera social que já tem mais buracos do que a camada de ozônio. A política do pão e circo troca apenas os elementos: banana e futebol pra eles! Teremos um carnaval prolongado em 2014. Teremos os problemas prolongados até 2014. Teremos os problemas prolongados além de 2014. Se o Canadá e tantos outros países têm problema com a violência, por que é que o Brasil não pode ter? Sem contar com as pérolas do presidente ao discursar sobre a história do futebol...



Amanhã vai ser outro dia, amanhã vai ser outro dia..........

27 de outubro de 2007


Duas boas pedidas. Tegan e Sara Quin são gêmeas de Vancouver, no Canadá. Começaram a cantar após ganhar um concurso musical local. Lançaram o primeiro álbum há oito anos, e o último -The Con- é desse ano. Cantam em inglês (quiça em francês também) e fazem um indie com levadas bem interessntes. Quatro músicas podem ser ouvidas no http://www.myspace.com/teganandsara. O sítio oficial é http://www.teganandsara.com/.
A outra é literária. Recebi hoje -quer dizer, abri a caixa de e-mails hoje- mensagem de meu amigo Fernando Evangelista (repórter da Caros Amigos) informando que o sítio da Caros republicou uma matéria dele com Juliana Kroeger sobre o Curdistão. Eles andaram por lá em Março, na companhia do fotógrafo italiano Matt Corner, e a reportagem está em http://carosamigos.terra.com.br/.




21 de outubro de 2007

Do que é realidade.


.O boné era instrumento da timidez. “Não gosto de aparecer em foto”, alertou Cezar. Os olhos claros procuravam fugir ao contato. As confidências fluíam na conversa enquanto a cabeça permanecia ligeiramente inclinada para baixo. As palavras eram o sinal de uma confiança rápida, construída naquele mesmo instante - e que se mostrava necessária. Tem treze anos, freqüenta o Centro Educacional Dom Jaime Câmara pela manhã e vai ao colégio à tarde. Das 18h às 20h, vende os salgados que sua tia faz. “Minha mãe nunca me obrigou a nada. Faço isso porque eu quero. Ela só me proibiu de brincar com as outras crianças. Meu irmão brincava e virou maconheiro”.
A conversa foi interrompida pela convenção dos bons modos. A palestrante da Procuradoria Regional do Trabalho precisava falar sobre números. Pediam o nosso silêncio.
Depois das exposições sobre o Diagnóstico do Trabalho Infantil em Palhoça e em Biguaçu, realizado pela Organização Internacional do Trabalho, e sobre exploração sexual, a primeira pergunta de Cézar a mim:
- E o pessoal da tarde, como fica?
- Oi? - os ouvidos desatentos me fizeram indagar.
- É! As crianças que vêm pra cá de tarde! Eles vão ter isso também?
- Não sei, Cezar. Essas palestras são por causa do nosso trabalho, e viemos de manhã porque é nosso horário de aula.

- Mas tem que ter à tarde, também! É importante pra eles, né?
- Verdade! Vou ver o que consigo fazer.
Falei com a Samira, coordenadora do projeto Jornada Ampliada [uma execução do PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - que acontece dentro do Centro Educacional Dom Jaime Câmara]. Já estavam combinando com os palestrantes para que fizessem a mesma coisa durante a tarde. Ela me agradeceu e aproveitei para me desculpar pela conversa com o Cezar, que por vezes pôde ter sido abusiva – embora eu soubesse que deveria ter aproveitado o momento e preferia ter atrapalhado a palestra a interromper a sede de confidência do garoto.

Cezar correu junto às outras crianças para o almoço. Antes, pedi a ele um abraço, que não me foi negado. Abraço apertado. Foi só o começo. Quem sabe, na próxima semana o boné já não seja mais tão utilizado.

17 de outubro de 2007

Devia ser nove horas, talvez um pouco menos. Tocava uma música tosca, desses hip-hop americano, bem alta no táxi. "Maestro Francisco Braga", falei para o taxista, que devia ter uns 30 anos. A rádio continuava com músicas que não gosto, e o cara todo empolgado, cantava, balançava a cabeça. Cada maluco que aparece, penso. Não muito longe de meu destino o taxista pergunta se me importo de ele acender um cigarro. "Não", respondo.
-você fuma?
-não.
-ah, então deixa, acendo outra hora, você não fuma é?
-não fumo cigarro
-ah, tu fuma uma maconha então
Murmuro algo que não diz sim nem não.
-é, quem hoje em dia não gosta de uma macoinha. o meu tá pronto já, daqui a pouco boto fogo.
-ah, tá pronto já é, para depois do expediente
-é, hoje à noite acendo
Vi que a situação poderia render boa história
-a maconha daqui é boa é?
-é, de primeira. tá aqui ó -enfia a mão no porta-objetos da porta e tira o baseado, enquanto quase entra na rua errada- saca só
Pego o pequeno cigarro, analiso, cheiro
-de onde é esse?
-tuiuti
-parece bom, é bem pura?
-é, tem só um negócio que eles usam para dar liga, mas é boa. Se quiseres a gente pode tocar fogo agora...
-não não, tô indo para casa agora
O carro pára na frente de meu destino, a corrida foi R$ 7,50. Abro a porta e o 0,50 do troco cai no bueiro. Paciência. Coisas do Rio de Janeiro.

29 de setembro de 2007

Noite de gala na telinha da Globo


Tá bom, tenho que admitir. Assisti sim ao último capitulo da novela ontem a noite. Não porque gosto de novela, nem porque quero saber quem matou quem, mas sim porque só iria jantar quando aquela porcaria acabasse. Por isso, mandei o controle remoto abrir a tela da Rede Globo algumas vezes enquanto a novela terminava.


Só que não sei se é por sorte que tenho o prazer de me deparar com detalhes que muitos deixam passar despercebidos por seus olhos. Em um dado momento, vi uma "sátira" ao Senado e a situação grotesca que acontece com o presidente da casa, Renan Calheiros. Uma personagem era questionada sobre a fonte de renda que recebia de seu amante para custeio de despesas particulares.


Contudo, o que me chamou a atenção não foi a cena em si, mas um detalhe que não vi ninguém comentar até agora. Caso não tenham percebido, o nome do senador interpretado por Denis Carvalho, era "Luis Fernando Cardoso". Não vou perder tempo explicando o nome dele, pois acho que o leitor já conseguiu perceber onde quero chegar.


Algumas horas depois, o Jornal da Globo abriu a sua edição com a matéria principal falando sobre o crescimento da Companhia Vale do Rio Doce. Desde ontem, ela se tornou a maior empresa brasileira, superando a Petrobrás. No entanto, desde o comentário de abertura do jornal, proferido por Willian Waack, passando pela reportagem de Guilherme Portanova e terminando com o comentário de Arnaldo Jabor, em nenhum momento foi citado que a empresa foi "doada" pela módica quantia de 3,1 bilhões de Reais.


Na verdade, Jabor deixou escapar que nos 10 anos desde a privatização, a empresa cresceu oito vezes. Segundo a reportagem, ela vale hoje 286 bilhões de reais. Qualquer calculadora simples pode comprovar que a empresa custava, na época do leilão, algo em torno de 35 bilhões de Reais. Além de tudo, quem assistiu ao jornal, ainda foi obrigado a ter que ouvir o comentarista dizer que "É espantoso que o velho PT pense em reestatizar a Vale, na linha dos malucos do MST, dirigidos por maoístas, criados por bispos da pastoral da terra."


Talvez - corrijam-me os que pensarem o contrário - reestatizar a Vale não seja realmente a melhor saída. Todavia, não dá para fechar os olhos e esquecer do roubo que a população brasileira sofreu há 10 anos, quando a empresa foi privatizada.


Em um tempo no qual o congresso estuda abrir uma CPI para investigar as denúncias que Renan Calheiros fez contra a Editora Abril, faço aqui um pedido para que se investiguem todas as grandes empresas de comunicação do país. Liberdade de imprensa sim, mas com responsabilidade e com justiça acima de tudo.

22 de setembro de 2007

Sem noção
Hoje foi o "dia sem carro", ou algo do tipo. Para as pessoas saírem de casa utilizando outros meios que não o automóvel. Legal, não sou pró-automóvel. Acho, contudo, que a população precisa ser bem servida no quesito transporte público. Algo que em Floripa é uma merda completa. Dia desses indo para aula - de busão - vi uma propaganda - noutro busão - para população utilizar mais coletivos, que é ecológicamente correto, mais sustentável, etc. Ótimo, todavia façam direito então. Que criatura que sai do bairro às 6h, pega três ônibus e chega no centro às 8h se animará a andar nesse sistema?
Florianópolis tem - além de duas tarifas únicas - um monte de terminais que foram pensados de um jeito, não funcionaram; foram adaptados e hoje são piores ainda. O salafrário do prefeito elegeu-se prometendo "abrir a caixa-preta do transporte", coisa que até hoje está na mesma. Aliás, na mesma não, porque com todos os rolos de cotisa, setuf e cia ele deve levar uns bons trocados, junto coa sua curriola. Eu não ligo de pegar ônibus em sampa. Pelo contrário, ia a vários lugares e raramente esperava mais de 10 minutos. Várias cidades tem sistemas que funcionam, positivos à população. Poderíamos muito bem, se vontade houvesse, ter um que funcionasse aqui também. Porém é muito mais interessante a quem manda na cidade que as coisas fiquem como estão. Mas essa é outra discussão.
Para finalizar, hoje teve apresentação da escola do Bolshoi no largo da catedral. Acabada a dança, foram os patetas do prefeito e secretário de transporte tirar fotos ao lado dos bailarinos (odeio esse tipo de autopromoção barata). Em seguida ganharam uma placa da Aflodef, por serviços prestados aos deficientes, sei lá, já tava indo embora. De qualquer forma achei um absurdo, uma cidade onde carros param em qualquer calçada, um monte de calçadas ainda tem buracos, prédios públicos sem acesso... Sem noção.
ps. Pergunte se prefeito e secretário foram de latão até o evento. Me agradas!

16 de setembro de 2007

Um Ano
Ele começou devagar, bem,talvez ainda seja. Porém, mesmo despretenciosamente, este inusitado blog chegou a um ano de vida. Sim, estamos há um ano no ar, com quase cem publicações entre artigos, fotos, opiniões, notícias. Em breve algumas receitas também. Muita coisa acontece em um ano. Naturalmente não conseguimos colocar tudo aqui, pelo contrário. Sabemos que por vezes deixamos a desejar. Nossa vontade de atualizá-lo nem sempre corresponde com o ato de fazê-lo. Sim, às vezes ele pode parecer abandonado, todavia o fato é que não passamos um dia sem pensar no AJ. Sempre queredo colocar alguma novidade, um link interesante, algo inovador e inesperado. Vontade, acreditem, não nos falta. Talvez tempo, dedicação, organização sim; vontade nunca. Assim chegamos a esse primeiro aniversário, sabendo que temos muito o que melhorar, mas, acima de tudo; sempre fazemos o melhor possível. Rumamos agora a mais uma etapa, cada vez menos aspirantes e mais jornalistas. Um degrau de cada vez. Mas sem parar.
Um brinde. E que venha mais um ano.
Aspirantes a Jornalistas

14 de setembro de 2007

A menina que seguiu a poesia



A manhã era chuvosa em Palhoça. O dia triste poderia servir como inspiração para as lágrimas que teimariam em cair alguns minutos depois do rosto dela, não fosse o motivo de tais gotas. Helen Francine veio até a Unisul para falar um pouco sobre a sua vida como jornalista e também sobre a experiência de mergulhar nas histórias do poeta catarinense Lindolf Bell. Histórias estas, que montam o livro “Quixote Catarinense”.

Helen nasceu em Lages, mas viveu a maior parte da sua vida em Balneário Camboriú. Suas paixões? As flores, a literatura e a cor lilás. E desde menina, a literatura já fazia parte de sua vida, inclusive trazendo influências para a pequena que marcariam toda a sua trajetória. Ela cita como uma dessas influências, a frase que leu “em algum lugar” e que não lembra o nome do autor: “Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez”. As flores e a natureza em geral, também são fontes das quais a vida de Helen se nutre. Ela fala do hábito que adquiriu no curso de pós-graduação: abraçar árvores.

A conversa em vários momentos, torna-se um monólogo dela com os outros que estão na pequena sala com cheiro de mofo dentro da Unisul. Aliás, o cheiro se perde com a voz de Helen ao declamar poemas de Lindolf Bell já pelas 10h da manhã. Seus olhos se enchem de lágrimas quando ela se lembra de alguns momentos durante a produção do livro sobre o poeta. Muito antes de sequer imaginar a entrada na faculdade de jornalismo, os dois tiveram um único contato pessoal, que seria marcante para a então menina que ainda ensaiava suas primeiras letras no universo da poesia. Em 96, ouve um concurso no colégio onde ela estudava e Helen ficou com o primeiro lugar. Quem entregou o prêmio a ela foi justamente o poeta Bell que lhe disse no pé do ouvido: “segue o caminho da poesia”.

E a menina o fez. Continuou a escrever poemas. Não raro ela também os declamava em publico. Praças, reuniões com os amigos, até casamentos. Todos os lugares eram palcos para Helen mostrar o talento que estava começando a aflorar. Bell também era assim. Nos anos 60, ele fundou um movimento chamado de Catequese Poética, que consistia em levar a poesia até o público, onde quer que fosse.

Então um dia, veio a faculdade de jornalismo e lá a paixão por autores como Truman Capote, Tom Wolfe, Caco Barcellos e todos os autores que aderiam ao new journalism. A paixão foi quase tão instantânea quanto a que ela sempre cultivou pela poesia. Os textos sobre as mais variadas personalidades e lugares indicaram um caminho sem volta para a agora universitária Helen.

No entanto, a inspiração principal para escrever “Dom Quixote Catarinense” só viria no fim do curso. Helen fazia parte da recém inaugurada Academia de Letras de Balneário Camboriú, quando em uma das reuniões foi feita uma homenagem ao já falecido Lindolf Bell. Para receber a homenagem, a filha dele Rafaela Bell. Em seu discurso, Rafa – como a intimidade permitia a Helen assim se referir a filha do poeta – falou sobre as memórias que tinha do pai. Aquele discurso fez com que a estudante, a um ano da conclusão da faculdade de jornalismo, decidisse mudar os projetos que tinha em mente. Surgiu ali o embrião do que viria ser uma grande jornada em busca das histórias do velho poeta catarinense, quase esquecido pela literatura fora das fronteiras de SC.

Ela se emociona diversas vezes ao lembrar das coisas que aconteceram durante a produção do livro. Suas entrevistas, as aventuras em São Paulo, as dificuldades tanto financeiras quanto emocionais. Ela lembra que levou um ano para conseguir reunir e escrever as histórias sobre Lindolf Bell. Todas, divididas nos 24 capítulos que formaram o trabalho de conclusão de curso de Helen Francine.

Após o término da faculdade, Helen continuou a trabalhar na Rádio Univali, onde fez estágio durante o período acadêmico. Ela também é repórter da TV Mocinha de Balneário Camboriú. Ela diz que sempre busca trazer para suas matérias a poesia que sempre esteve presente na sua vida.

11 de setembro de 2007

Globalização maldita

O melhor de tudo nesse vídeo é a espontaneidade do moço.

Ayuda-nooooosssssssss!!!!!!!!!

4 de setembro de 2007

Esse foi para a revista FT, aula de planejamento gráfico II. Admito, não fui eu que fiz. Na verdade adaptei-o de uma revista, visto que tal trabalho visava apenas a montagem da revista, não o conteúdo em si. Em todo caso, a FT ficou perfeita, nada que não feche. Quanto ao texto, agora coloco-o aqui.
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As imagens produzidas por grandes fotógrafos - carinhosamente vistas enquanto matava alguma aula chata, aguardando o intervalo - pelo estudante de arquitetura sentado nas poltronas verdes da biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP com certeza ajudaram a despertar o interesse pela fotografia. O livro era Image à la Sauvette, de Cartier-Bresson, e o leitor um dos maiores fotógrafos brasileiros, capaz de retratar o cotidiano das cidades como ninguém. Mas não as únicas.
Desde cedo o então acadêmico de arquitetura gostava de ver boas imagens. Esperava ansiosamente pela chegada da revista Realidade, na qual podia admirar instantâneos de Cláudia Andajur e Maureen Bisilliat, nomes que fizeram história na publicação entre os anos 60 e 70. Tais imagens povoavam e pululavam na cabeça do, à época, aspirante a fotógrafo. Hoje, com 39 anos de estrada, viagens e prêmios, ele continua disposto a encontrar a cada momento o que pode ser a foto marcante, o instante decisivo.
Profissional autônomo dedica-se principalmente à fotografia de cidades, ruas e todo tipo de edificação e situação. “Cidades são geniais já que, de repente, você depara com uma coisa que nem pertence a paisagem fixa, é aquela situação momentânea, que surge nas pessoas que passam, em uma luz que só está existindo naquele momento” diz Cristiano Mascaro. O paulista de Catanduva gosta de comparar seu trabalho coa literatura: “A fotografia é normalmente situada no universo das artes plásticas, mas também tem um compromisso narrativo muito próximo ao da literatura, que é o compromisso de contar uma história, o de desfazer e refazer a realidade, conforme escreveu Antônio Cândido. Acho isso incrível, porque, na literatura, você conta a história com as suas palavras, e aquilo acaba tendo uma ênfase muito maior do que simplesmente a descrição da realidade. A fotografia tem toda essa maneira de mostrar a realidade de uma outra forma, filtrada pelo olhar”.
O início da carreira de Mascaro deu-se no fotojornalismo, estimulado por colegas descobriu o desejo de realizar reportagens fotográficas. Numa atitude certeira bateu à porta de Cláudia Andajur, que além de admirar fora jurada num concurso onde Mascaro dividiu o primeiro lugar com outros dois fotógrafos. Através de Cláudia Cristiano foi apresentado ao diretor de arte da revista Veja – que seria lançada naquele 1968. Quando foi contratado não havia sequer se formado na FAU, mas em poucos meses o arquiteto estava trabalhando para a revista. Até 73 fotografou para Veja, período no qual também estudou por cerca de dois anos em Paris. Na volta para o Brasil, em pleno regime militar, não acreditou numa carreira como fotógrafo de revista. “Surgiu a chance de voltar para universidade para coordenar o setor de recursos audiovisuais. Eu queria documentar a cidade e a arquitetura paulista” conta. Nessa nova passagem pela FAU, onde passou mais 14 anos, Cristiano concluiu mestrado e doutorado. Contudo, “isso tudo (o campo da pesquisa) não me fascinava, eu queria mesmo era fotografar e fazer reportagens.

***
A premissa do fotojornalismo nunca o abandonou. “Considero que faço isso até hoje, porque o meu trabalho, apesar de ter caráter documental, não deixa de ser uma reportagem”. O gosto e a atração pela temática da urbe vieram da infância. Nas andanças pela cidade de São Paulo – indo à escola, casa de amigos ou ao cinema ver filmes em P&B – os prédios o impressionavam. Sempre atento aos arredores, o trajeto favorito era pela Avenida São João, com suas construções de todo tipo.
As fotos de cidades começaram ao fotografar a capital paulista na década de 80, quando fazia relatórios anuais para um banco. Tal função levou-o a outras cidades, bem como nos tempos de Veja. Trabalhos encomendados também ajudaram o fotógrafo a conhecer diversos lugares do país. Em 1998 clicou 28 centros históricos para o Projeto Monumenta, entre eles os de cidades pequeninas. Em seguida veio O Patrimônio Consumido, no qual fotografou os cem edifícios mais significativos para a arquitetura brasileira – trabalho efetuado em apenas cinco meses.
Cristiano acha que um dia trabalhará com equipamento digital, todavia não sabe quando esse momento chegará. Só o usa quando clica com sua digital compacta, usada como “bloco de notas”. “Estou esperando as coisas rolarem mais. Evidente que tenho a maior curiosidade, que vou ter de trabalhar com o digital; mas, enquanto existir o filme, vou tocando com ele”, afirma, realçando a segurança dos negativos: “Morro de medo de medo das minhas fotos entrarem num buraco negro”. O equipamento, tradicionais Nikon e a clássica Leica, série R.
Com simplicidade, fala do futuro: “Vou tocando minha carreira assim, tenho mais uns 20 anos de fotografia aí pela frente, e é assim que vou levando, não posso parar de trabalhar”. Ainda bem.


1 de setembro de 2007

De vez em quando é legal respirarmos um pouco.


Aí está o novo layout da página que eu troquei sem consultar ninguém, nem mesmo os meus colegas aí do lado. Se alguém não gostar é só avisar que nós voltamos para o modelo antigo.

Como diria um professor que eu tive...

A todos, um abraço, um beijo e um queijo.

31 de agosto de 2007

Mais informação no AJ. Fechamos uma parceria coa revista Placar, que agora colabora com este modesto blog. Toda semana o leitor poderá ver a tabela atualizada do campeonato brasileiro, embaixo da sessão arquivos.

30 de agosto de 2007

O cansaço me cabe, mas o sono não me toma. Longe de qualquer discurso melodramático ou de qualquer descrição exagerada, é este o estado em que me encontro. A insônia vem da angústia. Eis a cena que ecoa arrogância em minha memória recente:
A porta de um shopping, uma viatura de polícia, uma carroça carregada de restos urbanos e olhares desviados. Na entrada principal do shopping Iguatemi, a covardia despertou a atenção. Distraída pela conversa com uma amiga, demorei a perceber o rebuliço e não posso afirmar com convicção o que precedeu as ações. Surpreendi-me ao ver dois policiais, junto à parede, a agredirem, sem prudência alguma, um catador de papelão. Os socos e pontapés tinham como resposta o desespero de um homem algemado, ao chão, que suplicava por uma interrupção das agressões. Em frente à viatura (que manteve a sirene ligada o tempo inteiro, atraindo ainda mais a atenção dos passantes), parou um carro convencional, de onde desceu mais um homem uniformizado com os trajes da Polícia Militar. Durante dez minutos, pelo menos, a pancadaria não cessou. Os golpes eram dados com raiva, com fúria e impiedade. Um outro veículo, sem qualquer distinção que o identificasse como policial, parou no meio da rua e o motorista, fardado, desceu para participar da confusão.
Assumo a falta de informações sobre as atitudes do catador de papelão que ocasionaram a ação da polícia militar. Porém, acredito que a partir do momento em que um ser humano está algemado, sem possibilidade de qualquer resistência física, não existe necessidade de brutalidade. Aquele homem que foi espancado transita pelas ruas ao redor do shopping todos os dias com seu cavalo e a carroça, recolhendo o lixo reciclável. Como cidadã e futura jornalista, a cena a que assisti terminou o meu dia de forma indesejável. Fui infeliz no sentido de não ter corrido atrás de detalhes no momento. Eu saía do trabalho e não tinha nenhuma câmera comigo para fazer algum registro, além de todo o cansaço que eu carregava em meu corpo. Resta-me, por ora, apenas manifestar meu descontentamento e minha insatisfação para com essas pessoas que acreditamos serem capacitadas e devidamente treinadas para lidar com situações como a ocorrida.
Hoje tentarei descobrir alguma razão (se é que ela existe) para o fato. O post é um desabafo e o relato de um furo, antes de jornalístico, pessoal, pela falha e pelo alerta que isso tudo me significou.
Arielli Secco

28 de agosto de 2007

Mais um desses textos que, corriqueiramente, escrevemos para aulas que colocam em pauta discussões batidas e têm o final feliz de sempre: o bem vence, todos estão conscientizados acerca das desigualdades e o caos tem solução.
O Diabo veste Prada


O nome do filme traz a mesma marca que os sapatos vermelhos aos pés do papa. Boas atuações, Oscar para a atriz Meryl Streep (que, convenhamos, de Cruela Cruel para Miranda Priestley não foi grande diferença), o tradicional jogo de câmeras Hollywoodiano e o glamour do mundo da moda. O filme permite duas análises: a de que ele mostra os bastidores da moda como um mundo de poder e de estrelismos, ou a de que ele tem elementos suficientes para vir a ser uma crítica às banalizações da vida pós-moderna.
A cena inicial é o retrato puro e simples da uniformização provocada pelo que é convencionalmente chamado de “beleza”. Mulheres supostamente diferentes se maquiam em frente ao espelho e vestem as roupas da moda a fim de se enquadrarem ao padrão. A Impressão que se tem é de uma auto-fábrica a que todas se submetem. Os cílios postiços, os tecidos esvoaçantes e o salto alto forjam uma imagem plástica, irreal. Já antes de Cristo, filósofos como Aristóteles discutiam a beleza em um patamar diretamente relacionado ao bom, ao amor, à felicidade, diretamente interligados com a alma, a essência, o ontológico dos seres. Uma beleza construída, não comprada. Como pode o ser humano, então, ter perdido tanto ao restringir o belo a marcas, a cores estampadas artificialmente no rosto e à aparência?
Acredito que, antes de relacionar tal fato com hábitos como consumismo, é preciso aprofundar a questão ao sentimento humano: à ansiedade, à solidão e à necessidade de se sentir parte de um segmento social fruto de impressões. Não se usa o que se gosta, pois o gosto se confunde ao que está destacado nas páginas ou nos programas de televisão como “o que está na moda!”. As pessoas não se interligam simplesmente por afinidade ou por compaixão, e sim pelos óculos, pela bolsa ou pelo tênis da vez. A sociedade da espetacularização (conceito proposto por Guy Debord) provoca uma sensação de satisfação àqueles que estimam valores materiais em lugar de valores construídos pela vivência. Uma marca não passa de um vazio. Uma ideologia superficial é difundida em outdoors e em formas diversas de publicidade a troco de um nome bordado em uma etiqueta, supervalorizando um objeto que pode não passar de um pedaço de tecido. Encontramo-nos na sociedade dos signos, a que não se atribui significado algum além do capital, ao contrário do que é proposto pela semiótica. Tudo é fabricado para ser exposto e desfilado nas passarelas de asfalto, que são as mesmas por que pisam pessoas à margem do glamour.
A coisificação do ser pode ser explicitamente identificada no filme quando a editora-chefe da revista Runway, Miranda Priestley, chama sua nova contratada como segunda assistente, Andrea (a mocinha inocente que só queria conseguir um bom emprego como jornalista e que sempre criticou o mundo da moda) de Emily (nome da superior primeira assistente). Isso prova, além do poder e da submissão, que não havia diferença para a editora levar em consideração que existia uma pessoa trabalhando, com nome, personalidade e sentimentos. A própria Andréa, aliás, submeteu-se a desrespeitar-se: re-personalizou-se para se enquadrar na função que a cabia. Sempre humilhada por seu modo de se vestir e pelo seu modo de lidar com os fatos, ela passou por uma transformação que provou ser supérflua e temporária ao final do filme. O final feliz foi que, mesmo tendo mudado seu modo de se vestir e de lidar com as pessoas, seu pensamento permaneceu o mesmo e falou mais alto em uma das últimas cenas, quando a Andréa-que-não-Emily virou as costas para a vida que levava como assessora da editora da Runway para voltar à busca pelo emprego que realizaria verdadeiramente seu sonho como jornalista, ainda que isso não equivalesse a glamour e purpurinas.
A essência é a mesma. Todos temos alma, todos temos corpo. Alguns compram aparências mais caras que outros. E a única diferença é uma etiqueta.
Arielli Secco

24 de agosto de 2007

Essa semana estava numa sala de espera, acabei pegando uma veja. Era meio velha, era desse ano. Comecei a leitura pelo final da revista. Tinha uma matéria de peixes abissais, interessnate. Também um "guia" de águas minerais. Até aí tudo bem, mas quando chegaram as primeiras páginas... Primeiro um artigo, tratava da ocupação da USP pelos universitários. Escrito por um, acho que era economista, sei lá. Posso estar enganado, contudo se bem me lembro jornalista não era não. Enfim, o artigo era uma bosta, só que artigo é assim mesmo, a opinião do cara.
Virando a página, a pérola. Uma matéria - pelo menos pretendia ser - sobre a ocupação. Não era assinada. Gostaria de tê-la em mãos, garanto que era bem engraçada. Ri na sala de espera. Tem coisas que só veja faz por você. Dizia que os estudantes não tinham direito de protestar. Que a USP é de São Paulo, aquilo era uma agressão. Comparava-os a traficantes, completando com uma legenda "até a polícia apanhou". Acho que esse repórter não foi até o local. Ainda mencionava que ajudavam os uspianos "um tal de Mab" (sic) e o MST. Claro, todos patrocinados pela União Soviética com a intenção de instalar o socialismo no Brasil. Os adjetivos, sem comentários, toda linha comunistas-anacrônicos-baderneiros-rebeldes sem causa. Só faltou falar que o cabeça da ação foi o presidente Fidel Castro, patrocinando tudo com os tais dólares cubanos.
Hoje, na hora do almoço, assistia o jornal do almoço. Passa uma matéria sobre a ocupação da reitoria da Ufsc, em seguida o comentário do Luis Carlos Prates. Puta merda, não sei como dão espaço pra isso, nem jornalista esse sujeito deve ser. Primeiro deu todo discurso reacionário pré-fabricado inerente à sua turma (um absurdo, todas as medidas precisam ser tomadas para acabar com isso, desordeiros, etc). Fechou o comentário dizendo que "estudante só tem um direito: estudar. O resto é dever". Não concordar cò ato, até vai. Porém soltar uma dessa, francamente. O cara não deve ter noção da função que ocupa, que imprensa não é para falar a merda que bem entender e fica por isso mesmo. Mas o pior é que no fim fica mesmo.
Fiz esse comentário no http://aquiearrabaldes.blogspot.com/. Olhei bem e resolvi colocá-lo também aqui

Muito rende o pertinente assunto. Ainda que não seja verão, aproveito a temática da incorporação do público como privado para lembrar dos bares e hotéis do Jurerê. Seja final de semana, seja terça-feira; ocupam todos metade da praia com suas cadeiras e gurda-sóis. Não importa se o cidadão chega cedo, lá estão dezenas de cadeiras vazias ocupando a areia. Como infelizmente quase ninguém se arrisca a ficar no meio, ficam quase áreas privadas - faixa de areia do beach village, do el divino, etc. Sem contar as músicas que tais bares obrigam todos que estão num raio de quatro km a ouvir. Só uns bate-estaca de merda.

23 de agosto de 2007

Antes de mais nada, vou explicar o motivo do seguinte texto. Descobri hoje que existe um concurso da revista Piauí onde a cada mês os editores dão uma frase qualquer e os postulantes devem enviar um texto de até 3000 caracteres. O melhor é publicado na edição do mês seguinte da revista. Quando vi isso, larguei tudo e escrevi o texto que segue. No entanto, a minha ignorância me impediu de ler o regulamento. Perdi o prazo para envio. De qualquer maneira, decidi não jogá-lo completamente fora. Ei-lo:


O Condenado




Não havia mais nada para ser dito. Meses e meses de espera e o ato fora consumado. Ele caminhava sem rumo em volta de si. Kafka ou Poe nunca imaginariam uma situação como esta. Seus pés flutuavam em um carpete sujo. As paredes revestidas de madeira davam um ar sóbrio ao local. Ele queria ajuda, porém, o homem era muito orgulhoso para isso.


Dois caras o acompanharam até a porta. Pensou ter ouvido alguém chama-lo antes de sair. Que se dane! Quem eles pensam que são? Será que pensam em alguma coisa? Só sei de mim. Agora sei com certeza. Sei tudo o que vai acontecer comigo. Mas não me assusto. Aceitarei o que aconteceu. Perdoarão-me pelo que fiz.


Ele continuou a dar seus passos. Ainda acompanhado pelos homens. Pensou em sair correndo. Desistiu logo. Os homens o acompanharam até um carro preto. Colocaram-no lá dentro e sentaram-se na frente. O veículo saiu da inércia. Os 115 cavalos relinchavam alto. Logo não se veria mais o prédio em que outrora ele estava.


Seguiram dentro do carro por mais de duas horas. As luzes da cidade também ficaram para trás. O destino já estava traçado. Em poucas horas chegaria a sua vez. No banco da frente os homens riam alto e tiravam chacota do passageiro. Em momento algum ele pensou em revidar qualquer uma das ofensas que lhe eram dirigidas. Baixou a cabeça. Baixinho, pediu um cigarro. Ninguém deu a mínima. Resignou-se e não falou mais nada durante todo o trajeto.


No outro lado da cidade, o homem traído dormia calmamente. Ao seu lado, uma senhorita 24 anos mais nova. Deitaram e rolaram por longos cinco minutos. Dormiram em seguida. Os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile.

19 de agosto de 2007


Um registro: dia internacional da fotografia. Há cento e noventa e oito anos o click congela o tic-tac por um instante; em um papel.



O piscar de olhos que se eternaliza. Etéreo eterno.
Arielli Secco

9 de agosto de 2007

Aí vai um fato constatado mais do que ao acaso e que resultaria em uma bela analogia caso eu não estivesse com o tempo curto para postar: aos curiosos, basta abrir uma janela do servidor da internet, digitar o endereço www.votabrasil.com.br e "Confirme!" [vulgo enter].


Um tanto quanto bizarro.
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