15 de maio de 2008

Aventura na Amazônia...até o Pico da Neblina

Era noite na casa de Marcel Henrique Tonel Soares. Em volta da mesa, toda a família, menos o próprio Marcel, discutia sobre a nova aventura que ele havia divulgado dias antes.

- Você viu o que o Marcel inventou agora? Vai para o Pico da Neblina – disse a mãe.

- Duvido! Logo ele desiste disso – retrucou a namorada do irmão.

De repente, o irmão de Marcel, que havia saído por alguns instantes, volta ao local onde ocorria o debate.

- Se ele disse que vai, é porque vai – encerra o irmão.

Desde a adolescência, Marcel se aventura pelas estradas e trilhas de Santa Catarina, participando de viagens de bicicleta e corridas de aventura. Três das viagens em duas rodas tiveram percursos com média de 300 quilômetros de distância. A mais longa delas foi de Florianópolis até o Morro dos Conventos, em Araranguá.

- Nas primeiras vezes que eu ia com amigos até a praia da Barra da Lagoa, achava a distância imensa, parecia que não acabava mais. Hoje em dia, consigo fazer isso normalmente – revela Marcel, que sempre ouvia da família que encarar seis dias em uma viagem como essa era “um programa de índio”.

Para ele, essas viagens de bicicleta e as corridas de aventura mostram o mundo de maneira diferente de uma viagem de carro, por exemplo. O fato de que as paisagens e objetos passam pelos olhos mais devagar ajuda a apreciar a beleza nos pequenos detalhes que a velocidade do carro esconde em uma mancha praticamente monocromática.

Depois de um ano de planejamento, no verão de 2006/2007, Marcel e mais alguns amigos saíram de Florianópolis, de carro, em direção ao sul extremo da América, na cidade de Ushuaia, na Argentina. Essa foi a primeira grande viagem dele. Foram 30 dias e mais de 15 mil quilômetros rodados pelas estradas do Brasil, Argentina e Chile.

Sua aventura maior, porém, só teve início em uma conversa com seus colegas de ciclismo. Em novembro passado, a idéia de ir ao Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, com 2.994 metros de altitude, localizado no Norte do Amazonas, no meio da floresta, surgiu ainda de modo descontraído, sem nenhuma pretensão maior. Todavia, Marcel levou o intento a sério. Seria a primeira vez que ele faria uma aventura assim. Em meados de março, Marcel e mais três amigos desembarcavam no Amazonas dispostos a alcançar o cume do morro.

A preparação para a aventura se deu ao longo de um mês. Pelo menos três vezes por semana, ele corria de sete a 10 quilômetros. Uma subida ao cume do Morro do Cambirela, em Palhoça, também foi realizada. Nesse momento, Marcel, aluno da oitava fase do curso de Engenharia de Produção, usou dos conhecimentos sobre planejamento, aprendidos em sala de aula, para programar como seria a expedição que o levaria ao ponto mais alto do país.

- Foi com a subida ao Cambirela que pude prever muitas das dificuldades que enfrentaríamos lá no Amazonas. Se não fossem as aulas de planejamento, provavelmente teríamos grandes problemas – acredita Marcel.

Na bagagem, roupas de frio, redes e sacos para dormir e a comida. “Foram 10 dias passando, basicamente, a arroz, feijão e macarrão”, lembra Marcel. Havia um peso médio de 8 quilos em cada uma das mochilas. Ele conta que todo o material básico para a sobrevivência do grupo estava com os guias, contratados no local.

- O mínimo de conforto que tínhamos, carregávamos conosco.

Da selva, o maior medo de Marcel não eram os grandes animais, mas sim as aranhas. Isso porque, apesar de pequenas e, muitas vezes, quase invisíveis, elas têm um veneno mais poderoso que o de muitas cobras. Assim, a maior parte das roupas utilizadas pelo grupo era bastante fechada, cobrindo boa parte do corpo.

O frio também era um problema. Mesmo estando em março, devido à altitude e à umidade excessiva do local, as temperaturas eram similares às de um inverno rigoroso em Florianópolis. Quando ainda estavam no acampamento base, no quinto dia de expedição, o grupo enfrentou uma noite com temperaturas em torno de 9ºC.

A aventura começou de barco. Durante dois dias o grupo subiu o rio que os levaria até a foz do rio Tucano, onde fica o início da trilha para chegar ao cume do Pico da Neblina. Depois, começou a caminhada de seis dias até o topo. A chuva era um dos maiores revezes enfrentados por Marcel e seus companheiros de viagem. Foi preciso, logo no início da trilha, conseguir uma autorização da Funai, para entrar na reserva indígena ianomâmi.

- Mesmo com a autorização, segundo os guias, havia a possibilidade de os índios impedirem a nossa subida.

Como se sabe, chuvas na Amazônia acontecem o tempo todo. Isso incomodava o grupo, pois, a cada temporal, tudo o que carregavam terminava molhado, inclusive o que estava guardado nas mochilas. Assim, além do aumento de peso, eles precisavam agüentar o fato de não terem mais uma única peça de roupa seca. Era necessário vestir roupas molhadas e esperar que elas secassem no corpo até que viesse a próxima chuva. Além disso, boa parte da trilha, que já era alagada naturalmente, ficava ainda mais complicada com o excesso de chuvas.

A trilha, apesar de não aparentar ser difícil, exigia cuidados. Logo no primeiro dia, os guias instruíram o grupo a não andar na frente deles, para que não se perdessem no meio da mata fechada, onde nem o GPS funcionava. Contudo, a recomendação só foi seguida nos dois primeiros dias. Logo Marcel e seus amigos já andavam à frente dos guias. Nesse momento receberam rádios e foram avisados a entrar em contato com os guias nos cruzamentos que encontrassem.

- Quando terminamos, os guias elogiaram nossa forma física, pois foi a primeira vez que não conseguiram acompanhar um grupo – argumenta Marcel, que credita o fato de ter conseguido ser mais rápido que seus guias às corridas de aventura das quais já participara.

Entretanto, a boa forma do grupo não poderia ser comparada a de alguns habitantes da região que Marcel encontrou. Havia garimpeiros que ficam lá durante seis meses do ano e o grupo cruzou com eles, durante a subida, carregando nas costas sacos de alimentos que pesavam em torno de 50 quilos. Além do peso, eles ainda andavam mais rápido que os incipientes aventureiros.

Durante a viagem, Marcel diz ter começado a avaliar questões da sua vida. “Quando se está lá, você pensa no que é importante”. No meio da mata, à noite, ouvindo os sons dos animais, em um estado que misturava medo e alegria, os problemas da vida cotidiana acabam ficando pelo caminho. Eram apenas seus amigos, a selva e o morro a subir. O cume foi alcançado no dia 28 de março, quando Marcel completou 29 anos de idade.

A experiência obtida no Norte do Amazonas trouxe o incentivo necessário para Marcel continuar suas aventuras. Agora, ele pretende ainda subir os 10 maiores picos do Brasil e conta com o patrocínio da empresa onde trabalha para isso acontecer.

10 de maio de 2008

Brasileirão 08

Começou nesse final de semana o campeonato brasileiro 2008. 20 times brigando para comemorar em dezembro um dos torneios mais disputados do mundo. Sim, do mundo, pois em que outro país temos no mínimo cinco ou seis clubes com chances reais de erguer o caneco?
Flamengo, apesar da ridícula derrota para o América, tem um belo time. Fluminense geralmente monta boas equipes, esse ano não foi diferente. São Paulo tem poucos mas competentes jogadores - ainda assim não leva o tri. Internacional, bem treinado, também tem chance. Campeão estadual, o Cruzeiro possui equipe equilibrada - até achei que poderia passar pelo Boca, mas o time portenho é realmente muito bom. E, finalmente, o Palmeiras, que pode muito bem repetir o que fez em 93 e 94, quando levou estadual e nacional. Equipe tem, além do melhor jogador do Brasil.
Agora é esperar as 39 rodadas e ver o que acontece. Em dezembro, se tudo correr como deve, escrevo a comemoração do penta.

9 de maio de 2008

Comunisul

Está no ar, desde o último dia 26 de abril, o blog Comunisul, um espaço para a publicação de produções acadêmicas de todos os alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, da Unisul. Vale a pena dar uma olhada para sentir o nível - em boa parte dos casos, bastante elevado - dos nossos colegas de faculdade.

O link também estará disponível na lista aí do lado "Nós Indicamos". Já que vocês não comentam aqui, ao menos o façam lá. A calourada, sobretudo, agradece.

Sobre comentários, ficou decidido, em reunião, que comentários que contenham propagandas para sites com vírus ou blogs sem o menor sentido - literalmente - serão sumariamente deletados. Entretanto, se você tiver um site com algum conteúdo que não seja de venda de camisetas, ou coisas do tipo, pode ficar à vontade em colocar seu link em nossos comentários. Se o negócio for bom, também pode terminar em "Nós Indicamos".

8 de maio de 2008

CQC

Faz tempo que não via um programa tão bom e divertido na tv. Não que nossa tv seja ruim, sempre tem uns malucos dispostos a falar merda em rede nacional. Todavia o CQC, que estreou na band há uns dois meses, é o que há de melhor hoje na programação nacional. Jornalismo sério, sim senhor, ou não é um absurdo perturbarem sepulturas alheias?
Comandados pelo rodado Marcelo Tas, seis repórteres intrépidos realizam todo tipo de pauta. Inclusive algumas onde quase apanham. Com muita irreverência, tratam assuntos sérios e não devem em nada para quaisquer outros telejornais. Sempre às segundas, 22h15min.

24 de abril de 2008

Para quem gosta de design, como eu, ótimo blog. Várias peças - e algumas tranqueiras - mostram que, até o que você nunca pensou que existisse, alguém fez. E o que você pensou que era idiota demais para se inventar, também.

22 de abril de 2008

Isabella, por Balzac

Desde que Balzac escreveu o clássico livro Ilusões Perdidas, até os dias de hoje, já se passaram quase 200 anos. De lá para cá, o jornalismo, até então incipiente, cresceu e cobriu grandes tragédias humanas. Na sua trajetória, estiveram duas guerras mundiais, uma guerra fria, revoluções socialistas, independência de vários países.

No Brasil, não foi diferente. Também passamos por monarquia, república, revoluções, ditadura. Tudo com os olhos quase sempre atentos da mídia. Nas últimas semanas, O caso da morte da menina Isabella Nardoni levou repórteres, fotógrafos e curiosos a fazerem vigília nos locais onde o casal suspeito de ter cometido o crime passaram.

Em entrevista, o professor de literatura José Miguel Wisnik trata do tema sob a ótica deste livro de Balzac, que mostra as relações entre jornalismo e literatura e de que forma esta e aquela estão intimamente ligadas ao discurso jornalístico.

Repórter: Por que a mídia se interessa tanto com este caso?

José Miguel Wisnik: Toda a imagem é um recorte da realidade, desta forma, se pensarmos na representação literária e no jornalismo, veremos que no primeiro caso, o contexto é dado pela própria história, enquanto que no jornalismo há uma ligação direta do discurso com a realidade. A reportagem nos dá a representação de algo que parece real, próximo.

Repórter: E por que as pessoas compram esse discurso com tanta facilidade?

José Miguel Wisnik: Balzac mostra em Ilusões Perdidas que, a partir da criação dos jornais, os jornalistas tomaram o lugar dos escritores, se tornando intérpretes diários do mundo. No mais, os dois estão muito próximos no sentido de que são baseados, de certa forma, na realidade. Só que o jornalismo acontece todos os dias, aumentando a verossimilhança no discurso, trazendo os leitores para perto do tema.

Repórter: E com relação ao fato de que a mídia pré-condenou e julgou o casal suspeito de cometer o crime, o que o senhor pensa a respeito?

José Miguel Wisnik: Analisando novamente sob a ótica de Balzac, basta lembrar que no mesmo livro há uma passagem em que o autor escreve que, para os jornalistas, “tudo que é provável é verdadeiro”. O jornal é uma máquina de montar e desmontar contextos. A partir do momento em que um fato sai de seu tempo “real”, e vai às páginas do jornal, há uma mudança drástica desse primeiro contexto a partir de pequenos recortes da realidade. Desta forma, fica mais fácil de mudar as idéias ao se transcrever uma fala, por exemplo.

Repórter: Portanto seria possível dizer que o jornalismo e a arte, de certa maneira, explicam todo esse interesse?

José Miguel Wisnik: Só nos sustentamos de ilusões. Os jornalistas também trabalham com ilusão, ficção. Tanto a arte quanto o jornalismo produzem versões que são recortes do mundo.



P.s.: Essa foi mais uma matéria da séria série Entrevistas que não fiz, matérias que inventei, produzida na aula de Redação. As falas de Wisnik são o mais próximo possível do real, baseado em um documentário que já assistimos 32165465170 vezes na faculdade e versa sobre a ética no jornalismo.

11 de abril de 2008

Cotidianas


7 de abril de 2008

a 7 de abril.

No dia do jornalista, uma crítica que pode soar como algo negativo, como uma súplica ou simplesmente as coisas como elas são.




Jornal-esmo

A caminho do meu mesmo destino de todos os dias, desviei meus passos para tomar um café. Os ponteiros do meu relógio acusavam um intervalo de cinco minutos que me possibilitaram tal ousadia. Eu mal sabia que tão pouco tempo seria mais do que o necessário. O meu dia inteiro estaria, a partir de então, sujeito a uma cadeia de devaneios inconformados.

Minha atenção centrou-se na banca de jornal do outro lado da rua enquanto eu ainda me permitia apreciar o perfume exalado da xícara; o café estava quente. Foi quando um mendigo entrou em cena. Sua condição não o tornava menos digno: sorridente, ele se propôs a ajudar um homem cujos papéis foram repentinamente levados pelo vento até a calçada próxima à banca. O cenário constituía-se, tudo de forma muito natural. O meu tempo teimava em não esperar e aproximava-se do limite.

O homem pobre pôs-se diante das capas dos jornais do dia. Estavam todos expostos na parede da banca, de forma a constituir uma diversidade dentro de uma mesmice. Salvo casos raros, as manchetes eram parecidas, as tragédias postas em letras desmedidas e a vida transformada em confusão. Logo me acometeu o pensamento o texto de um escritor que tenho como um de meus preferidos; por coincidência, levava-o em minha pasta para a aula a que assistiria dentro de alguns instantes. Diante do fortalecimento do jornalismo, Machado de Assis afirma essa prática sob uma perspectiva positiva no artigo O Jornal e o Livro. O autor escreve que o jornal é a liberdade, é o povo, é a consciência, é a esperança, é o trabalho, é a civilização.
Ora, de que maneira – perguntaram a mim os meus botões – uma vitrine de tristeza pode representar uma "reprodução diária do espírito do povo"? Por que um impresso dedica um espaço para descrever mortes e não faz o mesmo para noticiar nascimentos? É de se pensar. É o que me fez pensar.

Mas, voltando à cena da manhã ausente de brilho. O mendigo continuava parado, com o olhar fixo que pude perceber pela inclinação de sua cabeça, partilhando das informações de todas as capas ali dispostas. Imaginei-me, pois, na condição dele. O que moveria meu espírito ao perceber o mundo de forma tão negativa? Dizem estar estampada na entrada do prédio em que funciona o jornal New York Times (aquele dos colegas estadounidenses) a expressão
Bad News Good News. Quer dizer: más notícias são boas notícias. Isso explica a concepção difundida entre as redações espalhadas pelo mundo. É claro que não se podem negar as exceções, assim como não é preciso muito esforço para notar que o predomínio no cardápio de notícias de cada dia é de sangue, de ódio, de tragédias.

O sorriso do mendigo já não compunha sua expressão quando ele se voltou em minha direção. No balcão, o café já cumpria com sua função de afugentar meu sono e a xícara estava vazia. O relógio alertava para a escassez do tempo – os cinco minutos eram agora dez. Atravessei a rua. Reconheci verso de Vinicius: tristeza não tem fim, felicidade sim...
O assobio e o canto vinham do personagem dos dez minutos daquela minha manhã.
Arielli Secco

3 de abril de 2008

Era uma vez um jornal...

As portas do prédio sempre foram abertas a todos. Assim que se entrava, já era possível enxergar, ao fundo, uma sala imensa, cheia de máquinas de escrever nas mesas. Todavia, poucos as usavam ao mesmo tempo. Diriam, em um futuro próximo, que tanta tecnologia assim não deveria ser desperdiçada. Telefones tocavam incessantemente. O ritmo frenético e desordenado das campainhas formava uma desconexa orquestra.

Fumaça de cigarros, pilhas de copos de café, estojos com centenas de canetas e lápis, tudo isso brigava por espaço entre uma imensidão de folhas de papéis espalhados pelas mesas existentes na sala. Aparentemente, não havia a menor organização naquilo. Quem lia o jornal todos os dias jamais poderia imaginar que aquela balbúrdia era o embrião das páginas de diagramação reta e organizada, que iam às ruas todos os dias.

Nas ruas em torno do edifício, vários carros estavam sempre chegando e saindo. Pessoas saíam apressadas deles, corriam para as maquininhas de escrever e só saíam de lá horas depois. Entretanto, apesar da pressa, os homens e mulheres, aparentemente estressados, não hesitavam em cumprimentar quem quer que fosse pela rua.

Em frente ao prédio de arquitetura bucólica, havia um bar. Era lá que todos se reuniam. Diferente de outros profissionais, suas bebedeiras só começavam depois das 10 da noite. Nem todos gostavam daqueles caras, principalmente os poderosos daquela metrópole. Eles eram, todos, contestadores da realidade em que viviam. Não aceitavam que alguém com dinheiro pudesse destruir a vida de outro só por causa de sua classe social.

Só que esse dinheiro dos poderosos financiava a publicação do jornal. De início, as moedas de cobre vinham com singelos anúncios de produtos sem grande importância. A maioria, sequer dava para ser notado, pois vinham escondidos no meio de reportagens com belos textos, que prendiam os leitores até o último ponto final. Um dia, porém, alguém perguntou ao dono do jornal se ele venderia um espaço de meia página. Inicialmente, ele relutou, mas não conseguiu resistir à oferta. Pouco tempo depois, foi uma página inteira, duas, três... Certo dia, a publicação, que nunca havia saído com mais de 20 páginas, chegou a 60.

Pela falta de espaço nas páginas, os textos, que antes eram bem trabalhados, se transformaram em pequenas notas, sendo que a maioria delas era feita por telefone. Como não precisavam mais sair às ruas, as mesinhas começaram a se encher diariamente. O dono do jornal percebeu o fato de que não era mais necessário haver tantas pessoas na redação. A conta era simples: se uma pessoa era capaz de escrever uma matéria de 30 linhas sobre um mesmo assunto, estaria apta a fazer, sozinha, seis notas de cinco linhas.

E assim, as dezenas de mesas viraram uma dúzia. O prédio também deixou de ser necessário. Mudaram-se para uma sala, em um edifício comercial. Os vários carros foram vendidos. Só sobraram dois: um para fazer as poucas reportagens que ainda persistiam – quando faltavam anúncios – e outro para um profissional, que havia sido contratado para vender espaço publicitário.
Ao contrário do que possa parecer, o dono do jornal passou a ganhar mais dinheiro ainda. Deixou de ser apenas alguém que vivia bem e virou milionário. Os populares, que antes defendiam os repórteres, passaram a ignorá-los. Por outro lado, os poderosos chegavam a oferecer presentes constantemente.

Mas a vida continuou na Ilha da Magia Perdida...

2 de abril de 2008

crônica jornaleira

Qualquer um que vá a uma banca hoje em dia terá uma infinidade de jornais à disposição. Os de fora já vieram mais para cá. Hoje, quiçá pelo enfraquecimento enfrentado por tal meio, não são mais vistos – caso dos jornais do Rio, O Globo e Jornal do Brasil.

De qualquer forma, temos aqui opções deveras distintas: Os “tradicionais” são o Diário Catarinense e A Notícia. Este, até pouco tempo, era a única voz alternativa à RBS (conglomerado midiático que manda nos estados de SC e RS), era um bom jornal. Todavia, no último ano, as sucessivas investidas dos gaúchos surtiram efeito, e o periódico foi incorporado. No começo nada mudou, porém é natural que suaves mudanças aos poucos afetem sua linha editorial.

Com a maior tiragem do estado, o Diário cumpre seu papel de jornalão local. Sem muitas denúncias, uma reportagemzinha aqui, outra coluna ali. Até que serve para saber o que está acontecendo. Surgiu em 2006 o Notícias do Dia, primeiro jornal “popular” da cidade de Florianópolis. Sua aceitação foi boa, o preço de R$ 0,50 era chamativo e o DC sentiu o baque. Pouco tempo depois apareceu o Hora de Santa Catarina, concorrente lançado pela RBS que, além de custar a metade do Notícias, dava jogos de panelas. No viés do escracho vem o Diarinho, que publica tudo como comédia. As manchetes dispensam comentários: “esposa pega marido com outra na saída do fodódromo”. Impossível não falar no tradicionalíssimo O Estado. Seu fim, com mais de 80 anos, levou boa parte da graça de ler jornal em Florianópolis.
Em cidades grandes, como São Paulo, o cenário é diferente. Uma banca simples, na rua, oferece mais jornais do que se possa imaginar. Uma infinidade de títulos, cores, idiomas. É possível comprar a edição latina do Granma, por exemplo, ou o Corriere della Sera. Claro, os preços não são muito atrativos, mas sem dúvida é bom poder ler notícias do outro lado do mundo compradas na banca da Teodoro Sampaio.
Muitos acreditam que o jornal está fadado ao fracasso, que a internet irá derrubá-lo, etc. Sempre surgem comentários desse tipo, mas o cinema não acabou, o rádio não acabou, a televisão não acabou. Eles mudam, adaptam-se, acompanham a evolução das comunicações. O fato é que o bom e velho jornal está aí, na banca ao lado da sua casa, pronto para quem quiser vê-lo. Então. Que tal aproveitar que o texto acabou e dar uma olhada nas manchetes do dia?

30 de março de 2008

28 de março de 2008

-Caiu
-o que
-a bolinha
-que bolinha
-do meu piercing, do queixo - mostrando o furo
Ficamos a procurar no chão de cimento a bolinha prateada de um milímetro de espessura. Todos muito concentrados. Sou bom em encontrar coisas. Daqui a pouco ela vira e diz:
-O fretado!
-ahn?
Olho o ônibuis que há cinco segundos estava parado na nossa frente dando a ré, já saindo do estacionamento.
-Corre
Os ônibus que atrás iam buzinam, acendem luz alta. Tenho certeza que alcanço ele na corrida, o all-star faz força para não se desmanchar no meu pé. Ele pára. Entro, as sapatilhas rosas logo depois. Vamos para o último banco.
-Perder o piercing e o fretado era demais.

26 de março de 2008

Ilustrada


BsAs.

24 de março de 2008

Acordei com fome. Com muita fome, às cinco da matina. Não tinha muita coisa em casa, um resto de bolo, copos de leite. E agora, dormir de novo, sabendo que tenho que levantar em uma hora; ficar acordado fazendo nada. Não dá para ligar o som, acordaria os vizinhos. Não estou animado para ler, na verdade dormiria na quarta página do minha razão de viver. Acho que estou com sono, além da fome. Não importa, daqui a pouco o fretado passa. Com ou sem fome.

14 de março de 2008

12 de março de 2008

Já que falei da página do Nassif, um bom exemplo do que lá se encontra.
O modelo Veja de reportagem
Antes de análises de caso, vamos a uma pequena explicação sobre como é esse modelo Veja de reportagem.

1. Levantam-se alguns dados verdadeiros, mas irrelevantes ou que nada tenham a ver com o contexto da denúncia, mas que passem a sensação de que o jornalista acompanhou em detalhes o episódio narrado.
2. Depois juntam-se os pontos, cria-se um roteiro de filme, muitas vezes totalmente inverossímil, mas calçado nos fatos supostamente verdadeiros.
3. Para “esquentar” a matéria ou se inventam frases que não foram pronunciadas ou se tiram frases do contexto ou se confere tratamento de escândalo a fatos banais. Tudo temperado por forte dose de adjetivação.

link

Página do jornalista Luís Nassif, http://www.projetobr.com.br/web/blog/4. Bons comentários, principalmente sobre a revista Olhe.

11 de março de 2008

Brincando (mais um pouco) com os editoriais

Bom, devido ao fato de eu ter chegado atrasado à aula (o que não é nenhuma novidade), acabei sendo obrigado a fazer o mesmo exercício sozinho. Portanto, precisei escrever dois textos sobre o mesmo tema, mas com uma visões opostas. Ao leitor fica o recado: sempre duvide de tudo o que você encontrar pela frente. O dinheiro (e as notas na faculdade) faz coisas, inclusive mudar a opinião das pessoas.

Se houver mais de 10 comentários aqui até o fim da semana, discutindo qual é a minha verdadeira posição, revelo o que penso a respeito dos temas.


Ainda somos grandes?


O conflito entre Colômbia, Equador e Venezuela suscita uma dúvida em todos: somos realmente o maior país da América Latina? Bom, nos últimos 10 anos, essa posição só é válida se levarmos em conta a extensão territorial das terras tupiniquins. Com o surgimento de políticos populistas como Hugo Chávez e Evo Morales e o aumento da sua influência na política do continente, há muito que a terra em que se plantando, tudo dá, perdeu sua posição diante dos países vizinhos.

A liberação de pessoas seqüestradas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - totalmente financiada pelo tráfico de armas e drogas – foi totalmente conduzida pelo, no mínimo, excêntrico presidente venezuelano Chávez. O Brasil, por sua vez, se limitou apenas a acompanhar o caso de longe, sem qualquer tipo de interferência direta.

Algo parecido ocorreu quando o Evo Morales nacionalizou completamente a produção de petróleo e derivados, no território boliviano. O Brasil levou, sozinho, um prejuízo de bilhões de dólares, não só devido à perda dos investimentos da Petrobras, como também do fato de que o preço do gás natural, principal produto importado por nós, teve um aumento que fez muitos desistirem de usar essa fonte de energia.

Está na hora do governo brasileiro acordar. O presidente Lula precisa deixar de lado as suas relações com a “camaradagem” e se impor ante a todas as “republiquetas de bananas”, mostrando algum tipo de autoridade, se é que isso ainda é possível. Precisamos ser - se é que um dia fomos – o maior país da América Latina.


A diplomacia acima de tudo


A peleja iniciada pela Colômbia, que envolveu também o Equador e a Venezuela, e o desfecho que parece se encaminhar deveria encher-nos de orgulho. Novamente, a política externa implantada pelo governo Lula, cujo norte é o debate e não a guerra, ajudou que os três países buscassem uma solução diplomática para o assunto. O mesmo ocorreu quando da discussão sobre o fechamento do maior canal de TV da Venezuela.

Naquele momento, o presidente Hugo Chávez decidiu não renovar a concessão de uma emissora de televisão. Algo completamente natural, visto que, no Brasil, a lei também prevê que o presidente pode revogar o direito de transmissão de qualquer empresa de radioteledifusão. Chávez apenas cumpriu seu papel de presidente daquele país.

Render-se a política agressiva pretendida por Washington é, no caso da invasão colombiana, dar um tiro no pé. É claro que, mesmo com a justificativa de que tentava combater o tráfico de drogas, a Colômbia jamais poderia ter interferido em território equatoriano. Entretanto, como diz o jargão, violência gera violência. Os dois países envolvidos na discussão têm populações repletas de miseráveis. Uma guerra neste momento só iria piorar a situação de milhares de famílias.

Ao promover o debate e não a luta armada, o Brasil se fixou como um dos grandes países da América, mostrando-se um verdadeiro líder, no que concerne à questões como a paz mundial. Tal ato de nosso governo deveria ser premiado com a tão sonhada cadeira efetiva no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nossos aplausos ao presidente e ao Ministério das Relações Públicas.

Brincando de editoriais

Durante uma aula de redação, sugeriu-se a produção de editoriais opostos sobre um mesmo assunto, brincando de "faz de conta que você tomou o partido da revista x". Segue o resultado:



Editorial 1 - brincando de criar uma revista reacionária, a OLHE.

EDITORIAL

O fato ocorrido na última semana não é novidade. Em tempo, não se trata aqui do imbróglio fronteiriço entre Colômbia e Equador. Trata-se da intromissão do falastrão presidente venezuelano, Hugo Chávez. Mais uma vez, essa peculiar figura conseguiu chamar a atenção do mundo para suas ações.
No dia 1º de março, com informações privilegiadas, o exército colombiano atacou um grupo de guerrilheiros das Farc. Muito se reclama que o Estado brasileiro nada faz para conter o avanço do crime organizado. Pois foi isso que Álvaro Uribe fez, atacou os terroristas que abastecem todo comércio de cocaína na América do Sul. Conseguiu impedir que 16 terroristas, - incluindo o seu segundo homem, Raul Reyes – continuassem agindo.
O problema é que, no momento do ataque, os membros das Farc estavam em território Equatoriano – do mascote de Chávez, Rafael Correa. O presidente venezuelano então resolveu tirar algum proveito da ocasião que, se não fosse por ele, não passaria disso. Fechou a embaixada colombiana e mandou seu exército para a fronteira.
Toda a polêmica foi causada por (mais) uma ação impensada do presidente venezuelano. Como a maioria dos acontecimentos do nosso continente, foi muita fumaça para pouco fogo. Na última sexta-feira, na República Dominicana, os três deram as mãos e foram tomar uma cervejinha. Tudo muito natural, como é típico à América Latina.
Pedro



Editorial 2 – brincando de Carta Capital.

Enquanto isso, além dos muy amigos...

O mundo assistiu, durante a semana passada, a sucessivos episódios de tensão entre as fronteiras dos maiores países sul americanos. O assassinato do líder das Farc, Raúl Reyes, foi o princípio de uma nuvem de poeira que sufocou a diplomacia latino-americana. O ataque em território Equatoriano, levado a cabo pelas forças do governo da Colômbia, contou com o auxílio da CIA e violou a legislação internacional de território. As ações resultaram, ainda, num somatório de 22 cadáveres das Farc, além de três guerrilheiras feridas por estilhaços de bombas.
É perfeitamente compreensível que Rafael Correa admitisse o ocorrido como violação de território diante desta ação inesperada, rompendo as relações diplomáticas entre Equador e Colômbia. Por sua vez, Álvaro Uribe alegou legítima defesa a todo instante, além de iniciar uma série de acusações de que a Venezuela e o Equador tenham ligações com as guerrilhas. Mas o holofote dirige-se, por ora, à manifestação de Bush júnior. O articulador de conflitos emblemáticos, como o decorrente no Oriente Médio, declarou apoio à Colômbia. Mais: a secretária de estado Condoleezza Rice afirmou que a Colômbia "é um amigo e aliado muito bom" dos EUA e que Washington "luta duramente" para conseguir que o Congresso americano ratifique o tratado de livre-comércio com o país latino.
Agora que se fez selada a paz - ainda que entre notáveis sorrisos amarelos durante o aperto de mãos entre os presidentes Rafael e Uribe -, a questão que se instaura é a tendência de que a Colômbia adote a postura de Bush júnior, agindo como um instrumento expancionista e belicista dos EUA. Fogo amigo entre muy amigos.
Arielli Secco





Fica aos leitores - tores - tores - ores [tem alguém aí? aí - aí - aí........] a tarefa de tirarem suas próprias conclusões...
Tirado do Observatório da Imprensa
No seleto jornal Valor Econômico (19/2/2008), constava a seguinte matéria: "Carteiras que estavam pouco concentradas se destacaram". Eis que, na terceira linha do segundo parágrafo, lê-se a seguinte frase: "Acontece que o índice despirocou por conta da forte alta de dois papéis /.../". Como? Sim, exatamente essa é a redação. Quem o escreveu não se sabe, pois a matéria não está assinada. Todavia, o aval do editor foi dado, seja por haver lido, seja por haver ignorado. Nas duas opções, não há como saber qual delas mais depõe contra o editor. A questão é: por que optar pelo grosseiro vocábulo ("despirocou"), em lugar de "desequilibrou", "enlouqueceu", "ensandeceu"? E mais: esse jargão em texto de análise econômica, num jornal destinado a um público-receptor mais exigente? É de estarrecer
Eita profissão legal...

5 de março de 2008

Mais uma...

Mais uma vitória do Palestra. Sim, era obrigação ganhar de um time de segunda divisão. Porém, ser a quarta seguida dá um gosto especial. Massimo Divino informou no seu blog dados interessantes: na última vez que os sem-estádio marcaram um gol no verdão, lula era reeleito; o caos aéreo era novidade; os aspirantes estavam na quarta fase.
A última vitória deles foi em outubro de 2006, pelo brasileiro. Faz tempo... A mídia inteira já falou - e olha que a maioria é timinho - porém repetirei aqui. Últimos quatro clássicos: 3x0, 0x1, 1x0, 0x1. Pena que o próximo é só em 2009, no paulista. Então... Até lá!

4 de março de 2008

nota de indignação

Apenas para lembrar a capa da revista veja de semana passada. Que a revista é um lixo, eu já sabia. Porém, conseguiu me irritar mais uma vez, com uma imagem do presidente Fidel Castro com o título "já vai tarde", e um subtítulo que nem me interessa lembrar, porém era alguma imbecilidade do gênero.
Sabem eles alguma coisa sobre o processo histórico da Ilha? Os editores, aposto que sim. Mas os repórteres que entram lá, duvido. Une-os o ódio pelo sistema socialista lá vigente, acho. E o medo que aqui aconteça algo parecido, afinal vivemos sob uma "ameaça vermelha" (a veja gosta desses termos - e acha que a guerra fria não acabou).
Não é a toa que são a primeira voz a se manifestar contra qualquer movimento social. Estudantes da USP, tudo baderneiro. MST, um bando de terroristas. Uma redação assim devia ir toda pro paredão, um por um. Fica aqui o protesto do AJ.
ps. Revistinha de merda, tem mais é que se fuder (não deu para segurar)

25 de fevereiro de 2008

Mais uma...

Tudo bem, já imaginava que seria difícil a partida contra o Criciúma. O problema é ver a incompetência do Avaí, jogando fora toda campanha "incrível" do primeiro turno do Catarinense 08. De que adiantaram melhor ataque, defesa, liderança até a última rodada? Para ver o maior rival sair na frente, e com uma instabilidade inevitável para a disputa do segundo turno.
Por mais velha que seja, clássico é clássico. Um revés hoje também não era de se estranhar - embora ambos fatos contribuam para a idéia que o Avaí treme em jogos decisivos. Ainda assim, o caso é outro: o jogo de quinta, na Ressacada. Com torcida a favor, ganhando de dois a zero, a taça estava nas mãos da equipe do sul da ilha. O que faz então o leão? Consegue perder a partida que lhe garantiria na final do estadual. Como? Não perguntem para mim. O fato é que, agora, a estrada será muito mais complicada, principalmente para resgatar a confiança do grupo.
E seguimos sem perspectiva de um título. Mais uma vez...

16 de fevereiro de 2008

Por alguma razão ainda desconhecida, o contador de acessos do blog (sim, temos um e fica lá embaixo da página) foi zerado. Não que isso valha um post ou tenha qualquer importância para o andamento (hahahahaha gostaram da piada?!?!?!?) deste blog. Apenas achei que seria bom comemorar o trabalho e o empenho de todos os colaboradores durante este um mês sem uma mísera postagem, retirando o hímem de nosso quase incipiente domínio na rede.

A propósito, não consertaremos o contador de acessos. Nenhum de nós sabe fazer essas coisas altamente avançadas do universo da programação de internet. Aliás, alguém ainda acessa isto aqui? A resposta, só nos próximos capítulos de Um Blog à Beira da Morte.

P.S.: As aulas recomeçam nesta segunda-feira. Há uma pequena chance de alguma postagem aqui nos próximos cinco meses. Fiquem atentos!

15 de janeiro de 2008


Mais um presuntinho para atualizar a bagaça...


Elenice de Sousa Ramos - A história de Elenice é uma grande incógnita até mesmo para as pessoas que moravam com ela. Vinda de Lages há alguns anos, morava em Palhoça, na casa de amigos que conquistou na cidade da Grande Florianópolis. Um deles, Sílvio, comentou que se não fosse a solidariedade deles, talvez Elenice não teria sequer onde morar. Ela, que tinha 36 anos, sofria de osteoporose. Mas o que levou a vida de Elenice, ainda tão nova, foi, provavelmente, a saudade e a lembrança dos filhos que não via há anos. Sua vida, que terminou nesta segunda-feira, foi tão rápida quanto intensa. Seu corpo foi sepultado no mesmo dia, no Cemitério do Bairro Passa Vinte. Uma missa de sétimo dia está marcada para este sábado, na igreja do Bairro Aririú, em Palhoça, às 19h.

9 de janeiro de 2008

PIRAGUAHY TAVARES - Sua filha Vânia o descreveu como um homem bondoso, honesto e prestativo. Já Rui, seu outro filho, disse que, no papel de pai, ele era excepcional, além de também ser um excelente profi ssional. Esse legado talvez não seja conhecido por todos que cruzaram com o coronel da reserva da Polícia Militar Piraguahy Tavares, mas é assim que seus três filhos, quatro netos e a mulher, dona Nilza, lembrarão dele. Tavares começou cedo na carreira militar e percorreu todos os caminhos necessários para crescer de posto na profissão. No tempo em que esteve na polícia, foi delegado em diferentes cidades catarinenses, como Videira, Blumenau e Joinville. Quando veio a Florianópolis, chegou ao posto de comandante-geral da Polícia Militar. Também foi diretor do Detran/SC. Depois de aposentado da polícia, dedicou-se ao comércio. Durante algum tempo, foi gerente da loja Modelar. Aos 86 anos, seu principal hobby era a leitura. Era morador do Bairro Trindade, em Florianópolis, havia quase duas décadas. Sua morte ocorreu de causas naturais, na última segunda-feira, no Hospital de Caridade, na Capital, onde estava internado. Seu corpo foi sepultado, ontem, no Cemitério Jardim da Paz, também em Florianópolis.
Sobre as atualizações...

Bom, como todos os que nos acompanham aqui sabem, as atualizações deste blog sempre foram deficientes. Nos últimos meses, além das férias de dois dos colaboradores, eu continuei trabalhando. Há dois meses estou no Diário Catarinense, escrevendo, quase diariamente, a coluna de obituário do jornal. Pois bem, para não deixar nossos leitores sem nada para deliciar-se durante as férias e, com o intuito de trazer atualizações para o blog, decidi colocar as notas de obituário que eu produzir, a partir de hoje, para o DC. Ainda hoje, a história de Piraguahy Tavares, coronel da reserva da Polícia Militar será publicada.

3 de janeiro de 2008

Primeira postagem de 2008.


Para dizer que estamos de férias (o que não quer dizer muita coisa, já que atualizações não são o forte desse blog).


Breve -talvez nem tanto- considerações sobre o ano que passou.

21 de dezembro de 2007

Aproveitando a ocasião. Faz um mês que os sem-estádio cairam para segunda divisão. Que na semana seguinte não se falasse em outra coisa, tudo bem (ainda por cima com essa imprensa galinhesca).
O que aconteceu, contudo: virou o assunto do ano. Episódios narrando a saga corintiana que culminou no descenso; intermináveis entrevistas pseudo-dramáticas; teorias de como um clube desse aporte chega ao fundo do poço...
Chega. Já falaram o suficiente, agora deixem o time em paz, joga a segunda divisão e ponto final. Inventem outro assunto. Em vez de darem importância merecida à Taça Brasil de saltos ornamentais, ficam nessa lenga-lenga de corinthians/série B. Que merda.

15 de dezembro de 2007

Série B 2008

Realmente, de vez em quando não gosto das piadas que vejo no Kibeloco. Agora, convenhamos, que esse vídeo vale a pena.


P.s.: Em homenagem ao Pedro

24 de novembro de 2007


Driin
Quando cheguei à Udesc não sabia quem era o entrevistado. Conhecia-o apenas “verbalmente”, pelo telefone. Liguei, ele disse que nos encontrávamos no hall do bloco amarelo. Perguntei à recepcionista onde era e fui. Havia algumas pessoas ali. Mas nenhuma era ele. Vejo um rapaz colando um cartaz, baixo, barba por fazer, all-star mais usado que o meu. “Pedro”, digo; ele olha para trás, sorri e me cumprimenta. Feitas as apresentações, vamos até a rua, de fronte a um prédio novinho – e branco. Será pintado pelas pessoas que participarão duma oficina que começará dali a alguns minutos, descubro. Antes, contudo, à entrevista.
Pedro Teixeira é designer, tatuador e grafiteiro. Nos muros seu nome é Driin, "é como o manezinho fala, Pedrin isso, Pedrin aquilo". Entrega-me um convite de exposição que fará com outros artistas – também entrega-os a algumas meninas que passam próximo a nós. –Você é bem comunicativo né?- pergunto. –Não, sou tímido para caramba-. –Não parece, foi entregar os convites para as meninas, e para aquelas quando viemos para cá-. –Ah, mas aqui eu estou em casa, passei sete anos nesse lugar-.
-Como é seu trabalho?- começo. Ele diz que o grafite é um vandalismo que adquiriu um status de arte, foi parar nas galerias. Todo mundo precisa trabalhar, pagar contas, se o artista pode fazer o que gosta e conseguir seu sustento, melhor do que fazer outra coisa. Conta que pinta em telas, interiores, trabalhos comerciais. Porém a maioria, e o que ele mais gosta, são as pinturas na rua. “O grafite tem que ir para galeria, mas não pode perder a realidade da rua, que é sua origem” explica. Indago se trabalhos como o dele ajudam na mudança da imagem do ‘pichador vândalo’ para um artista. Responde-me que o vandalismo é uma questão de valores. Para ele vandalismo é quando se pinta sem autorização. Todo dia somos obrigados a ver montes de anúncios sem estar com vontade, e isso pode porque é pago, está no jogo do mercado. O grafite não pode porque então, por que não rola grana? E, acrescenta, há tanta gente fazendo coisa pior, ali é só tinta.
Por sinal, a grana é curta. Como geralmente não recebe nada, Driin trabalha sempre no limite, usa tinta látex, rolinho, pega sprays emprestados, dá um jeito. O melhor, contudo, está nas latinhas: “o spray é ágil, dá todos os efeitos” explica. “Os desenhos são as pessoas da cidade se comunicando” opina, enquanto meche os braços tatuados – nos pulsos lê-se “luz” e “arte”. Se o clima é caótico, o desenho é caótico; se é bom, o desenho é leve. É esse clima que ele tenta exprimir, como a pintura ao lado da Catedral Metropolitana de Florianópolis, que está nessa página. “Tem que pensar nas meninas bonitas, e aí faz o desenho”.
Pedro grafita há dois anos, e além de tatuar e pintar também participa de oficinas para jovens carentes. A primeira foi no projeto Aroeira, agora está no centro cultural Escrava Anastácia, no morro da Caixa, centro de Florianópolis. “Com o grafite eles aprendem a projetar, dar seqüência aos trabalhos. Também desenvolve identidade, auto-estima, trabalho em grupo, criatividade”. Além disso, como no seu surgimento –quando jovens saiam dos guetos estadounidenses para deixar sua marca nas regiões ricas, dizendo “hey, estou aqui”- o grafite dá voz a quem não tem. Nobre tarefa.

23 de novembro de 2007

O vôo das borboletas



Até aquele dia éramos, todos, larvas em ovos, presos dentro das paredes da sala de aula. Nenhum de nós tivera experiência parecida. Era nosso primeiro desafio diante de uma grande reportagem. O local e o tema escolhidos ainda eram estranhos à maioria dos colegas. Eu era um dos poucos que sabiam em que tipo de terreno entrávamos. Como toda vida que acaba de nascer, estávamos confusos com o mundo que se abria diante de nossas pupilas ainda dilatadas com os primeiros sinais de luz daquela manhã.

Mesmo cursando a sexta fase de jornalismo, a insegurança ainda persistia em muitos de nós. Aliás, este é um defeito não só das escolas, mas do jornalismo de modo geral. O contato humano tem perdido espaço dentro das redações. No seu lugar, pessoas presas em suas mesas, telefones, e-mails. Não se fala mais com as pessoas diretamente, algo que deveria ser uma premissa da profissão. Os jornalistas, que antes agiam como borboletas, voando em busca de novas flores, atrás de uma boa história para contar, hoje têm as suas asas cortadas no nascimento e não conhecem mais o doce pólen que está em cada rosto, nas ruas.

Dia 19 de outubro. Era a primeira vez que íamos ao Centro Educacional Dom Jayme de Barros Câmara. Um veículo da universidade estava alocado para levar todos até o local, mas a reserva foi cancelada na véspera. Por sorte, como vários de nós estavam de carro, nos dividimos em quatro grupos e fomos.

Eu fui com Juliana Louzeiro, formanda de Psicologia. Ela nos auxiliou no contato com as crianças e com a diretoria do Dom Jayme. Ouvíamos música. Para meus ouvidos, a palavra música, nesse caso, deveria vir com aspas. Mas resisti à tentação para não me indispor com a moça. Juliana ajuda a coordenar o núcleo de estudos do curso que cuida de questões comuns ao tema deste jornal. Está usando a experiência obtida na parceria entre o Curso de Psicologia e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil para produzir seu trabalho de conclusão de curso.

Ao chegarmos, confirmei que a realidade avaliada em três reuniões na sala de aula, preparativas à vivência, realmente era familiar à minha história. Minha mãe foi professora, durante quase 20 anos, em uma escola pública no Bairro Forquilhinhas, em São José. Só estudei lá por seis meses, mas acabei crescendo próximo àquele mundo, tanto da escola, quanto do bairro pobre e violento. Descemos do carro e cumprimentamos a coordenadora do Centro Educacional, Maria Samira Savi Pini. Ela nos levou a uma sala, onde conhecemos alguns dos personagens que o leitor encontrará nas páginas do Jornal Laboratório Fato & Versão.

O clima entre nós e as crianças ainda era pesado. Nós acabáramos de romper o ovo e, larvas jovens como éramos, até aquele instante, sequer conseguíamos nos integrar às crianças. Raquel Wandelli, nossa professora de Redação 3, nos ajudou a quebrar o gelo. Gravamos depoimentos sobre nossas expectativas para o futuro - algo do tipo: "o que eu quero ser quando crescer". Uma de minhas colegas, Tainá, pegou a deixa e continuou a brincadeira.

Devido à um problema com a preparação do material que nos apresentaria, Liane Vaz chegou ao Dom Jayme com quase uma hora de atraso. Ela faz parte do Fórum Estadual para Erradicação do Trabalho Infantil em Santa Catarina. Durante quase duas horas, discursou sobre o tema para nós, as crianças e os professores que ocupavam a sala. Em alguns momentos, o coração de todos era tocado por relatos que escapavam dos lábios das crianças, como o do menino que falou de uma prima pré-adolescente que cuidava, sozinha, de mais dois irmãos. Liane tentou abrir a percepção daquelas crianças sobre determinadas atividades às quais estavam expostas que eram formas disfarçadas de trabalho infantil. Ao final, foi a vez de Eliane Roque, do Fórum Catarinense de Exploração Sexual Infanto-Juvenil, dar um depoimento contundente, direto e emocionado.

Alguns de nós saíram da instituição próximo ao meio-dia - a previsão inicial era 11h. Ficou a promessa do retorno dentro de uma semana para conhecermos algumas das atividades do centro e, efetivamente, fazer as reportagens. Mas o que se passou naquelas horas já deixou marcas que levaríamos ao nosso próximo estágio de desenvolvimento. Histórias tristes, de trabalho pesado, de vida difícil, pobre, de fome e de miséria escondiam-se atrás de sorrisos abertos, olhos que ainda brilhavam e reluziam esperança. Já havíamos recebido nossa missão. Precisávamos contar essas histórias aos nossos leitores. Fomos à pupa, nossa próxima fase de evolução, sabendo que a tarefa de crescer, naquele momento, não seria fácil.

Abro aqui uma pausa para contar algo inusitado antes da nossa segunda visita ao D. Jayme: a minha volta até a Unisul. Eu, Carmine e Lisandra retornamos de carona com nossa professora. A excitação e a ansiedade pelas declarações que ouvíramos minutos antes a fez esquecer as regras de trânsito. "Lombada!", eu avisei, mas ela não viu e tocou direto. "Aqui você pára", tentei, sem sucesso, lembrar. Mas as placas vermelhas pareciam não ter significado. Acredito que ela não dirija sempre desta forma, mas, sem dúvida, a emoção tomou conta das decisões dela ao volante naquele dia. Em certo momento, Carmine segurou em minha mão e revelou: "Samuka, eu to com medo." Tendo este relato em mãos, o leitor pode deduzir que o final da história foi feliz e saímos todos ilesos.

Dia 19 de Outubro. Ainda éramos pupas ao sair da universidade. Não havíamos quebrado o casulo que nos aprisionava há uma semana. Dessa vez, não cancelaram nosso transporte. Fomos todos em uma van até o Centro Educacional. Era agora ou nunca. As borboletas tinham que voar. A programação do dia inclua um tour pela instituição. O propósito era conhecer os trabalhos desenvolvidos para ocupar o tempo das crianças e adolescentes, teoricamente, tirando-as do trabalho.

Não éramos os únicos que já se sentiram presos naquele lugar. Quando da fundação, o Dom Jayme era uma espécie de orfanato. Fazia parte da Fundação Catarinense do Bem-Estar do Menor (Fucabem). No entanto, os internos estudavam junto com crianças da comunidade local e, em alguns finais de semana, saíam para brincar fora do centro.

A primeira atividade que presenciamos foi a aula de dança, da qual participavam algumas meninas. Naquela pequena construção, todos perceberam que as pupas estavam se mexendo. Por mais incrível que possa parecer, a música de Wanessa Camargo e os movimentos das meninas no ritmo das notas que saíam do pequeno aparelho de som nos sensibilizaram. Logo depois foi a vez da aula de Tae-Kwon-Do. A disciplina dos meninos e os golpes que davam no ar pareciam bater diretamente nos casulos, ajudando as borboletas a se libertarem.

Caminhamos para ver a cozinha, na qual as crianças tinham aula de panificação. Ali as primeiras borboletas começaram a aparecer. O sabor das broas de amendoim que os alunos estavam fazendo adoçou o coração de alguns de nós. Depois foi a vez de vermos algumas oficinas de arte. As peças coloridas chamaram a atenção das borboletas, que romperam definitivamente seus casulos e foram atrás das peças mais parecidas com as cores de suas asas.

A partir daquele momento, todos já haviam escolhido os protagonistas das histórias que iriam contar, direcionado suas pautas e, principalmente, se transformado em borboletas. O passeio continuou. Fomos até o ginásio, que estava vazio, e depois cada um foi fazer o trabalho que lhe foi confiado.

A manhã passou rápido naquele dia. Não foi suficiente para que todos pudessem terminar as matérias que lhes foram delegadas. Alguns, como eu, retornaram ao Dom Jayme, fosse para trazer à memória tempos passados ou, simplesmente, completar o trabalho. No entanto, no momento da volta à faculdade, algo foi possível perceber nos olhos de todos. As borboletas, naquele dia, enfim, aprenderam a voar.

8 de novembro de 2007

Tarde de terça-feira, duas e vinte da tarde. Sol, rua Felipe Schmidt, centro da cidade. De repente ouço umas pessoas dizendo “corre”, “pega ladrão”. Logo forma-se um bolinho, em frente a uma loja de telefones celulares. Vou até o local, aos poucos tento furar a barreira humana ávida por desgraça alheia. Quando consigo ver, a cena é deprimente. Um homem, negro, cabelo desgrenhado, desses que aparenta ter o dobro da idade. Chuto uns 40 anos. Roupas sujas, chinelo velho, está deitado de barriga para o chão. Montado sobre ele um pm, galego, óculos escuros, segurando com força as algemas que prendem o outro pelo dedão – é um modelo pior que a convencional, para quem está preso. Confesso, fiquei chocado. O roubão –chamarei assim – argumentava que se o policial apertasse mais quebraria seus dedos. A figura dele dava pena, era um fudido ao qual provavelmente nenhuma outra chance foi dada. Não estou defendendo-o, se me roubassem eu também gostaria que pegassem quem o tivesse feito. Nesse caso, contudo, acho sim - sem balela – que o cara não tinha nem o que comer. Ninguém que está lendo isso sabe o que é passar fome, ver um filho chorar por não ter de comer.

Ficam ali uns 5 minutos. As pessoas ao redor tecem comentários, todos do tipo “é homem pra roubar, quero ver se é homem agora”, ou “dá uma coça que ele fica um tempo sem incomodar”. Quase tremi diante daquela cena, aquele ser humano degradado e marginalizado, excluído por nós, “classe média consciente”, que tem compaixão por um cão e tropeça num sem-teto, com chance de reclamar por ele estar ali. Dali a pouco chega um cara correndo, camisa e calção, gordo com bigode, pedindo licença. Pelo que entendi é o roubado. Pega suas coisas no chão, carteira, documentos e um boné. Ajuda o pm a levar o roubão, todavia não vi para onde. Estava empolgado com o ótimo texto que poderia fazer, entrei na Catarinense; pedi um cappuccino e comecei a escrever.

Que merda, que imprensa de bosta essa. O que eu devia ter feito? Ido atrás, falar com as pessoas (principalmente o roubão), saber de onde veio, por que estava ali? Acho que é isso que os manuais recomendam. Mas, e daí? No fim das contas estou, de um jeito ou de outro, aproveitando da desgraça do coitado para conseguir algo pessoal – minha matéria. No fim é tudo interesse próprio, eu vou dormir com um belo texto feito, você leitor deita e dorme, o cara deve ter apanhado um bocado na delegacia e fica tudo igual. Não muda nada, absolutamente nada. Cansei dessa profisão de merda que sobrevive às custas da desgraça alheia, dessa, hipocrisia toda. Não tem solução.

7 de novembro de 2007

Vozes do Aroeira



Segunda-feira, 17 de setembro de 2007. Mais um dia, mais um trabalho, mais uma história. O lugar é o mesmo onde, outrora, a morte era analisada; hoje, é o endereço de projetos incumbidos de impulsionar vidas. Até 2005, na Rua Tolentino de Carvalho, o prédio de número 01 correspondia ao Instituto Médico Legal, no bairro Estreito, Florianópolis. A partir de junho daquele ano, o Governo do Estado de Santa Catarina cedeu o lugar por um prazo de dez anos à Incubadora Popular de Cooperativas.
Do convênio com o Consórcio Social da Juventude se mantém o Aroeira, que existe desde 1994. Os consórcios são uma forma de atuação do Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego, do Governo Federal. O Aroeira conseguiu ser o vencedor da licitação no Estado de Santa Catarina durante dois anos consecutivos. Existem, agora, expectativas para que o ano que vem seja o terceiro. Junior, coordenador do projeto, diz que mais de mil jovens com idade entre 16 e 24 anos participam do Aroeira. “São todos de comunidades carentes e o nosso objetivo é afastá-los da criminalidade através das oficinas e atividades que promovemos aqui no centro”, explica.
No prédio do IPC são muitas as salas em que os jovens exercem atividades.

- Há dois anos, no Aroeira 1, nossa preocupação era emergencial. Precisávamos realizar um trabalho rápido de resgate dos jovens. Tínhamos atividades relacionadas ao meio ambiente, à informática, à cidadania e à escolaridade - disse Junior.

Hoje, as oficinas dos primeiros anos de organização se tornaram cooperativas. As principais são: Soluções em Informática, a Cooperfloripa – responsável pela marca Solto Surf Wear, Estética Afro, Papel Reciclado, Marcenaria é Arte e Gastronomia e Panificação.
Para quem está na sala de recepção, o ar traz o cheirinho do pão que está no forno. - - O que produzimos aqui volta para as comunidades. Fornecemos, por exemplo, pão e pranchas de surf em quantidades significativas por um preço mais acessível aos bairros carentes ou trocamos por outra mercadoria - conta o coordenador. De acordo com Junior, isso tem sido um motivo de interação entre comunidades que, antes, eram rivais, contribuindo para um melhor relacionamento entre os habitantes.
No meio da conversa, a pauta do dia é redirecionada. Depois do panorama geral do projeto, Junior conta que um grupo de meninos, contemplado pelas oficinas dos primeiros Aroeiras, está prestes a gravar um Cd.

- Eles participaram de aulas de manutenção de instrumentos e acabaram montando um grupo de percussão.


Milhões de pessoas, milhares de barracos, feitos de madeiras ou tijolos, mas parecem inacabados. Meio metro separa uma casa da outra. De fundo toca essa base que pela burguesia é discriminada. Eu conheço. Tenho orgulho, bate no peito, essa música vem do gueto. A situação é ruim, mas ninguém se alarma. Então, acima do subsídio, eu me dedico a fazer esse relato, esse desabafo. A voz do excluído chegou. MNP: Movimento Negro Periférico.

- Os guris têm talento de sobra, só faltam oportunidades. – deixou claro o professor Nicolas Malhomme, que leciona teoria musical – O grupo tem nome: Os Khentes. Nome bonito, não é?

Nicolas toca bateria desde os 17 anos na periferia Sul de Paris, França, onde nasceu. Passou, então a se interessar por percussão afro-cubana, africana e afro-brasileira. Quando veio ao Brasil, foi integrante do Maracatu Nação Pernambuco de Olinda durante 5 anos. Chegou a Florianópolis em 1996, e já tocou com bandas locais e escolas de samba. Hoje, é integrante da banda Expedição. De acordo com Nicolas, o preconceito ainda é uma barreira para a capacidade dos meninos.

- Eu estou bem feliz em poder ajudá-los. Força de vontade eles já tem. É só um empurrãozinho que eles vão, estás entendendo? A idéia é eles poderem caminhar com as próprias pernas o mais rápido possível. É verdade, também, que existe um certo preconceito por eles virem das periferias, dos morros. Isso dificulta bastante. Por isso, acho que gravar é uma maneira mais rápida e eficaz de eles divulgarem o trabalho e conseguirem oportunidades como músicos – opinou.

Terça-feira, 23 de outubro de 2007.

Mais uma vez, o destino era o IPC, no Estreito. Por volta das 14h cheguei ao local e a Rose foi comunicar os 4 integrantes do grupo de percussão Os Khentes. Findas as apresentações, seguimos para a sala de música. Fechamos uma roda com as cadeiras e começamos o descobrimento.
Eles querem montar uma escola de música, já que os outros projetos terminaram na formação de cooperativas. Guilherme de Souza Pereira, 17, era o mais desinibido, no começo. Ele quer ser rico para poder fechar um clube e promover o evento que já tem nome: Talentos Anônimos.

- Viver de música aqui no Sul é foda -, disse Guilherme - Sou fã do Odilon! Pode anotar aí. Um dia quero ser que nem ele e escrever um livro sobre baterias de escola de samba. Ele é o mestre de bateria da Grande Rio!

Desde pequeno, Guilherme observava o tio, que passava pela rua com um pandeiro em mãos, quando ficava na casa da avó. Ele, então, quis aprender a tocar. O interesse pela música não ficou mais de lado. Hoje, faz parte da banda Fascinasamba. Contou toda a trajetória da união, desde a época em que participaram das oficinas de manutenção de instrumentos e do despertar da curiosidade pela percussão. Depois do Aroeira 1, permaneceram como monitores e deram cursos aos jovens do Aroeira 2.
Não são todos os integrantes que acompanham o projeto desde o seu início. Djavan Nascimento Costa, que completou 21 anos no dia 26 de outubro e Ângelo Luis Carvalho, 23, entraram mais tarde. Aos poucos, o desembaraço mostrou-se nos risos incontidos e nas constantes brincadeiras que, antes de me divertirem, quase me fizeram imaginar que eles não estivessem me levando a sério. Djavan parecia envergonhado:

- Daqui a pouco ela vai achar que é tudo brincadeira!

As músicas são escritas por ele, que pensa em fazer faculdade de música e de letras. A coincidência não está só no nome, mas também na afinidade musical: ele diz gostar das músicas do artista de quem tem o mesmo nome. Djavan diz se inspirar no que pensa sobre tudo, desde o funcionamento da sociedade até uma briga entre irmãos.

O cara já tá eleito, não tem jeito
Acostumaram
Faz parte, as promessas são onipresentes
E nós todos somos oniscientes
Pois o relato nasce pra isso
Soa nato
Não vou deixar me levar de novo, não
O sistema não vai me pegar
Eu represento a sigla do morro MNP
Movimento Negro Periférico

Ângelo também esteve em contato com a música desde pequeno. O pai toca violão e o irmão mais velho tem deficiência na visão e é cantor de rap. Com Rajan Gonçalves, 17, não é diferente:

- Tu nasce escutando, nasce no meio do pagode, ouve, gosta e acaba aprendendo.

O nome do grupo vem de uma expressão que todos eles costumam usar.

- É de tanto falar “eu sou quente, irmão...tu sabe que sou quente”. Aí precisava de um nome e decidimos assim – explicou Guilherme.


- É! Só reformulamos pra ficar mais louco – interrompeu Djavan.

- Mais louco por quê? Por causa da escrita? – perguntei.

- Sim! Pra ficar diferente, ficar mais pá... – respondeu, sorrindo.

Nicolas entrou à sala enquanto fazíamos algumas fotos. Contou um episódio que não deixou os meninos contentes.

- Eu estava procurando Cds de rap, e não encontrei em loja nenhuma! Perguntei pra um vendedor e ele me disse que se trazem esse tipo de Cd pras lojas, vai ter gente que vai entrar lá pra roubar – falou o professor.

- Não quero ganhar dinheiro com essas lojas, não! Nosso Cd não vai pra lugar assim – adiantou Djavan.

Você diz que nós não temos motivos pra se revoltar
Na moral vocês não sabem o que temos que passar
Pra botar rango na mesa
Ser um mano firmeza e não deixar a família
Passar necessidade
Você não conhece a dura realidade


Mal saiu do estúdio, o Cd foi deixado em minhas mãos. As gravações contaram com a participação de duas primas de Djavan, Clarisse e Bruna. O Cd de samba e percussão está em fase de produção ainda.

Arielli Secco

Uma observação.
Desisto de tentar colocar parágrafos no texto.

31 de outubro de 2007

O fim do meio impresso.




TV digital, internet, convergência de meios de comunicação. A tecnologia, sem dúvida, transformou para sempre a forma como lidamos com a comunicação. Tantas metamorfoses fizeram com que se abrisse a discussão sobre o fim do meio impresso. Será que o livro vai realmente acabar? E qual será o futuro dos jornais? Haverá espaço para o papel em um mundo completamente digital? O bate-boca sobre isso ganhou mais intensidade quando o New York Times anunciou que deixará de ter a sua versão impressa dentro de alguns anos e irá manter apenas sua página na rede.

Recentemente, dois jornalistas passaram por Florianópolis e deram a sua opinião sobre esse tema. Marcos Sá Corrêa, editor da Revista Piauí, disse que é questão de tempo para que o último jornal seja lido. De acordo com dados que ele pesquisou, em 2043, sairá a última edição de um jornal impresso no mundo. Isso porque os leitores habituais de jornal estão começando a entrar em extinção. Ricardo Noblat, também discursou sobre o tema e lembrou à platéia que o assistia na Assembléia Legislativa que se os jornalistas não se adaptarem às novas tecnologias, estarão fadados ao desemprego muito em breve.

No entanto, o que nenhum deles se deu conta, é que apesar do crescimento vertiginoso que os meios eletrônicos têm tido nos dois últimos anos (o Brasil já possui 39 milhões de internautas e é o país que possui o maior tempo per-capita de acesso no mundo, com 19 horas mensais), vivemos em uma sociedade de grande exclusão social. Hoje, o salário mínimo é de 380 Reais. Um computador que consiga um acesso razoável à rede não sai por menos de 1000 Reais. Além disso, há o fato de que é muito caro para entrar na rede. Dois minutos de ligação em Santa Catarina custam 25 centavos e os provedores de banda larga ainda são inacessíveis para boa parte das pessoas que compraram computadores ultimamente. A introdução da TV digital, proposta para começar em São Paulo em dezembro, não terá o mesmo valor da internet, visto que as possibilidades de interação são limitadas àquilo que o canal transmissor considerar importante. Fora que todos os aparelhos de televisão vendidos no país hoje, vão necessitar de um conversor de sinal.

Como se não bastasse, a falta de educação da população exclui ainda mais a população com menor poder aquisitivo. Para manusear um computador é necessário saber ler, escrever e interpretar em inglês e português para se entender os milhares de comandos e mensagens de erro que eventualmente aparecem na tela do PC. Além disso, há que se considerar que uma boa parte dos usuários acessa a internet para buscar humor barato, pornografia, bate-papo, orkut, etc.

No entanto, não se pode desconsiderar que a rede mundial realmente vai ditar o futuro da comunicação. A velocidade com que as informações podem ser publicadas e o número quase infinito de fontes, ajudam a criar uma nova era de democratização da comunicação. Os meios impressos infelizmente não podem competir com isso. Talvez seja esse o motivo de tantas pessoas considerarem que o fim dos jornais e revistas está próximo.

O que é possível fazer é repensar o modo de se fazer jornais e revistas. Investir em matérias com mais profundidade e conteúdo e deixar de lado a factualidade pontual e, muitas vezes, estúpida e superficial, pode ser uma saída. Levar as matérias para um lado mais social e humano. Há uma escassez de pautas desse tipo, em especial na grande mídia. Assim, ao invés de continuar em declínio, novas portas se abrirão para os jornais e revistas.

30 de outubro de 2007

Fala aí!
Claro que não farei uso de limitações: a quem quiser sugerir outras possíveis justificativas, que fique à vontade! Em se tratando deste blog, mais à vontade do que o normal! Não há nada pior do que escrever, jogar palavras, explanar idéias, tudo ao vento! Existe o link para comentários, intervenções, críticas. Conversar com o Sr. Eco é uma coisa muito repetitiva! Cansa!
Voltando à suplica: que diabos acontece?
Fatos da semana que me têm descabido à tolerância:
- O BOPE ora IBOPE...
Você liga a televisão e lá estão os famigerados homens de preto falando uma, duas, três, quatro vezes em cinco telejornais sobre táticas, combate "e tudo, e tal". Muito bem! Ops...eles trabalham para a sociedade ou para a imprensa? O filme retrata a realidade ou a realidade retrata o filme?
- O Paulo Coelho se pronuncia em conferência da FIFA...
Ahn? Já não basta o parvo encher páginas de futilidades envoltas em algo a que chamam de magia [supérflua] e ele ainda insiste em cuspir besteiras ao microfone? "Eu já vi conversas durarem 5 horas discutindo um jogo de futebol, mas eu nunca vi uma conversa de 5 horas sobre uma relação sexual" [COELHO, 2007]. Além de que o perfil do ilustre figura dos besta-sellers tem mesmo tudo a ver com futebol!
- Copa do mundo no Brasil em 2014...
O Brasil precisa mesmo de mais epifania para curar as intempéries da atmosfera social que já tem mais buracos do que a camada de ozônio. A política do pão e circo troca apenas os elementos: banana e futebol pra eles! Teremos um carnaval prolongado em 2014. Teremos os problemas prolongados até 2014. Teremos os problemas prolongados além de 2014. Se o Canadá e tantos outros países têm problema com a violência, por que é que o Brasil não pode ter? Sem contar com as pérolas do presidente ao discursar sobre a história do futebol...



Amanhã vai ser outro dia, amanhã vai ser outro dia..........

27 de outubro de 2007


Duas boas pedidas. Tegan e Sara Quin são gêmeas de Vancouver, no Canadá. Começaram a cantar após ganhar um concurso musical local. Lançaram o primeiro álbum há oito anos, e o último -The Con- é desse ano. Cantam em inglês (quiça em francês também) e fazem um indie com levadas bem interessntes. Quatro músicas podem ser ouvidas no http://www.myspace.com/teganandsara. O sítio oficial é http://www.teganandsara.com/.
A outra é literária. Recebi hoje -quer dizer, abri a caixa de e-mails hoje- mensagem de meu amigo Fernando Evangelista (repórter da Caros Amigos) informando que o sítio da Caros republicou uma matéria dele com Juliana Kroeger sobre o Curdistão. Eles andaram por lá em Março, na companhia do fotógrafo italiano Matt Corner, e a reportagem está em http://carosamigos.terra.com.br/.




21 de outubro de 2007

Do que é realidade.


.O boné era instrumento da timidez. “Não gosto de aparecer em foto”, alertou Cezar. Os olhos claros procuravam fugir ao contato. As confidências fluíam na conversa enquanto a cabeça permanecia ligeiramente inclinada para baixo. As palavras eram o sinal de uma confiança rápida, construída naquele mesmo instante - e que se mostrava necessária. Tem treze anos, freqüenta o Centro Educacional Dom Jaime Câmara pela manhã e vai ao colégio à tarde. Das 18h às 20h, vende os salgados que sua tia faz. “Minha mãe nunca me obrigou a nada. Faço isso porque eu quero. Ela só me proibiu de brincar com as outras crianças. Meu irmão brincava e virou maconheiro”.
A conversa foi interrompida pela convenção dos bons modos. A palestrante da Procuradoria Regional do Trabalho precisava falar sobre números. Pediam o nosso silêncio.
Depois das exposições sobre o Diagnóstico do Trabalho Infantil em Palhoça e em Biguaçu, realizado pela Organização Internacional do Trabalho, e sobre exploração sexual, a primeira pergunta de Cézar a mim:
- E o pessoal da tarde, como fica?
- Oi? - os ouvidos desatentos me fizeram indagar.
- É! As crianças que vêm pra cá de tarde! Eles vão ter isso também?
- Não sei, Cezar. Essas palestras são por causa do nosso trabalho, e viemos de manhã porque é nosso horário de aula.

- Mas tem que ter à tarde, também! É importante pra eles, né?
- Verdade! Vou ver o que consigo fazer.
Falei com a Samira, coordenadora do projeto Jornada Ampliada [uma execução do PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - que acontece dentro do Centro Educacional Dom Jaime Câmara]. Já estavam combinando com os palestrantes para que fizessem a mesma coisa durante a tarde. Ela me agradeceu e aproveitei para me desculpar pela conversa com o Cezar, que por vezes pôde ter sido abusiva – embora eu soubesse que deveria ter aproveitado o momento e preferia ter atrapalhado a palestra a interromper a sede de confidência do garoto.

Cezar correu junto às outras crianças para o almoço. Antes, pedi a ele um abraço, que não me foi negado. Abraço apertado. Foi só o começo. Quem sabe, na próxima semana o boné já não seja mais tão utilizado.

17 de outubro de 2007

Devia ser nove horas, talvez um pouco menos. Tocava uma música tosca, desses hip-hop americano, bem alta no táxi. "Maestro Francisco Braga", falei para o taxista, que devia ter uns 30 anos. A rádio continuava com músicas que não gosto, e o cara todo empolgado, cantava, balançava a cabeça. Cada maluco que aparece, penso. Não muito longe de meu destino o taxista pergunta se me importo de ele acender um cigarro. "Não", respondo.
-você fuma?
-não.
-ah, então deixa, acendo outra hora, você não fuma é?
-não fumo cigarro
-ah, tu fuma uma maconha então
Murmuro algo que não diz sim nem não.
-é, quem hoje em dia não gosta de uma macoinha. o meu tá pronto já, daqui a pouco boto fogo.
-ah, tá pronto já é, para depois do expediente
-é, hoje à noite acendo
Vi que a situação poderia render boa história
-a maconha daqui é boa é?
-é, de primeira. tá aqui ó -enfia a mão no porta-objetos da porta e tira o baseado, enquanto quase entra na rua errada- saca só
Pego o pequeno cigarro, analiso, cheiro
-de onde é esse?
-tuiuti
-parece bom, é bem pura?
-é, tem só um negócio que eles usam para dar liga, mas é boa. Se quiseres a gente pode tocar fogo agora...
-não não, tô indo para casa agora
O carro pára na frente de meu destino, a corrida foi R$ 7,50. Abro a porta e o 0,50 do troco cai no bueiro. Paciência. Coisas do Rio de Janeiro.

29 de setembro de 2007

Noite de gala na telinha da Globo


Tá bom, tenho que admitir. Assisti sim ao último capitulo da novela ontem a noite. Não porque gosto de novela, nem porque quero saber quem matou quem, mas sim porque só iria jantar quando aquela porcaria acabasse. Por isso, mandei o controle remoto abrir a tela da Rede Globo algumas vezes enquanto a novela terminava.


Só que não sei se é por sorte que tenho o prazer de me deparar com detalhes que muitos deixam passar despercebidos por seus olhos. Em um dado momento, vi uma "sátira" ao Senado e a situação grotesca que acontece com o presidente da casa, Renan Calheiros. Uma personagem era questionada sobre a fonte de renda que recebia de seu amante para custeio de despesas particulares.


Contudo, o que me chamou a atenção não foi a cena em si, mas um detalhe que não vi ninguém comentar até agora. Caso não tenham percebido, o nome do senador interpretado por Denis Carvalho, era "Luis Fernando Cardoso". Não vou perder tempo explicando o nome dele, pois acho que o leitor já conseguiu perceber onde quero chegar.


Algumas horas depois, o Jornal da Globo abriu a sua edição com a matéria principal falando sobre o crescimento da Companhia Vale do Rio Doce. Desde ontem, ela se tornou a maior empresa brasileira, superando a Petrobrás. No entanto, desde o comentário de abertura do jornal, proferido por Willian Waack, passando pela reportagem de Guilherme Portanova e terminando com o comentário de Arnaldo Jabor, em nenhum momento foi citado que a empresa foi "doada" pela módica quantia de 3,1 bilhões de Reais.


Na verdade, Jabor deixou escapar que nos 10 anos desde a privatização, a empresa cresceu oito vezes. Segundo a reportagem, ela vale hoje 286 bilhões de reais. Qualquer calculadora simples pode comprovar que a empresa custava, na época do leilão, algo em torno de 35 bilhões de Reais. Além de tudo, quem assistiu ao jornal, ainda foi obrigado a ter que ouvir o comentarista dizer que "É espantoso que o velho PT pense em reestatizar a Vale, na linha dos malucos do MST, dirigidos por maoístas, criados por bispos da pastoral da terra."


Talvez - corrijam-me os que pensarem o contrário - reestatizar a Vale não seja realmente a melhor saída. Todavia, não dá para fechar os olhos e esquecer do roubo que a população brasileira sofreu há 10 anos, quando a empresa foi privatizada.


Em um tempo no qual o congresso estuda abrir uma CPI para investigar as denúncias que Renan Calheiros fez contra a Editora Abril, faço aqui um pedido para que se investiguem todas as grandes empresas de comunicação do país. Liberdade de imprensa sim, mas com responsabilidade e com justiça acima de tudo.

22 de setembro de 2007

Sem noção
Hoje foi o "dia sem carro", ou algo do tipo. Para as pessoas saírem de casa utilizando outros meios que não o automóvel. Legal, não sou pró-automóvel. Acho, contudo, que a população precisa ser bem servida no quesito transporte público. Algo que em Floripa é uma merda completa. Dia desses indo para aula - de busão - vi uma propaganda - noutro busão - para população utilizar mais coletivos, que é ecológicamente correto, mais sustentável, etc. Ótimo, todavia façam direito então. Que criatura que sai do bairro às 6h, pega três ônibus e chega no centro às 8h se animará a andar nesse sistema?
Florianópolis tem - além de duas tarifas únicas - um monte de terminais que foram pensados de um jeito, não funcionaram; foram adaptados e hoje são piores ainda. O salafrário do prefeito elegeu-se prometendo "abrir a caixa-preta do transporte", coisa que até hoje está na mesma. Aliás, na mesma não, porque com todos os rolos de cotisa, setuf e cia ele deve levar uns bons trocados, junto coa sua curriola. Eu não ligo de pegar ônibus em sampa. Pelo contrário, ia a vários lugares e raramente esperava mais de 10 minutos. Várias cidades tem sistemas que funcionam, positivos à população. Poderíamos muito bem, se vontade houvesse, ter um que funcionasse aqui também. Porém é muito mais interessante a quem manda na cidade que as coisas fiquem como estão. Mas essa é outra discussão.
Para finalizar, hoje teve apresentação da escola do Bolshoi no largo da catedral. Acabada a dança, foram os patetas do prefeito e secretário de transporte tirar fotos ao lado dos bailarinos (odeio esse tipo de autopromoção barata). Em seguida ganharam uma placa da Aflodef, por serviços prestados aos deficientes, sei lá, já tava indo embora. De qualquer forma achei um absurdo, uma cidade onde carros param em qualquer calçada, um monte de calçadas ainda tem buracos, prédios públicos sem acesso... Sem noção.
ps. Pergunte se prefeito e secretário foram de latão até o evento. Me agradas!

16 de setembro de 2007

Um Ano
Ele começou devagar, bem,talvez ainda seja. Porém, mesmo despretenciosamente, este inusitado blog chegou a um ano de vida. Sim, estamos há um ano no ar, com quase cem publicações entre artigos, fotos, opiniões, notícias. Em breve algumas receitas também. Muita coisa acontece em um ano. Naturalmente não conseguimos colocar tudo aqui, pelo contrário. Sabemos que por vezes deixamos a desejar. Nossa vontade de atualizá-lo nem sempre corresponde com o ato de fazê-lo. Sim, às vezes ele pode parecer abandonado, todavia o fato é que não passamos um dia sem pensar no AJ. Sempre queredo colocar alguma novidade, um link interesante, algo inovador e inesperado. Vontade, acreditem, não nos falta. Talvez tempo, dedicação, organização sim; vontade nunca. Assim chegamos a esse primeiro aniversário, sabendo que temos muito o que melhorar, mas, acima de tudo; sempre fazemos o melhor possível. Rumamos agora a mais uma etapa, cada vez menos aspirantes e mais jornalistas. Um degrau de cada vez. Mas sem parar.
Um brinde. E que venha mais um ano.
Aspirantes a Jornalistas

14 de setembro de 2007

A menina que seguiu a poesia



A manhã era chuvosa em Palhoça. O dia triste poderia servir como inspiração para as lágrimas que teimariam em cair alguns minutos depois do rosto dela, não fosse o motivo de tais gotas. Helen Francine veio até a Unisul para falar um pouco sobre a sua vida como jornalista e também sobre a experiência de mergulhar nas histórias do poeta catarinense Lindolf Bell. Histórias estas, que montam o livro “Quixote Catarinense”.

Helen nasceu em Lages, mas viveu a maior parte da sua vida em Balneário Camboriú. Suas paixões? As flores, a literatura e a cor lilás. E desde menina, a literatura já fazia parte de sua vida, inclusive trazendo influências para a pequena que marcariam toda a sua trajetória. Ela cita como uma dessas influências, a frase que leu “em algum lugar” e que não lembra o nome do autor: “Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez”. As flores e a natureza em geral, também são fontes das quais a vida de Helen se nutre. Ela fala do hábito que adquiriu no curso de pós-graduação: abraçar árvores.

A conversa em vários momentos, torna-se um monólogo dela com os outros que estão na pequena sala com cheiro de mofo dentro da Unisul. Aliás, o cheiro se perde com a voz de Helen ao declamar poemas de Lindolf Bell já pelas 10h da manhã. Seus olhos se enchem de lágrimas quando ela se lembra de alguns momentos durante a produção do livro sobre o poeta. Muito antes de sequer imaginar a entrada na faculdade de jornalismo, os dois tiveram um único contato pessoal, que seria marcante para a então menina que ainda ensaiava suas primeiras letras no universo da poesia. Em 96, ouve um concurso no colégio onde ela estudava e Helen ficou com o primeiro lugar. Quem entregou o prêmio a ela foi justamente o poeta Bell que lhe disse no pé do ouvido: “segue o caminho da poesia”.

E a menina o fez. Continuou a escrever poemas. Não raro ela também os declamava em publico. Praças, reuniões com os amigos, até casamentos. Todos os lugares eram palcos para Helen mostrar o talento que estava começando a aflorar. Bell também era assim. Nos anos 60, ele fundou um movimento chamado de Catequese Poética, que consistia em levar a poesia até o público, onde quer que fosse.

Então um dia, veio a faculdade de jornalismo e lá a paixão por autores como Truman Capote, Tom Wolfe, Caco Barcellos e todos os autores que aderiam ao new journalism. A paixão foi quase tão instantânea quanto a que ela sempre cultivou pela poesia. Os textos sobre as mais variadas personalidades e lugares indicaram um caminho sem volta para a agora universitária Helen.

No entanto, a inspiração principal para escrever “Dom Quixote Catarinense” só viria no fim do curso. Helen fazia parte da recém inaugurada Academia de Letras de Balneário Camboriú, quando em uma das reuniões foi feita uma homenagem ao já falecido Lindolf Bell. Para receber a homenagem, a filha dele Rafaela Bell. Em seu discurso, Rafa – como a intimidade permitia a Helen assim se referir a filha do poeta – falou sobre as memórias que tinha do pai. Aquele discurso fez com que a estudante, a um ano da conclusão da faculdade de jornalismo, decidisse mudar os projetos que tinha em mente. Surgiu ali o embrião do que viria ser uma grande jornada em busca das histórias do velho poeta catarinense, quase esquecido pela literatura fora das fronteiras de SC.

Ela se emociona diversas vezes ao lembrar das coisas que aconteceram durante a produção do livro. Suas entrevistas, as aventuras em São Paulo, as dificuldades tanto financeiras quanto emocionais. Ela lembra que levou um ano para conseguir reunir e escrever as histórias sobre Lindolf Bell. Todas, divididas nos 24 capítulos que formaram o trabalho de conclusão de curso de Helen Francine.

Após o término da faculdade, Helen continuou a trabalhar na Rádio Univali, onde fez estágio durante o período acadêmico. Ela também é repórter da TV Mocinha de Balneário Camboriú. Ela diz que sempre busca trazer para suas matérias a poesia que sempre esteve presente na sua vida.

11 de setembro de 2007

Globalização maldita

O melhor de tudo nesse vídeo é a espontaneidade do moço.

Ayuda-nooooosssssssss!!!!!!!!!

4 de setembro de 2007

Esse foi para a revista FT, aula de planejamento gráfico II. Admito, não fui eu que fiz. Na verdade adaptei-o de uma revista, visto que tal trabalho visava apenas a montagem da revista, não o conteúdo em si. Em todo caso, a FT ficou perfeita, nada que não feche. Quanto ao texto, agora coloco-o aqui.
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As imagens produzidas por grandes fotógrafos - carinhosamente vistas enquanto matava alguma aula chata, aguardando o intervalo - pelo estudante de arquitetura sentado nas poltronas verdes da biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP com certeza ajudaram a despertar o interesse pela fotografia. O livro era Image à la Sauvette, de Cartier-Bresson, e o leitor um dos maiores fotógrafos brasileiros, capaz de retratar o cotidiano das cidades como ninguém. Mas não as únicas.
Desde cedo o então acadêmico de arquitetura gostava de ver boas imagens. Esperava ansiosamente pela chegada da revista Realidade, na qual podia admirar instantâneos de Cláudia Andajur e Maureen Bisilliat, nomes que fizeram história na publicação entre os anos 60 e 70. Tais imagens povoavam e pululavam na cabeça do, à época, aspirante a fotógrafo. Hoje, com 39 anos de estrada, viagens e prêmios, ele continua disposto a encontrar a cada momento o que pode ser a foto marcante, o instante decisivo.
Profissional autônomo dedica-se principalmente à fotografia de cidades, ruas e todo tipo de edificação e situação. “Cidades são geniais já que, de repente, você depara com uma coisa que nem pertence a paisagem fixa, é aquela situação momentânea, que surge nas pessoas que passam, em uma luz que só está existindo naquele momento” diz Cristiano Mascaro. O paulista de Catanduva gosta de comparar seu trabalho coa literatura: “A fotografia é normalmente situada no universo das artes plásticas, mas também tem um compromisso narrativo muito próximo ao da literatura, que é o compromisso de contar uma história, o de desfazer e refazer a realidade, conforme escreveu Antônio Cândido. Acho isso incrível, porque, na literatura, você conta a história com as suas palavras, e aquilo acaba tendo uma ênfase muito maior do que simplesmente a descrição da realidade. A fotografia tem toda essa maneira de mostrar a realidade de uma outra forma, filtrada pelo olhar”.
O início da carreira de Mascaro deu-se no fotojornalismo, estimulado por colegas descobriu o desejo de realizar reportagens fotográficas. Numa atitude certeira bateu à porta de Cláudia Andajur, que além de admirar fora jurada num concurso onde Mascaro dividiu o primeiro lugar com outros dois fotógrafos. Através de Cláudia Cristiano foi apresentado ao diretor de arte da revista Veja – que seria lançada naquele 1968. Quando foi contratado não havia sequer se formado na FAU, mas em poucos meses o arquiteto estava trabalhando para a revista. Até 73 fotografou para Veja, período no qual também estudou por cerca de dois anos em Paris. Na volta para o Brasil, em pleno regime militar, não acreditou numa carreira como fotógrafo de revista. “Surgiu a chance de voltar para universidade para coordenar o setor de recursos audiovisuais. Eu queria documentar a cidade e a arquitetura paulista” conta. Nessa nova passagem pela FAU, onde passou mais 14 anos, Cristiano concluiu mestrado e doutorado. Contudo, “isso tudo (o campo da pesquisa) não me fascinava, eu queria mesmo era fotografar e fazer reportagens.

***
A premissa do fotojornalismo nunca o abandonou. “Considero que faço isso até hoje, porque o meu trabalho, apesar de ter caráter documental, não deixa de ser uma reportagem”. O gosto e a atração pela temática da urbe vieram da infância. Nas andanças pela cidade de São Paulo – indo à escola, casa de amigos ou ao cinema ver filmes em P&B – os prédios o impressionavam. Sempre atento aos arredores, o trajeto favorito era pela Avenida São João, com suas construções de todo tipo.
As fotos de cidades começaram ao fotografar a capital paulista na década de 80, quando fazia relatórios anuais para um banco. Tal função levou-o a outras cidades, bem como nos tempos de Veja. Trabalhos encomendados também ajudaram o fotógrafo a conhecer diversos lugares do país. Em 1998 clicou 28 centros históricos para o Projeto Monumenta, entre eles os de cidades pequeninas. Em seguida veio O Patrimônio Consumido, no qual fotografou os cem edifícios mais significativos para a arquitetura brasileira – trabalho efetuado em apenas cinco meses.
Cristiano acha que um dia trabalhará com equipamento digital, todavia não sabe quando esse momento chegará. Só o usa quando clica com sua digital compacta, usada como “bloco de notas”. “Estou esperando as coisas rolarem mais. Evidente que tenho a maior curiosidade, que vou ter de trabalhar com o digital; mas, enquanto existir o filme, vou tocando com ele”, afirma, realçando a segurança dos negativos: “Morro de medo de medo das minhas fotos entrarem num buraco negro”. O equipamento, tradicionais Nikon e a clássica Leica, série R.
Com simplicidade, fala do futuro: “Vou tocando minha carreira assim, tenho mais uns 20 anos de fotografia aí pela frente, e é assim que vou levando, não posso parar de trabalhar”. Ainda bem.


1 de setembro de 2007

De vez em quando é legal respirarmos um pouco.


Aí está o novo layout da página que eu troquei sem consultar ninguém, nem mesmo os meus colegas aí do lado. Se alguém não gostar é só avisar que nós voltamos para o modelo antigo.

Como diria um professor que eu tive...

A todos, um abraço, um beijo e um queijo.

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