Três repórteres, um blog e poucas postagens... =D
6 de março de 2009
2 de março de 2009
Por um jornalismo mais rock n' roll
Carnaval passou, minha câmera não veio, as férias de todos se foram, o ano começou no Brasil. Mas nem por isso a gente deixará vocês sem o que ler. Quase formados (é no próximo dia 21 =D), não vamos prometer textos diariamente, mas prometemos continuar postando aqui sempre.
Precisamos fazer mais matérias para não perdermos o ritmo. Então, se quiserem, deixem nos comentários sugestões de pautas que, na medida do possível, iremos atrás para vocês.
23 de fevereiro de 2009
19 de fevereiro de 2009
A parte de cima do biquíni é preta e branca, numa espécie de xadrez no qual os quadrados se misturam de forma desordenada. Provavelmente a de baixo também, contudo a canga preta enrolada esconde-a de olhares alheios. Era sempre assim, em todos esses anos ela nunca foi até a praia sem um short ou canga. Eu achava engraçado, provocava-a dizendo que com tantas garotas de corpos esculpidos pela academia durante o ano ninguém se preocuparia com ela. Claro que era mentira, para mim não havia nada mais belo que seu corpo magro e pele bastante clara; a frase logo abaixo do pescoço; a oriental tebori no tornozelo.
18 de fevereiro de 2009
Depois do carnaval
Que apanhe do Rei Momo quem disser que nunca ouviu ou foi autor do fragmento de expressão “depois do carnaval”!
Daí vêm as variações [sim, vêm! Porque nesse blog a reforma ortográfica vai pular carnaval o ano inteiro!] a gosto: depois do carnaval, eu...
...resolvo!
...falo!
...faço!
...procuro emprego!
...começo a dieta!
...acordo mais cedo!
...pago a dívida vencida!
Ser humano tem coisa dessas de fingir para suportar o que é, vê, vive. Seis dias são um momento epifania razoável para dar conta desse recado e dividir o mundo dito real em antes e depois. Afinal, somos muitos, somos outros, somos tantos carnavais.
Só hoje, ouvi cinco vezes esse tipo de promessa e, então, decidi escrever pela primeira vez neste ano no Aspirantes. Talvez pela razão de ter minha inspiração seguido esse legado, com aviso de retorno somente "depois do carnaval".
Enquanto isso, há o que não espera por carnavais. E os sorrisos correm o risco de se irem com as máscaras.
16 de fevereiro de 2009
O som da década
Bom, comecei a gostar de música, de verdade (daqueles que sabem tudo sobre a banda), em meados de 1998. De lá para cá, fui aprender a tocar violão, me interessei por rock e hoje acho que entendo alguma coisa disso. O problema de estudar tudo isso é que fui me interessando pelo que era velho, para entender as origens da música que se faz atualmente. Por conseqüência, acabei não dando muita bola para o que ouvia, pois convenhamos que toda a obra do NX Zero é musicalmente, digamos, um pouco inferior à qualidade de qualquer música dos Beatles.
Mesmo assim, ouvi alguma coisa desses últimos anos, por mais que eu tentasse, não consegui me isolar dentro de uma bolha ouvindo Robert Johnson, Nirvana, João Gilberto, Led Zeppelin e outros. Até o ano passado, eu tinha MTV em casa e dava até para dizer que eu gostava um pouco ainda daquilo. Sendo assim, abri a biblioteca do meu Media Player e comecei a catar os sons dos anos 2000 que eu tenho aqui. Depois disso, puxei à memória coisas das quais li ou ouvi falar nos últimos tempos sobre a música contemporânea.
Em termos nacionais, percebi que boa parte do que poderei lembrar daqui a 10 anos estará na minha cabeça mais pelo tanto de coisas que li ou ouvi a respeito do que propriamente tenha escutado com atenção. Há quem diga que Los Hermanos possa ser o grande nome da década aqui no Brasil. Porém, ainda creio que faltou muita coisa aos barbudos que acabaram e agora pretendem voltar. Os caras eram alternativos, mas adoravam aparecer na MTV e na Globo. Nunca foi uma banda de atitude. Tive a oportunidade de assisti-los duas vezes: a primeira, no Planeta Atlântida de 2004, a segunda, no último show da banda em Florianópolis, no final de 2005.
O show no Planeta Atlântida foi, musicalmente, um dos melhores da noite, que ainda teria uma performance memorável do Sepultura (eu fui lá com a intenção de assistir justamente à banda mineira), contudo, o público que esperava sobretudo pelos shows mais animados de Skank, Jota Quest e CPM 22, pouco vibrou ao ver os barbudos no palco. Na verdade, para quem estava mais afastado da pouca muvuca próxima à banda, foi possível perceber muitas pessoas sentadas, descansando para aproveitar os shows que estavam por vir. Na segunda oportunidade, a noite era deles, mas quem, na minha opinião, roubou a cena foi a banda local Samambaia Sound Club, com uma performance muito superior à dos cariocas, que na última hora recusaram dividir o palco principal com as bandas daqui que abririam o show para eles, relegando os locais a um cantinho minúsculo no Lagoa Iate Clube.
Outro nome que vi, também nacional, citado nesse fórum, foi a banda Cansei de Ser Sexy. Sei que o Pedro adora, mas, sinceramente, acho uma cópia barata do rock alternativo feito por bandas como Elastica e até mesmo The Breeders, a qual à um clipe postado aqui no blog. Claro, a opinião é de alguém que ouviu uma única música deles, isso na época que tinha MTV e que odiou o som.
Já no campo internacional, a banda que foi citada como inesquecível para esta década foi o Coldplay. O grupo inglês também nunca foi dos meus preferidos, mas eu até os respeitava. Contudo, isso acabou quando soube da questão do plágio feito sobre uma música de Joe Satriani. Na minha opinião, o lendário guitarrista está com a razão. Meu destaque, porém, fica por conta de outra banda que ouço muito e realmente gosto: The White Stripes.
Eles sequer têm um baixista e a Meg White toca bateria como uma criança de seis anos. Mesmo assim, o som simples, com as guitarras distorcidas de Jack White conseguem me prender por muito tempo ouvindo o som. Às vezes, soa como algo mal feito, mas ainda assim eu gosto. Não sei porquê. Para mim, será a banda desta década que me lembrarei por muito tempo.
E para você, qual será o som que o fará lembrar desta década? Dê a sua opinião nos comentários.
P.S.: Ah, antes que falem, eu também lembrei que as duas maiores manifestações "musicais" do Brasil nesta década foram o funk carioca e o Calipso, mas meu bom senso resolveu retirá-los da discussão.
9 de fevereiro de 2009
5 de fevereiro de 2009
Um lapso
Da janela da sala, começou a ver a movimentação no céu. Ainda eram seis horas da tarde e as luzes na rua começavam a se acender aos poucos. Morava no Centro. Lugar barulhento, sobretudo naquele horário. Era possível ver, da sacada do apartamento, o trânsito absolutamente congestionado; pessoas atravessando em meio aos carros parados nas filas, eventualmente alguns atropelamentos ou abalroamentos entre os veículos.
Como ele morava no segundo andar, acabava ouvindo os xingamentos que uns motoristas faziam aos outros ou aos pedestres e vice-versa. No início, achava aquilo engraçado, até o dia em que ouviu um homem falar uma obscenidade a uma senhora de 60 anos - que por sinal estava com a razão naquele momento – e como nunca havia ouvido falar naquela palavra antes, foi ao Google pesquisar o que significava e ficou horrorizado com o que viu. Na mesma hora, proibiu seus dois filhos de ficarem na sacada naquele horário.
Neste dia, especialmente, resolveu praticar a antiga diversão que deixara há alguns meses e sentou-se na sacada. O vento nordeste ainda soprava de leve, mas ao sul as nuvens negras já não estavam sozinhas. O som dos trovões, cada vez mais alto, já se misturava ao barulho frenético da cidade. As primeiras gotas começaram a cair.
Ele era casado há seis anos. Desde que conhecera a mulher, não olhara mais para outra. A data do dia que descrevemos aqui ficará marcada para sempre na sua vida. Ela aparentava ter pouco mais de 20 anos. Com um vestido preto que começava a cobrir o corpo dela alguns dedos acima do joelho, ela caminhava calmamente. Ele ainda não havia entendido porque seus olhos agora a fitavam, ela jamais imaginaria que havia alguém olhando, então num lance súbito, quase um espasmo, olhou para cima e o viu. Parou.
Ele sabia que amava sua mulher. Era o que seu coração lhe dizia há quase oito anos, quando se beijaram pela primeira vez. Só que agora algo não deixava que ele parasse de olhar. Ela era morena, olhos castanhos. Um clichê diria que seu corpo havia sido moldado por Deus, mas nem a perfeição Dele poderia atingir aquele nível. Os cabelos longos desciam até a metade de suas costas. Ela usava uma pulseira de ouro bastante fina, da qual, estando longe, ele só conseguiu ver o brilho.
Estaria apaixonado? Como, se ele jamais a vira antes? Amor à primeira vista não poderia ser. Nunca acreditou nisso. Antes que pudesse ter qualquer reação, ela se refez, como quem leva um susto e em alguns instantes retorna à realidade, e voltou a caminhar. Aquela imagem o paralisou
Eu estava na janela em frente ao apartamento dele. Vi tudo. Inclusive o momento em que ela entrou na portaria do meu prédio. Em alguns instantes subiu, bateu a porta do meu apartamento e, como se nada tivesse acontecido, disse:
- Meu amor! Quanta saudade! Não agüentava mais ficar longe de você. Eu te amo mais que a qualquer outro.
No outro apartamento, mesmo sem conseguir ouvir, vi a mesma cena acontecendo, enquanto a abraçava forte e esperava um beijo, do mesmo jeito que fazíamos todos os dias. Em seguida, a tempestade caiu com força e a única coisa que ouvíamos era o barulho da chuva.
29 de janeiro de 2009
Por um jornalismo mais rock n' roll
23 de janeiro de 2009
22 de janeiro de 2009
Um toque de humor
Fuçando lá há alguns meses, descobri um belo artigo sobre a Universidade em que nós três estudávamos até dezembro passado. Bastante legal, contudo um trouxa entrou lá e detonou a bagacinha deixando absolutamente sem graça. Nessa semana, lembrei daquilo e voltei a olhar e um outro alguém, muito bem intencionado dessa vez, colocou as coisas em ordem.
Convido todos a darem uma olhada e também os calouros que nos
Boa leitura aqui.
12 de janeiro de 2009
A verdadeira Ilha da Fantasia
Sim, Florianópolis é uma cidade linda. Já mostramos aqui alguns detalhes dela em diversas fotos postadas por nós. Mas beleza não significa também perfeição. Como ocultar, por exemplo, o trânsito cada vez pior na cidade? Ou ainda, a proliferação de "favelas" - que em muitas grandes cidades brasileiras seriam chamadas de bairros de classe média - devido ao êxodo rural do interior do Estado?
Florianópolis nasceu para ser grande, sim. Contudo, o texto do NYT apenas mostra uma cidade pronta para receber gente com dinheiro, muito dinheiro. E isso resulta em quê? Bom, a resposta nos já sabemos, ela esteve nos olhos de todos em maio de 2007, com a operação Moeda Verde, da Polícia Federal.
Aliás, pensando bem... Não troco um chope com os amigos num barzinho qualquer por nenhum "ponto turístico" da reportagem.
6 de janeiro de 2009
29 de dezembro de 2008
Por um jornalismo mais rock n' roll
Django Reinhardt - Swing
Estamos no meio do porre das comemorações de final de ano...
Em breve, voltaremos com a programação normal.
Aguardem.
Novidades para 2009
23 de dezembro de 2008
22 de dezembro de 2008
18 de dezembro de 2008
9 de dezembro de 2008
8 de dezembro de 2008
4 de dezembro de 2008
Esporte, saúde e administração
Desde os seis anos de idade, José Roberto Barros pratica esportes. Só de judô, foram 20 anos, nos quais disputou diversos campeonatos, como jogos abertos em São Paulo, estado onde nasceu, e até uma seletiva para os jogos pan-americanos. Pouco depois de terminar o Ensino Médio, mudou-se para Florianópolis, onde cursou Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Catarina. Formou-se aos 22 anos.
Porém, a correria da vida de um recém-formado o fez deixar um pouco os esportes em segundo plano. Dos 22 aos 32 anos, praticamente deixou de fazer atividades físicas. Em vez de pesos de halteres, carregou consigo 20 quilos a mais de massa corporal.
- Fiquei relaxado durante esse tempo. Só voltei a fazer exercícios depois de um problema no nervo ciático, em 2001, quando os médicos me proibiram de praticar qualquer atividade física – conta ele que teve que esperar o fim do tratamento para voltar às atividades.
Depois do problema, fazer exercícios apenas pela prática já não importavam. Ele percebeu que era necessário diminuir seu peso. Até o esporte a ser praticado mudou. Do judô, José Roberto foi às ruas, ou melhor, às corridas de rua. Com planejamento, decidiu participar da tradicional Corrida de São Silvestre, em 2002. Entrou em uma rígida rotina de treinamentos, correu e terminou a prova, que tem cerca de 15 km de extensão.
O gosto pelas corridas e o bom resultado dos treinamentos no que tange à sua forma física o fizeram planejar caminhos mais longos. Aumentou o ritmo de treinamento e, em 2004, correu a primeira maratona. De lá para cá, já foram cinco. No mês de novembro passado, correu a Maratona de Nova Iorque e terminou na 5300ª colocação no geral. Contudo, pela sua idade, 37 anos, correu na categoria mais forte, a mesma do vencedor, o brasileiro Marílson dos Santos. Dentre os corredores brasileiros, ele foi o 36º.
Só nessas provas, ele já percorreu quase 211 km. Seu objetivo é correr o equivalente a uma volta na linha do Equador, cerca de 45 mil km, até os 55 anos de idade. Segundo suas contas, ainda faltam 30 mil.
Mas para conseguir todos esses objetivos é necessário muito planejamento. Principalmente pelo fato de o professor conciliar a vida de casado, a de mestre em sala de aula, a de palestrante e, a de estudante – terminou o doutorado em engenharia de produção há poucos anos – e a de atleta. Tudo ao mesmo tempo, quase sem descanso. Para correr a Maratona de Nova Iorque, foram 1700 km percorridos ao longo deste ano. Isso significa, três pares de tênis, cada um custando cerca de R$ 500, e que duram por volta de 500 km cada um. Além disso, no ano passado teve uma lesão no quadril, que custou, além dos treinamentos, um tratamento com médico e fisioterapia. Em suas contas, cada quilômetro de corrida custa R$ 3.
Todos esses cálculos e metas são levados por ele à sala de aula, na universidade e nas palestras que profere em colégios de ensino médio, junto ao programa Unisul.Futuro, que o auxiliou com a parte de alimentação na corrida em Nova Iorque. Em seu computador, cada um dos treinamentos está guardado, com números que mostram desde a distância percorrida em cada dia até o gasto calórico e batimentos cardíacos em cada trecho.
Na Unisul Business School, José Roberto leciona a disciplina de Educação ao Ar-Livre. Nela, ele mostra aos alunos que o planejamento necessário para as atividades que propõe – como provas de mountain bike, por exemplo – não difere em quase nada do mesmo planejamento necessário para se gerenciar uma empresa. Segundo o professor, nessas atividades, os acadêmicos desenvolvem habilidades de relacionamento e gerenciamento que são fundamentais para o bom funcionamento de uma empresa.
O mesmo ocorre nas palestras da Unisul.Futuro. No programa direcionado a jovens em período de prestar o vestibular, José Roberto desmistifica a dificuldade da aprovação.
- Com a minha experiência nessas maratonas mostro que o difícil não é passar no vestibular. O problema é planejar como serão os estudos ao longo do ano e a preparação. Isso é o que difere aqueles que serão aprovados dos que não serão – avalia José Roberto.
2 de dezembro de 2008
1 de dezembro de 2008
O encontro das águas
Há dias, o sol insistia em não aparecer. A chuva já havia umedecido todos os grãos de areia e os saleiros pareciam potes de água salobra. Com um tempo desses, ela não era a única a saber que a combinação perfeita seria um livro e um cobertor em frente à lareira. A maior parte de seus amigos com certeza estava a fazer o mesmo. E ela não resistiu. Chegou à estante e, apenas na sorte, tirou um livro qualquer.
Shakespeare, Romeu e Julieta. Um clássico. E por que não? Eram as palavras do mestre do século 17 que haveriam de embalar a tarde de tempo fechado. Diferente dos últimos dias, nesse, ainda não chovera. Apenas o frio persistia. Preparou um chá de limão e deitou envolta com as cobertas pesadas.
A história triste do casal mais famoso da literatura, naquele dia, a comoveu. Enfim, a chuva chegara. Não era forte, apenas uma garoa. Nem vento havia. Em meio ao enredo do livro, ela não conteve as lágrimas e uma delas caiu no mesmo instante em que uma gota de chuva bateu e grudou na vidraça.
Seriam apenas duas gotas: uma lágrima e uma de chuva. Água doce e salgada, separadas pela janela de vidro. Assim como o jovem Montecchio jamais poderia ficar junto à bela senhorita Capuleto, como a água e o óleo, as duas gotas permaneciam inertes em seus lugares.
Ela percebeu as duas gotas. Em sua mente imaginou um amor à primeira vista entre aquelas duas pequenas porções líqüidas. Poderia uma lágrima se apaixonar por uma gota de chuva? Ela observou as duas, atentamente. A janela, não poderia abrir, pois a gota de chuva se moveria e talvez sumisse. Mas ela podia controlar o criado-mudo, onde a lágrima ainda persistia sem evaporar.
Incrivelmente, a cada movimento que levava a lágrima mais próxima da janela, a gota de chuva também se movia. “Querem se encontrar”, pensou ela. Ao contrário do usual, ao se moverem, nem a lágrima e nem a gota d’água deixavam qualquer rastro nos centímetros que percorriam. Ela começou a achar que a brincadeira de outrora tinha se tornado algo sério.
Então, podem ter se apaixonado. Mas como aproximar a lágrima da chuva? Sim, numerosas canções e poemas já o fizeram. Entretanto, fisicamente a tarefa parecia impossível. Ela pensou bastante, mas não chegava a uma saída. Recolher as duas e colocar num mesmo recipiente poderia ser fatal para uma. E se a lágrima caísse no tapete ou a gota de chuva rolasse de vez pela janela? Queriam se unir, mas parecia impossível.
A distância entre a janela e o móvel tinha cerca de um metro. Além disso, o vidro impedia o contato com a gota d’água. Da mesma forma, o móvel de madeira poderia, em alguns segundos, absorver aquela lágrima, que insistia em permanecer sobre ele.
Ela arriscou. Lentamente, abriu a pesada janela de madeira. Cada milímetro erguido poderia ser fatal para aquela gotinha de chuva. Ela nunca abrira aquela vidraça com tanto cuidado. Em sua mente, os dois fragmentos líqüidos queriam realmente se encontrar. Romeu e Julieta tomaram conta de seus neurônios que, naquele momento, só queriam ajudar a que este possível “casal” se unisse.
A janela estava aberta, contudo ainda não era possível unir as gotas. Ela desistiu. Mas a brisa fria que entrava pela janela lhe era agradável. Resolveu deixá-la aberta. Deitou. Retomou a leitura. Caiu em si e percebeu que a brincadeira havia se tornado séria demais. Teria enlouquecido? Talvez não. Provavelmente, a magia das letras a hipnotizou por aqueles instantes. Esqueceu tudo e retomou sua vida. Os dias passariam e ela jamais lembraria daquele dia novamente.
Porém, ao seu lado, a física resolvia as coisas. Incrivelmente, as duas gotas começaram a evaporar ao mesmo tempo. Cada uma das moléculas, de uma gota e da outra, se misturavam lentamente com o ar. Se não era possível se encontrarem na “vida”, que assim seja na sua “morte”. Romeu e Julieta estavam juntos no éter. Ela só se deu conta quando terminou a última página do livro.
30 de novembro de 2008
Duas simples observações que podemos fazer em qualquer trajeto na cidade nos permitem perceber quão os hábitos urbanos tornam-se cada vez mais fechados. A primeira: a grande quantidade de automóveis que circula nas ruas com apenas uma pessoa em seu interior. Com o medo ocasionado pela violência, dar carona tem se tornado um fato pouco freqüente. A possibilidade de financiamentos e o transporte público que não corresponde às necessidades do dia-a-dia favorecem a proliferação de veículos particulares nas vias. O segundo hábito que podemos facilmente constatar tem relação com o número de pessoas que andam pelas ruas usando fones de ouvido, com a atenção voltada à música alta, bloqueando a percepção do que acontece ao redor. Essas duas observações remetem à individualização dos costumes sociais, fazendo com que o espaço urbano seja um lugar de convívio sem interação entre os seres.
Analisar o individualismo como propulsor do desencadeamento de sintomas psicológicos no comportamento humano consiste em uma relação perfeitamente possível na visão de psicólogos, antropólogos e sociólogos. A compulsão, por exemplo, pode estar ligada ao descontrole dos impulsos de compras, de alimentação, de diversão e de sexo. A sociedade em que estamos inseridos suscita atitudes dessa natureza, mas a professora e psicóloga Maria do Rosário Stotz lembra: “Freud já estudava isso no início do século passado. O sintoma não é novidade”. Em meados de 1900, portanto, a compulsão já existia. As mudanças constatadas por estudiosos e especialistas estão apenas na freqüência e no tipo de ação que desencadeiam a compulsividade. “Hoje, existe uma alteração lógica do tempo, tudo é mais rápido imaginariamente”, explica Maria ao falar sobre as condições da atualidade que propiciam o diagnóstico.
É fundamental o esclarecimento das diferenças entre o significado de compulsão para o senso comum e a compulsividade como patologia psicológica. O termo “compulsivo” é usualmente atribuído a pessoas que, por exemplo, abusam nas compras ou no consumo de alimentos, sem chegarem a condições extremas destes atos. Na interpretação da psicologia, porém, a compulsão consiste em uma doença. Neste caso, a intensidade e a causa são um pouco diferentes.
A compulsão trata-se de uma alteração da vontade - considerada uma função psíquica natural do ser humano. De acordo com Maria do Rosário, são quatro os estágios por que passa toda ação: primeiro, temos um desejo, uma intenção ou um propósito; depois, decidimos por satisfazê-lo ou não, ou seja, passamos pela etapa da deliberação com uma ponderação consciente dos motivos e conseqüências; a penúltima etapa é a da decisão; por fim, temos a execução, quando surgem as atitudes necessárias à consumação dos propósitos. Ao contrário do impulsivo, que pula as etapas de deliberação e decisão, um compulsivo passa por todas elas. O fato é que, na terceira etapa, o indivíduo com o sintoma da compulsão decide por não executar o ato e, ainda assim, não consegue responder à sua decisão e faz o que incoscientemente deseja.
A repetição e a freqüência de atos mentais ou de ações propriamente ditas caracterizam a doença. “A compulsão é um sintoma e o sintoma sempre serve para manter o organismo em equilíbrio, aliviando uma tensão psíquica e perseverando o comportamento”, detalha Rosário. Geralmente, o compulsivo evita falar sobre a doença e não gosta de demonstrar as atitudes em público.
Enquanto caminha, a garota precisa parar sucessivamente para encostar suas mãos nos lugares e objetos por que passa. Outra necessidade é a de pisar sempre no centro de cerâmicas ou lajotas no chão, sem atingir as linhas. Um rapaz verifica várias vezes se trancou a porta do carro, se tudo do que precisa está na mochila, se desligou o ferro. Não consegue manter a calma quando não repete a ação, no mínimo, cinco vezes em um curto espaço de tempo. Isso os perturba, apesar do breve alívio decorrente da ação necessária. A psicóloga Mara Regina de Souza conta que o compulsivo se exclui e individualiza seus atos. Para ela, a doença hoje em dia é mais freqüente e isso é resultado do modo de viver contemporâneo. “Vivemos em uma sociedade que cultua o consumo, em que tudo é rápido. As pessoas querem acompanhar isso e muitas vezes não podem”, detalha Mara.
Na visão da antropologia e da sociologia, a crítica aos hábitos urbanos atuais não diverge deste argumento. A professora Sônia Maluf, antropóloga e pesquisadora da área de saúde mental e cultura contemporânea, aponta a perda dos espaços de sociabilidade como a principal causa de manifestações comportamentais como a compulsividade. “O que se percebe é que vivemos uma cultura de excessos, consumo, informação. O regime capitalista cria dispositivos de dissociabilização”, comenta Sônia.
A antropóloga utiliza o exemplo dos shoppings para ilustrar sua fala, lembrando que antigamente o costume de encontros e conversas nas praças das cidades era uma tradição social. Hoje, a praça tem vitrines, é cercada pelo consumo e quem circula por ela não interage com nada além dos produtos à venda. Isso gera uma incompletude no ser e, conseqüentemente, uma necessidade de compensação que ele muitas vezes encontra em atos como a compulsão. A diferença do que propõe a psicologia, no entanto, está no fato de que a antropologia compreende a enfermidade como um fenômeno resultante de uma manifestação conjunta; ou seja, a compulsão não é entendida como algo individualizado e patológico, mas sim como um acontecimento ligado ao esvaziamento coletivo, uma conseqüência da angústia social.
A sociologia também critica a sociedade contemporânea. Felipe Jovani, professor e sociólogo, cita a mídia como motivadora da reversão comportamental do ser humano. “As pessoas são muitas vezes compelidas a serem compulsivas devido a incessantes propagandas televisivas dirigidas ao consumo”, exemplifica. Felipe compara o grande volume de novidades e atualizações tecnológicas constantes ao estímulo inconsciente ao consumo provocado nas pessoas.
Em comum aos diferentes pontos de vista está a existência da angústia de alguém acometido pela compulsão. Quando uma pessoa passa a causar sofrimento a si e aos indivíduos que com ela convivem, a melhor indicação é a procura de ajuda com tratamentos psicológicos ou alternativos. Vale lembrar que a sociedade não é a única culpada por este tipo de comportamento, mas pode ser um fator que contribui com o incentivo a determinados hábitos que afastam socialmente os seres humanos.
28 de novembro de 2008
Somos problemas sociais
O motivo: não somos jornalistas! Não importa termos terminado todas as matérias do curso e só aguardar pela colação que ocorrerá no fim de março. O problema está na burocracia da lei trabalhista. Mesmo que arrumemos vagas de trabalho, sem o registro profissional não seremos contratados.
E o que nos falta para fazer o registro? Precisamos do certificado de colação de grau, que nos será entregue no dia da formatura. Sem isso, não é possível dar entrada no pedido, que deve ser feito na Delegacia Regional do Trabalho.
Antes disso, como diz Alessandra, colega de estágio minha e do Pedro e que está na quarta fase do curso, somos "problemas sociais".
27 de novembro de 2008
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Sem título que caiba
Tensão. Nó na garganta. O corpo não responde às tentativas de sôssego. O tempo passa rápido, aumenta o compasso; o coração inventa de acompanhá-lo e acelera. São quatro meses revertidos em 15 minutos. Ou melhor, mais do que isso: são quatro anos revertidos em 15 minutos. Não, é ainda mais: 21 anos em 15 minutos. Talvez seja por esse motivo que, no ato, os ponteiros parecem não cumprir com sua tarefa de percorrer um quarto do círculo no pulso. As palavras saem descontroladamente, ora tropeçando em gagueiras, ora escorregando em esquecimentos breves. Por fim, os aplausos. Missão cumprida será? Chegam os comentários, as sugestões, alguns elogios, as provocações. Mais uma vez, o tempo faz suas trapaças. A espera é agoniante. Os minutos se desdobram.
É 10.
Opa, tem matemática aqui? 21 anos divididos em (4 vezes 12 meses); subtrai-se (4 vezes 30 dias) e tudo isso equivale a 15 vezes 60 segundos. Acabou? Não. E não há matemática que dê ou faça conta da infinitude. A camisa de jornalista vinha sendo tecida durante o cálculo passado para ter como resultado o vestir para caminhar por ora, sabe-se lá para que onde. Por isso, aspirações continuam. O aprender vem com o sempre.
Aspirantes a jornalistas hoje, amanhã e depois. Agora, nota 10!
Sim, nós três fomos premiados com nota 10 nas apresentações de nossas monografias, ocorridas durante esta semana. Por termos obtido nota final superior a 9, nossos trabalhos estarão disponíveis em breve para download na página da biblioteca da Unisul. Informaremos a respeito também.
Os temas apresentados foram:
Arielli: Jornalismo com humor: análise discursiva da versão brasileira do programa televisivo Custe o Que Custar
orientação: Ms. Helena Santos Neto
Pedro: A cobertura do Diário Catarinense sobre a Revolta da Catraca em 2005
orientação: Ms. Marta Scherer
Samuel: Podcast: acontecimento discursivo?
orientação: Ms. Helena Santos Neto
Antes que eu me esqueça, parabéns também a todos os nossos colegas de curso, cujas notas, segundo soubemos até este momento, são muito expressivas também.
23 de novembro de 2008
22 de novembro de 2008
19 de novembro de 2008
Uma palestra "muito bonitinha"
Às 19h05 descemos do carro depois de muito contar com a sorte para conseguirmos uma vaga próxima à Assembléia. Dentro, as cadeiras vagas não passavam de três dezenas. A penúltima fila não é de todo mal quando você encontra a quantidade ideal de cadeiras para sentar junto aos amigos.
Sem ar condicionado ou ventilação, o clima abafado do auditório não foi obstáculo durante as duas horas de palestra. Marcelo Tas falou sobre tecnologia utilizando situações da própria vida como exemplo. Lá estava, na parede, o garoto que entrou na faculdade de engenharia e acabou contemplado por uma bolsa de jornalismo nos Estados Unidos. Foi na New York University que descobriu o computador ao entrar num andar do prédio da universidade onde nunca havia estado. Assim, teve início a paixão pelas novas possibilidades de comunicação.
Todo conhecimento e toda experiência do âncora central do CQC foram driblados pelo aparelho que comandava a apresentação no computador. "A gente tá sempre aprendendo a mexer!", justificou Tas quando trocou muito rápido as projeções e se atrapalhou ao usar a ferramenta.
Um momento bacana foi a pergunta que instigou a platéia: "Que invenção mais acelerou o conhecimento humano?". Dentre as alternativas, estavam a roda, a eletricidade, o livro, os números e o computador. A única resposta capaz de derrubar a pegadinha da questão foi justamente a que ninguém ousou falar. Tas recordou o episódio do surgimento da imprensa e ressaltou a importância dos livros para a difusão do conhecimento. O detalhe é que as primeiras impressões não tinham páginas numeradas e somente mais tarde, com números, pessoas em diferentes lugares tiveram a possibilidade de estar em lugares diferentes olhando para o mesmo lugar, ou "a mesma tela", nas palavras do palestrante.
De uma forma muito simples, o homem multimídia explicou a invenção do PCM (Pulse Code-Modulation) pelo inglês Alec Reeves, em 1938, e brincou: "ele foi o cara que inventou a pirataria!". Isso porque o PCM é uma atribuição numérica à ondas sonoras, uma espécie de decodificação, que permite a troca e a cópia de arquivos sem perda de informações, tanto em aparelhos eletrônicos como na rede mundial de computadores.
O último conselho de Marcelo Tas foi o "tempo presente". Ele ressaltou que vivemos sempre ansiosos com o que está por vir ou angustiados com o que já foi, esquecendo-nos de que a única ação possível é no agora. Finda a palestra e prontos para seguir o que nos foi aconselhado, os Aspirantes foram em busca de seus objetivos a fim de trocar idéias com o careca mais brilhante e simpático do Brasil.
No primeiro contato, interceptado por seguranças, conseguimos entregar a ele um papel com o endereço deste humilde blog. Depois, já no espaço externo da Assembléia, os quatro meses transformados em 50 páginas da minha monografia (cujo tema contempla o CQC) foram entregues ao Tas enquanto ele entrava no carro num ato encorajado por meu amigo Pedro. Não vou dizer que minha pesquisa está digna de elogios, afinal o tempo é muito curto. Mas...digamos que um dos caras que mais admiro no meio jornalístico está com um texto "bem feitinho" em mãos, apesar do improviso da impressão e dos rabiscos entre as palavras.
Loucura, custe o que custar.
"Beijo, me liga" pra Mari, que esteve com os Aspirantes no evento!
Post saindo do forno...calma aí!
17 de novembro de 2008
Os trutas do DC
Se não me engano, foi Antônio Conselheiro, lider do grupo de pessoas que participaram do movimento que culminou na Revolta de Canudos, quem previu que o Sertão virará mar.
Bom, se é verdade, eu não sei. Mas se depender do que ocorreu no município de Urubici, no PLANALTO Oeste de Santa Catarina, os moradores daquela região tão devastada pelas secas constantes podem ficar esperançosos.
Como podemos ver nessa imagem, publicada na manhã de hoje pelo Diário Catarinense, os moradores de Urubici trocaram as varas de pesca e as minhocas para pegar trutas nos rios da região pelas tarrafas e barcos de pesca de tainhas.
Não entendeu? Clique na imagem acima e leia na seqüência: manchete --> foto --> legenda.
14 de novembro de 2008
Vasculhou o chão à procura das pantufas de urso - presente do irmão - mas só via tênis e meias sujas. Olhou embaixo da cama, por alguma razão elas sempre paravam ali. Passava pouco das oito, sua cabeça ainda doía um pouco. Foi até a cozinha, as garrafas ainda estavam sobre a pia, cinco copos sujos, cinzeiro transbordando. No balcão potinhos com restos amendoins, castanha, batatas fritas prontas, toalha esfarelada. Merda - pensou - bem que aqueles putos podiam ter limpado alguma coisa. Abriu a sala, o dia combinava com algo descontraído. Foi até o som e deu play no disco da Orquestra Imperial.
13 de novembro de 2008
Por um jornalismo mais rock n' roll
Jimi Hendrix - The Wind Cries Mary
Uma pequena homenagem deste singelo blog ao baterista Mitch Mitchell, que morreu ontem, em Portland, nos Estados Unidos, aos 61 anos. Ao lado de Jimi Hendrix e Noel Redding, Mitchell fez parte daquele que, na minha opinião, foi o maior power trio da história do rock, o Jimi Hendrix Experience.
12 de novembro de 2008
Esse ano muitos - e eu certamente estou nesse grupo - ainda tinham um pé atrás, e confesso, os campeonatos anteriores não ajudavam muito. Porém, como todos na ilha sabem, o avaí "fax côsa". Montou um grupo que proporcionou momentos mágicos à torcida, de gol de goleiro à bicicleta perfeita; passando pelo passe para trás que é difícil de entender mesmo vendo duas vezes.
Tomara que em 2009 o clássico não aconteça somente no catarinense. Onze de novembro, noite que Florianópolis adormeceu sob o manto azul e branco.
9 de novembro de 2008
Acordou pouco depois das duas da tarde. O pequeno apartamento tinha as janelas abertas, sobre a mesa da sala/cozinha livros, caneco sujo de café, cinzeiro, maço de gauloises, mais livros; uma blusa e a bolsa xadrez penduraras nas cadeiras. Levantou do sofá-cama lentamente, foi até o balcão que dividia sala e cozinha, pegou a moka usada. Trocou o pó, colocou água e pôs no fogo. No som de três cds bajofondo, meganoidi e jorge ben. Deu play no segundo. As olheiras não incomodavam mais, de qualquer forma foi até o banheiro e lavou o rosto. Olhou-se no espelho, o cabelo solto com corte repicado, 12mm nas orelhas, a faixa tatuada no ombro. Sentou no balcão, tomou o café, comeu bolo de cenoura. Enquanto comia foi até a sacada, olhou o bairro, tinha saudades de sua terra, sua família, porém não queria voltar; sentia-se bem onde morava.
7 de novembro de 2008
Por um jornalismo mais rock n' roll
The Pixies - Is she weird (acústico)
Atrasou um pouco, mas tá aí a dica musical quase alternativa do final de semana.
5 de novembro de 2008
Do sentido das seis [da tarde]
[quando temos sentido para percebê-los, claro - seja lá qual for o sentido de sentido aqui escolhido].
O uníssono dos saltos faz música com as calçadas das seis da tarde. É chegada a hora de encerrar mais um dia e dar-se conta de que vem por aí um amanhã. E um depois, e depois, e depois, sem cessar, sem saber o que vem sabendo a que vem. Daqui parte a inspiração; do fechar os olhos para acordar no diferente, ainda que num pouco de mesmo.
Grandes micos que pagamos
não sei porque
bate feliz
quando te vê"
Sim, eu cantei isso, junto com toda a minha turma da terceira série do primário, em frente ao resto do colégio. Detalhe: eu estudava no Instituto Estadual de Educação. Ainda hoje é a maior escola pública da América Latina.
A única "vantagem" disso é que lá, os alunos do primário ficam separados dos alunos do ginásio e 2º grau.
Lembrei disso ontem e resolvi postar aqui.
Você já passou por um grande mico também? Conte-nos aí nos comentários.
4 de novembro de 2008
31 de outubro de 2008
Por um jornalismo mais rock n' roll
The 5.6.7.8 s - I Walk Like Jayne Mansfield
Para quem não lembra, faz parte da trilha do filme Kill Bill vol. 1.
p.s.: ainda me caso com uma japa baterista!
30 de outubro de 2008
Elas estavam na mesa de fora, logo vi. De dentro do tabalho já as percebia, o café foi por acaso, só para sair mesmo. Caminhei devagar até o bar, uma usava óculos, a outra tinha o cabelo curto, bem com cara de argentina. Ambas com alargadores maiores que o meu, deveria ter uns 20mm. A argentina calçava um tênis sem cadarço, estilo slip-on, mas o da Rainha, azul escuro. A outra uma sapatilha engraçada, verde-escura. Sobre a mesa uns cadernos de desenho, canetas variadas.
28 de outubro de 2008
Um, dois...Um, dois, três, vai!
Por volta das 21 horas de sexta-feira (24), o primeiro acorde balançou as janelas das casas do bairro Pedra Branca, em Palhoça. Era o início de mais uma edição do Garagem. O festival de bandas da Unisul reuniu nove bandas ao longo de duas horas e teve de tudo: de punk rock ao reggae, além de cantos africanos.
A primeira banda a subir ao palco foi Tapa na Colméia. Tocando com a atual formação desde a segunda metade do ano passado, o grupo que inclui integrantes vindos de Imbituba e de Florianópolis. O punk do grupo já foi visto em outros palcos da Grande Florianópolis. No Garagem, a banda liderada pelo vocalista Gene Rocker chegou também para lançar o seu primeiro cd, intitulado “De volta para o passado”.
A banda Ehoe, que começou a tocar no início deste ano, estreou no Garagem. O sonho deles é o mesmo de todos os outros que subiram ao palco naquela sexta: poder viver de música. Em seguida, o grupo Árvore Sagrada, que acabou sendo a surpresa da noite. Com um som completamente diverso do que se esperaria em um festival de bandas universitárias. Cantos africanos de paz, contrapuseram os acordes pesados do rock n’roll.
“Estamos muito felizes em participar, em transmitir nossa mensagem. Se formos premiados nossa alegria será maior ainda”, disse Sarah Gomes acadêmica 8ª fase de Naturologia. Mal sabia ela que o grupo ficaria com o segundo lugar do festival.
Logo depois, vieram os já nem tão adolescentes da Caravan 87. A banda formada por sete integrantes tem apenas uma mulher, a vocalista e estudante de jornalismo Arielli Secco. A banda, na qual tocam os dois irmãos de Arielli, diz viver um novo momento agora. Seus objetivos são “escrever, reescrever e reunir composições para iniciarmos uma divulgação do nosso trabalho na internet e tocarmos o que gostamos de tocar”, conta a vocalista.
Os Quantos também estrearam no Garagem. A banda de Palhoça está a apenas três meses ensaiando. Dizem que, quando começaram, não sabiam do festival da Unisul. O músico Luiz Guilherme conta que o mote da banda “é levar uma mensagem de paz através de suas letras”.
A última participação feminina veio com a banda ZIG, da vocalista Daliane Lebage. Eles já tocam juntos há cerca de um ano e dois meses, mas o show no festival foi apenas a terceira apresentação do grupo de São José, que tem influências de pop rock nacional e internacional.
Então, o reggae tomou conta do palco. A banda Livre Consciência, que ficou em terceiro lugar, nas palavras do vocalista, Piero Diogo, acredita que “o que vale é a musica. Ela existe para somar e não para dividir”. Eles já são veteranos. A banda toca junta há três anos.
Os últimos acordes punks chegaram com a banda Stallones, de São José. Em seguida, a banda Não Contém Glúten fechou o festival, lá pelas 23 horas. Os músicos acabaram levando o título de melhor banda. Eles só tocam músicas autorais, mas ainda não gravaram seu primeiro álbum. Atualmente, divulgam seu trabalho pela internet, no site www.naocontemgluten.palcomp3.com.br.
“Queremos gravar um cd e estamos na busca desse objetivo, com poucos recursos e pouca idade, mas cheios de vontade de revolucionar o mundo. Por isso roupas estranhas, musicas próprias, e tudo mais que for diferente ou até, estranho”, revela o vocalista Ted Pepito.
Este ano, o Garagem não foi só das bandas. No lado direito do palco, o artista Rodrigo Guerra desenhava um painel especial para o festival. Natural de Porto Alegre, vive em Florianópolis há 14 anos e inspira sua arte na “rua, no urbano, na arquitetura”.
O público também foi protagonista da festa. Ainda que reduzido, devido principalmente ao mau tempo, garantiu a animação. Os fãs da banda Os Quantos ainda levaram para casa o prêmio de 300 reais, escolhidos como melhor torcida. As bandas que ficaram com os três primeiros lugares ganharam prêmios de 900, 700 e 500 reais, respectivamente.
Colaborou na reportagem: Alessandra Oliveira, 4ª fase de jornalismo.
Na foto, os integrantes da banda vencedora.
27 de outubro de 2008
24 de outubro de 2008
23 de outubro de 2008
18 de outubro de 2008
10 de outubro de 2008
Podcast Aspirantes #2
Releve-se se falei demais. A banda é muito boa.
Acabando a monografia faço um intensivo de movie maker.
7 de outubro de 2008
Por um jornalismo mais rock n' roll
Lennon ao vivo, tocando música do famoso álbum branco dos Beatles. Uma bela canção.
John Lennon - Yer Blues
6 de outubro de 2008
Maldito cursor
Ele me encara. Pisca de maneira irritante. Escrevo apenas para não ver mais esta pequena coisa que pensa que é gente. Quando as letras saem do teclado para a tela, ele cessa a espera. É como uma criança que fica alegre por receber um presente. Eu o vejo assim.
Queria conversar com ele. Perguntaria se algum dia já se irritou por me ver ficar horas olhando para ele, sem ganhar uma letrinha sequer. Nem mesmo um símbolo, como um ponto ou um travessão. Diria que ele me faz muito mal. Não é sempre que há inspiração. E quando há, palavras talvez não sejam a melhor maneira de expressá-la.
Sim, meu colega de trabalho, é preciso que alguém lhe ensine isso logo. Nem todo sentimento pode ser descrito. Ao menos, não com palavras. Você não se cansa de ficar piscando o dia todo? Em seu lugar, mudava de postura ou de profissão. Ficar o dia inteiro na tela dos outros, piscando e piscando e piscando... Quem pensa que é? O computador é meu, a tela é minha. Sabe que você invade minha privacidade ao piscar e piscar...
Mais que isso. Você desafia meus sentimentos, minhas dores. Faz-me sofrer mais. Não sabia ainda? Oras, realmente, como você é mesquinho… e cínico!
Ainda entro nesta tela. Eu o desafiarei. Por que não expressa, você, seus sentimentos?
Ah, sim. Como sou tolo. Você não sente. Apenas aguarda. A próxima letra, por favor.
Fecharei a janela agora. Desculpe se fui grosso. Nos vemos mais tarde. Com um texto melhor. Ou não.
5 de outubro de 2008
3 de outubro de 2008
Bom lembrar, já que não vi a rede globo noticiando isso. Tirado do fenaj.org.br
Mais de 70% da população brasileira quer jornalista com diploma
Os dados foram muito comemorados pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e pelos Sindicatos de Jornalistas. Para o presidente da Federação, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional. "Esses números da pesquisa mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados".
A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, com dois mil questionários aplicados em cinco regiões brasileiras e 24 estados, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho – PPT. A margem de erro é de mais ou menos 3%.

