19 de junho de 2009

O fim das ciências sociais

A derrubada da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, além de um “duro golpe contra a profissão”, como coloca o colunista do Diário Catarinense, Moacir Pereira (que não é formado em comunicação, mas também defende a exigência da formação acadêmica) vai muito além da baderna que as redações se transformarão nos próximos anos. De acordo com a decisão e segundo o ministro Gilmar Mendes em entrevistas posteriores à sessão da última quarta-feira, a regulamentação profissional só será exigida para profissões que necessitem de conhecimentos técnicos e científicos. Para todas as outras, bastará que se cumpra uma função dentro do mercado de trabalho.

Mas o que são os tais “conhecimentos técnicos e científicos”? Ninguém sabe ao certo. Só o que se sabe é que, durante a leitura do voto, o ministro defendeu a manutenção de registro para engenheiros, juristas e médicos, visto que suas profissões afetam diretamente a vida das pessoas. Mas se pensarmos com cautela nisso, qualquer pedreiro experiente, ainda que analfabeto, consegue construir uma casa sem a necessidade de um projeto estrutural. E, incrivelmente, obras que eles fazem não caem por cima das pessoas, como aconteceu no caso dos prédios feitos pela construtora do ex-deputado Sérgio Naya.

Da mesma forma, boa parte dos hipocondríacos seria capaz de prescrever uma receita médica para si e para outros. Os mais afetados por essa doença costumam ler todo o tipo de bibliografia médica, de simpatias a livros técnicos, apenas para descobrirem uma nova doença em si. E o que dizer dos açougueiros? Não acredito que seja tarefa fácil e que não requeira técnica para se descarnar uma perna de um bovino em pedaços sempre com o mesmo formato. Muitos deles talvez tenham mais experiência em cortar carne do que a maioria dos cirurgiões, visto que os primeiros fazem isso diversas vezes por dia, enquanto os últimos operam dois ou três pacientes durante o mesmo período.

Para os advogados, então, imagino que não deva ser difícil ler códigos, interpretar leis e argumentar suas petições em cima delas. Qualquer estudante faz isso nos seus trabalhos acadêmicos. A única diferença é o conteúdo abordado.

Se pensarmos nas Ciências Sociais, não precisariam existir cientistas políticos, economistas ou sociólogos. Com um pouco de leitura e boa vontade, todos poderiam exercer funções nessas áreas e serem, muitas vezes, melhores do que detentores de diplomas específicos. Não é possível entender porque motivo ainda se exige diplomas em concursos públicos para atuar nisso.

Claro, isso foi apenas mera divagação. É óbvio que cada uma dessas profissões precisa de conhecimentos que vão muito além da prática. Mas a discussão aberta pelo STF é uma que permeia a academia desde sempre: o que é ou não é ciência? Além de defender algumas das profissões supracitadas, o magistrado comparou o jornalismo a profissões de cunho intelectual, que não necessitam de conhecimentos científicos para serem produzidos. Dentre elas, estão as atividades de músico, escritor e ator.

Vamos destrinchar apenas um pouco cada uma das atividades.

Um bom músico (considero aqui apenas critérios técnicos, não criativos) realmente não necessita sequer ler partituras. Jimi Hendrix não sabia fazê-lo e dizia que imaginava cores ao compor suas melodias. Todavia, a física está absurdamente presente nesta atividade. Ciência reconhecida como tal e presente nas mais diversas áreas do conhecimento, ela é a base para os estudos que fazem com que um fio de aço ressoe dentro de uma caixa de madeira e produza som. Em todas as faculdades de música, esses princípios são estudados e conhecidos pelos acadêmicos. Mesmo quem não freqüente um curso superior na área, mas vá a qualquer escola de música aprender a tocar, também terá noções sobre esses princípios.

Indo mais além nesse caso, há ainda a musicologia, que estuda a interação dos sons com o corpo humano. De acordo com a teoria das ondas, todas as partículas são formadas por vibrações em freqüências específicas e ritmadas. Por esse motivo, utiliza-se a música para provocar reações físicas nos corpos. Estudos já mostraram, por exemplo, que o uso de música clássica pode aumentar a produção de leite de vacas.

No caso dos escritores, não acredito ser totalmente possível escrever uma história, seja ela qual for, sem nenhum tipo de pesquisa. Independente do tema, todos costumam usar situações que vivenciaram ou então se aprofundaram durante horas de leitura sobre o assunto. Caso contrário, como passar adiante idéias e conceitos através da literatura? Sem contar que é necessário saber, no mínimo, formar frases para se tornar um escritor.

Já com as artes cênicas, infelizmente, vemos que a maior parte dos “atores” que aparecem na grande mídia, nos dias atuais, surgiram da exposição em reality shows, ou simplesmente pela beleza física. Mas isso não é de praxe no teatro. Boa parte dos artistas cursa oficinas durante anos e outros muitos também passam pela faculdade para aumentarem seus conhecimentos na área. Vale lembrar que esses atores que só possuem apena um bom aspecto físico e não pelo intelecto acabam se tornando personagens caricatos de si em programas de humor como o Pânico ou o CQC.

Outra comparação completamente estapafúrdia foi com a profissão de cozinheiro. Sim, um bom cozinheiro não necessita de diploma ou mesmo de registro profissional. Mas o magistrado esqueceu que a legislação específica dessa profissão exige que todos os que trabalham na área de alimentação passem por um curso de manipulação de alimentos, o qual é aplicado por membros da vigilância sanitária, gastrônomos formados na faculdade ou nutricionistas.

Por menores que sejam, todas as profissões necessitam de conhecimentos que extrapolam a simples atividade intelectual ou prática. Profissionalizar os setores é garantir que se abram as portas do conhecimento para todos. Acabar com isso significa retroceder e limitar o acesso das pessoas a um mundo muito mais amplo que o do empirismo, o das idéias.

E, para constar, apenas uma lembrança aos magistrados: todos os jornalistas formados realizaram pesquisas de conclusão de curso utilizando métodos científicos de análise. O fato de termos sido aprovados pelas faculdades não nos torna cientistas também? Algum deles pode responder o que ainda falta?

17 de junho de 2009

Não há muito o que escrever sobre a decisão tomada pelo stf em não exigir diploma para a profissão de jornalista. Na verdade há sim, porém não estou com estômago para fazê-lo, visto a mistura de indignação e revolta que, certamente, não são só minhas.
Com certeza a qualidade do jornalismo melhorará muito com essa medida. Ficará tão competente quanto o judiciário brasileiro.
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ps. meu ofício impede de dizer o que tenho vontade - mandar vossas exelências efiarem o diploma (deles) naquele lugar, visto que não serve para nada mesmo.
play.
in the city.
Como se não bastasse tudo que já não faço no mundo "virtual", arrumei mais uma diversão. No começo achava que o tal do facebook era a mesma inutilidade do orkut. Ainda acho, todavia pela enésima vez tento manter uma certa freqüência em alguma coisa na internet. Convencido por argumentos questionáveis que lá poderia haver certa troca de informações, fotografias e outras baboseiras que julguei sensatas -"no orkut só tem brasileiro, no facebook gente do mundo todo"-, lá estou eu. É bem provável que em menos de três meses esteja meu perfil abandonado, ainda assim, quem sabe aquele trem ajuda em alguma coisa. Aproveito para convidar meus dois companheiros de blog a fazerem o mesmo, quiça conseguimos mais um canal para divulgar o blog e ganhar rios de dinheiro.

15 de junho de 2009

Eu realmente queria ter mais tempo para entrar aqui com uma periodicidade menor do que a cada quinze dias. Porém - não sei porque - acabo sempre arrumando outra coisa para fazer na hora de sentar frente ao computador e teclar alguma bobagem.




Em todo caso, está no ar, já há um tempinho, o blog da Revolta da Catraca. Isto pela singela causa de, em 2009, celebrarmos cinco anos da mobilização que parou a cidade. Tanto a primeira quanto a segunda revoltas foram marcantes, porém falo especificamente da segunda (2005), pois foi a que tive a felicidade de participar.




Então um simples calouro de jornalismo, entrei meio que por acaso, convidado por uns amigos, para ver o que acontecia. E, sinceramente, não imaginava o momento histórico que se desenrolaria na minha cidade. Como eu era, além de calouro, meio bocó, na primeira passeata estava lá na frente, com o grupo que caminhava em direção às pontes. Vendo o choque enfileirado, julguei que cada grupo ficaria parado de frente para o outro e depois todos iríamos para casa. Errei. A primeira bomba de gás estourou a não mais de dez metros, saí correndo cheirando o gás que hoje sinto falta.




Vieram mais quatro dias, e ficamos "escolados". Levar uma bandana no pescoço, nunca ficar na linha de tiro, nem muito isolado. Apesar da câmera do tamanho de uma caixa de fósforo que tinha à época, acho que meu registro fotográfico da revolta da catraca foi imprescindível para minha formação de fotógrafo e jornalista. E, sobretudo, me atrai até hoje a qualquer tipo de confusão, confronto, conflito etc. Não por acaso robert capa fazia as fotos que fazia. Não a toa havendo única vaga para cobrir uma guerra, a redação inteira disputará arduamente. Dizem que adrenalina vicia, e a sentida num momento desses é única. Além, saber que não se viu o momento acontecer, mas ser participante dele, é outro prêmio.
Por isso, até hoje lembro nostálgicamente daqueles dias em 05. Câmera, colete e prepare-se para correr.

10 de junho de 2009

Queremos presentes

Junho é o mês de aniversário de dois integrantes desta blogueta. Na próxima quinta, Pedro completa 23 anos e se aproxima da idade perigosa. Eu, no dia 22, saio dela ileso. Completarei 25 anos numa segunda-feira de sol (espero). Infelizmente, não faremos festas. Porém, não vamos perder a chance de pedir presentes

Mas ainda não queremos que nossos leitores dêem uma Ferrari ou um jatinho para cada um de nós. Claro, se estiverem dispostos, aceitaremos com muito carinho. Contudo, sabemos que não há muitos leitores aqui com tanto poder aquisitivo. Sendo assim, vamos pedir pouco para todos. Neste e nos meses vindouros, não esqueçam de dar uma olhadinha no blog e deixem um comentário bonitinho pra gente. E, se puderem, divulguem a bagacinha para todo mundo. Mais leitores são sempre bem-vindos.

Então, não esqueçam de nós. E identifiquem-se nos comentários, de verdade, para que os leitoras(os) antigas(os) não fiquem com ciúmes dos novas(os). Vocês sempre serão as(os) preferidas(os).

;)

8 de junho de 2009

Ainda não foi desta vez que a nação azurra viu a primeira vitória do time na série A. Com um futebol vistoso, jogando de igual para igual contra o atual campeão nacional, avaí e são paulo ficaram mesmo no 0x0.
Antes da partida, moviemento intenso para o que viria a ser o maior público presente na ressacada neste brasileiro: 13688. Apenas no setor E via-se grande espaço sobrando. Os bambis, como era de se esperar, lotaram o "visitante", setores F e G. Fizeram algum barulho, porém a ressacada lotada na maioria das vezes calava-os. Afinal, quando a galera solta o "vai pra cima deles leão", ninguém segura.
Bonito espetáculo, ambas equipes buscando a vitória a todo instante, um ótimo programa para se assistir. O problema, contudo, é que ninguém foi até lá apenas ver o jogo. Após três empates e uma derrota, o leão precisava se reabilitar, principalmente por estar em casa. Era a chance de agarrar os pontos desperdiçados contra galo e coxa. Mas para infelicidade da massa avaiana, apesar de dominar com propriedade diversos momentos do prélio, o onze azul e branco esbarrava em erros próprios ou na boa atuação do adversário. Que, por sua vez, teve também claras chances de mudar o placar, porém menos volume de jogo.
Minha visão é que o torcedor saiu da ressacada contente com o futebol apresentado, e ciente que algumas coisas ainda devem ser consertadas para a disputa da primeira divisão. O próximo confronto é contra o barueri, já conhecido da séria B, em são paulo. Teoricamente adversário direto na luta pela ausência na zona de descenso. Grande oportunidade para a tão esperada vitória.
ps. Claro, todo mundo já sabe o agradável trânsito da volta dos jogos no sul da ilha. Ontem, todavia, foi especial: uma hora e pouco com o carro desligado, na rua, tamanho travamento das pequenas ruas na cercania do estádio. E há quem pense em copa ainda...

7 de junho de 2009

Enquanto a rodada não acaba...

Pedro está neste momento assistindo ao jogo do Avaí, lá no estádio da Ressacada. Ontem, por telefone, ele prometeu um post sobre a rodada. O problema é que o time da Capital, que ainda não ganhou no Brasileirão, está enfrentando o atual tricampeão, São Paulo.

Independente do resultado, ele mantém a promessa de um post. Vamos aguardar...

3 de junho de 2009

O casal

Caminhavam os dois juntos. Toda a atenção do parque estava naquele casal. Ela, simplesmente linda. Ele, nem tanto. Mas estavam de mãos dadas. “Como se conheceram?” – perguntavam as pessoas sentadas nos bancos da praça. “Ele deve ser muito rico”, dizia uma senhora. “Com certeza, a garota é cega”, falava aos seus o jovem que corria sem camisa.

Ela era uma morena de 1,80m, cabelos negros como o breu de uma noite nublada. Suas pernas pareciam moldadas pelas mãos de um escultor grego. Os olhos verdes se ressaltavam com o reflexo do extenso gramado naquele parque. A pele clara, macia, mesmo à distância, dava para sentir o toque dela. Quando ela se mexia, o ar deslocado ia ao encontro de todos no parque. Sua presença já era o suficiente para atrair a atenção de homens, mulheres, crianças e animais. Todos parariam para observá-la, independente da companhia.

No entanto, ela estava acompanhada deste senhor grisalho, com cerca de 1,70m. Ele já possuía um abdômen saliente, devido à idade. Seus traços mostravam cerca de 50 anos de idade. E não mentiam. Sua carteira de identidade comprovava o tempo vivido por ele.

Os dois trocavam carícias como dois adolescentes do interior. Não havia vulgaridade entre os dois, apenas gestos de toque e prazer que os jovens de hoje nem imaginam que existam. Namoravam muito, sentiam os corpos um do outro, beijavam pouco, mas com qualidade.

Em nenhum momento, houve um comentário bom acerca dos dois. Todos foram grosseiros e preconceituosos com seus olhares e comentários em volume baixo. Ninguém acreditou que pudesse haver sentimento ali. Numa van com vidros escurecidos, no outro lado do parque, havia uma câmera e um microfone que captava todas as reações das pessoas que observavam o casal. De certa maneira, todos que duvidavam da união estavam certos. O amor de verdade não existe mais.

31 de maio de 2009

Frase da semana

Nunca fui muito adepto à idéia de uma Copa aqui no Brasil. O principal motivo pelo qual sempre vetei o intento é o fato de se investir dinheiro público em clubes privados, que juntos com a CBF obrigam o incauto torcedor a pagar R$ 50 para assistir ao Avaí. Caso não acreditem, esse foi o preço do ingresso, na Geral, para a primeira partida do Leão na série A, do Campeonato Brasileiro. Façam-me o favor!

E não me venham com o papo de que essas obras seriam bancadas por meio de parcerias com a iniciativa privada. No final das contas, todos sabemos no que vai dar: dinheiro público nas mãos de gestores inescrupulosos, que comandam nossos clubes falidos. Estamos no Brasil, aposto (e torço para queimar a língua) que menos de um ano antes do evento, pouquíssimas obras estarão adiantadas e o governo terá de intervir com verbas para finalizar tudo.

Sendo assim, fico feliz com o fato de Florianópolis não participar dessa onda de roubalheira que ocorrerá até 2014. A única coisa que me deixa realmente chateado é que a partir de agora seremos obrigados a ler frases como a de Marcos Castiel, do Diário Catarinense, dizendo o seguinte: "Crônica de uma morte anunciada. Inclusive com um retumbante furo de reportagem internacional protagonizado pelo Cacau Menezes".

Sim, o colunista mais amado das patricinhas e playboys da cidade e mais odiado do meio acadêmico, em Florianópolis, há cerca de três semanas adiantou a notícia, que mexeu com a mídia brasileira. A própria CBF emitiu comunicado desmentindo Cacau. Agora, além de não termos um joguinho sequer, ainda teremos que agüentá-lo se vangloriando da nota para sempre. Então, bola pra frente rapeize.

30 de maio de 2009

Aparências

Eles procuravam uma casa pequena, à beira de um lago, com muita natureza em volta. Encontraram um apartamento nojento, com vista para um mar de balas perdidas. Sonhavam em ter cada um seu próprio carro, nem precisava ser dos mais caros. Dois anos depois, encaravam três horas por dia no transporte coletivo.

Ambos prometeram, na noite de núpcias, manterem seus belos corpos da juventude o máximo de tempo possível. Seis meses depois ele ostentava uma barriga de chope e ela já havia engordado 8 kg. Ele garantiu que iria respeitá-la durante o horário da novela e nunca trocaria de canal para ver o jogo. Depois de três finais de semana juntos, as quartas, sábados e domingos se tornaram os dias do bar, onde ele enchia a cara com os amigos e nem assistia direito o futebol.

Ela aprendeu a cozinhar quando ficaram noivos. Por pouco não chegou a fazer curso de gastronomia. Tudo para agradar o futuro marido. Hoje eles almoçaram bife seco, arroz empapado, batata queimada e feijão velho.

Como todos os casais, juraram fidelidade eterna no altar. Agora, ele sempre estica as quartas-feiras na casa da primeira mulher que vê no bar e ela dorme de madrugada, depois de horas em frente ao computador, fazendo sexo virtual.

Os amigos de longa data olham para os dois e lembram-se daquele belo casal indo ao Cinema ou namorando no parque. Eles acham difícil entender por que mudaram tanto. Mas a convivência faz coisas incríveis com as pessoas.

No namoro, ele nunca falava um palavrão sequer. No casamento, seu vocabulário resumia-se a palavras de baixo calão. Ela só saía com o namorado cheirosa, sempre tomava banho. O problema é que eles costumavam se ver poucas vezes na semana. Justamente nos dias em que a garota ficava uma hora embaixo do chuveiro.

Ele andava com um belo carro e dinheiro não era problema. O pai dele era rico e liberava o automóvel. Ela usava roupas caras, mas, apesar de trabalhar bastante para pagá-las, nunca pagou uma conta de supermercado.

Ambos se amavam nas aparências. Todavia, se conheceram tarde demais.

20 de maio de 2009

Sobre nossas cabeças...

Momento curiosidade! Aí vai um vídeo que Marcelo Tas publicou em seu blog e que achei interessante! Direto do túnel do You Tube...





De acordo com as informações publicadas com o vídeo, cada pontinho amarelo na imagem equivale a um avião e o tempo do vídeo representa 24h.

18 de maio de 2009

Pauta que pariu 2!

Não, este post não é nenhuma continuação do que levou o mesmo título há alguns dias. Mas o motivo que me leva a escrevê-lo é o mesmo e me parece conveniente a idéia [no retrô da gramática] de intitular dessa forma todas as postagens referentes a assuntos cabeludos e escabrosos! A pauta que pariu da vez é:

Aprendi com meus pais a sempre arrumar o quarto e a casa antes de receber visitas. Acabei entendendo isso como educação. Sabem como é: da arrumação simples até aquela bela "geral", é comum deixar as coisas no lugar, varrer a sujeira e aparentar um mínimo de ordem. Pois bem! Agora vamos brincar de imaginar que nossa casa é a cidade, ou o estado.

Durante muito tempo se falou em Congresso do Conselho Mundial de Viagem e Turismo nos noticiários de Santa Catarina, sempre ressaltando a importância do evento e do significado da vinda de grandes investidores e bacanudos para cá. Traduzindo: WTTC.

Findo o acontecimento, pode-se perceber que há um ar de disfarce nas manchetes e no que se tem falado a respeito da conferência.

O otimismo do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, não parece estar sustentado por perspectivas tão animadoras dos ilustres executivos. Entre 133 países, o Brasil aparece em 130º e 110º lugares quando a questão é [in]suficiência na segurança e no transporte, respectivamente.

Um exemplo tão representativo está na manchete que estará em destaque amanhã por aqui: "Greve de ônibus começa às 9h30 de terça-feira em Florianópolis". Sem contar com toda a poeira e móveis fora do lugar.


Bom, ao menos as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos ganharam um azul de um convênio entre a Celesc e a Prefeitura de Florianópolis! Agora basta mais um evento para que terminem a colocação dos guard rails na travessia...

13 de maio de 2009

Brasileirão 09

Pois começou mais um campeonato brasileiro. Todo ano a imprensa inteira escreve que esse ano o campeonato está incrível, será o melhor dos últimos anos etc.
Sim, sempre falamos isso. Mas, de fato, sou obrigado a concordar que 2009 reserva grandes jogos no - na minha opinião - melhor nacional do planeta. Equipes muito bem montadas, bem preparadas e com nomes de peso. A primeira rodada já agradou, com excelentes partidas. Fiquei tentando conferir (ao mesmo tempo) flu x são paulo e cruzeiro x fla. Dois jogões. Sem contar corinthians e inter. E, esta é a maior graça do brasileirão, são várias equipes nas quais ninguém pode dizer "ah, esse não ganha de jeito nenhum".
Meus palpites para 09, aqueles que devem garantir libertadores, são:
palmeiras - apesar de instável, inegável a qualidade de diego souza, pierre, cleiton xavier. Caso resolva jogar, keirrison ajuda. São marcos no gol e alguns reservas competentes, luxemburgo (que pode ser um cara de pau mas é muito bom treinador), ajudado pela parceria com a traffic.
cruzeiro - elenco muito bom, kleber em ótima fase e meio campo bem arrumado com ramires, wágner, marquinhos paraná e fabrício. Repatriou sorín, cuja idade não atrapalha em nada, e apostou em athirson (tenho minhas dúvidas nesse).
corinthians - manteve o time campeão da segundona, com andré santos, chicão, alessandro, dentinho, todos bem entrosados; e trouxe o reforço de ronaldo, que jogou demais no paulista. Também a competência de mano menezes.
inter - novamente com um monte de estrelas, como nilmar, d'alessandro, kleber mais coadjuvantes competentes. Ano passado, porém, deu essa mesma pinta e não teve um final interessante.
Um degrau abaixo, porém com boas chances:
flamengo - talvez os melhores alas do país, juan e léo moura, mais ibson que quando resolve jogar é problema aos adversários. Se adriano estourar como se espera, jogar ele sabe.
fluminense - bastante dependente de parreira, thiago neves e fred, três nomes de respeito. Ainda conta com conca, bom jogador, e forte patrocínio da unimed.
são paulo - não creio que esse ano chegue, todavia pelo retrospecto não há como tirá-lo desse grupo. Bons atacantes, bons zagueiros, porém até agora todos um pouco aquém do que podem fazer. Mas... murici já mostrou como sabe trabalhar.
Ano passado, modéstia a parte, mandei muito bem nos palpites às primeiras colocações. Espero este ano manter a média, e no final do ano escrever a história do penta de um desses aí em cima...

7 de maio de 2009

Esses dias vi uma entrevista com o chef alex atala, do restaurante dom e apresentador do "mesa para dois" no canal gnt. Entre outras coisas, falava da importância do atendimento, da qualidade dos ingredientes, "se eu cobro caro tenho que servir os melhores produtos".


Me fez lembrar um ocorrido num requintado café de floripa, relativ Logo na entrada, uma vitrine com diversos doces, e em todos há uma plaquinha descrevendo do que é feito. Menos um, onde lê-se "promoção do dia". Perguntado sobre o que é a promoção do dia, o atendente responde: "é uma promoção que todo dia é um doce diferente". Acho engraçado, falo que gostaria de saber do que ele é feito. Isso ele não sabe, pergunta a outro garçom, ambos olham bem para o docinho quadrado. "Café... isso, é de café", um fala. Bem, gosto de café, peço o doce.
O ambiente é bem decorado, cheio de televisores modernos que passam filme do elvis. As louças são desenhadas por um artista-publicitário bastante conhecido na ilha. Já à mesa, o casal que me acompanha olha o cardápio. O rapaz pede um doce, a garota um sanduíche croq monsieur, com peito de peru. Os doces chegam antes, porém o rapaz precisa pedir que sua colher seja trocada - eu não descobri se foi mal lavada ou simplesmente esqueceram tal ato. Meu café está muito bom, já ao doce não posso tecer os mesmos elogios. Chegado o sanduba, bonito, a surpresa: não é de peito de peru, mas de presunto. O casal chama o garçom e explica que não foi esse o pedido.
Percebemos certo agito na cozinha. Passados uns minutos, volta outro moço, que pela roupa imagino ser gerente ou algo do gênero. Explica: "bom, é que não temos peito de peru no restaurante, esse é um pequeno erro do nosso cardápio, a senhora não aceita o com presunto?". Mesmo coa explicação, o croq monsieur volta para a cozinha, não sei que saboreou-o. Nesse momento duas perguntas não me saem da cabeça: se não tem peito de peru, porque não arrumaram o cardápio ainda?; mesmo com o cardápio como está, ninguém no restaurante poderia "lembrar" do erro e avisar o cliente antes do pedido? Com preços que, na minha opinião, estão dentro do padrão para o que tal estabelecimento pretende ser - ou seja, não são baratos - creio que tais acontecimentos poderiam ser evitados.
Ao ir embora, apenas um gaçom fala baixinho com a moça do caixa, "cancela o croq". O homem que está ao seu lado nem levanta os olhos quando as reclamações são feitas. A moça, educada, pega um papelzinho para que ele preencha suas reclamações. Postura equivocada, na minha visão. Além de tudo o cliente tem que preencher fichinha? Com tudo isso, e pelo nível do local, esperava que o dono-chef-gerente ou figura equivalente presente no momento nos acompanhasse até a porta e não cobrasse a fatura.
Saí do local com a indagação na cabeça: adianta ter mais tvs de plasma que as casas bahia e não servir o que o cardápio oferece?

6 de maio de 2009

Transporte Público?

Nas duas últimas semanas, temos presenciado uma nova etapa da guerra pelo preço das passagens de ônibus em Florianópolis. No primeiro momento, a prefeitura envia à Câmara de Vereadores, um projeto de lei para a licitação do transporte coletivo da Capital, abrindo a possibilidade de qualquer empresa do país explorar o serviço. Em seguida, o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Florianópolis (Setuf) entra na mídia com uma campanha publicitária defendendo o preço das passagens e o serviço prestado por elas, alegando que nos últimos anos o valor subiu muito menos do que a inflação do período. Agora é a vez dos funcionários reivindicarem aumento e ameaçarem uma paralisação a qualquer momento, deixando milhares de usuários a pé, muitos morando a mais de 30 km do Centro da cidade.

Poderia ser uma simples coincidência do destino tudo isso ocorrer ao mesmo tempo? Duvido. Trabalhadores, empresas e prefeitura mais parecem estar outra vez articulando um novo aumento de tarifa. E quem sairá ganhando com isso certamente não será o usuário.

Talvez sejam as empresas, que desligaram o ar-condicionado dos poucos veículos que possuem o equipamento, alegando corte de custos, mas que ainda dizem que o transporte é de qualidade, mesmo custando R$ 2,70 para quem não usa o cartão; quem sabe os trabalhadores do setor, que em sua maioria, sem possuir grande grau de instrução, têm um piso salarial maior que o dos professores da rede pública estadual; ou ainda a administração municipal, que nas próximas eleições poderá usar novamente a promessa de “abrir a caixa preta do transporte coletivo”, visto que até agora nada mudou (exceto pelos “corredores” de ônibus que só atravancaram um pouco mais o trânsito da Capital).

O que se percebe é que está na hora do povo tomar uma atitude. Minha utopia é de que todos pudessem se unir e criar a semana da carona coletiva enchendo as ruas de veículos lotados de pessoas e esvaziando o transporte coletivo. Para quem não lembra, esse serviço é público e depende de concessão para existir. Quem deve mandar na política são os cidadãos e não os que estão no poder.

5 de maio de 2009

3+3

Fila, claro. Mesmo saindo de casa uma e meia da tarde, nada como uma filinha indo para a ressacada. Normal, é assim em qualquer jogo do avaí, hoje contra a chapecoense só é um pouco pior. Final do estadual, lotação máxima no estádio, tudo que pede uma decisão. Após a liberação das duas pistas, três e meia, é possível ir além da segunda marcha e seguimos o percurso. (Para quem não mora em floripa, convém lembrar que "liberar a pista" significa que ninguém que vem do aeroporto pode seguir em direção ao centro). Em seguida, hora de estacionar o auto, cinco reais para parar num local que eu sinceramente até agora não descobri se é rua, terreno baldio, área pública... Para animar um pouco, uma moça deveras atraente com uma roupa igualmente atraente, oferece uma heineken, de graça. Pois o prezado leitor pode pensar que sou um tratante, mas é verdade, bem como é verdade que passamos reto e rindo, "ah, só se a cerveja fosse azul, verde não dá". Bando de otários, claro, percebemos que não era nenhuma zoação e voltamos quietinhos para pegar um copo com a cerveja estalando.

Ingresso para o setor f, ao lado do visitante, no qual nunca fomos. Vendo a fila, qualquer um pensaria "não pode ser tudo isso". Porém, perguntando um por um, descobrimos que é aquilo mesmo, uma enormidade que dá a volta em quase metade do estádio. Tudo bem, não fossem os inúmeros furões não levaríamos metade do tempo até entrar. Nessas horas que o cara pensa, em qualquer local civilizado as pessoas ficariam numa boa na fila e todo mundo entra. Mas, o brasileiro precisa fazer valer a máxima do "jeitinho". Enquanto o sol nos faz passar calor, alguém é detido pela polícia. Não entendo se jogou alguma coisa nos torcedores da chapecoense, o fato é que é levado - outro que discute com os pms tentando soltá-lo quase vai também.

Por sinal, policiamento não faltou. Acho que desde a revolta da catraca não via tantos; do grt, bope, canil, cavalaria. Não sei se tem outras prioridades, todavia acho que seria interessante que ficasse um policial - ou segurança do clube - a cada 15, 20 metros, organizando a fila. Facilitaria muito o acesso. Quase no portão, ouço de um garoto que a partida não só começão como está um a zero para os visitantes. O avaí precisa de vitória no tempo normal para forçar a prorrogação, visto que perdeu em chapecó por 3x1. Entrando, mais paciência para encontrar onde ficar, o estádio está completamente lotado e certamente foram vendidos mais ingressos do que a carga normal. Acabo exatamente atrás da trave, no patamar mais baixo - enfim, péssimo lugar. Bem, foda-se, o importante é torcer pela virada.

E ela vem, como nem os mais otimistas esperavam. Ainda no primeiro tempo, o empate, com evando, e a expulsão de marcus winícius, do avaí - no segundo willian amaral deixaria 10 contra 10. No começo do segundo, a virada, léo gago, e mais tarde o capitão marquinhos deixa seu tento. A torcida avaiana alterna momentos de cantoria com silêncios; a turma do oeste fez bonita festa, porém a esta altura era difícil acreditar que a taça sairia da ilha. Jogo tem todo tipo de figura, e o torcedor bêbado nunca falta. Se ter um ao lado pode ser chato, imagine três. Falam o tempo todo, outro chora. Ali, contudo todos são cúmplices - o rapaz que assistia enrolado numa bandeira é o amigo da hora, que abraço a cada gol - além dos que foram comigo e eventualmente alguém que passasse por ali.

Na prorrogação o placar torna ao 0x0. Que se torna três, novamente com marquinhos, lima e ferdinando. Ainda havia tempo para o goleiro edurdo martini chutar por cima do travessão o sétimo golo azurra, em cobrança de pênalti, após ser "indicado" pela torcida para o chute. 6x1 no final, todo mundo é amigo, grita "é campeão", após 11 anos a taça estadual volta ao sul da ilha. Foguetório, volta olímpica, a festa é maravilhosa. Saio do estádio apenas quando o policial nos pede, não sem antes espiar, do alto do estádio, os torcedores do oeste se preparando para a longa viagem de volta - tadinhas daquelas duas garotas tão bonitinhas, espero que pelo menos tenham curtido uma praia. Acho que não.

Chegando no carro, estômago já acalmado com o melhor churrasquinho de gato da cidade, mais meia hora de espera. Para ligar o carro. Sair do estacionamento, outra tarefa árdua, mas agora tudo é festa. Buzinasso no caminho de volta, vidros abertos, garganta que não pára de berrar. Engraçado, os outros carros voltam como se estivessem vindo da praia, cadê o agito? "é campeão porra!" faço todos escutarem. Alguns outros acompanham, também buzinam. A festa na beira-mar seria grande, mas após um lanche volvemos ao prédio. Com a certeza que a melhor festa estava consumada. 3+3=avaí campeão.

30 de abril de 2009

Pauta que pariu!




A Lei estadual 13.348/05 foi promulgada em 2005. De acordo com o site do Ministério Público de Santa Catarina, essa Lei determina que:

Art. 1º Fica obrigatória a isenção do pagamento de estacionamento em shopping centers, supermercados e agências bancárias onde o usuário permaneça por período igual ou inferior a noventa minutos.

Parágrafo único. O cliente usuário do estacionamento de que trata o caput do art. 1º deverá obrigatoriamente apresentar na saída do estacionamento, cupom fiscal de compra de mercadoria ou serviço com valor maior ou igual a dez vezes o valor da taxa.

Art. 2º Esta Lei se aplica a todos os estabelecimentos referidos no art. 1º, que ofereçam serviço de estacionamento próprio ou terceirizado.

Art. 3º Não tendo condições de comprovar a compra de mercadoria, o cliente pagará normalmente pelo estacionamento.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.



O fato é: no shopping Itaguaçu, em São José, existe apenas um guichê legal! Sim! Os outros são ilegais! É o que diz o recado gentil que aparece na foto aí em cima!

Pergunta: Poxa, e se eu parei meu carro em uma vaga longe desse guichê?
Resposta: Você se deu mal!

Pergunta: O que acontece se eu for ao shopping em um dia de muito movimento, tiver uma fila enorme nesse guichê e o meu tempo estiver prestes a se esgotar?
Resposta: Você se dá mal!

Aí partimos para a suposição de que são apenas R$ 3,00 [R$ 2,00 às quartas-feiras]! Quem vai ficar mais pobre por causa dessa "merreca"? Eu não sei, mas sei responder quem ficará mais rico com essa falta de respeito. São três reais aqui, três ali, três acolá... e e-laiá!


E aí? O que você acha disso? Acontece o mesmo aí onde você mora ou não existe nenhuma Lei que determine alguma coisa no seu estado?



Obs: infelizmente não existe nada nessa imagem que comprove o local em que o guichê está, a não ser o reflexo do shopping no vidro! Aos que não reconhecerem, garanto que minha palavra ainda vale alguma coisa e que isso pode ser constatado no Itaguaçu!

28 de abril de 2009

Podcast Aspirantes #4

Rápida explicação. Minha idéia era que isto fosse escutado, não lido. Porém acabo de descobrir que meu microfone não está muito bom. Para não deixar de publicá-lo, ele vai em texto mesmo. Bom, vale a intenção.
O ano era 1996 e o Sepultura, talvez maior banda de metal do brasil, lançava seu sétimo álbum: Roots. Max e Igor cavalera, Paulo Jr. e Andreas Kisser realizam uma pesquisa sobre música brasileira, e o resultado foi uma sonoridade diferente do que a banda havia prodizido até aquele momento. Do que álbum que contou com a veia percussiva de Carlinhos Brown, saíram sucessos como Roots Bloody Roots e Ratamahatta. Durante a gravação, o Sepultura passou três dias na aldeia xavante de Pimentel Barbosa, no Mato Grosso. O resultado, duas jóias do álbum: uma aula de violão de Andreas em Jasco; depois Itsári, talvez a melhor canção do disco, gravada na própria aldeia. Itsári, no dialeto da tribo, significa raiz, raízes, e o resultado dessa parceria você ouve agora. Sepultura, com Jasco e Itsári.

24 de abril de 2009

novidades

Como deves ver, o aspirantes a jornalistas passou - e ainda passa - por mudanças. Aliás, nós três passamos por mudanças. Terminar a faculdade é engraçado, eu por exemplo ainda me vejo muito mais como um estudante normal do que «jornalista formado». Pode parecer mero lero-lero, todavia leva um tempo até reestruturamos toda uma rotina que durante quatro anos foi basicamente a mesma.
Em breve pretendemos retomar este blog, no qual acreditamos fervorosamente, e continuá-lo como uma extensão e (tomara) nosso próprio trabalho. Vontade, como sempre, não falta. No meu caso, falta uma verba a financiar alguns projetos fotográficos, nada que daqui a pouco eu consiga. Falta também um visto para chegar à palestina e outros recônditos ao redor do globo. Mas os anúncios do uol devem providenciar isto.
Aproveitando o ensejo, alguns fatos que chamaram a atenção nos últimos dias:
- Nando Reis desembarca novamente na ilha, dia nove de maio. O show será no floripa music hall, e quem quiser conferir, prepare o bolso. Primeiro lote de ingressos a R$ 50 e segundo R$ 60.
-Santa Catarina está fora da copa do br. Após o empate do figueirense contra a ponte preta, o criciúma perdeu ontem para o náutico por 3x2 e também deu adeus à competição.
- Jogão ontem entre inter e sampdoria, em milão, pela copa da itália. Os genoveses perderam por um tento a zero, porém aplicaram 3x0 no jogo de ida e farão final inédita contra a lazio, 13 de maio, em roma.
- Em matéria publicada ontem, no diário catarinense: questionado se reembolsaria à câmara de deputados as 14 passagens aéreas emitidas em seu nome - todas a terceiros -, nelson goetten deu a seguinte explicação: "Devolver é complicado. Deputado trabalha com tanta difuculdade, mal consegue pagar suas contas". Está lá, na página seis do DC. Engraçado, na página da ong transparência brasil descubro que cada deputado estadual de santa catarina custa nada menos que R$ 6.096.000,00 por ano. E olha que são 40!

10 de abril de 2009

Por um jornalismo mais rock n' roll (especial de Páscoa)

Olá criançada! Segue abaixo uma seleção de vídeos que encontrei no Orkut, para lembrá-los dos efeitos do excesso de guloseimas. Espero que sobrevivam à pancada calórica e lembrem-se: chocolate demais engorda!



















Feliz páscoa a todos que passam por aqui!

7 de abril de 2009

Ainda é dia sete.

Ainda é dia do jornalista.

Ainda é tempo de dizer "parabéns para nós".

Viva!

5 de abril de 2009

Um beijo

Estávamos um dia passeando, eu e meus amigos, quando vi seu rosto pela primeira vez. Cidade pequena, sabe como é, um novo rosto é facilmente detectado por todos. Eu conhecia todos os habitantes e isso não é exagero. Claro, tinha mais ou menos afinidade e contato com alguns, nem todos podiam ser considerados, como dizem os jovens hoje, “parceiros”. Mas conhecia todas as faces de meus vizinhos. Então ela caminhava com a mãe. Seus olhos transmitiam uma inocência que nunca havia visto antes. Ela era quase uma santa.

Parei e fitei-a por uma fração de segundo. Meus amigos nem a viram naquele dia. Só o fariam semanas depois, numa festa tradicional onde ela foi, também acompanhada dos pais. Estavam empolgados com a conversa sobre o jogo de domingo. Os torcedores do time vencedor caçoavam dos perdedores, mas tudo com muito respeito entre si. Eram bons tempos aqueles, sem discussões por motivos fúteis. Ainda sinto saudades daquela época. Aos 21 anos, eu pouco sabia da vida, mas só percebi isso agora, no alto dos meus 70 e alguns.

Enfim, percebi que ela notou o grupo de rapazes falando alto pela rua. Não tinha como ela deixar de nos ver, tamanha a algazarra que fazíamos. Todavia, minha voz baixou depois de vê-la. Senti algo diferente naquele momento. Cheguei a ficar completamente calado e meus amigos só perceberam quando chegamos ao bar e, depois de tomarmos uma cerveja, cada um tomar o rumo de casa. Foi quando Aurélio me questionou porque ficara quieto tanto tempo, mas desconversei e não disse o motivo.

O motivo era uma garota de pele clara, cerca de 1,70m, magra, mas com algumas curvas, naquela época bastante elogiáveis, hoje, nem tanto. Olhos verdes que, com o perdão do uso de um termo tão batido, pareciam duas pedras de jade encravadas no rosto rosado pelo pó-de-arroz. Seus lábios eram finos, permeados com um batom levemente rosado, que servia apenas para realçar a cor e contrastá-los com as bochechas, tudo muito sutil. Ela estava usando um vestido que ainda hoje está em perfeito estado, guardado na memória. Se tivesse o talento para as artes gráficas, poderia redesenhá-lo com precisão.

Nos dias seguintes, comecei a perguntar a um e outro detalhes sobre ela, quem era, de onde veio, quem são seus pais. Para cada um, perguntava alguma coisa diferente, tudo para não levantar suspeitas de meu interesse. Então descobri que ela era filha de um militar do exército, que havia sido transferido para a nossa cidade com o intuito de montar um novo batalhão. Ele pesquisaria a região e os homens disponíveis, descobriria suas principais habilidades e enviaria os dados ao Estado Maior, que se encarregaria da criação dessa nova unidade. O trabalho dele tinha prazo de início e término e ele iria embora assim que tivesse completado sua missão.

O problema, para mim, foi que não descobri essa última parte a tempo. Depois de saber tudo sobre a vida dela, comecei a observá-la de longe quando caminhava com a mãe pela praça da cidade. Nos finais de semana, esperava a missa para encontrá-la. Comecei a flertar de longe e aos poucos fui me aproximando. Além disso, talvez tenha sido meu maior erro, também fui me apaixonando por ela.

Quando ouvi sua voz pela primeira vez, senti-me hipnotizado, como nas histórias dos navegadores com as sereias que os seduziam até as pedras, onde os navios batiam e naufragavam. Foi mais ou menos o que ocorreu comigo. A diferença é que estávamos em terra bem firme e meu navio era o coração.

Então, chegou o dia da festa de Santo Antônio em nossa cidade. Apesar de nem a igreja ser dedicada a esse santo, essa era uma das festas mais populares naquele povoado. Só perdia para as comemorações de fim de ano e para o feriado da Independência. Talvez tenha sido até a fama de nossas comemorações no dia sete de setembro que fizeram o exército se interessar pela nossa gente. Dadas as devidas proporções, era uma festa tão grande quanto à da capital do país, Rio de Janeiro. Todo mundo da região vinha ver. Certa vez, antes da instalação do exército, o prefeito foi até o comando estadual e, de tanta insistência, convenceu os generais a mandarem um tanque de guerra para as comemorações.

Lá eu a vi de novo. Eu estava novamente com meus amigos, mas sorrateiramente saí de perto deles e fui espreitá-la de longe. Ela estava o tempo todo com os pais. Devido às minhas insistentes tentativas de flerte, a moça já sabia que eu queria conhecê-la. Havia uma roda gigante e seus pais resolveram levá-la, pois ela nunca tinha estado numa. O problema é que em cada banco cabiam apenas duas pessoas sentadas. Então, vendo a cena da indecisão sobre quem subiria com ela, cheguei próximo e me ofereci a fazer companhia para a garota que morria de medo de altura.

Seus pais foram num banco onde era possível nos ver muito bem, logo atrás de nós. Não liguei para isso e comecei a conversar, enquanto a roda girava. Ela era bem tímida no começo, mas em dois minutos se soltou e passou a falar bastante, por vezes mais que eu. Bem baixinho, no ouvido dela, combinamos de nos encontrar antes do fim da festa. Seria a minha chance de declarar minhas intenções.

Dito e feito. Como num passe de mágica, ela conseguiu se livrar do pai militar e da mãe carola de igreja para nos encontrarmos no lugar combinado, sem atrasos. Falamos por cerca de três minutos, então, quando terminei de dizer o que pretendia com ela, trocamos um beijo no rosto um do outro.

A partir daquele dia, meus amigos já haviam percebido – e bem – a presença dela na cidade. Da mesma forma, em dois dias notaram meu interesse nela. Nós trocávamos olhares enquanto ela passava na rua. No alto de seus 18 anos, estava começando a fazer amigas nos dias que freqüentava a igreja. Eu achava aquilo o máximo. “Linda e pura”, pensei.

E realmente ela era. Ficamos mais duas semanas trocando olhares até que consegui conversar com ela na saída da missa de domingo. Foi rapidamente e apenas pudemos marcar outro encontro. Seria dali a dois dias, atrás das casas da praça da cidade. Novamente, ela cumpriu o combinado e chegou com pontualidade ao local.

Esses detalhes me enchiam cada vez mais de amor por ela. Neste dia, enfim, a beijei. Acho que foi o primeiro beijo dela. Um momento mágico. Só assim é possível descrever aqueles minutos. Apaixonadamente nos beijamos por cerca de meia hora. Ela foi embora e marcamos outro encontro. Combinamos que, se em três encontros continuássemos nos amando, assumiríamos a relação diante de nossos pais.

Contudo, ela não cumpriu o acordo e jamais apareceu ao segundo encontro. O pai dela terminara o trabalho antes do previsto e a família foi embora da cidade. Tudo durou cerca de um mês e meio, desde o dia em que a vi pela primeira vez. A rua onde marcamos já não existe mais, mesmo assim, por anos, voltei lá atrás daquele beijo. A vida seguiu e casei-me com outra. Eu a amo a minha esposa até hoje, mesmo estando enferma e próxima da morte.

Cada dia que passa, lembro daqueles lábios úmidos tocando os meus, lembro da respiração dela levemente ofegante, o perfume de jasmins, tudo. Com a mulher que me casei, não fui santo, eu a traí algumas vezes no início do casamento, Na verdade, eu a traí no momento em que nos conhecemos, pois jamais me esqueci do beijo que nunca mais encontrei. Apesar de tudo isso ainda viver comigo, tive uma vida feliz e penso que poderei morrer logo, em paz. Talvez na outra vida a encontre e prove aquela boca por toda a eternidade.

3 de abril de 2009

O sol nos esquenta aos poucos. Deitados na grama, abraçados, ela esfrega o cabelo em meu rosto. Unidos pelas mãos e pelo fone do ipod, aguardamos como se a qualquer momento fosse algo de diferente acontecer. O óculos de armação enorme jogado ao lado das mochilas, ao lado da garrafa d’água, ao lado do isqueiro, ao lado dos tênis.

Se chovesse agora ela não gostaria de estar com esta blusa, penso. É branca e fina, quase dá para ver as tatuagens sob ela. O piercing, não. Do leve aclive onde estamos pode-se ver todo o movimento da universidade, o vaivém nas lanchonetes. Está quase na hora do intervalo e com certeza minha professora ocupará uns 10 minutos dele para terminar de esculhambar todas as notas ruins da sala. Foda-se, eu fui bem, não ficaria lá perdendo tempo. Ela só tem as duas últimas, e com certeza chegará uns 10 minutos atrasada.

Abre a bolsa, tira a caixinha de palheiros comprada em bh. Acende um, o cheiro da fumaça misturada com seu seu perfume.
- Vou pegar um café
- Também quero
Calço o pony azul cano alto com a dificuldade de sempre, arrumo o wayfarer e desço em direção à praça de alimentação. Sempre as mesmas pessoas, gosto daqui. Caminho lentamente entre as mesas, cumprimento os conhecidos, confirmo que não perdi nada saindo mais cedo da aula. Peço os expressos na xícara mesmo, no copo sempre acabo derramando. Volto equilibrando-as com um brigadeiro de colher, ela sempre gosta. Mistura metade com o café e come o resto.

- Demorou...
- Está cheio, intervalo
- Oba, brigadeiro de colher
Sempre fala isso. Me dá um beijo e diverte-se preparando sua receita. Sento, como uma colherada e bebo meu puro.
- Essa aula é muito chata, mas eu não posso faltar mais, e tem prova semana que vem.
- Também vou entrar agora, de certo ela passará algum trabalho e ficaremos até depois de meio dia.
- Te espero no corredor
- Não quer entrar, ela não liga
- Ah, tem muita gente nessa aula, fico com vergonha, fico no banco te esperando. Vamos no cinema hoje?

31 de março de 2009

Visitas!





manhã de hoje, à beira-mar de São José, 11h48. 30 e tantos graus na cidade, céu sem nuvens e mar com belas visitas.

o zoom não colabora, mas com um esforço você consegue notar as formas presentes na imagem :)

27 de março de 2009

Sem ressentimentos. Foi o que pensei, tenho certeza que ela também, quando nos encontramos. Ambos arrumados, quase como quando saíamos. Meu terno preto contrasta com o tênis vermelho; que por sua vez contrasta com o mármore do piso. O vestido dela, sem alças, deixa à mostra as tatuagens nos ombros e costas.
- Como vai?
- Bem - responde ela, sorridente.
É engraçado como as coisas são. Agora, por exemplo, nos comportamos como se absolutamente nada tivesse acontecido , como se fossemos apenas amigos de infância, como se eu jamais tivesse elogiado seu sutiã estampado a cada vez que o tirava. O tipo de convivência que é fundamental à vida em sociedade.
- Pois é, estou morando no rio, só vim mesmo para o casamento.
- Pô, legal, quero ver se consigo uma vaga na folha, se bem que está cada vez mais difícil encontrar emprego para fotógrafo...
- Ah, posso ver se consigo alguma coisa, se quiseres. Conheço a editora da sucursal do rio.
Tudo parecia como antes, conversávamos, ríamos. Teriam os desentendimentos ficados para trás, agora que somos "crescidinhos"? Ocorre-me tentar algo, quiça pense ela isso também. A sala na qual estamos é ilumidada por um lustre de cristais; na bancada da janela as taças de syrah, o cinzeiro vazio. Há muito tempo não a sentia tão próxima, ao passo que igualmente pouco me abria quando encontrava-a. Um ano muda muita coisa.
Um desavisado entra na sala, nos percebe e sai rapidamente. Com certeza imaginou alguma coisa que não acontecia. E nos devolve ao mundo.
- Acho que vou lá embaixo pegar uma água.
- Claro - ela sorri.
Involuntariamente damo-nos as mãos.

24 de março de 2009

Hora do Planeta

"O WWF-Brasil participa pela primeira vez da Hora do Planeta, um ato simbólico, que será realizado dia 28 de março, às 20h30, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global. O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas. Participe! É simples. Apague as luzes da sua sala."

O texto acima não é nosso, mas tá valendo. Também apoiamos a idéia. Vamos fazer deste planetinha um lugar melhor e menos quente para nós vivermos.

Quem quiser se cadastrar, pode acessar o endereço http://www.horadoplaneta.org.br/ ou clicar no relógio que ficará aí do lado até sábado.

22 de março de 2009

Eternos aspirantes

O momento durou pouco mais de uma hora. Lá estávamos os três sentados, diante de um público enorme, próximo às autoridades acadêmicas, professores que amamos e odiamos ao longo de quatro anos. Esse tempo foi o suficiente para que eles entrassem aos poucos e marcassem nossas vidas, bem como os colegas que tivemos o prazer de conhecer nessa breve jornada.

Sim, ela foi breve, mesmo tendo durado quase meia década. Falando assim, parece que o tempo é longo e demorou a passar. Mas lembramos como se tivesse sido na semana passada de uma sala cheia de desconhecidos, onde, por mais incrível que pareça, não havia lugar para que todos se sentassem. Alguns assistiram a primeira aula da faculdade no chão da sala, até que no fim daquela manhã de segunda feira a situação fosse resolvida.

Foi um tempo de sorrisos, de lágrimas, de amizades e de discussões. Acima de tudo, foi um tempo em que aprendemos. Não apenas a sermos jornalistas; aprendemos, sim, a nos tornar cidadãos, entender o próximo – ainda que eventualmente discordando -, superar diferenças e erguer a cabeça quando tudo parece perdido.

Tudo isso passou ontem em nossas mentes. Desde a vergonha nas primeiras entrevistas feitas ainda no início do curso até os projetos finais bem sucedidos e as monografias com notas máximas. Diante do público repleto de parentes e amigos não estavam apenas nós três e nossos colegas. Lá, havia sonhos, insônias, pesadelos, enxaquecas, livros, vídeos, sons. Uma complexidade inteira que formava cada um de nós e que nos fazia merecer o canudo a ser entregue durante a cerimônia.

Estamos mudados. Falando de nós três, sabemos que não somos mais o Samuka que tremeu diante da primeira menina que entrevistou, a Li..! que demorava a se enturmar com o resto dos colegas e o Pedro que imaginava ser repórter esportivo para narrar jogos do Palmeiras. Essas personalidades ainda existem em nós, em algum lugar, contudo já não são as melhores definições de cada aspirante.

Por falar nisso, tecnicamente, já não somos mais aspirantes. Desde a noite do último sábado, nos tornamos oficialmente jornalistas, ou melhor, bacharéis em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Só que isso abre uma questão ainda maior: o que é ser um jornalista? Na nossa visão, ser jornalista é estar sempre disposto a aprender com o mundo e saber que nunca estamos completos de conhecimento, respeitar outras culturas e tentar desvendar aos outros um pouco desse mundo cão.

Mas espera aí, se nós vamos continuar aprendendo, nunca nos tornaremos algo em definitivo, certo? Sim, e é por isso que dentro de nossos corações seremos eternos aspirantes. Só que agora, nossas aspirações vão além do diploma. Queremos conquistar o mundo, conhecer mais pessoas, contar mais histórias, arrumar emprego, enfim, viver.

Sendo assim, o blog não muda nem de nome e nem de endereço, apesar do diploma pendurado na parede do quarto. Nossas novas aspirações serão parte do que vocês encontrarão daqui para a frente. Esperamos que os leitores que aparecem aqui sempre continuem dando seu apoio.

Como bons fãs do CQC, nos despedimos com um até breve e um beijo nos liguem para todos. Assim que um de nós recuperar-se de vez da ressaca, o blog volta com força total. A pouca força de sempre, mas total.

16 de março de 2009


¿que miras?
bsas

15 de março de 2009

Azar no jogo...

Restavam poucas fichas no bolso. Ele tinha ido ao cassino ilegal para tentar, com suas últimas economias, salvar o mês que havia sido duro demais para suas finanças. Aos 34 anos, Renan tinha muita sorte. Tirando grandes apostas, como Mega-Sena e afins, ele nunca havia perdido dinheiro com jogos de azar. Fossem bingo de igreja ou concursos de supermercados, ele sempre ganhava um prêmio, ainda que nem sempre fosse o principal.

Porém agora era diferente. Com a mulher doente, internada no hospital, ele já havia gastado quase tudo. Até o carro zero quilômetro que ganhara meses antes em uma promoção, ele vendera para pagar os gastos com hospital e o aluguel de uma kitnete. Eles eram do interior do Estado e o câncer raro de sua esposa só poderia ser tratado na Capital. Mas ela necessitava de cuidados e carinho constantes, não só dos médicos e enfermeiros, como também do marido, que era sua única família agora, já que ela era filha única e seus pais já haviam morrido. O casal ainda não tinha filhos.

Ela estava com 27 anos. Antes da doença, que fora descoberta há cerca de seis meses, Joana era uma mulher muito bonita. Na cidade, suas formas eram apreciadas pelos homens de maneira tão grosseira às vezes, que lembravam a personagem-título Malena, interpretada pela bela Monica Bellucci, no filme do diretor Giuseppe Tornatore. Porém o tratamento a deixara sem os belos cabelos castanhos escorridos até a cintura. Seus olhos verdes, outrora brilhantes e ávidos, transbordando uma mistura de paixão ardente com a mais doce ternura de um carinho demorado embaixo de uma árvore num fim de tarde no outono, agora eram opacos e vazios. Quem a via naquela situação já não pensava mais se tratar de um ser vivo. Ela vegetava sobre os lençóis brancos da cama de hospital.

Mas a paixão de Renan era mais forte que tudo. Ele ainda tinha familiares vivos, muitos dos quais se prontificaram a ajudá-lo com o tratamento de Joana. Ele recusou o auxílio de todos. Em sua mente, ninguém, além dos médicos e enfermeiros do hospital seria mais capacitado para segurar as mãos da mulher enquanto a morte, aos poucos, se apresentava diante dela. Na verdade, nas duas últimas semanas, ele também já começava a duvidar da competência dos profissionais.

Dentre os que cuidavam de Joana, havia um residente, com a mesma idade dela. Ele foi designado pelo chefe de oncologia para também aprender com esse caso. João era o melhor aluno de sua turma e sabia que se a superasse a doença, além de ser quase um milagre, sua carreira teria no currículo algo realmente importante para ser mostrado depois. Desde o início, ele acompanhava Joana e era quem mais cuidava dela, além do marido. Enquanto ela ainda falava – agora apenas balbuciava algumas sílabas – os dois passavam algumas horas contando um ao outro sobre a vida deles, trocando intimidades.

Certo dia, foram interrompidos aos risos por Renan, que chegou ao quarto e perguntou o motivo de tanta alegria. O médico quis começar a falar, mas Joana o interrompeu e disse: “Acredita que ele também caiu de bicicleta e quase morreu quando tinha nove anos? Igual ao que aconteceu comigo quando era pequena, com a mesma idade. Só faltava termos nascido no mesmo dia.” Renan não entendeu direito, mas também esboçou um sorriso. Era impossível não se sentir alegre na presença de Joana.

Ele morreria se qualquer coisa os separasse. Para que isso não acontecesse, estava diante daquela mesa, pronto para entregar a alma ao diabo. O jogo era o famoso 21, também conhecido como Blackjack. A sorte estava prestes a traçar um destino com o qual Renan jamais sonhara. Durante toda a noite, havia perdido algumas centenas de reais na mesa de jogo. Sua última aposta era de 500 Reais. Era tudo ou nada.

Um outro homem quis aumentar a aposta, mas Renan não teria mais dinheiro e pediu para que ele não fizesse isso. Brevemente, contou os motivos que o levaram àquela mesa e implorou para que a aposta permanecesse como estava e o jogo continuasse. Se ele perdesse, aqueles eram seus últimos centavos. Resignado, o velho cheio de dinheiro resolveu fazer uma boa ação e segurar a aposta, apenas pagou o que Renan colocou e o jogo continuou.

Recebeu as duas cartas: um três de paus e um quatro de ouros. Estava difícil de ganhar. Ele precisava no mínimo de uma carta real, que vale 10 pontos. No Blackjack, ganha quem alcançar 21 pontos na soma das cartas ou quem tiver a maior soma dentre os valores delas e perde quem extrapolar os 21 pontos ou possuir uma soma inferior a de seus oponentes.

Com aquele dinheiro, poderia ir embora o último suspiro de Joana. Ele suava em bicas. As cartas começavam a amolecer, diante de tanto suor que escorria por suas mãos. Puxou outra carta: era o 10 que ele precisava. Somou e ainda estava com 17 pontos. Um quatro e ganharia o jogo. Essa pontuação é arriscada demais, pois ainda está um pouco longe dos 21 para se fechar a partida, o velho ou a banca poderiam ter somas maiores. Ele resolveu se arriscar e puxou outra. Veio um dois de espadas. Era hora de parar e ele sabia disso. Não arriscou comprar outra carta e avisou que estava pronto para mostrar seu jogo.

No hospital, Joana começara a passar mal. Uma falta de ar, seguida de uma breve parada cardíaca colocaram toda a UTI de prontidão para socorrê-la. O jovem residente estava na equipe que cuidou dela naquele momento. Passado o susto inicial, os enfermeiros saíram um pouco e o médico ficou cuidando da paciente mais alguns minutos. Num momento, ela recobrou um pouco a consciência. Nunca se saberá o quanto. Pediu para segurar a mão do médico e disse: “Eu te amo. Obrigada por tudo.” Seus olhos então se fecharam, para nunca mais se abrirem.

De volta ao cassino, o velho colocou as suas cartas: estava com 18 pontos. O coração de Renan já se preparava para bater mais forte e comemorar a vitória. Seria a primeira da noite e talvez a primeira de muitas, que poderiam dar o dinheiro para o tratamento da amada. Então, o crupiê desceu as cartas da banca: a soma fechava 20 pontos e Renan acabava de perder tudo.

Instantes depois, desolado na porta do cassino, o celular dele tocou, trazendo a notícia do falecimento de Joana. Todavia, os detalhes do acontecido, incluindo as palavras proferidas por ela, não foram-lhe ditos. Ele correu e se atirou na frente de um caminhão. Morreu e foi enterrado com ela.

13 de março de 2009

Não duvido que muita gente não saco de esperar carregar 51 minutos (se fossem 15...). Mas, se sua internet for rápida ou você tiver paciência como eu, verá que a entrevista do camarada marcelo adnet ao portal uol ficou excelente.

12 de março de 2009

Biografia de Roberto Carlos continua proibida

A notícia não é mais novidade, só eu é que fiquei sabendo agora (coisa feia, hein, Samuka?!?), mas o livro Roberto Carlos em Detalhes, do jornalista Paulo Cesar de Araújo continua com a venda proibida em todo o país, segundo decisão dos desembargadores da 18ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Os desembargadores levaram votaram a favor do músico que alega se sentir ofendido com o teor de algumas passagens da obra. O livro, lançado em dezembro de 2006 e, nos poucos dias em que esteve à venda, alcançou a marca de 40 mil exemplares comercializados.

Pouco me importa saber se o livro tem ou não um teor ofensivo à biografia de Roberto Carlos. A questão que se impõe neste caso é completamente diferente. Teoricamente, vivemos num país livre de qualquer tipo de censura. O máximo que se tem é a proibição de pornografia aos menores de 18 anos de idade. Se bem que com a internet, não é um mero aviso na entrada de um site que vai proibir um pirralho de acessar o conteúdo ou não. O problema é que a justiça, que deveria, no mínimo, resguardar os direitos do autor, o proíbe de lançar a obra.

Ainda não o li (mais a frente explicarei o porquê), porém se há algo que possa denegrir a imagem de Roberto ou de algum dos personagens que passaram por sua vida, o próprio poderia negar as informações, mostrar evidências contrárias ao que foi publicado, enfim. Da mesma forma, quem deve julgar se o conteúdo é verossímil ou não está longe de ser o biografado e muito menos o Poder Judiciário. Aqueles que devem se preocupar com isso são os leitores. Qualquer obra humana, seja uma reportagem ou uma descoberta da medicina, devem ser questionadas por quem realmente a consumirá. "Será que isso é verdade? Até que ponto o escritor mentiu ou omitiu detalhes?" Essas são perguntas que não cabem serem feitas por juízes. Se o autor cometeu alguma besteira no processo de levantamento das informações, ele será punido pelos leitores, que julgarão sua obra como sendo uma grande porcaria e não mais a comprarão.

Bom, mas assim como a pornografia, o livro sobre Roberto Carlos também está livre, leve e solto pela internet. Quem quiser baixar e tirar suas próprias conclusões, pode acessar o blog O Escriba, onde há um arquivo em pdf com o livro, e fazer suas próprias análises. Eu ainda não li o livro porque baixei hoje. Assim que terminar a leitura, ou parte dela, colocarei mais comentários (se não esquecer).

11 de março de 2009

CQC 09

Valeu a espera de dois meses pelo retorno do custe o que custar, na bandeirantes. Com um programa maior do que o normal, novos quadros mesclavam-se aos já tradicionais no programa. Aliás, as novidades incluiam também uma mesa que lembra o capô de um opala, as tatuagens do rafinha bastos e a barbicha do cortez.
Com duas matérias made in brasília, danilo gentili mostrou que de fato lá é seu melhor local de trabalho. Numa, questionava o aumento de salário que judiciário e executivo tentam aprovar para eles mesmos - visto que ganham pouco, coitados. Na outra, baseado em notícias da semana, verificava a quantas anda os conhecimentos gerais dos parlamentares. Percebemos então que são mais (seu adjetivo aqui) do que parecem, não sabendo nem onde fica guantánamo.
Outra boa nova foi o "fala na cara", conduzido por oscar filho e felipe andreoli. Populares tem a chance de falar o quiserem, frente a frente, ao participante do quadro - que na estréia foi o político paulo maluf. Mesmo sendo mais liso que um sabonete, foi cômico ver uma garota negandos-se a abraçá-lo. Homem dos esportes, andreoli também cobriu o clássico entre palmeiras x corinthians. Além das entrevistas, deu o óculos do cqc a ronaldo.
No "palavras cruzadas", entrevistas ping-pong com duas personalidades são exibidas simultâneamente. Divertido, dependento das respostas. Na última segunda, cauã reymond e paulo césar pereio responderam quanto tempo ficaram sem sexo e inutilidades do tipo. Para o aniversário de hebe camargo, matéria mais para entretenimento, rafael cortez foi o indicado. O excelente proteste já tratou de um hospital em brasília, inaugurado há um ano porém até hoje fechado. Para mim o melhor do programa.
Sobretudo, o que mais me animou foi o tom jornalístico que permeou a maioria da edição. Nas últimas edições de 08 achei que o humor apenas pelo humor tinha tomado conta do cqc. Mas, para encher o saco de artistas com perguntas que não levam a nada já basta o pânico. Ainda que engraçado, o custe o que custar é, ao meu ver, um programa de jornalismo. O que é importante para o país é o que deve estar na pauta dos homens de preto. E, pela estréia, eles vêm com tudo em 09.

6 de março de 2009

A porta do banheiro

O terno de lã na cadeira era o indicativo de que ele já chegara ao pequeno apartamento de quatro peças. O som do chuveiro confirmava. Susana então foi até a geladeira, abriu e pegou a jarra com água. Bebeu um copo rapidamente e encheu outro, que tomou devagar, com pequenos goles. Sentou-se em frente a televisão e esperou o namorado sair do banho. Eles haviam brigado, mas ela ainda tinha as chaves da casa. Foi lá para fazerem as pazes. Nestas noites frias é melhor dormir junto de alguém para se aquecer e deixar os sonhos dominarem a mente com mais facilidade.

A televisão de 20 polegadas, quase do tamanho da sala, mostrava o jornal local. Entre as notícias, ela se impressionou com o caso de um morador de rua que havia sido atropelado. O motorista fugiu, negando o socorro e o corpo ficou estendido na rua durante horas, até que pelo cheiro de podre alguém passando perto do cadáver percebeu que ele já não respirava mais e então chamou o rabecão.

O jornal terminou e nada do banho se acabar. Mas ela nem se deu conta. Era hora da novela, que ela não perdia nunca. Sabia toda a trama, melhor até que o autor. Não raro adivinhava as cenas vindouras, como se ela própria as tivesse escrito. O sofá de couro vagabundo, já soltando em parte, era desconfortável. Mas se a pendurassem pelo dedo mindinho do pé e a submetessem à tortura, isso não seria nada se comparado a perder um maldito capítulo do folhetim.

Aquele barulho da água caindo no banheiro ainda continuava. Depois que os créditos da novela subiram, Susana se deu conta do tempo decorrido desde que chegara ao apartamento. Será que Paulo a ouviu chegar e não queria sair para não deparar com a namorada? A última discussão havia sido feia. Começou com um motivo idiota: ele disse que ia comprar alianças para o casamento, mas o cartão de crédito estourou o limite depois da reserva feita no restaurante mais caro da cidade. Na verdade, ele havia mesmo comprado, mas quis fazer uma brincadeira com ela, que não quis saber e começou a brigar com o namorado. Eles discutiram no salão do restaurante lotado e ele esqueceu até de falar do anel guardado em seu bolso. Ela ainda não sabia de nada quando entrou no apartamento naquela noite.

Então, ela desligou a televisão e simulou sua saída, caminhando até a porta com passos firmes, abrindo-a e fechando-a. Depois, pisando como uma bailarina, voltou ao sofá moribundo, onde sentou-se na ponta e esperou a reação do namorado.

Passaram-se dois minutos e o chuveiro continuava ativo. Ela se assustou. Paulo deveria ter passado mal. Ela tentou abrir a porta. Susana era uma moça loira, de 1,60m, bem magrinha. Se fosse mais alta, provavelmente teria sido modelo, devido ao seu tipo físico. Em vão, ela tentou arrombar a porta. Bateu duas vezes o ombro contra a madeira. Quase quebrou, o ombro.

Desesperada, ligou para a polícia. Num ato de humanidade, o militar que a atendeu disse que nada poderia fazer, pois se ele estava passando mal, quem poderia socorrer Paulo seriam os bombeiros, não a polícia. Ele deu o número. Prontamente, ela ligou pedindo socorro. Depois de quase meia hora, uma ambulância aportou na entrada do condomínio. Um médico, um enfermeiro e o motorista subiram.

Com as mãos na cabeça e os olhos marejados, Susana os recebeu. Ela não conseguia pronunciar uma palavra. Estava em choque pela possível perda do namorado. Apesar das discussões, ela o amava e tinha a certeza de que o sentimento recíproco existia. Aos 25 anos, seria traumático perder o homem com o qual ela sonhava passar o resto de seus dias.

Quase cinco minutos depois, ela enfim balbuciou uma palavra: bbb-abbaa-banheei-rrooo. Apontando para o local onde poderia estar o seu amor, morto, os socorristas entenderam o que ela queria dizer. O motorista, então, tentou abrir a porta pela maçaneta. Obviamente, teve o mesmo resultado de Susana. Com um chute, ele arrombou a porta de madeira maciça.

Maciças também foram as gargalhadas dele e de seus colegas quando a porta enfim se abriu. Contrastavam demais com as lágrimas dos olhos de Susana. Dentro do banheiro, sentado no vaso sanitário, estava Paulo, completamente nu. Embaixo do chuveiro, havia uma mulher nua. Era Renata, melhor amiga de Susana. Ela soube da briga do casal na noite do dia anterior e foi visitar o namorado da amiga.

Enquanto na sala os olhos de Susana vertiam lágrimas de ódio pela cena que acabava de presenciar, no banheiro o diamante do anel que deveria ser para ela agora brilhava no dedo anelar da amiga.
Chego em casa passa pouco de uma hora. Sempre é bom ficar lá embaixo falando merda, rindo do condomínio, tocando violão, criando letras de improviso. Ligo a tv, descendo os canais acho o poderoso chefão no canal tcm. Para minha surpresa, porém, a película era dublada e legendada (em português). Foi bom rever a obra de coppola e mario puzo, não ficou em segundo lugar na lista dos melhores cem fimes da bravo! a toa. A seqüencia, por exemplo, da execução dos chefes das cinco famílias enquanto michael corleone reza no batismo do afilhado é, ao mesmo tempo, bela e impactante. A cena final, quando se pode praticamente "ver" don vito na pele do filho, que assume seu lugar, idem.
O que mais chamou-me a atenção, contudo, foram algumas divergências entre dublagem e legenda. Trocas de um sinônimo por outro, como "verme" ou "patife", tudo bem. Algumas frases que (na minha visão) não tem o mesmo significado, mas carregam o mesmo sentido, até vai - "seu vagabundo"/"maldito capanga". Em algumas partes chegava a ser imcompreensível o que legenda/dublagem mostravam, tamanha a diferença.
Algumas eu anotei. Como a cena na qual os chefes das famílias discutem os negócios com drogas. Para quem só escutou, o comentário é "eles são negros, que fiquem com o dinheiro". Já para quem leu, "eles (os negros) são sujos, já perderam sua alma". Enquando os mafiosos discutem sobre drogas, na versão dublada referem-se ao contrabando.
Não há dúvida que traduções sempre são um assunto complicado. Estas, todavia, eu não entendi como se transformaram tanto:
Dublagem - Legenda
olhe - ouça
ele virá com força total - ele os atacará
fique calmo - sem pânico
vamos acertar - matamos
leve meu carro - porque não pega uma carona
não quero investigação - quero que a imprensa fique longe disso

2 de março de 2009

Por um jornalismo mais rock n' roll



Carnaval passou, minha câmera não veio, as férias de todos se foram, o ano começou no Brasil. Mas nem por isso a gente deixará vocês sem o que ler. Quase formados (é no próximo dia 21 =D), não vamos prometer textos diariamente, mas prometemos continuar postando aqui sempre.

Precisamos fazer mais matérias para não perdermos o ritmo. Então, se quiserem, deixem nos comentários sugestões de pautas que, na medida do possível, iremos atrás para vocês.

23 de fevereiro de 2009




Minha câmera deve voltar do conserto nesta semana! =D

19 de fevereiro de 2009

Caminhavam juntos. Tenho certeza que não me viram passar. Graças a um capricho do acaso, pouco depois completo a distância que sempre ando, logo que faço a volta já os enxergo. Por um instante pensei vê-los de mãos dadas, porém é apenas um engano. Ela não passearia de mãos dadas com outro tão cedo, não aqui; não depois de tudo que passamos. Ele também trabalha no canal, já nos falamos algumas vezes em festas.

A parte de cima do biquíni é preta e branca, numa espécie de xadrez no qual os quadrados se misturam de forma desordenada. Provavelmente a de baixo também, contudo a canga preta enrolada esconde-a de olhares alheios. Era sempre assim, em todos esses anos ela nunca foi até a praia sem um short ou canga. Eu achava engraçado, provocava-a dizendo que com tantas garotas de corpos esculpidos pela academia durante o ano ninguém se preocuparia com ela. Claro que era mentira, para mim não havia nada mais belo que seu corpo magro e pele bastante clara; a frase logo abaixo do pescoço; a oriental tebori no tornozelo.
Daqui não consigo ver se em suas costas ainda estão as seis minúsculas marcas da única vez em que passou um laço. Fora inclusive num dia de festa da emissora, numa fábrica de confecções abandonada no bom retiro. Não lhe presenteei com aquela blusa pensando nisso, foi inclusive a menina da loja que sugeriu a peça com longo decote nas costas. O contraste entre o tecido negro, sua pele branca e a fita vermelha foi umas das composições mais belas que vi. Tudo perfeito, da entrada no táxi até o despertar do dia seguinte com ela debruçada na janela, envolvida pela fumaça, segurando a flûte vazia; a elegante blusa ainda no chão. Quiçá a melhor noite de minha vida.
Conversam animadamente, não acho que discutam pautas. Nunca foi com esse sujeito, deve estar contente agora. A maré está baixa, não tem sol – mesmo assim mantenho os óculos escuros. Há considerável movimento na praia, muitos jogam frescobol ou um jogo argentino similar à bocha. Não sei se quero encontrá-la, na verdade quero; todavia sei que não será bom para nenhum dos dois. Chegam ao hotel, vou mais devagar. É preferível deixar as coisas como estão. Lavam os pés e entram. De qualquer forma, ela está no 405.

18 de fevereiro de 2009

Depois do carnaval

Que apanhe do Rei Momo quem disser que nunca ouviu ou foi autor do fragmento de expressão “depois do carnaval”!

Daí vêm as variações [sim, vêm! Porque nesse blog a reforma ortográfica vai pular carnaval o ano inteiro!] a gosto: depois do carnaval, eu...

...resolvo!
...falo!
...faço!
...procuro emprego!
...começo a dieta!
...acordo mais cedo!
...pago a dívida vencida!

Ser humano tem coisa dessas de fingir para suportar o que é, vê, vive. Seis dias são um momento epifania razoável para dar conta desse recado e dividir o mundo dito real em antes e depois. Afinal, somos muitos, somos outros, somos tantos carnavais.

Só hoje, ouvi cinco vezes esse tipo de promessa e, então, decidi escrever pela primeira vez neste ano no Aspirantes. Talvez pela razão de ter minha inspiração seguido esse legado, com aviso de retorno somente "depois do carnaval".



Enquanto isso, há o que não espera por carnavais. E os sorrisos correm o risco de se irem com as máscaras.

16 de fevereiro de 2009

O som da década

Estava eu vagando pela internet hoje e me deparo com um fórum onde alguém perguntou: "Qual banda será lembrada quando se falar em música dos anos 2000?". Lógico que esse tópico me interessou e conferi algumas respostas. Como todos sabem, sou viciado em música, até quis ter uma banda de hard rock, mas nunca consegui. Então, comecei a pensar, em termos nacionais e internacionais, quem se destacou fazendo música nesta década.

Bom, comecei a gostar de música, de verdade (daqueles que sabem tudo sobre a banda), em meados de 1998. De lá para cá, fui aprender a tocar violão, me interessei por rock e hoje acho que entendo alguma coisa disso. O problema de estudar tudo isso é que fui me interessando pelo que era velho, para entender as origens da música que se faz atualmente. Por conseqüência, acabei não dando muita bola para o que ouvia, pois convenhamos que toda a obra do NX Zero é musicalmente, digamos, um pouco inferior à qualidade de qualquer música dos Beatles.

Mesmo assim, ouvi alguma coisa desses últimos anos, por mais que eu tentasse, não consegui me isolar dentro de uma bolha ouvindo Robert Johnson, Nirvana, João Gilberto, Led Zeppelin e outros. Até o ano passado, eu tinha MTV em casa e dava até para dizer que eu gostava um pouco ainda daquilo. Sendo assim, abri a biblioteca do meu Media Player e comecei a catar os sons dos anos 2000 que eu tenho aqui. Depois disso, puxei à memória coisas das quais li ou ouvi falar nos últimos tempos sobre a música contemporânea.

Em termos nacionais, percebi que boa parte do que poderei lembrar daqui a 10 anos estará na minha cabeça mais pelo tanto de coisas que li ou ouvi a respeito do que propriamente tenha escutado com atenção. Há quem diga que Los Hermanos possa ser o grande nome da década aqui no Brasil. Porém, ainda creio que faltou muita coisa aos barbudos que acabaram e agora pretendem voltar. Os caras eram alternativos, mas adoravam aparecer na MTV e na Globo. Nunca foi uma banda de atitude. Tive a oportunidade de assisti-los duas vezes: a primeira, no Planeta Atlântida de 2004, a segunda, no último show da banda em Florianópolis, no final de 2005.

O show no Planeta Atlântida foi, musicalmente, um dos melhores da noite, que ainda teria uma performance memorável do Sepultura (eu fui lá com a intenção de assistir justamente à banda mineira), contudo, o público que esperava sobretudo pelos shows mais animados de Skank, Jota Quest e CPM 22, pouco vibrou ao ver os barbudos no palco. Na verdade, para quem estava mais afastado da pouca muvuca próxima à banda, foi possível perceber muitas pessoas sentadas, descansando para aproveitar os shows que estavam por vir. Na segunda oportunidade, a noite era deles, mas quem, na minha opinião, roubou a cena foi a banda local Samambaia Sound Club, com uma performance muito superior à dos cariocas, que na última hora recusaram dividir o palco principal com as bandas daqui que abririam o show para eles, relegando os locais a um cantinho minúsculo no Lagoa Iate Clube.

Outro nome que vi, também nacional, citado nesse fórum, foi a banda Cansei de Ser Sexy. Sei que o Pedro adora, mas, sinceramente, acho uma cópia barata do rock alternativo feito por bandas como Elastica e até mesmo The Breeders, a qual à um clipe postado aqui no blog. Claro, a opinião é de alguém que ouviu uma única música deles, isso na época que tinha MTV e que odiou o som.

Já no campo internacional, a banda que foi citada como inesquecível para esta década foi o Coldplay. O grupo inglês também nunca foi dos meus preferidos, mas eu até os respeitava. Contudo, isso acabou quando soube da questão do plágio feito sobre uma música de Joe Satriani. Na minha opinião, o lendário guitarrista está com a razão. Meu destaque, porém, fica por conta de outra banda que ouço muito e realmente gosto: The White Stripes.

Eles sequer têm um baixista e a Meg White toca bateria como uma criança de seis anos. Mesmo assim, o som simples, com as guitarras distorcidas de Jack White conseguem me prender por muito tempo ouvindo o som. Às vezes, soa como algo mal feito, mas ainda assim eu gosto. Não sei porquê. Para mim, será a banda desta década que me lembrarei por muito tempo.

E para você, qual será o som que o fará lembrar desta década? Dê a sua opinião nos comentários.

P.S.: Ah, antes que falem, eu também lembrei que as duas maiores manifestações "musicais" do Brasil nesta década foram o funk carioca e o Calipso, mas meu bom senso resolveu retirá-los da discussão.

9 de fevereiro de 2009

na praia
O programa só começa às seis. Mesmo assim, cinco e meia o público já se amontoa em volta da área reservada à gravação do último MTV na Praia, em frente ao restaurante taikô, em jurerê. Produção escolhe participantes para os quadros do programa, algumas garotas seguram folhas com frases para amigos ou conhecidos. A maioria deve ter entre 14 e 17 anos, quiçá menos, não sou muito bom de idades.
A chegada da apresentadora Penélope (segurando um cachorro) anima os presentes. O “três minutos” anunciado pelo diretor indica que está prestes a começar a derradeira edição transmitida ao vivo das areias de Floripa. A todo tempo William e Lucas, da produção, andam para lá e para cá com as laudas do programa na mão, verificam qual o próximo quadro, puxam o participante, conferem se não há nada errado. Uma garota tem uma folha escrito “will, deixa eu chorar”, deve ser daquelas que não perdeu um programa. Além, três câmeras (um em cima de um tablado, alta, e duas móveis na areia) mais auxiliares, deve ter umas 15 pessoas na equipe. O que fica na câmera de cima é o mais velho, suponho ser o que mais tem a manha da captação de imagens.
E assim segue pela uma hora que dura o Na Praia. Os espectadores participam ativamente: torcem na eleição do vira-lata mais bonito do Brasil, gritam durante o summer disk – sobretudo quando aparece o Paramore. Durante os intervalos Pê se abriga abaixo duma tenda onde ficam algumas mesas de operação, pessoas da emissora; como uma moça de ascendência oriental que calça um all-star branco de couro e fuma em quantidade razoável, na minha concepção bonita, figurinista. Enquanto não voltam do break a molecada não para de chamar a apresentadora, que por sua vez se vira muito bem ao responder os que enchem um pouco além da conta.
O mais engraçado, porém, acontece quando Penélope encerra o programa. Um batalhão de infantes ameaça cercar a vj, até que Juliana, também da produção, grita “fotos façam fila atrás do taikô”. Em segundos todos saem correndo e somem da praia. Tal procedimento aconteceu nos quatro programas que acompanhei, e certamente todos os dias em que estiveram em Florianópolis, nas mais diversas localidades.
O local das fotos é um terreno no qual a MTV fez sua base – vale lembrar que praticamente toda grade foi aqui gravada. Ali tendas serviam de camarim e local de descanso entre as gravações. Entre outras onde Adnet e Quiabo batiam uma bolinha. Após tirar algumas fotos com a equipe toda do na praia e tradicionais cumprimentos recíprocos entre os envolvidos pelo trabalho realizado, Pê encontra seus fãs. Admito que, mesmo não estando na fila, sinto-me ligeiramente deslocado. Mais de 20 anos ali equivalia a terceira idade ou algo do gênero.
Um por um, ela tira foto com todos, igualmente sorridente com cada um. Se está cansada ou de saco cheio, disfarça bem. Muitos se enquadram no que convencionou chamar de emos. Quando algumas fichas são distribuídas, achei que acabaria em briga. Todos se empurram, imploram pela lembrança do programa. Os próprios Will e Lucas são também atração. Tiram fotos e, mesmo um pouco relutantes, dão autógrafos.
De um pai ouço o seguinte comentário: “então eu ofereci cinqüenta reais mais a fichinha que tu ganhou, mas a menina disse que não queria vender”, referindo-se às camisetas entregues a quem participava dos quadros. Outra menina comenta com a amiga: “ai, eu preciso de uma camisa, sabe o que é ser viciada em mtv, eu sou!”. Essa, porém, fala da camiseta usada pelo pessoal da emissora, com a logo do verão mtv 09. Ouvindo os mais emocionados pedidos, Will explica que esse modelo não está à disposição, orienta o pessoal a “garimpar com os manos da técnica”. Acho a cena meio surreal, esse fanatismo, a meninada se descabelando na fila para foto.
Quando os últimos da fila tiram a foto, Penélope encerra a sessão e vai para a van, ainda ouvindo chamados daqueles mais entusiasmados. Enquanto troco uma idéia com Will uns moleques se aproximam e dizem que vão até São Paulo atrás do mtv na rua. Melhor o povo do canal ir se mandar, antes que algum tenha a idéia de se esconder no caminhão de equipamento dentro dum praticável, penso. Indo-me embora, trato de colocar a camiseta que ganhei (modelo funcionário) dobrada em oito dentro do bolso. Afinal, do jeito que o pessoal estava, era capaz da turma da oitava série se juntar para me bater e roubá-la. Certo, não chega a tanto, mas é melhor prevenir.

5 de fevereiro de 2009

Um lapso

Era verão, dia 26 de janeiro. No final da tarde, as nuvens, que horas antes passavam esparsas, começavam a se juntar. Uma grande tempestade se formava. Fato comum naqueles dias. Durante toda a semana, chovera antes de anoitecer. Neste, porém, foi o primeiro em que ele se encontrava em casa.

Da janela da sala, começou a ver a movimentação no céu. Ainda eram seis horas da tarde e as luzes na rua começavam a se acender aos poucos. Morava no Centro. Lugar barulhento, sobretudo naquele horário. Era possível ver, da sacada do apartamento, o trânsito absolutamente congestionado; pessoas atravessando em meio aos carros parados nas filas, eventualmente alguns atropelamentos ou abalroamentos entre os veículos.

Como ele morava no segundo andar, acabava ouvindo os xingamentos que uns motoristas faziam aos outros ou aos pedestres e vice-versa. No início, achava aquilo engraçado, até o dia em que ouviu um homem falar uma obscenidade a uma senhora de 60 anos - que por sinal estava com a razão naquele momento – e como nunca havia ouvido falar naquela palavra antes, foi ao Google pesquisar o que significava e ficou horrorizado com o que viu. Na mesma hora, proibiu seus dois filhos de ficarem na sacada naquele horário.

Neste dia, especialmente, resolveu praticar a antiga diversão que deixara há alguns meses e sentou-se na sacada. O vento nordeste ainda soprava de leve, mas ao sul as nuvens negras já não estavam sozinhas. O som dos trovões, cada vez mais alto, já se misturava ao barulho frenético da cidade. As primeiras gotas começaram a cair.

Ele era casado há seis anos. Desde que conhecera a mulher, não olhara mais para outra. A data do dia que descrevemos aqui ficará marcada para sempre na sua vida. Ela aparentava ter pouco mais de 20 anos. Com um vestido preto que começava a cobrir o corpo dela alguns dedos acima do joelho, ela caminhava calmamente. Ele ainda não havia entendido porque seus olhos agora a fitavam, ela jamais imaginaria que havia alguém olhando, então num lance súbito, quase um espasmo, olhou para cima e o viu. Parou.

Ele sabia que amava sua mulher. Era o que seu coração lhe dizia há quase oito anos, quando se beijaram pela primeira vez. Só que agora algo não deixava que ele parasse de olhar. Ela era morena, olhos castanhos. Um clichê diria que seu corpo havia sido moldado por Deus, mas nem a perfeição Dele poderia atingir aquele nível. Os cabelos longos desciam até a metade de suas costas. Ela usava uma pulseira de ouro bastante fina, da qual, estando longe, ele só conseguiu ver o brilho.

Estaria apaixonado? Como, se ele jamais a vira antes? Amor à primeira vista não poderia ser. Nunca acreditou nisso. Antes que pudesse ter qualquer reação, ela se refez, como quem leva um susto e em alguns instantes retorna à realidade, e voltou a caminhar. Aquela imagem o paralisou

Eu estava na janela em frente ao apartamento dele. Vi tudo. Inclusive o momento em que ela entrou na portaria do meu prédio. Em alguns instantes subiu, bateu a porta do meu apartamento e, como se nada tivesse acontecido, disse:

- Meu amor! Quanta saudade! Não agüentava mais ficar longe de você. Eu te amo mais que a qualquer outro.

No outro apartamento, mesmo sem conseguir ouvir, vi a mesma cena acontecendo, enquanto a abraçava forte e esperava um beijo, do mesmo jeito que fazíamos todos os dias. Em seguida, a tempestade caiu com força e a única coisa que ouvíamos era o barulho da chuva.
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