6 de março de 2009

Chego em casa passa pouco de uma hora. Sempre é bom ficar lá embaixo falando merda, rindo do condomínio, tocando violão, criando letras de improviso. Ligo a tv, descendo os canais acho o poderoso chefão no canal tcm. Para minha surpresa, porém, a película era dublada e legendada (em português). Foi bom rever a obra de coppola e mario puzo, não ficou em segundo lugar na lista dos melhores cem fimes da bravo! a toa. A seqüencia, por exemplo, da execução dos chefes das cinco famílias enquanto michael corleone reza no batismo do afilhado é, ao mesmo tempo, bela e impactante. A cena final, quando se pode praticamente "ver" don vito na pele do filho, que assume seu lugar, idem.
O que mais chamou-me a atenção, contudo, foram algumas divergências entre dublagem e legenda. Trocas de um sinônimo por outro, como "verme" ou "patife", tudo bem. Algumas frases que (na minha visão) não tem o mesmo significado, mas carregam o mesmo sentido, até vai - "seu vagabundo"/"maldito capanga". Em algumas partes chegava a ser imcompreensível o que legenda/dublagem mostravam, tamanha a diferença.
Algumas eu anotei. Como a cena na qual os chefes das famílias discutem os negócios com drogas. Para quem só escutou, o comentário é "eles são negros, que fiquem com o dinheiro". Já para quem leu, "eles (os negros) são sujos, já perderam sua alma". Enquando os mafiosos discutem sobre drogas, na versão dublada referem-se ao contrabando.
Não há dúvida que traduções sempre são um assunto complicado. Estas, todavia, eu não entendi como se transformaram tanto:
Dublagem - Legenda
olhe - ouça
ele virá com força total - ele os atacará
fique calmo - sem pânico
vamos acertar - matamos
leve meu carro - porque não pega uma carona
não quero investigação - quero que a imprensa fique longe disso

2 de março de 2009

Por um jornalismo mais rock n' roll



Carnaval passou, minha câmera não veio, as férias de todos se foram, o ano começou no Brasil. Mas nem por isso a gente deixará vocês sem o que ler. Quase formados (é no próximo dia 21 =D), não vamos prometer textos diariamente, mas prometemos continuar postando aqui sempre.

Precisamos fazer mais matérias para não perdermos o ritmo. Então, se quiserem, deixem nos comentários sugestões de pautas que, na medida do possível, iremos atrás para vocês.

23 de fevereiro de 2009




Minha câmera deve voltar do conserto nesta semana! =D

19 de fevereiro de 2009

Caminhavam juntos. Tenho certeza que não me viram passar. Graças a um capricho do acaso, pouco depois completo a distância que sempre ando, logo que faço a volta já os enxergo. Por um instante pensei vê-los de mãos dadas, porém é apenas um engano. Ela não passearia de mãos dadas com outro tão cedo, não aqui; não depois de tudo que passamos. Ele também trabalha no canal, já nos falamos algumas vezes em festas.

A parte de cima do biquíni é preta e branca, numa espécie de xadrez no qual os quadrados se misturam de forma desordenada. Provavelmente a de baixo também, contudo a canga preta enrolada esconde-a de olhares alheios. Era sempre assim, em todos esses anos ela nunca foi até a praia sem um short ou canga. Eu achava engraçado, provocava-a dizendo que com tantas garotas de corpos esculpidos pela academia durante o ano ninguém se preocuparia com ela. Claro que era mentira, para mim não havia nada mais belo que seu corpo magro e pele bastante clara; a frase logo abaixo do pescoço; a oriental tebori no tornozelo.
Daqui não consigo ver se em suas costas ainda estão as seis minúsculas marcas da única vez em que passou um laço. Fora inclusive num dia de festa da emissora, numa fábrica de confecções abandonada no bom retiro. Não lhe presenteei com aquela blusa pensando nisso, foi inclusive a menina da loja que sugeriu a peça com longo decote nas costas. O contraste entre o tecido negro, sua pele branca e a fita vermelha foi umas das composições mais belas que vi. Tudo perfeito, da entrada no táxi até o despertar do dia seguinte com ela debruçada na janela, envolvida pela fumaça, segurando a flûte vazia; a elegante blusa ainda no chão. Quiçá a melhor noite de minha vida.
Conversam animadamente, não acho que discutam pautas. Nunca foi com esse sujeito, deve estar contente agora. A maré está baixa, não tem sol – mesmo assim mantenho os óculos escuros. Há considerável movimento na praia, muitos jogam frescobol ou um jogo argentino similar à bocha. Não sei se quero encontrá-la, na verdade quero; todavia sei que não será bom para nenhum dos dois. Chegam ao hotel, vou mais devagar. É preferível deixar as coisas como estão. Lavam os pés e entram. De qualquer forma, ela está no 405.

18 de fevereiro de 2009

Depois do carnaval

Que apanhe do Rei Momo quem disser que nunca ouviu ou foi autor do fragmento de expressão “depois do carnaval”!

Daí vêm as variações [sim, vêm! Porque nesse blog a reforma ortográfica vai pular carnaval o ano inteiro!] a gosto: depois do carnaval, eu...

...resolvo!
...falo!
...faço!
...procuro emprego!
...começo a dieta!
...acordo mais cedo!
...pago a dívida vencida!

Ser humano tem coisa dessas de fingir para suportar o que é, vê, vive. Seis dias são um momento epifania razoável para dar conta desse recado e dividir o mundo dito real em antes e depois. Afinal, somos muitos, somos outros, somos tantos carnavais.

Só hoje, ouvi cinco vezes esse tipo de promessa e, então, decidi escrever pela primeira vez neste ano no Aspirantes. Talvez pela razão de ter minha inspiração seguido esse legado, com aviso de retorno somente "depois do carnaval".



Enquanto isso, há o que não espera por carnavais. E os sorrisos correm o risco de se irem com as máscaras.

16 de fevereiro de 2009

O som da década

Estava eu vagando pela internet hoje e me deparo com um fórum onde alguém perguntou: "Qual banda será lembrada quando se falar em música dos anos 2000?". Lógico que esse tópico me interessou e conferi algumas respostas. Como todos sabem, sou viciado em música, até quis ter uma banda de hard rock, mas nunca consegui. Então, comecei a pensar, em termos nacionais e internacionais, quem se destacou fazendo música nesta década.

Bom, comecei a gostar de música, de verdade (daqueles que sabem tudo sobre a banda), em meados de 1998. De lá para cá, fui aprender a tocar violão, me interessei por rock e hoje acho que entendo alguma coisa disso. O problema de estudar tudo isso é que fui me interessando pelo que era velho, para entender as origens da música que se faz atualmente. Por conseqüência, acabei não dando muita bola para o que ouvia, pois convenhamos que toda a obra do NX Zero é musicalmente, digamos, um pouco inferior à qualidade de qualquer música dos Beatles.

Mesmo assim, ouvi alguma coisa desses últimos anos, por mais que eu tentasse, não consegui me isolar dentro de uma bolha ouvindo Robert Johnson, Nirvana, João Gilberto, Led Zeppelin e outros. Até o ano passado, eu tinha MTV em casa e dava até para dizer que eu gostava um pouco ainda daquilo. Sendo assim, abri a biblioteca do meu Media Player e comecei a catar os sons dos anos 2000 que eu tenho aqui. Depois disso, puxei à memória coisas das quais li ou ouvi falar nos últimos tempos sobre a música contemporânea.

Em termos nacionais, percebi que boa parte do que poderei lembrar daqui a 10 anos estará na minha cabeça mais pelo tanto de coisas que li ou ouvi a respeito do que propriamente tenha escutado com atenção. Há quem diga que Los Hermanos possa ser o grande nome da década aqui no Brasil. Porém, ainda creio que faltou muita coisa aos barbudos que acabaram e agora pretendem voltar. Os caras eram alternativos, mas adoravam aparecer na MTV e na Globo. Nunca foi uma banda de atitude. Tive a oportunidade de assisti-los duas vezes: a primeira, no Planeta Atlântida de 2004, a segunda, no último show da banda em Florianópolis, no final de 2005.

O show no Planeta Atlântida foi, musicalmente, um dos melhores da noite, que ainda teria uma performance memorável do Sepultura (eu fui lá com a intenção de assistir justamente à banda mineira), contudo, o público que esperava sobretudo pelos shows mais animados de Skank, Jota Quest e CPM 22, pouco vibrou ao ver os barbudos no palco. Na verdade, para quem estava mais afastado da pouca muvuca próxima à banda, foi possível perceber muitas pessoas sentadas, descansando para aproveitar os shows que estavam por vir. Na segunda oportunidade, a noite era deles, mas quem, na minha opinião, roubou a cena foi a banda local Samambaia Sound Club, com uma performance muito superior à dos cariocas, que na última hora recusaram dividir o palco principal com as bandas daqui que abririam o show para eles, relegando os locais a um cantinho minúsculo no Lagoa Iate Clube.

Outro nome que vi, também nacional, citado nesse fórum, foi a banda Cansei de Ser Sexy. Sei que o Pedro adora, mas, sinceramente, acho uma cópia barata do rock alternativo feito por bandas como Elastica e até mesmo The Breeders, a qual à um clipe postado aqui no blog. Claro, a opinião é de alguém que ouviu uma única música deles, isso na época que tinha MTV e que odiou o som.

Já no campo internacional, a banda que foi citada como inesquecível para esta década foi o Coldplay. O grupo inglês também nunca foi dos meus preferidos, mas eu até os respeitava. Contudo, isso acabou quando soube da questão do plágio feito sobre uma música de Joe Satriani. Na minha opinião, o lendário guitarrista está com a razão. Meu destaque, porém, fica por conta de outra banda que ouço muito e realmente gosto: The White Stripes.

Eles sequer têm um baixista e a Meg White toca bateria como uma criança de seis anos. Mesmo assim, o som simples, com as guitarras distorcidas de Jack White conseguem me prender por muito tempo ouvindo o som. Às vezes, soa como algo mal feito, mas ainda assim eu gosto. Não sei porquê. Para mim, será a banda desta década que me lembrarei por muito tempo.

E para você, qual será o som que o fará lembrar desta década? Dê a sua opinião nos comentários.

P.S.: Ah, antes que falem, eu também lembrei que as duas maiores manifestações "musicais" do Brasil nesta década foram o funk carioca e o Calipso, mas meu bom senso resolveu retirá-los da discussão.

9 de fevereiro de 2009

na praia
O programa só começa às seis. Mesmo assim, cinco e meia o público já se amontoa em volta da área reservada à gravação do último MTV na Praia, em frente ao restaurante taikô, em jurerê. Produção escolhe participantes para os quadros do programa, algumas garotas seguram folhas com frases para amigos ou conhecidos. A maioria deve ter entre 14 e 17 anos, quiçá menos, não sou muito bom de idades.
A chegada da apresentadora Penélope (segurando um cachorro) anima os presentes. O “três minutos” anunciado pelo diretor indica que está prestes a começar a derradeira edição transmitida ao vivo das areias de Floripa. A todo tempo William e Lucas, da produção, andam para lá e para cá com as laudas do programa na mão, verificam qual o próximo quadro, puxam o participante, conferem se não há nada errado. Uma garota tem uma folha escrito “will, deixa eu chorar”, deve ser daquelas que não perdeu um programa. Além, três câmeras (um em cima de um tablado, alta, e duas móveis na areia) mais auxiliares, deve ter umas 15 pessoas na equipe. O que fica na câmera de cima é o mais velho, suponho ser o que mais tem a manha da captação de imagens.
E assim segue pela uma hora que dura o Na Praia. Os espectadores participam ativamente: torcem na eleição do vira-lata mais bonito do Brasil, gritam durante o summer disk – sobretudo quando aparece o Paramore. Durante os intervalos Pê se abriga abaixo duma tenda onde ficam algumas mesas de operação, pessoas da emissora; como uma moça de ascendência oriental que calça um all-star branco de couro e fuma em quantidade razoável, na minha concepção bonita, figurinista. Enquanto não voltam do break a molecada não para de chamar a apresentadora, que por sua vez se vira muito bem ao responder os que enchem um pouco além da conta.
O mais engraçado, porém, acontece quando Penélope encerra o programa. Um batalhão de infantes ameaça cercar a vj, até que Juliana, também da produção, grita “fotos façam fila atrás do taikô”. Em segundos todos saem correndo e somem da praia. Tal procedimento aconteceu nos quatro programas que acompanhei, e certamente todos os dias em que estiveram em Florianópolis, nas mais diversas localidades.
O local das fotos é um terreno no qual a MTV fez sua base – vale lembrar que praticamente toda grade foi aqui gravada. Ali tendas serviam de camarim e local de descanso entre as gravações. Entre outras onde Adnet e Quiabo batiam uma bolinha. Após tirar algumas fotos com a equipe toda do na praia e tradicionais cumprimentos recíprocos entre os envolvidos pelo trabalho realizado, Pê encontra seus fãs. Admito que, mesmo não estando na fila, sinto-me ligeiramente deslocado. Mais de 20 anos ali equivalia a terceira idade ou algo do gênero.
Um por um, ela tira foto com todos, igualmente sorridente com cada um. Se está cansada ou de saco cheio, disfarça bem. Muitos se enquadram no que convencionou chamar de emos. Quando algumas fichas são distribuídas, achei que acabaria em briga. Todos se empurram, imploram pela lembrança do programa. Os próprios Will e Lucas são também atração. Tiram fotos e, mesmo um pouco relutantes, dão autógrafos.
De um pai ouço o seguinte comentário: “então eu ofereci cinqüenta reais mais a fichinha que tu ganhou, mas a menina disse que não queria vender”, referindo-se às camisetas entregues a quem participava dos quadros. Outra menina comenta com a amiga: “ai, eu preciso de uma camisa, sabe o que é ser viciada em mtv, eu sou!”. Essa, porém, fala da camiseta usada pelo pessoal da emissora, com a logo do verão mtv 09. Ouvindo os mais emocionados pedidos, Will explica que esse modelo não está à disposição, orienta o pessoal a “garimpar com os manos da técnica”. Acho a cena meio surreal, esse fanatismo, a meninada se descabelando na fila para foto.
Quando os últimos da fila tiram a foto, Penélope encerra a sessão e vai para a van, ainda ouvindo chamados daqueles mais entusiasmados. Enquanto troco uma idéia com Will uns moleques se aproximam e dizem que vão até São Paulo atrás do mtv na rua. Melhor o povo do canal ir se mandar, antes que algum tenha a idéia de se esconder no caminhão de equipamento dentro dum praticável, penso. Indo-me embora, trato de colocar a camiseta que ganhei (modelo funcionário) dobrada em oito dentro do bolso. Afinal, do jeito que o pessoal estava, era capaz da turma da oitava série se juntar para me bater e roubá-la. Certo, não chega a tanto, mas é melhor prevenir.

5 de fevereiro de 2009

Um lapso

Era verão, dia 26 de janeiro. No final da tarde, as nuvens, que horas antes passavam esparsas, começavam a se juntar. Uma grande tempestade se formava. Fato comum naqueles dias. Durante toda a semana, chovera antes de anoitecer. Neste, porém, foi o primeiro em que ele se encontrava em casa.

Da janela da sala, começou a ver a movimentação no céu. Ainda eram seis horas da tarde e as luzes na rua começavam a se acender aos poucos. Morava no Centro. Lugar barulhento, sobretudo naquele horário. Era possível ver, da sacada do apartamento, o trânsito absolutamente congestionado; pessoas atravessando em meio aos carros parados nas filas, eventualmente alguns atropelamentos ou abalroamentos entre os veículos.

Como ele morava no segundo andar, acabava ouvindo os xingamentos que uns motoristas faziam aos outros ou aos pedestres e vice-versa. No início, achava aquilo engraçado, até o dia em que ouviu um homem falar uma obscenidade a uma senhora de 60 anos - que por sinal estava com a razão naquele momento – e como nunca havia ouvido falar naquela palavra antes, foi ao Google pesquisar o que significava e ficou horrorizado com o que viu. Na mesma hora, proibiu seus dois filhos de ficarem na sacada naquele horário.

Neste dia, especialmente, resolveu praticar a antiga diversão que deixara há alguns meses e sentou-se na sacada. O vento nordeste ainda soprava de leve, mas ao sul as nuvens negras já não estavam sozinhas. O som dos trovões, cada vez mais alto, já se misturava ao barulho frenético da cidade. As primeiras gotas começaram a cair.

Ele era casado há seis anos. Desde que conhecera a mulher, não olhara mais para outra. A data do dia que descrevemos aqui ficará marcada para sempre na sua vida. Ela aparentava ter pouco mais de 20 anos. Com um vestido preto que começava a cobrir o corpo dela alguns dedos acima do joelho, ela caminhava calmamente. Ele ainda não havia entendido porque seus olhos agora a fitavam, ela jamais imaginaria que havia alguém olhando, então num lance súbito, quase um espasmo, olhou para cima e o viu. Parou.

Ele sabia que amava sua mulher. Era o que seu coração lhe dizia há quase oito anos, quando se beijaram pela primeira vez. Só que agora algo não deixava que ele parasse de olhar. Ela era morena, olhos castanhos. Um clichê diria que seu corpo havia sido moldado por Deus, mas nem a perfeição Dele poderia atingir aquele nível. Os cabelos longos desciam até a metade de suas costas. Ela usava uma pulseira de ouro bastante fina, da qual, estando longe, ele só conseguiu ver o brilho.

Estaria apaixonado? Como, se ele jamais a vira antes? Amor à primeira vista não poderia ser. Nunca acreditou nisso. Antes que pudesse ter qualquer reação, ela se refez, como quem leva um susto e em alguns instantes retorna à realidade, e voltou a caminhar. Aquela imagem o paralisou

Eu estava na janela em frente ao apartamento dele. Vi tudo. Inclusive o momento em que ela entrou na portaria do meu prédio. Em alguns instantes subiu, bateu a porta do meu apartamento e, como se nada tivesse acontecido, disse:

- Meu amor! Quanta saudade! Não agüentava mais ficar longe de você. Eu te amo mais que a qualquer outro.

No outro apartamento, mesmo sem conseguir ouvir, vi a mesma cena acontecendo, enquanto a abraçava forte e esperava um beijo, do mesmo jeito que fazíamos todos os dias. Em seguida, a tempestade caiu com força e a única coisa que ouvíamos era o barulho da chuva.

29 de janeiro de 2009

Por um jornalismo mais rock n' roll



The Breeders - Cannonball

Outro dia, postei aqui um vídeo dos Pixies, banda clássica dos anos 80 que influenciou muito o movimento Grunge de Seattle, no início dos anos 90. Dentre os mais influenciados, alguém que sempre os citava como referência era Kurt Cobain, vocalista do Nirvana. O vídeo dessa música é da banda que a baixista dos Pixies, Kim Deal - que aqui está nos vocais e tocando violão - montou com sua irmã gêmea Kelley Deal mais ou menos na mesma época do grunge (não lembro exatamente a data do vídeo).

23 de janeiro de 2009

Toca o telefone, é meu pai.
-Tem uma pessoa querendo falar contigo.
- ahn?
- ó, espera.
Não faço idéia do que seja, espero um pouco
-Alô?
-opa
-é pedro?
-sim
-e aí cara, aqui é o marcelo adnet
-como?
-é, tudo certo?
-pô, e aí cara, tudo bem...
-quer dizer que você tá na cidade então
-(início de mão tremendo) pois é, perdi a gravação, pena
-pois é, a gente tá aqui em jurerê, aparece lá no taiko
-claro, claro, vou te chamar e tu vai ter que lembrar de mim
-ah, vou lembrar, pedro
-(nível 4 da mão tremendo) me formei agora em jornalismo, quero trabalhar aí na mtv também
-bacana, eu também me formei agora, é isso aí, tem que procurar
-pois é, de repente eu consigo uma vaga na mtv
-é, então pedro, a gente se vê aqui por jurerê
-ah, com certeza, valeu aí cara, um abração
-abraço, até mais
-té mais
Verão tem cada uma.

22 de janeiro de 2009

Um toque de humor

Para quem ainda não conhece (provavelmente vive num universo paralelo) a Desciclopédia é a versão "verdadeira" da Wikipedia, segundo os seus idealizadores. Ali e só ali você encontra todas as informações que as outras enciclopédias e o governo Norte Americano não querem que vocês saibam sobre o mundo.

Fuçando lá há alguns meses, descobri um belo artigo sobre a Universidade em que nós três estudávamos até dezembro passado. Bastante legal, contudo um trouxa entrou lá e detonou a bagacinha deixando absolutamente sem graça. Nessa semana, lembrei daquilo e voltei a olhar e um outro alguém, muito bem intencionado dessa vez, colocou as coisas em ordem.

Convido todos a darem uma olhada e também os calouros que nos veneram freqüentam a atualizá-lo e aumentarem-no. Também sugiro a todos o artigo sobre a Microsoft e aobre os Estados Unidos.

Boa leitura aqui.

12 de janeiro de 2009

A verdadeira Ilha da Fantasia

Li agora há pouco no blog do Cacau Menezes (antes que falem, bons jornalistas lêem tudo o que aparece pela frente) que Florianópolis foi considerada pelo New York Times, o "Destino de festa do ano", ou seja o melhor lugar para se visitar. Enfim, como havia um link para a materia original no site do jornal (e tem aqui também, clique) abri e dei uma olhada no texto. Uma coisa, porém, acabou me intrigando. Ao falar das belezas naturais (leia-se: mulheres), das praias (só lugar de grâ-fino, nada de acampamento na Lagoinha do Leste) pensei: será que o repórter realmente esteve em Floripa?

Sim, Florianópolis é uma cidade linda. Já mostramos aqui alguns detalhes dela em diversas fotos postadas por nós. Mas beleza não significa também perfeição. Como ocultar, por exemplo, o trânsito cada vez pior na cidade? Ou ainda, a proliferação de "favelas" - que em muitas grandes cidades brasileiras seriam chamadas de bairros de classe média - devido ao êxodo rural do interior do Estado?

Florianópolis nasceu para ser grande, sim. Contudo, o texto do NYT apenas mostra uma cidade pronta para receber gente com dinheiro, muito dinheiro. E isso resulta em quê? Bom, a resposta nos já sabemos, ela esteve nos olhos de todos em maio de 2007, com a operação Moeda Verde, da Polícia Federal.

Aliás, pensando bem... Não troco um chope com os amigos num barzinho qualquer por nenhum "ponto turístico" da reportagem.

6 de janeiro de 2009

Foi engraçado quando nos encontramos. Na verdade é só maneira de falar, foi sim estranho. Tudo bem, tinha muito mais gente, o local cheio. Porém mesmo assim é complicado assimilar que tudo que foi passado hoje virou apenas passado.
Ela chegou bem depois de mim. Sentou numa mesa ao lado da minha, a turma é grande. Cumprimentamo-nos normalmente, até porque poucos ali sequer sabiam o que tinha passado. Estava com um vestido preto, o all-star que muitas vezes combinava com o meu. Uma faixa segurava os cabelos, agora curtos; foi comprada em palermo, quando viajamos juntos. Senta-se, está sorridente. Acende o cigarro fino, pede o cinzeiro ao garçom de forma quiça provocante, como sempre fazia. Divertia-se com isso.
Conheço-a bem. Sei que está só, mas não faço nada. Parece um pouco deslocada, mesmo conhecendo todos que ali estão há anos. Se as coisas aconteceram como aconteceram, não cabe a mim hoje mudar nada. Assim é a vida. É meio orgulhoso isso, penso. Até pode ser, mas fazer o quê. Também gostaria que fosse de outra maneira.
Volto e meia olho-a, sempre disfarçadamente. Acho que ela faz o mesmo. Alguém me chama na outra mesa, há uma cadeira vaga. Vou, seria chato não fazê-lo, somos adultos. Sento ao seu lado. Ela sopra fumaça na minha cara, como sempre fazia, principalmente na cama. Com certeza já ultrapassou sua cota, dois uísques são bastante para ela. Não falo nada, não tenho nada com isso. Distraímo-nos, a conversa é boa, não é sempre que se juntam tantos amigos. Toda semana deveria ser aniversário de alguém.
O ocupante da cadeira que invadi retorna. Ri, me empurra para o lado e pega outra. Estamos bem próximos. Seu perfume é sempre o mesmo, não foi a toa que acertei o presente no último aniversário. Admiro sua espádua, as alças do vestido que tantas vezes tirei. Aproveitamos bastante um ao outro. Não havia coisa melhor do que esperá-la, enquanto, de costas, virava-se lentamente ao passo que revelava seu corpo e caminhava até a cama. Estaria usando aquele sutiã com listras brancas e pretas? Não sei, nem saberei.
Não queria que as coisas fossem assim. Não escolho como elas são. Da próxima vez que nos vermos, quem sabe.
Chegou 2009. Estamos, como já falado, num ritmo ainda lento - afinal aquelas monografias deram bastante trabalho. Porém, reestabeleceremos (espero) o andamento normal deste blog. Até porque, por enquando não somos jornalistas nem estudante (sim, um bando de desocupados).
Se fosse fazer uma dessas previsões de televisão, diria que 2009 é o ano dos aspirantes.
Ah, para de falar merda e vai escrever.

29 de dezembro de 2008

Por um jornalismo mais rock n' roll



Django Reinhardt - Swing



Estamos no meio do porre das comemorações de final de ano...

Em breve, voltaremos com a programação normal.

Aguardem.

Novidades para 2009

23 de dezembro de 2008



22 de dezembro de 2008



ponte que vai pro continente
FLN

18 de dezembro de 2008

Após um intrincado semestre, finalmente volto à fotografia. Quase três meses, muita ocupação, poeira na lente. O dia ajuda, tem sol e o centro está movimentado. Com certeza acabo o filme de 36, apenas com 10 já batidas. Quase havia esquecido o prazer de andar a toa pela cidade, coa bolsa a tiracolo, o infindável trocar de lentes para cada instantêneo. Atenção a tudo, os detalhes que escondem boas fotos, os momentos que podem ser mais rápidos que o clic. Enquanto uns passam engravatados, cujas profissões devem ser mais "sérias" que a minha, apenas uma coisa me passa pela cabeça: ainda bem que sou fotógrafo.
Algumas já estão prontas na minha cabeça faz tempo. O prédio da secretaria na esquina da tenente silveira com deodoro; o enorme grafite na ponte. Finalmente no gravados no iso 200. Sim, acho que foi uma saída proveitosa. Amanhã pego o cd coas fotos escaneadas, espero que fique bom.

9 de dezembro de 2008

Estava mais tranqüilo. Ainda confuso, porém, até mais do que pretendia. Chegou em casa antes do normal, não sabia quem devia ter encontrado, dúvidas que procurava se distanciar a cada gole. Normal, sua vida seria assim dali para frente. Dizem que jornalistas fundamentalmente bebem e fumam em quantidades consideráveis. Precisava se ajustar a profissão. O computador tinha uma série de páginas abertas, as quais não olhava nenhuma direito. O cinzeiro vermelho comprado na tok&stock de são paulo aos poucos era tomado pelas cinzas. A garrafa de black label aberta três dias antes quase cheia. Não se acostumara com tal bebida. Ainda assim, vagarosamente saboreava ou quase engasgava com o destilado. Não importa.

Pensava no búfalo da noite, filme mexicano que vira no outro final de semana. Não estava com ela, mas seria bom. A película quiçá encaixava-se bem com o que passava, e tinha um quê da vitalidade dos jovens. Um triângulo amoroso entre dois melhores amigos e uma meninna que acaba se envolvendo com ambos. O protagonista, além dela, tem outra na qual se refugia, talvez numa mistura de incerteza e alívio.

"Podia muito bem participar dessa história", pensa. Os cortes em seus braços já não incomodavam tanto, apenas completavam seu estilo, pensava. Sentado no sofá olhava a perna, fechada com motivos orientais, nas orelhas apenas o espaço vazio pouco menor que uma tampa de garrafa de cerveja. Os pés descalços arrastados no sofá, chico cantando as vitrines, gostava da canção. Meias encardidas do dia exaustivo agora encostam-se na parede, à espera de quem as leva ao tanque.

Foi até a janela, acendeu outro cigarro. Ficava a olhar a rua por minutos inunterruptos, acometido por uma espécie de transe que apenas a janela do 11º causava. Por que não, não... esvaiam-se idéias sem conclusões lúcidas. Deu outro gole no uísque, tossiu. Foda-se. Tenta escrever, não consegue. Ela não lhe sai da cabeça, era o que mais queria. Queria sossego, aproveitar cada coisa a seu tempo. A chuva que começa lentamente a cair tranquiliza um pouco. Pensa em ligar, talvez tenha medo. Impossível adivinhar o que acontecerá, o que de certa forma piora as coisas. Se ao menos agisse de outra forma. Na verdade, pensa, apenas foge do que mais tem vontade. O que não faz o menor sentido, mas quem disse que as ações de cada um precisam de sentido? As suas tinham sentido enquanto representavam a realidade que vivia. Lembrava do filme, podia sim ser diferente.

Sentou à frente do computador, num misto de inspiração e fúria, alguma coisa útil sabia fazer, pelo menos isso. Não beberia no gargalo, embora quisesse apenas pela sensação de quebrar alguma convenção. Idiota, pensava, para que. Acendeu outro cigarro, lembrou da viagem, da carona, ela sequer passava por sua cabeça. As coisas mudam quando menos se espera. Calçou o vans slip-on vindo de madri, catou uma camiseta. Nem precisaria passar no posto para abastecer o carro.

8 de dezembro de 2008





Florianópolis

4 de dezembro de 2008

Esporte, saúde e administração

Imagine um escritório de uma multinacional. Executivos de terno e gravata, ambiente sóbrio, pessoas trabalhando concentradas em suas “ilhas”, como se estivessem em um universo paralelo. Todos só se conversam por e-mail ou em reuniões demoradas em salas abafadas, quando o ar-condicionado está com defeito. Agora, esqueça isso e pense em um maratonista. Ao ar-livre, correndo e se preocupando apenas em terminar a prova. À sua volta, apenas prédios, paisagens e pessoas. À primeira vista, são coisas completamente distintas, certo? Errado. Leia esta história e entenda o porquê.

Desde os seis anos de idade, José Roberto Barros pratica esportes. Só de judô, foram 20 anos, nos quais disputou diversos campeonatos, como jogos abertos em São Paulo, estado onde nasceu, e até uma seletiva para os jogos pan-americanos. Pouco depois de terminar o Ensino Médio, mudou-se para Florianópolis, onde cursou Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Catarina. Formou-se aos 22 anos.

Porém, a correria da vida de um recém-formado o fez deixar um pouco os esportes em segundo plano. Dos 22 aos 32 anos, praticamente deixou de fazer atividades físicas. Em vez de pesos de halteres, carregou consigo 20 quilos a mais de massa corporal.

- Fiquei relaxado durante esse tempo. Só voltei a fazer exercícios depois de um problema no nervo ciático, em 2001, quando os médicos me proibiram de praticar qualquer atividade física – conta ele que teve que esperar o fim do tratamento para voltar às atividades.

Depois do problema, fazer exercícios apenas pela prática já não importavam. Ele percebeu que era necessário diminuir seu peso. Até o esporte a ser praticado mudou. Do judô, José Roberto foi às ruas, ou melhor, às corridas de rua. Com planejamento, decidiu participar da tradicional Corrida de São Silvestre, em 2002. Entrou em uma rígida rotina de treinamentos, correu e terminou a prova, que tem cerca de 15 km de extensão.

O gosto pelas corridas e o bom resultado dos treinamentos no que tange à sua forma física o fizeram planejar caminhos mais longos. Aumentou o ritmo de treinamento e, em 2004, correu a primeira maratona. De lá para cá, já foram cinco. No mês de novembro passado, correu a Maratona de Nova Iorque e terminou na 5300ª colocação no geral. Contudo, pela sua idade, 37 anos, correu na categoria mais forte, a mesma do vencedor, o brasileiro Marílson dos Santos. Dentre os corredores brasileiros, ele foi o 36º.

Só nessas provas, ele já percorreu quase 211 km. Seu objetivo é correr o equivalente a uma volta na linha do Equador, cerca de 45 mil km, até os 55 anos de idade. Segundo suas contas, ainda faltam 30 mil.

Mas para conseguir todos esses objetivos é necessário muito planejamento. Principalmente pelo fato de o professor conciliar a vida de casado, a de mestre em sala de aula, a de palestrante e, a de estudante – terminou o doutorado em engenharia de produção há poucos anos – e a de atleta. Tudo ao mesmo tempo, quase sem descanso. Para correr a Maratona de Nova Iorque, foram 1700 km percorridos ao longo deste ano. Isso significa, três pares de tênis, cada um custando cerca de R$ 500, e que duram por volta de 500 km cada um. Além disso, no ano passado teve uma lesão no quadril, que custou, além dos treinamentos, um tratamento com médico e fisioterapia. Em suas contas, cada quilômetro de corrida custa R$ 3.

Todos esses cálculos e metas são levados por ele à sala de aula, na universidade e nas palestras que profere em colégios de ensino médio, junto ao programa Unisul.Futuro, que o auxiliou com a parte de alimentação na corrida em Nova Iorque. Em seu computador, cada um dos treinamentos está guardado, com números que mostram desde a distância percorrida em cada dia até o gasto calórico e batimentos cardíacos em cada trecho.

Na Unisul Business School, José Roberto leciona a disciplina de Educação ao Ar-Livre. Nela, ele mostra aos alunos que o planejamento necessário para as atividades que propõe – como provas de mountain bike, por exemplo – não difere em quase nada do mesmo planejamento necessário para se gerenciar uma empresa. Segundo o professor, nessas atividades, os acadêmicos desenvolvem habilidades de relacionamento e gerenciamento que são fundamentais para o bom funcionamento de uma empresa.

O mesmo ocorre nas palestras da Unisul.Futuro. No programa direcionado a jovens em período de prestar o vestibular, José Roberto desmistifica a dificuldade da aprovação.

- Com a minha experiência nessas maratonas mostro que o difícil não é passar no vestibular. O problema é planejar como serão os estudos ao longo do ano e a preparação. Isso é o que difere aqueles que serão aprovados dos que não serão – avalia José Roberto.

2 de dezembro de 2008

O restaurante estava mais cheio que o habitual, talvez por chegar quase meio dia e trinta, quando normalmente almoçava trinta minutos antes. Tudo bem, pouca fila. Não, o cheiro da comida não lhe chama atenção, seu olfato percebe algo muito mais sutil. Olha para os lados, para a porta, não a vê. Reconheceria aquele cheiro em qualquer lugar. Pouco mais de dois meses, era normal que estivesse daquele jeito. Sua cabeça deveria estar pregando uma peça, além do mais perfumes não são exclusividade dela. Aquele, contudo, era sim exclusivo, embora só os dois soubessem.
Lembrava de cada passo, saíra cedo do pequeno hotel à rue pierre charron. Estava a alguns quarteirões da champs-elysèes, caminhava sem preocupações enquanto um manso sol aos poucos aparecia. Tiveram uma noite ótima, sempre achava que tê-la em seus braços era a melhor sensação do mundo, mas ali tudo parecia um pouco mais vibrante. A excepcional janta, sua pele clara coberta apenas pela camisa xadrez que sempre usava para dormir; o braço tatuado movendo-se furtivamente enquanto ela andava pelo quarto de paredes escuras e lustre majestoso. Mesmo o sabor do château lafite, degustado na varanda em um pequeno sofá verde-oliva centenário era melhor se junto ao dela.
Talvez fosse o ar da cidade, sempre ouvira histórias de paris. Encantava-se com a simplicidade e sensibilidade dos romances de truffaut, certamente ali os dois poderiam ser personagens de alguma de suas tramas. O comércio já estava aberto, pessoas para lá e para cá, às quais aquela paisagem era completamente trivial. Para ele não. Entrou em algumas lojas, pelo menos seu francês arrastado era bem compreendido. A loja de perfumes começou a ganhá-lo apenas pela vitrina, com antigas luminárias à óleo. Foi mais por curiosidade que adentrou, logo recepcionado por uma moça de pouco mais de 24 anos. Explicou que apenas conhecia a loja, que era brasileiro, que estava comemorando dois anos de namoro etc. A vendedora era de lens, estudava moda na capital. Também era-lhe muito atraente. Logo pegou um frasco de amostra, "é o que uso", borrifando duas sprayzadas nele.
Foi até uma estante, duma pequena caixa tirou um pequeno vidro azul, cujo formato lembrava a lâmina de uma faca; preso à tampa um L estilisado cravejado de pequenos brilhantes. "Comme un doux baiser intime et charnel...". Sua voz, seu cheiro, tudo naquele momento foi-lhe muito próximo, quiçá até demais. Não pensou, apenas pediu que ela fizesse um belo embrulho.
Saiu ainda um pouco entorpecido da loja, parou num dos cafés da famosa avenida e sentou na mesa da rua. Admirava o laço, o papel azulado, como se fosse uma obra de arte. Pediu um café com conhaque e canela, esticou as pernas e olhou o céu. Era um bom presente.

1 de dezembro de 2008

O encontro das águas

(para ser lido num dia de chuva)

Há dias, o sol insistia em não aparecer. A chuva já havia umedecido todos os grãos de areia e os saleiros pareciam potes de água salobra. Com um tempo desses, ela não era a única a saber que a combinação perfeita seria um livro e um cobertor em frente à lareira. A maior parte de seus amigos com certeza estava a fazer o mesmo. E ela não resistiu. Chegou à estante e, apenas na sorte, tirou um livro qualquer.

Shakespeare, Romeu e Julieta. Um clássico. E por que não? Eram as palavras do mestre do século 17 que haveriam de embalar a tarde de tempo fechado. Diferente dos últimos dias, nesse, ainda não chovera. Apenas o frio persistia. Preparou um chá de limão e deitou envolta com as cobertas pesadas.

A história triste do casal mais famoso da literatura, naquele dia, a comoveu. Enfim, a chuva chegara. Não era forte, apenas uma garoa. Nem vento havia. Em meio ao enredo do livro, ela não conteve as lágrimas e uma delas caiu no mesmo instante em que uma gota de chuva bateu e grudou na vidraça.

Seriam apenas duas gotas: uma lágrima e uma de chuva. Água doce e salgada, separadas pela janela de vidro. Assim como o jovem Montecchio jamais poderia ficar junto à bela senhorita Capuleto, como a água e o óleo, as duas gotas permaneciam inertes em seus lugares.

Ela percebeu as duas gotas. Em sua mente imaginou um amor à primeira vista entre aquelas duas pequenas porções líqüidas. Poderia uma lágrima se apaixonar por uma gota de chuva? Ela observou as duas, atentamente. A janela, não poderia abrir, pois a gota de chuva se moveria e talvez sumisse. Mas ela podia controlar o criado-mudo, onde a lágrima ainda persistia sem evaporar.

Incrivelmente, a cada movimento que levava a lágrima mais próxima da janela, a gota de chuva também se movia. “Querem se encontrar”, pensou ela. Ao contrário do usual, ao se moverem, nem a lágrima e nem a gota d’água deixavam qualquer rastro nos centímetros que percorriam. Ela começou a achar que a brincadeira de outrora tinha se tornado algo sério.

Então, podem ter se apaixonado. Mas como aproximar a lágrima da chuva? Sim, numerosas canções e poemas já o fizeram. Entretanto, fisicamente a tarefa parecia impossível. Ela pensou bastante, mas não chegava a uma saída. Recolher as duas e colocar num mesmo recipiente poderia ser fatal para uma. E se a lágrima caísse no tapete ou a gota de chuva rolasse de vez pela janela? Queriam se unir, mas parecia impossível.

A distância entre a janela e o móvel tinha cerca de um metro. Além disso, o vidro impedia o contato com a gota d’água. Da mesma forma, o móvel de madeira poderia, em alguns segundos, absorver aquela lágrima, que insistia em permanecer sobre ele.

Ela arriscou. Lentamente, abriu a pesada janela de madeira. Cada milímetro erguido poderia ser fatal para aquela gotinha de chuva. Ela nunca abrira aquela vidraça com tanto cuidado. Em sua mente, os dois fragmentos líqüidos queriam realmente se encontrar. Romeu e Julieta tomaram conta de seus neurônios que, naquele momento, só queriam ajudar a que este possível “casal” se unisse.

A janela estava aberta, contudo ainda não era possível unir as gotas. Ela desistiu. Mas a brisa fria que entrava pela janela lhe era agradável. Resolveu deixá-la aberta. Deitou. Retomou a leitura. Caiu em si e percebeu que a brincadeira havia se tornado séria demais. Teria enlouquecido? Talvez não. Provavelmente, a magia das letras a hipnotizou por aqueles instantes. Esqueceu tudo e retomou sua vida. Os dias passariam e ela jamais lembraria daquele dia novamente.

Porém, ao seu lado, a física resolvia as coisas. Incrivelmente, as duas gotas começaram a evaporar ao mesmo tempo. Cada uma das moléculas, de uma gota e da outra, se misturavam lentamente com o ar. Se não era possível se encontrarem na “vida”, que assim seja na sua “morte”. Romeu e Julieta estavam juntos no éter. Ela só se deu conta quando terminou a última página do livro.

30 de novembro de 2008

O eco da contemporaneidade

Psicóloga, antropóloga e sociólogo falam sobre a possível relação entre o modo de viver em nossa sociedade e desequilíbrios de comportamento como a compulsividade



A tecnologia sempre evolui e traz cada vez mais praticidade ao ser humano. Hoje, o computador e a internet possibilitam a realização de tarefas em poucos minutos, transmitindo através de cliques ações que antes dependiam de idas ao supermercado ou ao banco. Compras, pagamento de contas, transições bancárias e até reuniões de trabalho podem ser feitas on-line. As chamadas redes de relacionamento mostram que inclusive a aproximação social das pessoas é priorizada quando acontece no meio virtual: o estudo Digital World (State of the Internet) avalia que 530 milhões de pessoas em todo o mundo visitam Orkut, MySpace, Facebook etc. Preocupamo-nos em saber quais são os novos e-mails na caixa de entrada do correio eletrônico, mas não nos empenhamos em dizer bom dia ao desconhecido que está no mesmo ponto de ônibus nas primeiras horas da manhã à caminho do trabalho.

Duas simples observações que podemos fazer em qualquer trajeto na cidade nos permitem perceber quão os hábitos urbanos tornam-se cada vez mais fechados. A primeira: a grande quantidade de automóveis que circula nas ruas com apenas uma pessoa em seu interior. Com o medo ocasionado pela violência, dar carona tem se tornado um fato pouco freqüente. A possibilidade de financiamentos e o transporte público que não corresponde às necessidades do dia-a-dia favorecem a proliferação de veículos particulares nas vias. O segundo hábito que podemos facilmente constatar tem relação com o número de pessoas que andam pelas ruas usando fones de ouvido, com a atenção voltada à música alta, bloqueando a percepção do que acontece ao redor. Essas duas observações remetem à individualização dos costumes sociais, fazendo com que o espaço urbano seja um lugar de convívio sem interação entre os seres.

Analisar o individualismo como propulsor do desencadeamento de sintomas psicológicos no comportamento humano consiste em uma relação perfeitamente possível na visão de psicólogos, antropólogos e sociólogos. A compulsão, por exemplo, pode estar ligada ao descontrole dos impulsos de compras, de alimentação, de diversão e de sexo. A sociedade em que estamos inseridos suscita atitudes dessa natureza, mas a professora e psicóloga Maria do Rosário Stotz lembra: “Freud já estudava isso no início do século passado. O sintoma não é novidade”. Em meados de 1900, portanto, a compulsão já existia. As mudanças constatadas por estudiosos e especialistas estão apenas na freqüência e no tipo de ação que desencadeiam a compulsividade. “Hoje, existe uma alteração lógica do tempo, tudo é mais rápido imaginariamente”, explica Maria ao falar sobre as condições da atualidade que propiciam o diagnóstico.

É fundamental o esclarecimento das diferenças entre o significado de compulsão para o senso comum e a compulsividade como patologia psicológica. O termo “compulsivo” é usualmente atribuído a pessoas que, por exemplo, abusam nas compras ou no consumo de alimentos, sem chegarem a condições extremas destes atos. Na interpretação da psicologia, porém, a compulsão consiste em uma doença. Neste caso, a intensidade e a causa são um pouco diferentes.

A compulsão trata-se de uma alteração da vontade - considerada uma função psíquica natural do ser humano. De acordo com Maria do Rosário, são quatro os estágios por que passa toda ação: primeiro, temos um desejo, uma intenção ou um propósito; depois, decidimos por satisfazê-lo ou não, ou seja, passamos pela etapa da deliberação com uma ponderação consciente dos motivos e conseqüências; a penúltima etapa é a da decisão; por fim, temos a execução, quando surgem as atitudes necessárias à consumação dos propósitos. Ao contrário do impulsivo, que pula as etapas de deliberação e decisão, um compulsivo passa por todas elas. O fato é que, na terceira etapa, o indivíduo com o sintoma da compulsão decide por não executar o ato e, ainda assim, não consegue responder à sua decisão e faz o que incoscientemente deseja.

A repetição e a freqüência de atos mentais ou de ações propriamente ditas caracterizam a doença. “A compulsão é um sintoma e o sintoma sempre serve para manter o organismo em equilíbrio, aliviando uma tensão psíquica e perseverando o comportamento”, detalha Rosário. Geralmente, o compulsivo evita falar sobre a doença e não gosta de demonstrar as atitudes em público.

Enquanto caminha, a garota precisa parar sucessivamente para encostar suas mãos nos lugares e objetos por que passa. Outra necessidade é a de pisar sempre no centro de cerâmicas ou lajotas no chão, sem atingir as linhas. Um rapaz verifica várias vezes se trancou a porta do carro, se tudo do que precisa está na mochila, se desligou o ferro. Não consegue manter a calma quando não repete a ação, no mínimo, cinco vezes em um curto espaço de tempo. Isso os perturba, apesar do breve alívio decorrente da ação necessária. A psicóloga Mara Regina de Souza conta que o compulsivo se exclui e individualiza seus atos. Para ela, a doença hoje em dia é mais freqüente e isso é resultado do modo de viver contemporâneo. “Vivemos em uma sociedade que cultua o consumo, em que tudo é rápido. As pessoas querem acompanhar isso e muitas vezes não podem”, detalha Mara.

Na visão da antropologia e da sociologia, a crítica aos hábitos urbanos atuais não diverge deste argumento. A professora Sônia Maluf, antropóloga e pesquisadora da área de saúde mental e cultura contemporânea, aponta a perda dos espaços de sociabilidade como a principal causa de manifestações comportamentais como a compulsividade. “O que se percebe é que vivemos uma cultura de excessos, consumo, informação. O regime capitalista cria dispositivos de dissociabilização”, comenta Sônia.

A antropóloga utiliza o exemplo dos shoppings para ilustrar sua fala, lembrando que antigamente o costume de encontros e conversas nas praças das cidades era uma tradição social. Hoje, a praça tem vitrines, é cercada pelo consumo e quem circula por ela não interage com nada além dos produtos à venda. Isso gera uma incompletude no ser e, conseqüentemente, uma necessidade de compensação que ele muitas vezes encontra em atos como a compulsão. A diferença do que propõe a psicologia, no entanto, está no fato de que a antropologia compreende a enfermidade como um fenômeno resultante de uma manifestação conjunta; ou seja, a compulsão não é entendida como algo individualizado e patológico, mas sim como um acontecimento ligado ao esvaziamento coletivo, uma conseqüência da angústia social.

A sociologia também critica a sociedade contemporânea. Felipe Jovani, professor e sociólogo, cita a mídia como motivadora da reversão comportamental do ser humano. “As pessoas são muitas vezes compelidas a serem compulsivas devido a incessantes propagandas televisivas dirigidas ao consumo”, exemplifica. Felipe compara o grande volume de novidades e atualizações tecnológicas constantes ao estímulo inconsciente ao consumo provocado nas pessoas.

Em comum aos diferentes pontos de vista está a existência da angústia de alguém acometido pela compulsão. Quando uma pessoa passa a causar sofrimento a si e aos indivíduos que com ela convivem, a melhor indicação é a procura de ajuda com tratamentos psicológicos ou alternativos. Vale lembrar que a sociedade não é a única culpada por este tipo de comportamento, mas pode ser um fator que contribui com o incentivo a determinados hábitos que afastam socialmente os seres humanos.

28 de novembro de 2008

Somos problemas sociais

Era para ser um post comemorando o fato de estarmos com tudo pronto para a formatura. Como a Li...! já disse, seremos sempre aspirantes, pois não deixaremos de aprender coisas novas a cada dia de nossa jornada. Contudo, descobri, nesta semana, que eu e todos os meus colegas da oitava fase seremos mais um estorvo na sociedade (e na conta bancária de nossos pais).

O motivo: não somos jornalistas! Não importa termos terminado todas as matérias do curso e só aguardar pela colação que ocorrerá no fim de março. O problema está na burocracia da lei trabalhista. Mesmo que arrumemos vagas de trabalho, sem o registro profissional não seremos contratados.

E o que nos falta para fazer o registro? Precisamos do certificado de colação de grau, que nos será entregue no dia da formatura. Sem isso, não é possível dar entrada no pedido, que deve ser feito na Delegacia Regional do Trabalho.

Antes disso, como diz Alessandra, colega de estágio minha e do Pedro e que está na quarta fase do curso, somos "problemas sociais".

27 de novembro de 2008

A cabeça não se desvencilha dos pensamentos que remetem ao ontem. Ainda é recente demais! E, pelo esforço, esse sorriso, essas lágrimas de alegria e as explosões de felicidade devem ser mastigadas, ainda, por muito tempo! Pensando nisso - e em complementação ao post do Samuka [que acho, sim, pertinente! Nós merecemos!] -, escrevi algumas palavras que me vieram no impulso dessa sensação tão boa. Este blog ganha um temperinho a mais e entra em uma nova etapa a partir de então. Ele nos significa muito e faz parte de todo este processo. Obrigada a todos que contribuíram, de alguma forma, com qualquer pedacinho desta trilha!



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Sem título que caiba



Tensão. Nó na garganta. O corpo não responde às tentativas de sôssego. O tempo passa rápido, aumenta o compasso; o coração inventa de acompanhá-lo e acelera. São quatro meses revertidos em 15 minutos. Ou melhor, mais do que isso: são quatro anos revertidos em 15 minutos. Não, é ainda mais: 21 anos em 15 minutos. Talvez seja por esse motivo que, no ato, os ponteiros parecem não cumprir com sua tarefa de percorrer um quarto do círculo no pulso. As palavras saem descontroladamente, ora tropeçando em gagueiras, ora escorregando em esquecimentos breves. Por fim, os aplausos. Missão cumprida será? Chegam os comentários, as sugestões, alguns elogios, as provocações. Mais uma vez, o tempo faz suas trapaças. A espera é agoniante. Os minutos se desdobram.


É 10.


Opa, tem matemática aqui? 21 anos divididos em (4 vezes 12 meses); subtrai-se (4 vezes 30 dias) e tudo isso equivale a 15 vezes 60 segundos. Acabou? Não. E não há matemática que dê ou faça conta da infinitude. A camisa de jornalista vinha sendo tecida durante o cálculo passado para ter como resultado o vestir para caminhar por ora, sabe-se lá para que onde. Por isso, aspirações continuam. O aprender vem com o sempre.




Aspirantes a jornalistas hoje, amanhã e depois. Agora, nota 10!
Pedro disse que deveríamos publicar isso, mas sou contra. Como a Li...! não está, vou dar essa colher de chá ao pirralho (dois anos mais novo que eu) e enfim falarei disso. Ainda acho que um pouco de humildade seria bom neste momento, mas há uma voz em desacordo com isso.

Sim, nós três fomos premiados com nota 10 nas apresentações de nossas monografias, ocorridas durante esta semana. Por termos obtido nota final superior a 9, nossos trabalhos estarão disponíveis em breve para download na página da biblioteca da Unisul. Informaremos a respeito também.

Os temas apresentados foram:

Arielli: Jornalismo com humor: análise discursiva da versão brasileira do programa televisivo Custe o Que Custar
orientação: Ms. Helena Santos Neto

Pedro: A cobertura do Diário Catarinense sobre a Revolta da Catraca em 2005
orientação: Ms. Marta Scherer

Samuel: Podcast: acontecimento discursivo?
orientação: Ms. Helena Santos Neto

Antes que eu me esqueça, parabéns também a todos os nossos colegas de curso, cujas notas, segundo soubemos até este momento, são muito expressivas também.

23 de novembro de 2008

Engraçado, apesar - ou por causa - de ser fotógrafo, não é meu hábito parar para olhar fotos "de família". Acabo ficando mais preocupado em ensaios ou coisas do tipo, e as que na verdade significam mais para mim ficam um pouco de lado.
Parei para pensar nisso hoje de tarde, enquanto mostrava as fotos da viagem a bh para pai e mãe. No meio do monte de instantâneos eu, meu primo aloprado e a namorada dele comendo fígado com jiló no mercado municipal, ou com minha prima tomando café na travessa. Puta merda, não é ruim lembra isso, mas de certa forma é ruim ver que momentos tão bacanas passaram e hoje resumem-se a boas lembranças. Esse tempo lá foi muito bom para mim, talvez seja por isso.
Os passeios no pátio savassi, jogos no minerão, um boteco melhor que o outro, placas adesivadas, cafés da manhã engraçados e animados, mais uma dezena de coisas; sobretudo estar com pessoas das quais muito gosto. Mas isso é o bom da fotografia, nos remeter a coisas boas, e fazer com que sempre lembremos delas. De certa forma realmente paramos um momento do presente e presevamo-nos para sempre. Não é a toa que ela fez tudo que fez e representou tamanha mudança na vida do homem. Isso é o principal da brincadeira. Ainda bem que sou fotógrafo.

22 de novembro de 2008

Não tem quase ninguém na livraria catarinense. Também, com a chuva que cai ninguém muito certo viria para o centro sábado de manhã. Eu vim. Faz três meses que não pára de chover em florianópolis. Nesse período o sol apareceu em no máximo umas quatro ocasiões. Duas delas com chuva junto. Não fala-se mais "tá chovendo hoje", mas sim "tá chovendo muito/pouco hoje". De qualquer forma, minha competente capa de chuva funcionou até a livraria, onde fui pesquisar um pouco mais sobre tatuagens para minha reportagem. Não lembro direito o nome do livro, mas era da cosac&naif. Feito para adolescentes na verdade, linguagem simples, bem explicativo. Ou seja, me forneceu bastantes informações úteis. Sobretudo para poder dizer que na índia alargadores são símbolo de superioridade espiritual e intelectual. Ainda pondero se passarei para oito milímetros. Indo embora ainda deu tempo de espiar alguns discos, mas nada que chamasse a atenção - ou melhor, que chamasse a atenção e o preço idem. Essa semana volto lá, de repente levo o dvd do los hermanos, está R$ 25.

19 de novembro de 2008

Uma palestra "muito bonitinha"

Chuva, gripe ou afazeres monográficos: nada impediria os aspirantes de estarem presentes em mais uma oportunidade de assistir ao Marcelo Tas.

Às 19h05 descemos do carro depois de muito contar com a sorte para conseguirmos uma vaga próxima à Assembléia. Dentro, as cadeiras vagas não passavam de três dezenas. A penúltima fila não é de todo mal quando você encontra a quantidade ideal de cadeiras para sentar junto aos amigos.

Sem ar condicionado ou ventilação, o clima abafado do auditório não foi obstáculo durante as duas horas de palestra. Marcelo Tas falou sobre tecnologia utilizando situações da própria vida como exemplo. Lá estava, na parede, o garoto que entrou na faculdade de engenharia e acabou contemplado por uma bolsa de jornalismo nos Estados Unidos. Foi na New York University que descobriu o computador ao entrar num andar do prédio da universidade onde nunca havia estado. Assim, teve início a paixão pelas novas possibilidades de comunicação.

Todo conhecimento e toda experiência do âncora central do CQC foram driblados pelo aparelho que comandava a apresentação no computador. "A gente tá sempre aprendendo a mexer!", justificou Tas quando trocou muito rápido as projeções e se atrapalhou ao usar a ferramenta.

Um momento bacana foi a pergunta que instigou a platéia: "Que invenção mais acelerou o conhecimento humano?". Dentre as alternativas, estavam a roda, a eletricidade, o livro, os números e o computador. A única resposta capaz de derrubar a pegadinha da questão foi justamente a que ninguém ousou falar. Tas recordou o episódio do surgimento da imprensa e ressaltou a importância dos livros para a difusão do conhecimento. O detalhe é que as primeiras impressões não tinham páginas numeradas e somente mais tarde, com números, pessoas em diferentes lugares tiveram a possibilidade de estar em lugares diferentes olhando para o mesmo lugar, ou "a mesma tela", nas palavras do palestrante.

De uma forma muito simples, o homem multimídia explicou a invenção do PCM (Pulse Code-Modulation) pelo inglês Alec Reeves, em 1938, e brincou: "ele foi o cara que inventou a pirataria!". Isso porque o PCM é uma atribuição numérica à ondas sonoras, uma espécie de decodificação, que permite a troca e a cópia de arquivos sem perda de informações, tanto em aparelhos eletrônicos como na rede mundial de computadores.

O último conselho de Marcelo Tas foi o "tempo presente". Ele ressaltou que vivemos sempre ansiosos com o que está por vir ou angustiados com o que já foi, esquecendo-nos de que a única ação possível é no agora. Finda a palestra e prontos para seguir o que nos foi aconselhado, os Aspirantes foram em busca de seus objetivos a fim de trocar idéias com o careca mais brilhante e simpático do Brasil.

No primeiro contato, interceptado por seguranças, conseguimos entregar a ele um papel com o endereço deste humilde blog. Depois, já no espaço externo da Assembléia, os quatro meses transformados em 50 páginas da minha monografia (cujo tema contempla o CQC) foram entregues ao Tas enquanto ele entrava no carro num ato encorajado por meu amigo Pedro. Não vou dizer que minha pesquisa está digna de elogios, afinal o tempo é muito curto. Mas...digamos que um dos caras que mais admiro no meio jornalístico está com um texto "bem feitinho" em mãos, apesar do improviso da impressão e dos rabiscos entre as palavras.

Loucura, custe o que custar.



"Beijo, me liga" pra Mari, que esteve com os Aspirantes no evento!




Marcelo Tristão Athayde de Souza parece mesmo cultivar os cabelos dentro da cabeça: aqueles neurônios cabeludos guardam uma inteligência e um carisma de se admirar. Camiseta preta, sem estampa e com mangas compridas; óculos quadrados e com armação grossa, também preta. O assustador professor Tibúrcio, o Telekid, o Ernesto Varela ou o âncora do CQC: Marcelo Tas esteve ontem em Floripa, na Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, ministrando uma palestra sobre criatividade na mídia digital. Faltaram cadeiras e sobraram aplausos.






Post saindo do forno...calma aí!

17 de novembro de 2008

Os trutas do DC



Se não me engano, foi Antônio Conselheiro, lider do grupo de pessoas que participaram do movimento que culminou na Revolta de Canudos, quem previu que o Sertão virará mar.

Bom, se é verdade, eu não sei. Mas se depender do que ocorreu no município de Urubici, no PLANALTO Oeste de Santa Catarina, os moradores daquela região tão devastada pelas secas constantes podem ficar esperançosos.

Como podemos ver nessa imagem, publicada na manhã de hoje pelo Diário Catarinense, os moradores de Urubici trocaram as varas de pesca e as minhocas para pegar trutas nos rios da região pelas tarrafas e barcos de pesca de tainhas.

Não entendeu? Clique na imagem acima e leia na seqüência: manchete --> foto --> legenda.

14 de novembro de 2008

Ainda deitada esticou os dedos e abriu uma fresta na cortina. Sol. Duas semanas que não acordava sem ver o céu cinza. Não reclamava, nem gostava muito de praia mesmo. De qualquer forma, achou ótimo num movimento rápido abrir toda a cortina, deixando a luz do sol aquecer sua pele clara e seus braços riscados. Um vento fresco e revigorante entrava pela fresta na janela, agitando seu top cinza.

Vasculhou o chão à procura das pantufas de urso - presente do irmão - mas só via tênis e meias sujas. Olhou embaixo da cama, por alguma razão elas sempre paravam ali. Passava pouco das oito, sua cabeça ainda doía um pouco. Foi até a cozinha, as garrafas ainda estavam sobre a pia, cinco copos sujos, cinzeiro transbordando. No balcão potinhos com restos amendoins, castanha, batatas fritas prontas, toalha esfarelada. Merda - pensou - bem que aqueles putos podiam ter limpado alguma coisa. Abriu a sala, o dia combinava com algo descontraído. Foi até o som e deu play no disco da Orquestra Imperial.

13 de novembro de 2008

Por um jornalismo mais rock n' roll



Jimi Hendrix - The Wind Cries Mary

Uma pequena homenagem deste singelo blog ao baterista Mitch Mitchell, que morreu ontem, em Portland, nos Estados Unidos, aos 61 anos. Ao lado de Jimi Hendrix e Noel Redding, Mitchell fez parte daquele que, na minha opinião, foi o maior power trio da história do rock, o Jimi Hendrix Experience.

12 de novembro de 2008

Onze de novembro de 2008. Data que ficará marcada para toda nação avaiana como dia do tão sonhado retorno à primeira divisão. Não pretendo discorrer muito, outros o farão; apenas demonstras a alegria de uma torcida que nunca cansou de apoiar o time. Foram dez anos de luta, por vezes chagamos muito, muito perto. Mas o avaí sempre empacava, acumulava a pecha de morrer na praia.

Esse ano muitos - e eu certamente estou nesse grupo - ainda tinham um pé atrás, e confesso, os campeonatos anteriores não ajudavam muito. Porém, como todos na ilha sabem, o avaí "fax côsa". Montou um grupo que proporcionou momentos mágicos à torcida, de gol de goleiro à bicicleta perfeita; passando pelo passe para trás que é difícil de entender mesmo vendo duas vezes.

Tomara que em 2009 o clássico não aconteça somente no catarinense. Onze de novembro, noite que Florianópolis adormeceu sob o manto azul e branco.

9 de novembro de 2008

As luzes do ônibus atrapalhavam um pouco, mas não a impediam de dormir. Chovia levemente, as gotas caiam suaves sobre sua face. Fechava os olhos, aquela sensação lhe era boa. Mal viu quando o motorista parou. Abriu os olhos, a porta já estava aberta. Entrou calada, passou pelas fileiras de bancos ocupados; sentou no fundo como sempre fazia. Não cumprimentara ninguém, estava longe dali. As luzes dos postes já estavam acesas, percebia-as diferentes, como se nesse dia tudo estivesse um pouco mudado.

Acordou pouco depois das duas da tarde. O pequeno apartamento tinha as janelas abertas, sobre a mesa da sala/cozinha livros, caneco sujo de café, cinzeiro, maço de gauloises, mais livros; uma blusa e a bolsa xadrez penduraras nas cadeiras. Levantou do sofá-cama lentamente, foi até o balcão que dividia sala e cozinha, pegou a moka usada. Trocou o pó, colocou água e pôs no fogo. No som de três cds bajofondo, meganoidi e jorge ben. Deu play no segundo. As olheiras não incomodavam mais, de qualquer forma foi até o banheiro e lavou o rosto. Olhou-se no espelho, o cabelo solto com corte repicado, 12mm nas orelhas, a faixa tatuada no ombro. Sentou no balcão, tomou o café, comeu bolo de cenoura. Enquanto comia foi até a sacada, olhou o bairro, tinha saudades de sua terra, sua família, porém não queria voltar; sentia-se bem onde morava.
Terminado o café da manhã, sentou na poltrona, colocou o cinzero sobre a bancada da sacada. A fumaça subia lentamente, embaraçando ainda mais sua mente; esticou-se, pensava na noite anterior, em nada, em tudo. Ali ficou por quase uma hora, imersa em pensamentos que a acalmavam. Começava uma garoa, deixou que o vento soprasse e a molhasse suavemente. Terminado, em lentos passos caminhou ao banheiro, tirou a toalha pendurada no box. Tirou o short, a camiseta recortada pouco acima do umbigo. Tomou seu banho alegremente, gostava disso, sua mente ainda viajava enquanto a água quente escorria sobre sua espádua.
Entreaberta, a porta do armário exibia uma bagunça organizada. Vestiu short listado - como a maioria dos que usava -, a camiseta comprada na internet com ilustração de sua amiga paulista escondia o sutiã branco de bolinhas. Escolheu calça skinny azul-escuro, entre diversos tênis espalhados pelo chão pinçou o superstar cano alto, branco com as tiras pretas. Pegou a pasta, um pacote de bolachas maizena, desceu três andares pela escada. Ainda chovia. Devolveu o cumprimento do porteiro, ceratamente o ônibus não passara ainda.
Quase uma hora até a universidade, culpa do trânsito caótico. Pelo menos tinha mais tempo para descansar. Chegando, a chuva prosseguia, foi direto para a praça de alimentação. Caminhava lentamente, ainda levemente aérea. Ninguém de sua sala havia chego. Entrou, olhou as mesas, as pessoas sentadas, achou aquilo tudo engraçado. Riu, sentia-se feliz por poder rir. Não ligava para o que os outros pensasem, se ligasse não teria a tatuagem escapando da cobertura das mangas curtas. Apenas ria, discretamente, de si e de sua felicidade. Pediu um café, com mais leite, sentou numa mesa do canto, próximo da rua, enquanto comia o lanche trazido de casa. Avistou dois colegas vindo do ponto dos ônibus, dali a pouco a aula começaria. Devia estar mais quente na sala, tinha um pouco de sono. Dormiria bem lá.
vs.II
Quando cheguei ela tomava café e comia bolo de cenoura.

7 de novembro de 2008

Por um jornalismo mais rock n' roll



The Pixies - Is she weird (acústico)


Atrasou um pouco, mas tá aí a dica musical quase alternativa do final de semana.

6 de novembro de 2008


rua augusta/sp
se bem me lembro foi coberto por uma parede de tijolos.

5 de novembro de 2008

Do sentido das seis [da tarde]

São através de passos cotidianos que atravessamos ruas do desconhecido.

[quando temos sentido para percebê-los, claro - seja lá qual for o sentido de sentido aqui escolhido].

O uníssono dos saltos faz música com as calçadas das seis da tarde. É chegada a hora de encerrar mais um dia e dar-se conta de que vem por aí um amanhã. E um depois, e depois, e depois, sem cessar, sem saber o que vem sabendo a que vem. Daqui parte a inspiração; do fechar os olhos para acordar no diferente, ainda que num pouco de mesmo.

Grandes micos que pagamos

"Meu coração
não sei porque
bate feliz
quando te vê"

Sim, eu cantei isso, junto com toda a minha turma da terceira série do primário, em frente ao resto do colégio. Detalhe: eu estudava no Instituto Estadual de Educação. Ainda hoje é a maior escola pública da América Latina.

A única "vantagem" disso é que lá, os alunos do primário ficam separados dos alunos do ginásio e 2º grau.

Lembrei disso ontem e resolvi postar aqui.

Você já passou por um grande mico também? Conte-nos aí nos comentários.

4 de novembro de 2008

Não acordei tão cedo quanto gostaria, mas tudo bem. A verdade é que poderia muito bem sentar na frete do computador e escrever uma simples introdução e conclusão - nada se comparado às outras quase 50 páginas. Porém, quando chega a hora de dar um ponto final no árduo trabalho, o que me acontece? Por três vezes fiz a mesma coisa, e nada sai. Desconfio ter desenvolvido uma espécie de ligação inconsciente com minha monografia, e agora não consigo terminá-la.
Que merda isso. Na verdade ela não está inteira, faltam dois ou três parágrafos para amarrar o capítulo terceiro - além das partes já citadas. E, claro, vasculhar dois livros de teorias do jornalismo (traquina e pedro souza) atrás das páginas donde tirei conteúdos e não referenciei corretamente no texto. Faz parte, nada anormal para quem conseguiu apagar duas páginas prontas - mas hoje competentemnte refeitas. Embora eu ache que a primeira versão ficou melhor.
Então, ao invés de escrever o que deveria, faço café, abro caixa de e-mails, ponho fluido no zippo, olho o movimento na rua, escrevo neste blog. Nada mal, se a data de entrega não fosse depois de amanhã. Quase meio-dia, acho que vou preparar o almoço.

31 de outubro de 2008

Por um jornalismo mais rock n' roll



The 5.6.7.8 s - I Walk Like Jayne Mansfield

Para quem não lembra, faz parte da trilha do filme Kill Bill vol. 1.

p.s.: ainda me caso com uma japa baterista!

30 de outubro de 2008


Elas estavam na mesa de fora, logo vi. De dentro do tabalho já as percebia, o café foi por acaso, só para sair mesmo. Caminhei devagar até o bar, uma usava óculos, a outra tinha o cabelo curto, bem com cara de argentina. Ambas com alargadores maiores que o meu, deveria ter uns 20mm. A argentina calçava um tênis sem cadarço, estilo slip-on, mas o da Rainha, azul escuro. A outra uma sapatilha engraçada, verde-escura. Sobre a mesa uns cadernos de desenho, canetas variadas.


Peguei meu leite com café e sentei próximo. A argentina levanta, vejo uns desenhos de sapatos de mulher. Só podiam ser da moda ou design mesmo. A de óculos usa short de risca de giz, e tem a perna tatuada com flores ou algo do gênero. Foi comprar café e uma barra de chocolate, e volta com uns pirulitos também. Afasta um pouco o caderno, olha o desenho. Olha, enquanto abre o diamante negro. A outra pega um pirulito, concentrada, não sei o que desenha. Enquanto come o chocolate olha para os lados, como se verificasse o ambiente. Está de costas para mim, a outra senta à sua frente em diagonal - na minha frente.


Acabando o lanche, pergunta como está o desenho da outra. Ela pára, tira os óculos, mexe no piercing no lábio. Não ouço o que reponde, apenas que solta o cabelo e arruma a blusa azul marinho que esconde um sutiã verde-limão de alças finas. Parece ser um trabalho de aula, deve ser melhor do que escrever matérias. Embora não tenha sol, ela troca os óculos por escuros de lentes quadradas. Na bolsa entreaberta uma caixa de remédio para dor de cabeça, um isqueiro cor-de-rosa, carteira amarela de borracha - com cara de comprada na oscar freire.


Já a bolsa da argentina é bem pequena, ela deve carregá-la dentro da mochila cinza com alguns rabiscos, da qual tira um pulôver com gola alta. Venta um pouco, garanto que há um cachecol entre suas coisas. O meu ficou na sala. O isqueiro rosa acende um palheiro, a dona da mochila reclama da fumaça. A de óculos inutilmente o segura abaixo da mesa. Vejo que têm uma palavra tatuada no antebraço, pequeno, delicado. Não consigo ler. O café acabou, mas a matéria ainda não está pronta. Volto ao expediente. Com certeza tem horas que escrever é muito chato.

28 de outubro de 2008

Um, dois...Um, dois, três, vai!

Garagem mostra vocação e abre espaço para bandas fazerem sua estréia



Por volta das 21 horas de sexta-feira (24), o primeiro acorde balançou as janelas das casas do bairro Pedra Branca, em Palhoça. Era o início de mais uma edição do Garagem. O festival de bandas da Unisul reuniu nove bandas ao longo de duas horas e teve de tudo: de punk rock ao reggae, além de cantos africanos.

A primeira banda a subir ao palco foi Tapa na Colméia. Tocando com a atual formação desde a segunda metade do ano passado, o grupo que inclui integrantes vindos de Imbituba e de Florianópolis. O punk do grupo já foi visto em outros palcos da Grande Florianópolis. No Garagem, a banda liderada pelo vocalista Gene Rocker chegou também para lançar o seu primeiro cd, intitulado “De volta para o passado”.

A banda Ehoe, que começou a tocar no início deste ano, estreou no Garagem. O sonho deles é o mesmo de todos os outros que subiram ao palco naquela sexta: poder viver de música. Em seguida, o grupo Árvore Sagrada, que acabou sendo a surpresa da noite. Com um som completamente diverso do que se esperaria em um festival de bandas universitárias. Cantos africanos de paz, contrapuseram os acordes pesados do rock n’roll.

“Estamos muito felizes em participar, em transmitir nossa mensagem. Se formos premiados nossa alegria será maior ainda”, disse Sarah Gomes acadêmica 8ª fase de Naturologia. Mal sabia ela que o grupo ficaria com o segundo lugar do festival.

Logo depois, vieram os já nem tão adolescentes da Caravan 87. A banda formada por sete integrantes tem apenas uma mulher, a vocalista e estudante de jornalismo Arielli Secco. A banda, na qual tocam os dois irmãos de Arielli, diz viver um novo momento agora. Seus objetivos são “escrever, reescrever e reunir composições para iniciarmos uma divulgação do nosso trabalho na internet e tocarmos o que gostamos de tocar”, conta a vocalista.

Os Quantos também estrearam no Garagem. A banda de Palhoça está a apenas três meses ensaiando. Dizem que, quando começaram, não sabiam do festival da Unisul. O músico Luiz Guilherme conta que o mote da banda “é levar uma mensagem de paz através de suas letras”.

A última participação feminina veio com a banda ZIG, da vocalista Daliane Lebage. Eles já tocam juntos há cerca de um ano e dois meses, mas o show no festival foi apenas a terceira apresentação do grupo de São José, que tem influências de pop rock nacional e internacional.

Então, o reggae tomou conta do palco. A banda Livre Consciência, que ficou em terceiro lugar, nas palavras do vocalista, Piero Diogo, acredita que “o que vale é a musica. Ela existe para somar e não para dividir”. Eles já são veteranos. A banda toca junta há três anos.

Os últimos acordes punks chegaram com a banda Stallones, de São José. Em seguida, a banda Não Contém Glúten fechou o festival, lá pelas 23 horas. Os músicos acabaram levando o título de melhor banda. Eles só tocam músicas autorais, mas ainda não gravaram seu primeiro álbum. Atualmente, divulgam seu trabalho pela internet, no site www.naocontemgluten.palcomp3.com.br.

“Queremos gravar um cd e estamos na busca desse objetivo, com poucos recursos e pouca idade, mas cheios de vontade de revolucionar o mundo. Por isso roupas estranhas, musicas próprias, e tudo mais que for diferente ou até, estranho”, revela o vocalista Ted Pepito.

Este ano, o Garagem não foi só das bandas. No lado direito do palco, o artista Rodrigo Guerra desenhava um painel especial para o festival. Natural de Porto Alegre, vive em Florianópolis há 14 anos e inspira sua arte na “rua, no urbano, na arquitetura”.

O público também foi protagonista da festa. Ainda que reduzido, devido principalmente ao mau tempo, garantiu a animação. Os fãs da banda Os Quantos ainda levaram para casa o prêmio de 300 reais, escolhidos como melhor torcida. As bandas que ficaram com os três primeiros lugares ganharam prêmios de 900, 700 e 500 reais, respectivamente.



Colaborou na reportagem: Alessandra Oliveira, 4ª fase de jornalismo.
Na foto, os integrantes da banda vencedora.

27 de outubro de 2008

Bajofondo - El Mareo

A qualidade do vídeo não é a melhor, porém além da música ser excelente foi a primeira vez que vi o conjunto em ação



graff

24 de outubro de 2008

23 de outubro de 2008

Por um jornalismo mais rock n' roll

The Grateful Dead - Casey Jones


Queria que as ruas daqui tivessem nomes mais interessantes, como em BH.
Pium-í, Passatempo, Boa Esperança, muito mais poético.

18 de outubro de 2008

Vive la Fête
Acabei não fazendo o podcast (ainda) do vive la fête, que já passou por sp, brasília e hoje se apresenta no rio. Porém, a passagem dos belgas por cá não fica em branco. Segue matéria feita no programa metrópolis, da tv cultura.


10 de outubro de 2008

Podcast Aspirantes #2

Releve-se se falei demais. A banda é muito boa.

Acabando a monografia faço um intensivo de movie maker.

7 de outubro de 2008

Por um jornalismo mais rock n' roll

Lennon ao vivo, tocando música do famoso álbum branco dos Beatles. Uma bela canção.

John Lennon - Yer Blues

6 de outubro de 2008

Maldito cursor

O maldito cursor pisca na tela do computador. Escrever é mais difícil do que parece. Às vezes, as palavras insistem em nos faltar. Mas ele continua piscando. Está à espera de alguma letra. Qualquer que seja. Quem programou este maldito com certeza não tem alma. Escritor não é.

Ele me encara. Pisca de maneira irritante. Escrevo apenas para não ver mais esta pequena coisa que pensa que é gente. Quando as letras saem do teclado para a tela, ele cessa a espera. É como uma criança que fica alegre por receber um presente. Eu o vejo assim.

Queria conversar com ele. Perguntaria se algum dia já se irritou por me ver ficar horas olhando para ele, sem ganhar uma letrinha sequer. Nem mesmo um símbolo, como um ponto ou um travessão. Diria que ele me faz muito mal. Não é sempre que há inspiração. E quando há, palavras talvez não sejam a melhor maneira de expressá-la.

Sim, meu colega de trabalho, é preciso que alguém lhe ensine isso logo. Nem todo sentimento pode ser descrito. Ao menos, não com palavras. Você não se cansa de ficar piscando o dia todo? Em seu lugar, mudava de postura ou de profissão. Ficar o dia inteiro na tela dos outros, piscando e piscando e piscando... Quem pensa que é? O computador é meu, a tela é minha. Sabe que você invade minha privacidade ao piscar e piscar...

Mais que isso. Você desafia meus sentimentos, minhas dores. Faz-me sofrer mais. Não sabia ainda? Oras, realmente, como você é mesquinho… e cínico!

Ainda entro nesta tela. Eu o desafiarei. Por que não expressa, você, seus sentimentos?

Ah, sim. Como sou tolo. Você não sente. Apenas aguarda. A próxima letra, por favor.

Fecharei a janela agora. Desculpe se fui grosso. Nos vemos mais tarde. Com um texto melhor. Ou não.

5 de outubro de 2008



av. dos bandeirantes/BH

3 de outubro de 2008


Bom lembrar, já que não vi a rede globo noticiando isso. Tirado do fenaj.org.br

Mais de 70% da população brasileira quer jornalista com diploma
A pesquisa de opinião nacional FENAJ/Sensus, divulgada nesta segunda-feira (22), em Brasília, registra que a grande maioria da população brasileira é a favor da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Dos dois mil entrevistados em todo Brasil, 74,3% se disseram a favor do diploma, 13,9% contra e 11,7% não souberam ou não responderam.

Os dados foram muito comemorados pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e pelos Sindicatos de Jornalistas. Para o presidente da Federação, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional. "Esses números da pesquisa mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados".
Murillo afirmou, também, que esses dados ficam ainda mais importantes com a proximidade da votação da exigência do diploma pelo STF e espera que ministros percebam o desejo da sociedade. "O STF tem a chance de mostrar à população que anda junto com seus anseios, reconhecendo que jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia".
A Pesquisa FENAJ/Sensus quis saber, também, o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Para a pergunta: o sr. (a) acha que deveria ou não deveria ser criado um Conselho Federal dos Jornalistas, para a regulamentação do exercício da profissão no País – como as OAB's para os Advogados e os CREA's para os Engenheiros, o resultado foi que 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam. A última pergunta relacionada ao tema foi sobre a credibilidade das notícias. Parte dos entrevistados, 42,7%, disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.

A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, com dois mil questionários aplicados em cinco regiões brasileiras e 24 estados, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho – PPT. A margem de erro é de mais ou menos 3%.

2 de outubro de 2008

Por um jornalismo mais rock n' roll

Esse é um post um pouco diferente dos anteriores. Vejam o garoto de oito anos no vídeo abaixo e comentem, seus cães leprosos do oceano. (Gostaram da tiradinha capitão de navio pirata?)

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