3 de maio de 2007

Futebolísticas - uma visão nada imparcial do esporte nacional
- O embate do Morumbi bem que poderia terminar empatado. Tanto São Paulo quanto Grêmio tiveram algumas - talvez aquém do esperado - chances de gol. Os paulistas souberam aproveitar.
Impossível arriscar um palpite. As chances de cada uma das equipes chegar à próxima fase são iguais.
Dagoberto mostrou que chegou para ficar com vaga de titular. Mesmo após cinco meses parado, driblou, chutou e participou do tento marcado pelo São Paulo. Ilsinho não é mau jogador, todavia pensa que é muito melhor do que realmente é.
Chora Amoroso!
- O Figueirense foi valente e arrancou um empate em 2x2 contra o Náutico, após sair perdendo. Em diversos momentos esteve perdido em campo, mas soube se portar como time grande que pretende ser e não se abateu. Mário Sérgio faz grande trabalho.
Já vi muita camisa feia, mas a que o Figueira usou ontem...
- Um Flamengo perdido em campo tomou três do Defensor, em Montevidéu. Podia ser mais, tamanha displiscência do rubro-negro. Agora o time brasileiro precisa fazer quatro gols de diferença para passar às quartas de final. Não é impossível, porém é bem complicado entrar numa partida com obrigação de golear.
Não sei se foi birra ou havia alguma confusão anterior. O fato é que Juninho não fica no Fla.
- O Milan eliminou o Manchester United, na semifinal da copa dos campeões. Partida quase sem graça, os italianos ganharam por 3x0, com belíssimas apresentações de Kaká e Seedorf. A final será em Atenas, dia 23 vindouro. O adversário é o Liverpool que chegou à decisão após eliminar o Chelsea nas cobranças penais.

2 de maio de 2007

Uma bela canção sempre fica melhor com belos intérpretes

Se estes querem ser "ídolos" do Brasil, eu, no alto de minha suprema ignorância, já posso começar a pensar em ser Deus

30 de abril de 2007

Há Quanto Tempo?



Há quanto tempo
você não olha para o céu?
Não percebe as tonalidades
de azul que o compõe

Há quanto tempo
não presta atenção ao burburinho?
Ouve o que ele diz
sobre qualquer coisa?

Há quanto tempo
você não sente o cheirodo ar?
O perfume da grama, da rosa
ou da estátua de bronze que enferruja?

Há quanto tempo
você morreu?
Foi no seu escritório, em frente a tv
ou lendo um jornal?
Samuel Nunes

27 de abril de 2007

Enquanto isso, na Terra Brasilis...
  • O patrimônio médio dos petistas reeleitos, de R$ 188 mil, é o menor entre os principais partidos em 2002. O maior valor médio foi declarado pelo PFL, com R$ 3,196 milhões, seguido do PTB, com R$ 2,152 milhões. PSDB, com valor médio de R$ 1,463 milhão, e PMDB, com R$ 1,415 milhão, vêm em seguida.
  • Em 2002, 18 eleitos (1% do total) tinham juntos R$ 1,131 bilhão, o que representava 50% do patrimônio dos 1.790 eleitos. Outros 281 informaram bens superiores a R$ 1 milhão.
  • A Mesa Diretora da Câmara já elaborou o projeto que reajusta os salários dos deputados e senadores em 28,05%.Pelo projeto, os salários saltariam de R$ 12.847 para R$ 16.512,09. O aumento corresponde a inflação acumuladas nos últimos quatro anos.
  • Em meio à pressão para conseguir o aumento dos salários e da verba para contratação de assessores, a cota aérea a que os 513 deputados federais têm direito foi reajustada em 2,6%.Com isso, a verba aumentou 185,8% desde junho de 2000, contra uma variação de 63,8% da inflação (IPCA) no mesmo período.
Alguém sabe o que é ter um milhão?
Dados do sítio da Folha de São Paulo

22 de abril de 2007

Futebolísticas – Uma visão nada imparcial do esporte nacional

-Não dá para dizer que foi uma zebra.Bem, quiçá uma zebrinha, porém não uma surpresa daquelas inacreditáveis. Penso que zebra mesmo é quando um time sem qualquer padrão – algo próximo ao Avaí – ganha de um bem estruturado. Sem qualquer dúvida o São Paulo é uma das melhores equipes do país. Só que nas duas partidas semifinais o São Caetano esteve longe de atuar como o alvi-celeste da ilha. Jogou de igual para igual, superando-se e aproveitando os erros do tricolor.

Vi muitos comentários na imprensa, e por mais que respeitassem a equipe do ABC, abavam deixando-o como figurante. Foi um coadjuvante dos mais competentes, desses que acabam roubando o papel do protagonista.

Rogério Ceni deve estar procurando a bola do gol do Douglas até agora.

Chora Ilsinho!

-Como Luís Carlos Jr. Trabalhou na Corrida aérea, e Marcelo Barreto na Decisão da Superliga feminina de vôlei, foi escalado para comandar o Troca de Passes Eric Faria. Eric é repórter da Globo e participa do Redação e do Troca, mas debatendo. É natural, todavia percebia-se que em alguns momentos da transmissão o rapaz titubeava.

-O Atlético empatou em um gol com o Democrata. Esse negócio de mandar voltar cobranças... Se o goleiro Vilar se adiantou nas duas, não deveria o árbitro repetir as duas? Como o galo ganhou o primeiro jogo, foi para a final. Será contra o Cruzeiro, que passou pelo Tupi goleando, 4x0.

-Em 16 meses o Fluminense contratou nove treinadores. Daqui a pouco chamam o Bernardinho.

-Falando em vôlei, hoje a Cimed mostrou porque era uma das equipes favoritas ao título da Superliga. Fez três sets a zero no Minas jogando na ilha, no ginásio do Sesc. Agora precisa ganhar em Belo Horizonte no próximo sábado para empatar a série melhor de cinco em duas vitórias para cada time.

No sábado, em Niterói, o Rio de Janeiro derrotou o Osasco no quinto set de um jogo disputadíssimo, último das finais; e sagrou-se tetracampeão da Superliga feminina.

-Faltam cinco rodadas, contudo o campeonato francês já conhece seu campeão. O Olympique de Lyon conquistou pela sexta vez o título, e é o único clube europeu a ficar com o campeonato nacional seis vezes seguidas. Há seis anos o clube não sabia o que era levantar tal taça, até que lá desembarcou Juninho Pernambucano. Merece uma estátua.

-Aqui em Santa Catarina o Criciúma ficou no 1x1 com o Metropolitano. A Chapecoense fez sua parte derrotando o Atlético de Ibirama por 3x2 e fará a final contra o tigre.

-Digam o que quiserem, para mim o Bragantino merecia ganhar. Fábio Costa fez grandes defesas, e ainda contou com a sorte de ver um chute de Juliano ficar na trave a poucos minutos do fim. O time de Bragança Paulista merecia ter balançado as redes, foi audaz frente ao poderoso Santos – que jogou aquém do seu potencial.

Cléber Santana forçou. A paradinha foi boa, o goleiro estava rendido, o lado esquerdo do gol aberto, mas aquilo não foi chute de jogador profissional.

A Federação Paulista de Futebol é outra que parece que bebe. Manter as finais na capital, com um time do litoral e outro do ABC é, no mínimo, idiotice. Não há problemas de torcida, e os estádios dos finalistas foram utilizados durante o campeonato inteiro, porque veta-los agora?

E que regulamento. Como a Globo queria mais emoção para suas transmissões, a FPF trocou a fórmula de pontos corridos por semifinais e finais. Mas que graça tem um time empatar quatro partidas e ser campeão? Quiseram compensar, “olha clubes, já que têm que ter final, os primeiros tem vantagem pelo empate”. Isso não existe, decisão é decisão, empatou é pênaltis e está acabado. De forma alguma contesto a classificação do Santos, as regras estão aí para serem cumpridas. Não é nenhuma vergonha jogar com o regulamento. Porém que a fórmula ficou tosca, ah ficou.

14 de abril de 2007

Como se não bastasse a derrota

Fazia um tempo que não ia na Ressacada. Hoje tem clássico, mexe com a cidade, é gostoso. Cabulo a aula de latim e pouco depois das seis e meia estou indo para o estádio. A fila, que sempre é terrível, hoje é pior, com o carro parando o tempo todo. Mesmo assim chego uma hora antes do jogo, pronto para comprar o ingresso e entrar. Aí começa o problema. A Ressacada passou por reformas, agora a bilheteria tem oito guichês. Quatro estavam funcionando. Espero chegar e minha vez, e... surpresa. Com a reforma ingresso mais barato custa R$ 20, para ficar atrás do gol. Uma área pequena, não passa de 3 mil lugares. Todos vendidos.

Tudo, penso, compro a meia entrada da cadeira. As antigas sociais custam R$ 60, as novas cadeiras – onde era a geral – R$ 30. Porém, o vendedor fala que não tem meia entrada, simplesmente não existe. Apesar da lei, e com muita reclamação, sem chance. Tudo que ouço é “quer reclamar vai na secretaria”. Vou, só que o segurança não me deixa entrar, diz que reclamações são em outro local. Local esse com uma fila para quem é sócio pegar a entrada. Assim eles mandam o torcedor otário de um lado para outro, e o jogo prestes a começar.

Estamos em cinco, ninguém tem dinheiro para custear a inteira. Os cambistas querem vender o ingresso da descoberta ao preço da cadeira. Vão todos se fuder, por isso que esgota. Começa a garoar, uma equipe da tv Record passa por nós. A repórter se dirige a mim; não fala nada, apenas segura o microfone para que eu diga algo. E eu falo. Digo que é um absurdo, que chegamos cedo, todos com carteirinha de estudante na mão e eles não venderam, que fazem o torcedor de idiota. Enquanto falo ela mexe a cabeça, como quem quer dizer “é isso aí, pode falar”. Ela então pergunta “e o Avaí?” Respondo rápido, “o que Avaí se arrombe, quero é minha meia entrada”.

O jogo começou e estamos na rua. Num lance de sorte, um que estava conosco encontra o pai, e empresta dinheiro para que compremos o bilhete. Mais fila. Quando vamos para o portão, a fileira de torcedores quase dá a volta no estádio. Como disse Fernando Morais, mandei minha consciência e para as cucuias e entrei lá na frente, numa furada magistral. Dentro, há uma escada de três metros de largura, por onde sobe-se às arquibancadas. É muita, muita gente, não duvido que tenham vendido ingressos a além do permitido.

Com as cadeiras é preciso cuidado para não tropeçar – alem de não sobrar espaço para ficar em pé tranquilamente – enquanto procuramos lugar para ficar. Transformaram o estádio, ficou uma bosta. Além do ingresso caríssimo, não há lugar para a “geral” além de minúsculo espaço atrás do gol. Será que pensam que aqui é a Europa, onde quem vai ao estádio paga, por baixo, uns 50 euros? Se pensam, faltou a organização impecável dos campos do velho mundo.

Na saída uma meia hora parado fora do carro, esperando a montoeira de carros andarem. Quando saímos, não perdemos o privilégio de ficar trancado nos entornos da Ressacada. Chego em casa passa da meia noite.

Ah, o Avaí perdeu o jogo.

Ironia – No último jogo que fui, ano passado, perdi meu celular. Ele custava cem reais. Ontem, entrando no portão B, achei um, moderno, daqueles que abrem e tem um tecladinho. Deve valer uma nota. Já está nas mãos do dono

12 de abril de 2007


Publicado no jornal "O Estado" em julho de 1951.Continua atual.

8 de abril de 2007

Programa Dominical

Não costumo assistir o programa do Raul Gil. Contudo, o “homenagem ao artista” de hoje recebia um dos maiores violonistas de nosso país, Toquinho. De prima pensei “pô, Toquinho no Raul Gil, como é que pode”. Acusam-me muitas vezes de radical, talvez de fato seja. O fato é que, a priori, não engoli ver o Toquinho num programa dominical da Bandeirantes. E aposto que uma porção de gente deve ter pensado a mesma coisa. A nata da pseudo-intelectualidade que não aceita ver um bom artista na grande mídia. Que acha que programa popular só deve receber pagodeiros, sertanejos e outros tipos não muito sofisticados.

Depois pensei um pouco. Que atitude mais reaça poderia eu ter? Queixo-me tanto que o brasileiro é um povo sem cultura, que só gosta de música ruim. E o que fazer para mudar isso? Hoje vi um exemplo. Certamente milhares que viram o programa conheceram mais da vida e obra do compositor. Talvez alguém que conhecia-o “por cima” queira saber mais, e quem desconhecia teve o prazer de ouvi-lo cantar “Tarde em Itapoã”.

Não quero dizer que o programa Raul Gil seja o salvador da pátria. O formato do programa mistura depoimentos com novos artistas que cantam musicas do homenageado da vez. Tais artistas devem ser ex-calouros do próprio Raul, imagino. Não gosto deles cantando, é deveras forçado. Como no Faustão, alguns depoimentos são carregados no quesito dramalhão. Ainda assim, deram seu recado Carlinhos Lyra, Francis Hime e outras figuras da Bossa Nova. E não faltou o próprio Toquinho tocando seu finíssimo violão, ao vivo.

Que a programação brasileira tem muita porcaria, indiscutível. E que televisão no domingo é um monte de merda que culmina no Fantástico, idem.Se tivéssemos a chance, entretanto, de por pelo menos uma hora ver Chico, Bethânia, ou especiais sobre Tomzinho e outros nomes da genial música brasileira, nosso povo estaria melhor assistido.

4 de abril de 2007

Alemão no País do Big Brother


Era uma vez um rapaz de São Paulo, que entrou em um programa de televisão conhecido como Reality show. Lá dentro protagonizou uma “novela”. Conseguiu o amor de um siri, brigou com um cowboy, mostrou a bunda e outras coisas também, Tudo isso para levar o prêmio de 1 milhão de Reais. Enquanto ele lutava lá dentro para levar a bolada, milhares de pessoas em casa torciam pelo “mocinho” da novela. Só que diferentemente de uma novela onde toda a narrativa é construída a partir de fantasia, no tal de reality show, a narrativa é uma pérola da edição de imagens.

Para os que estiverem lendo e por ventura não souberem o que é uma edição de imagens, aí vai uma breve explicação. Talvez não seja a melhor, mas é o que dá pra fazer nestas poucas linhas que escrevo (se eu escrevesse mais que isso, ninguém iria ler além deste parágrafo). O processo de edição consiste em juntar horas e mais horas de material gravado em fitas, selecionar os trechos que são considerados mais importantes e então juntar isso para formar um material audiovisual. Este processo é usado tanto em cinema, quanto em telejornalismo, e também é usado na produção de programas como o Big Brother.

Alguém está lendo e pensando: “Por que você escreveu isso? Tá achando que eu sou idiota? Até parece que não sei o que é edição.” Entendo sua revolta, mas para seu governo, se é que alguém lê essa joça de blog, é bem capaz de haver uma pessoa que ainda não saiba o que é o processo de edição.

Bom, voltando ao processo de edição, vamos ao que realmente interessa sobre o que eu falei antes. Note o leitor que eu escrevi que as melhores imagens são usadas para produzir o material final. No caso do Big Brother, existem dezenas de câmeras que captam imagens dos participantes durante 24 horas por dia, 7 dias por semana. É muito material para caber em um programa de uma, no máximo duas horas. Pois bem, quem decide o que é ou não melhor para uma determinada cena ir ao ar, é justamente o editor e os diretores deste programa. O que lhes dá o direito de saber o que é mais importante? Absolutamente nada além do cargo.

Por ter sido vítima de um verdadeiro bombardeio de Big Brother na minha caixa de e-mails nos últimos meses, decidi que ao final da festa iria escrever algo sobre o programa baseado apenas na minha leitura sobre o tema, que seria feita no dia após o fim deste programa. Pois bem, eu a fiz e logo abaixo estarão os endereços dos sites que consultei para embasar este artigo.

Foi desta forma que eu escrevi o que você leu no primeiro parágrafo. Um breve resumo do que deve ter acontecido. Assim como meu resumo simplório, o processo de edição modifica todo contexto de um ocorrido de acordo com o desejo de quem comanda a máquina de edição. Dessa forma, a edição que houve da briga entre Alemão e os demais participantes e o desenrole dessa situação, segundo algumas fontes, com certeza conseguiram levar o cara do cabelo loiro até a bolada.

“Mas eu vejo o Big Brother na tv por assinatura, ali não tem edição”.Ledo engano caro leitor. Sinto informar-lhe que em momento algum você escolhe qual das várias câmeras vai mandar imagens pra sua telinha. No máximo você escolhe entre alguns ângulos pré-definidos por alguém que seleciona a imagem para você.

Resumindo, se você gastou dinheiro com telefone, perdeu tempo na Internet ou calejou seus dedinhos mandando mensagens pelo celular para dar o prêmio ao Alemão que apaixonado pelo Siri, apenas por causa do amor bizarro entre eles, ou por que ficou com pena deles terem sido separados pelo cowboy vilão, meu amigo, muito provavelmente você foi vítima da tal da edição. Ou você estava achando que naquela linda história existiam realmente mocinhos e bandidos? Sérgio Ripardo, editor da Folha On Line, descreveu hoje em sua coluna como se dá o processo de fabricação de um vencedor do Big Brother: Primeiro, cria-se uma identidade do anônimo (o loiro garanhão, jeito de mano e bombado) em três meses (janeiro-março) e depois se explora sua curta popularidade (abril-junho) em visitas a programas de TV, ensaios sensuais e factóides em colunas (terá um programa próprio? vai namorar quem? como está torrando o R$ 1 milhão?).” Todos estavam ali pelo prêmio. Quem disser o contrário está mentindo. Eles matariam as próprias mães se isto fosse necessário para levar o milhão. Como diz José Simão, da Folha de S. Paulo, o Brasil é o país da piada pronta. O final da história foi montado e mais de 20 milhões de pessoas aprovaram para que ele acontecesse.

Não existe nem nunca vai existir um reality show. Mostrar rostos plastificados para alcançar audiência é uma prática comum na televisão brasileira. Basta olhar para os outros programas que estão no ar. O que nós vemos é um excesso de bundas e uma escassez de cabeças. Ninguém pensa, apenas se mostra o que se tem. Já que não se tem cérebro, se tem peitos, coxas etc.

O resultado do Big Brother é uma alegoria do que acontece em todas as esferas da sociedade brasileira. Lembre-se das eleições (exemplo clichê, porém válido). A maioria dos eleitores vota apenas em quem lhes parece um bom candidato, segundo um determinado aspecto, seja este o fato de arrumar emprego para os parentes, honestidade, capacidade, enfim. Poucos são os que procuram saber na prática o que faz com que determinado candidato mereça o voto.

30 de março de 2007


Florianópolis: 281 anos de pequenas estórias




Florianópolis, 17 de março de 2007. Nas calçadas, o conjunto: a agonia na latinha à espera da caridade entre os passos apressados e, por vezes, despercebidos. Entre prédios antigos e construções mais recentes, muitas janelas instigam os olhares de quem está alguns andares acima; não raro, podem-se observar pessoas tomadas pela curiosidade voyeurista com seus olhares predestinados à análise dos caminhos alheios. Caminhar pelo centro da cidade é aguçar os sentidos, ver o não visto, discernir a calmaria do canto de um bem-te-vi entre o estardalhaço do som urbano. Em meio a tantos paradoxos, a manhã de um sábado se expressa. O fato: o tempo.

Antes o mar, hoje a civilização. O aterro soterrou o charme do mar que batia no mercado público e no prédio da alfândega. Pelas ruas Deodoro, Trajano, Jerônimo Coelho, milhares de pessoas descem em direção ao largo da Alfândega, ao Mercado Público, ao Camelódromo, ou de onde mais for possível chegar até ali. Todo o dia, dia e noite. Será que dá tempo de pegar o próximo ônibus?

Cinco minutos sentados à mesa de plástico disposta no calçadão do Mercado Público são: um senhor que atravessa o Largo da Alfândega carregando a arte, um quadro em suas mãos. Som de fundo: “Paranauê, Paranauê, Paraná”; os capoeiristas cumprem sua dança, atemporais. Quem quer apreciar, pára. Quem não quer, continua no ritmo desenfreado dos passos. A buzina do vendedor de algodão doce, o som das flautas dos peruanos, o samba nos alto-falantes do mercado, o vaneirão nas lojas de eletrodomésticos e os burburinhos de milhares de pessoas que circulam ali, formam uma orquestra totalmente desconexa. A desordem sonora ilustra a vida, sinestésica. Além dos sons os cheiros. No Mercado, os peixes, a cerveja no bar; em um lado do prédio da Alfândega, os embutidos, as frutas, os biscoitos; do outro, o fedor de esgoto que sobe pelos bueiros.

Um menino brinca com uma bola presa a um elástico; a bola vai-e-vem, é amarela. O moço dos olhos azuis acompanha a mãe, curvado, guiando-a: a mão direita apoiada no ombro esquerdo da senhora de cabelos poucos, brancos e de tão baixa estatura. O turista carrega prancha. Os homens bebem e conversam em outra mesa. Paredes descascadas, bares, mercearias, loja de presentes, papelaria, roupas: o Mercado é Público para todos os públicos. O bater das asas dos pombos levanta as migalhas de pão e a sujeira que outrora foi varrida pela moça funcionária da Comcap. Os atos da vida e a vida entre atos. “Paranauê, Paranauê, Paraná”.
Tem feirinha na praça! Entre tantos tipos de produtos artesanais, o chileno Joseph vende artigos hippies feitos em couro por ele e pelos filhos. Simpatia estampada no sorriso que não demora a aparecer, ele conta que saiu do Chile em 1981 por causa da ditadura. “Nunca mais voltei pra lá”, falou Joseph.

Pelas ruas, as placas dizem “Esmola não dá dignidade, ajude a criar oportunidade”. No chafariz, a dignidade se esvai como as gotas da água que jorram. A indiazinha triste, coberta por um manto sente o cheiro da pipoca despertar-lhe o estômago. O cachorro fica observando as pessoas na rua, procurando um olhar que cruze com o dele. O animal já desistiu da menina. Sabe que talvez ele ainda tenha mais a oferecer a ela do que o contrário.

“Aqui tem um chorinho”, diz o vendedor de caldo de cana do Mercado, completando o copo. Os olhos de um senhor pobre brilham depois do gesto cordial: um garoto pagou-lhe uma garapa. Depois disso, apenas seguiu seu caminho. O mesmo caminho em que cruzam tantas estórias. A alguns metros dali, a barbearia do Seu Vargas, na Jerônimo Coelho, permanece há 46 anos com freguesia fiel. “Sou aposentado, mas sem o trabalho eu não vivo”, contou Waldir Vargas. Num espaço apertado, sentado a um degrau, ele já não pode ouvir tão bem, mas não se cansa de observar o movimento. “Minha vida faz parte disso”, exclamou.

Arielli Guedes Secco
Samuel da Silva Nunes

21 de março de 2007

Fragmentos do Cotidiano

Lajotas brancas, pretas, paralelepípedos, pedras de rio. É heterogêneo o pavimento do centro de Florianópolis. Há o bairro Centro, que corresponde a uma grande área da cidade. Refiro-me, contudo, ao centro da cidade, onde tudo é comentado, o comércio é forte e o vaivém interminável. No Rio de Janeiro, o centro é de um calor insuportável e guarda um punhado de prédios imponentes, como o Teatro Municipal ou a Biblioteca Nacional.

Ao contrário do Rio de Janeiro, o centro de Florianópolis é pequenino, o mais aconchegante que conheço. Sua maior construção é a Catedral Municipal, erigida por volta de 1700. No largo da Catedral, existem cinco telefones públicos, um relógio que marca a temperatura e 21 mesas de xadrez. Estas são devidamente ocupadas por assíduos jogadores, não importando a hora do dia. Seja jogando xadrez, dominó ou canastra, sempre haverá alguém ali. Do lado, um pequeno espaço, que originalmente funcionava como ponto de informações ao turista, e hoje é um posto da polícia militar. Junto à construção, uma dúzia de sem-teto fez do local a sua casa. Apesar da placa colocada pela prefeitura, com os dizeres: “A rua não é um local digno para se dormir”, eles têm papelões como cama; e cobertas que amarradas em uma grade aqui e outra ali formam verdadeiras “suítes privativas”.

Na frente da Catedral, pombos comem e se proliferam. Antigamente eram ariscos, contudo a urbanização os domesticou. Em grande número, tornaram-se um problema de saúde pois são os hospedeiros preferidos por piolhos. Constantemente, a ave columbídea se alimenta do milho jogado por transeuntes. A maior parte deste milho provém dos coloridos carrinhos de pipoca, em cuja lateral lê-se “Pipomídia – anuncie aqui”. Dezessete pipoqueiros ocupam diversas ruas do centro, revezando-se em diferentes logradouros Juntos, explica Seu Joaquim – presidente da Associação de Pipoqueiros e Vendedores de Milho de Florianópolis – eles pleiteiam melhorias para a classe, conseguindo, inclusive, a redução na taxa do alvará.

Dentre os muitos personagens do centro da capital, a qualquer momento você pode se deparar com um sujeito se espreitando entre lixeiras e postes; de roupa vermelha, capa verde e chapelão com os dizeres: “Lampião Maluco”. Ou então com um ser de quase dois metros de altura, mini blusa, cabelo verde e chapéu com chifres. Edson Antonio ganha a vida com um mega fone, fazendo propaganda desde políticos até lojas populares. Já passou pelo estado todo e, atualmente, pode ser visto na frente da Catedral.


O balcão do Bob’s está cheio. Silvia, a moça do café, não sabe precisar quantos são vendidos por dia, mas garanta ser bastante. Os florianopolitanos tomam mais café pela manhã do que à tarde, e preferem o expresso ao simples. O local é ponto de encontro de diversos estilos, que vão de adolescentes emos a senhores que discutem política. O Bob’s já foi palco de muitas situações inusitadas, explica Silvia, como comemorações de reveillon com direito a espumante e Monte Cristo Mini. Além de ponto de encontro, a lanchonete acaba servindo de banheiro para os habituès – mesmo não consumindo nem mesmo o tradicional café expresso.

Das mesas externas do Bob’s vê-se o belo jardim do Museu Cruz e Souza, que após reformas, fica aberto ao público. Para entrar no Museu, contudo, é preciso pagar R$ 2. Estudantes não pagam meia – entrada. Antigo Palácio do Governo, hoje o local abriga um pouco do passado do município. Para não arranhar o assoalho os visitantes são obrigados a calçar enormes pantufas cinzas. Na abóbada central os nomes dos 28 municípios existentes na época.

Perto dali, um senhor de pele escura e bigode grisalho tem seu escritório. É o seu Lidomir Moraes, amolador de facas. Seu Miro, como é conhecido, veio do Porto Alegre há 20 anos. E na bagagem, apenas a bicicleta de amolar – seu instrumento de trabalho. Quando chegou existiam apenas dois amoladores em Florianópolis, hoje são seis. Trabalha das 7:30h às 17:30h. Cerca de cem peças são afiadas por dia, entre facas, alicates e tesouras. A renda do trabalho lhe permitiu trocar as passagens de ônibus por bilhetes aéreos.

Perto das seis da tarde, o movimento se intensifica; pessoas saem do trabalho, estudantes do colégio. A rua fica tumultuada. As lojas fecham às 19h. Com a noite, o vaivém cai, restam poucas pessoas, na maioria estudantes do período noturno. Depois das 23h, a cidade adormece. Da balbúrdia que se ouve durante o dia, resta apenas o murmúrio do mar.

17 de fevereiro de 2007

A festa da carne
Finalmente é carnaval. Pessoas nas ruas cantando e dançando. Homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homens. Observo a tudo e sinto que por um momento os problemas acabaram. No outro lado da rua um homem indiferente a festa dos foliões procura latas vazias de cerveja e refrigerante. Em seus olhos é possível ver a soma dos centavos a cada nova aquisição. Nenhum dos presentes o nota. A festa continua. O som alto de um carro na rua embala cada passo das pessoas fantasiadas, cada gota de suor que escorre do rosto de quase todos que ali estão.

Um momento! Chega uma criança. Suas roupas rasgadas lembram aqueles refugiados de guerra que nós vimos na televisão outro dia. Ele carrega um saco maior que ele. Será que está pesado? Não parece. De repente ouve-se o menino gritar. Ele tropeçou. O saco vermelho, que lembrava o do Papai Noel arrebenta. Ele chora ao ver as garrafas plásticas rolarem pela ladeira. Todo um dia de trabalho está correndo na mesma velocidade das fantasias que se esbarram na rua apertada. Um olhar de ódio persegue o garoto. O homem das latinhas corre atrás dele. Deve ser seu pai, irado com a criança que não cumpriu o seu dever hoje.
A festa da carne tem a sua continuidade. Como doem os tapas que o menino leva. Por que ele não viu o buraco? Todos pulam, cantam e o menino chora. Ele sabe que ao chegar em casa não vai poder comer. Os quinze reais que se esvaíram pela ladeira iriam juntar-se aos 20 que o homem mais velho levava e comprariam a comida para suas quatro irmãs menores. Nesta rua, apenas os dois entendem a festa da carne de uma maneira diferente. Hoje eles não têm esta festa. Com muita sorte terão a festa do arroz branco com caldo de feijão. E a música que toca? Alguém aqui realmente está ouvindo? Os lamentos do menino soam como uma guitarra em meio a barulheira dos batuques que seguem dentro do carro com som alto.
É carnaval. Esperamos um ano inteiro por isso. Então vamos comemorar. Nossa tristeza, nossa pobreza, nestes quatro dias não iremos lembrar. Atrás do bloco dos sujos do trio elétrico ou na avenida com muito samba a tocar.

8 de fevereiro de 2007



Perto de duas da tarde,já achei que voltaria para casa.Contudo quando o ônibus pegou a Beira-Mar,na frente do CTC,pude ver o movimento.Saltei no próximo ponto,mas não juntei-me imediatamente.Primeiro analisei a situação,não mais de 60 pessoas cantando músicas anti-aumento.Era para ser um protesto contra a restrição do meio passe,porém tal medida já foi abandonada.Ficou então sendo contra o aumento iminente das tarifas,de R$ 1,80 para 1,90 no cartão e de R$ 2,10 para 2,40 em dinheiro.Apenas o fato da mesma viagem ter dois preços já é absurdo,mas essa é outra discussão.Quase deu vergonha,depois de tudo que já vi,um troço tão sem graça.Na minha opinião tanto o local quanto o horário foram pessimamente escolhidos. De qualquer forma vou atrás.

Caminham até o interior do CTC,com gritos conclamando os estudantes a protestar contra o aumento.O máximo que vejo são portas sendo fechadas.O CCS é o próximo alvo.Tenho a impressão que alguns idiotas sentados no bar riem de nós.Provavelmente vão para aula de Audi e estão cagando para aumento de tarifa.No interior do prédio algumas meninas cantam junto,todavia não há adesão.Até agora só o que fazem é cantar.De volta à rua,imagino não saberem aonde ir,alguns sugerem DCE,outros reitoria,outros Titri.Há certa divergência.Bem sem graça isso,ficar berrando na federal,ninguém vê,não acontece porra nenhuma.Acabam indo para o ponto perto da biblioteca.Numa mini assembéia,fica decidido que nosso destino é o Titri.

Demora uma porção para passar um ônibus que vá para o local escolhido,aparece a suspeita de que os carros estão pulando o ponto onde nos encontramos.Aparece um Santa Mônica,quase vazio.É esse mesmo.Nunca participei dum “catracasso”,deve ser interessante.Dois seguram as portas traseiras do veículo e a estudantada entra.Não há tempo para pensar muito,acompanho o fluxo e logo vejo-me sentado.O ônibus é quase todo nosso.Na frente da antiga Santa Fé um discurso explica a motorista,cobrador e demais passageiros que os estudantes estão lutando contra os empresários.Também que o aumento será justificado pelo aumento do salário dos funcionários das empresas de transporte,algo absurdo.E estamos do mesmo lado que eles.Segue uma salva de palmas para cada um.Gostei disso.Um dos cantos é “trabalhador é meu amigo/mexeu com ele mexeu comigo”.

Em todas as paradas o procedimento é o mesmo.As portas de trás são seguras enquanto chamam os citadinos para entrar sem pagar.A maioria paga,parece ter medo de apoiar os manifestantes.Entretanto,principalmente quando são poucos no ponto,algumas pessoas entram.Quando isso acontece todos festejam,é o passe-livre para população.O trajeto é seguinte:Santa Mônica,depois passa pela Udesc,vai por detrás do cemitério,passa por cima do viaduto de João Paulo,pega a 401 e volta para o Titri.A viagem inteira é marcada por cantorias.Chegando no nosso destino,novamente a situação é explicada e repetem-se as palmas para motorista e cobrador.

Descem do busão cantando,por alguns instantes ficam juntos dentro do terminal.Depois cada um toma seu rumo,pego um Titri/Ticen direto.Sem dúvida valeu ter vindo,e a iniciativa do “catracasso” pareceu-me bastante positiva.Apesar do parco número de participantes,foi uma ação deveras proveitosa.

29 de janeiro de 2007

É a lama, é a lama

No último dia 25 um dos maiores compositores da história brasileira estaria completando 80 anos. Não precisa nem dizer quem é, pois o leitor já deve ter lido, ouvido ou assistido em algum lugar, mas de qualquer maneira eu vou dizer. Ele era um grande amante da natureza, das mulheres, do samba, do jazz e do Rio de Janeiro. Tom Jobim era a alma do Rio. Entretanto, sua obra, assim como a de muitos outros artistas contemporâneos a ele se resumia em descrever as belezas do Rio e do Brasil.
Só que a beleza da qual Tom cantava só podia ser admirada pelos moradores dos bairros nobres da cidade. Na antiga capital do Reino Unido de Portugal e Algarves, o que se via nos becos era exatamente o oposto de muitas das obras desses não traziam. A beleza lúdica da simplicidade expressa em letras como a de "Águas de Março" jamais existiu de fato na sociedade carioca. O que existiu e persiste em existir até hoje é um grande abismo social entranhado em toda a Grande Rio.
Desde a época da colonização portuguesa o Rio de Janeiro e todo o Brasil sofreu com um grande déficit de educação. Apenas os filhos dos grandes fazendeiros que possuíam dinheiro para poder viajar à Europa podiam ter acesso aos estudos. Isto, aliado ao descaso dos mais favorecidos em relação aos mais pobres (note o leitor que nem incluo ainda os escravos e os índios) levou ao abismo que se vê hoje. A burguesia sempre se preocupou mais em contemplar o belo, o romântico e o parnasiano. O realismo neste caso nunca foi a grande preocupação da alta sociedade no Brasil.
O Rio de Janeiro sempre esteve mais para Machado de Assis do que para Tom Jobim. Sempre foi mais dos brancos ricos da zona sul do que dos mestiços pobres dos complexos de favelas. Hoje, o que mais parece assustar a alta sociedade do Rio não é a escalada social de jovens pobres do subúrbio, mas sim o medo de em breve perder o seu poder diante de uma revolução social às avessas. As imagens de crianças com armas na cintura parecem chocar mais a estas pessoas por elas demonstrarem que enfim estão prestes a derrubar todo o governo local (leia-se poder econômico) do que realmente o medo de levar um tiro na porta de casa.
E então vemos os programas sociais. O que devia ter sido feito há 50 anos ou mais nas comunidades pobres só aparece hoje por parte de algumas pessoas da Zona Sul. Estariam essas pessoas com boas intenções ou isto é apenas uma maneira de tentar amenizar a transição de governo que se iniciou nos últimos anos no Rio? "Se não podemos vencê-los vamos nos juntar a eles." Políticos corruptos, polícia mal paga, mal treinada, mal equipada e, muitas vezes, mal-intencionada, uma educação terrível e uma saúde que já está na UTI agonizando há anos, só podem pedir ao povo uma revolução social. Como o povo está tão maltratado e tão pobre que muitas vezes nem consegue comprar o pão para alimentar a si, coube ao tráfico de armas e drogas aproveitar o caminho e tomar o poder nas comunidades pobres oferecendo exatamente o que o poder público pela sua ineficiência histórica negou às comunidades carentes. Afirmo novamente que o Rio está mais para Machado que para Tom, entretanto um dos versos deste último sintetiza a claramente a situação tanto no Rio de Janeiro quanto no resto do país: "É a lama, é a lama".
O país implora por políticas públicas eficientes para que nós possamos um dia, antes que o tráfico de drogas e a violência tomem conta de tudo, nos sentar na beira da praia e observar a o encanto da garota de Ipanema, o balanço das mulatas que sambam no carnaval, a beleza da menina da Praia Mole, das negras da Bahia e das netas de alemães de Blumenau.

19 de janeiro de 2007

Ilustrada

14 de janeiro de 2007

Completa hoje 80 anos um dos maiores jornalistas do nosso país.Armando Nogueira nasceu em Xapuri,no Acre,e mudou-se para o Rio de Janeiro com 17 anos.Nesta cidade formou-se em direito e começou a carreira de jornalista no Diário Carioca.Passou pela Manchete e O Cruzeiro,e durante 14 anos dirigiu a Central Globo de Jornalismo.Foi redator e criou a coluna "Na Grande Área" no Jornal do Brasil,em 1959.Atualmente participa do programa CBN Brasil e do jornal Lance!.Seu "Papo com Armando" é semanalmente exibido no Sportv,além de participar de outras atrações do canal.
Exímio cronista,gaitista,botafoguense.Aos jornalistas,principalmente da área esportiva,cabe aprender com esta verdadeira enciclopédia viva do futebol.O homem cobriu simplesmente todas as copas do mundo desde a de 54,na Alemanha.E mais,quantos chegam aos 80 com disposição para exercer a profissão que amam?Um poeta do esporte,camisa 10 das letras.Que continue nos brindando com tamanha maestria em fazer o jornalismo.Parabéns Armando!

5 de janeiro de 2007

O ano em fotografias
Já que ninguém atualiza a bagaça... lá vou eu de novo...
Da série, retrospectivas de 2006, o site da NBC (canal de TV americano) fez uma retrospectiva do ano que passou em fotografias. Lá estão algumas das fotos que marcaram a cobertura jornalística de 2006. Dentre as fotos, destaca-se para nós a do paranaense Dirceu Portugal. A imagem que ele capturou foi sobre a repressão da polícia aos atentados do PCC em São Paulo em maio. Segundo declaração publicada no site Comunique-se, o fato de sua foto ter sido publicada nesta seleção foi um "estímulo para continuar na carreira.
Boa parte das fotos mostra, infelizmente, coisas negativas que aconteceram durante o ano. Entretanto, como toda boa foto, elas também trazem à tona discussôes que devem ser feitas por nós, observadores da história. Mas mesmo que o leitor não esteja com vontade de se preocupar com o que acontece no mundo, ainda assim vale a pena ver as fotografias pela bela aula de fotojornalismo que elas nos dão.
Vejas as fotos no site da NBC.

2 de janeiro de 2007

Os piores de 2006

Novo ano, novas metas... Mas por que esquecer aquilo que aconteceu de pior no ano que passou? Pensando nisso, o blog Kibeloco está realizando pela primeira vez o concurso "Piores do ano". São 15 categorias para você votar. Entre elas: Pior filme, Pior música, Pior mico e Pior da política.
Segundo o site, os indicados foram escolhidos através da pesquisa de críticas que foram publicadas em vários meios de comunicação no ano que acabou de se encerrar.
Dê uma passada lá e vote também.

30 de dezembro de 2006

Democratize-se ou eu atiro!
Neste sábado, Florianópolis amanheceu com um céu limpo, sem nuvens, com muito calor. Um típico dia de verão no qual a melhor coisa a se fazer é aproveitar a praia. Em Bagdá, o frio que abriu a manhã teve um sentido quase poético para os habitantes de todo o Oriente Médio. Um frio de medo. Medo do que pode acontecer a partir de amanhã. O enforcamento de Saddam Hussein foi confirmado pelo seu advogado às duas horas da manhã deste sábado (horário de Brasília).

Depois de ter sido condenado pela suprema corte Iraquiana em novembro, a continuidade da vida do ex-presidente passou a ser moeda de especulação na mídia internacional. Ele foi condenado à forca por ter ordenado a morte de 148 xiitas em 1982. Seus advogados vinham trabalhando desde o dia posterior ao da sentença a fim de reverter a ordem judicial.

No início de seu governo, ele recebeu apoio dos Estados Unidos para invadir o Irâ. Em 1989 Saddam decidiu invadir o Kuwait, em uma guerra que ficou marcada devido a coalizão liderada pelos Estados Unidos para derrotar o Iraque e as famosas “bombas inteligentes” – as quais deveriam atingir apenas alvos previamente determinados, como instalações militares mas que, no entanto, acabaram com a vida de milhares de civis iraquianos. A partir da Guerra do Golfo que se encerrou em 1990, o ex-presidente americano George Bush começou a conduzir uma campanha contra o presidente do Iraque. Esta campanha levou a ONU a impor sanções econômicas ao pais, o que levou o pais a uma grave crise econômica.

Saddam Hussein era conhecido pelos árabes por defender a unidade dos muçulmanos e ser radicalmente contra a influência ocidental e judia no Oriente Médio.. Depois do fim da guerra do Golfo, ele começou uma campanha com o lema “Alá é Grande”. Entretanto, o governo de Saddam ficou marcado pela crueldade dos atos do ditador que governou aquele país por mais de duas décadas.

Após ficar vinte e quatro anos no poder, Saddam foi deposto pelo exército americano em 2003. Naquela época, o motivo alegado pelo governo norte-americano para invadir o Iraque, foi que Saddam estaria produzindo armas de destruição em massa, e que estas seriam usadas em ataques contra vizinhos aliados a Washington. As acusações americanas nunca foram comprovadas. Em entrevista recente à CNN, a atual Secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, disse, fugindo a uma pergunta do jornalista que a entrevistava que “o que importa é que hoje o povo iraquiano vive melhor do que na época de Saddam”. Na época da invasão, a ONU emitiu uma resolução condenando o ato do governo americano.

O governo americano estima que mais de 30 mil civis morreram desde o início da guerra em 2003. Já o jornal “Washington Post" estima que mais de 600 mil pessoas já morreram. Além disso, quase 3000 soldados teriam sido mortos durante os três anos de ocupação americana de acordo com o exército.

A paz na região é praticamente inexistente desde a criação do Estado de Israel. Coincidentemente, Israel é aliado dos Estados Unidos, que por sua vez, já financiaram Osama Bin Laden, responsável pelos ataques às Torres Gêmeas em Nova York e Saddam Hussein morto neste sábado. Isto prova que enquanto a democracia for feita à moda de Washington, tão cedo não se ouvirá falar em paz no Oriente Médio, até porque, todos que se opuserem aos Estados Unidos estarão sentenciados ao mesmo destino do ex-presidente iraquiano, o caixão.

fontes:
Estadão
Blog do Noblat
Al-Jazeera.net
CNN.com
Uol News

15 de dezembro de 2006

Realmente,ele só não fez parar a chuva que caía em Yokohama,ontem,na vitória do Barcelona sobre o América.Em jogo válido pela semifinal do Mundial Interclubes,Ronaldinho driblou,dançou,deu assistência e marcou na vitória do time catalão por 4x0.Domingo o adversário é o Internacional,representante sul-americano,às 8h20.
Volta então a discussão:merece vaga na Seleção?Só joga bem no clube?É justo deixá-lo no banco?Vi alguns jornalistas de certa forma relativizando sua atuação na copa,afinal ninguém jogou bem,etc.Com certeza,todo o elenco canarinho - salvo meia dúzia - decepcionou.E um dos piores foi justamente o duas vezes melhor do mundo,que saiu com uma imagem péssima perante a torcida tupiniquim.Mereceu o banco de reservas.Acho perigosa a volta do pensamento que "craque é craque,mesmo ruim resolve".Se assim fosse,não sairíamos de forma humilhante do estádio de Frankfurt.Afinal,este foi o pensamento de Parreira ao manter medalhões como Ronaldo e Roberto Carlos,ambos com trajetórias brilhantes, mas naquele momento não apresentavam um décimo de bom futebol.Seleção,como diz o nome,é para quem está (verbo no presente) bem.
Aparece então outra questão:porque ele nunca joga com a amarelinha igual a quando veste a azul-grená?Bem,o Brasil não é o Barcelona,são esquemas de jogo muito distintos.Tomando como o exemplo a que disputou a copa,supondo que todos os jogadores estivessem 100% (haja imaginação).O 4-4-2 com o tal quadrado - que a mídia criou - tinha Kaká, Ronaldinho,Ronaldo e Adriano.Nossos latrerais sobem bastante,e os atacantes não ajudavam muito na marcação à saída de bola do adversário.Além de ter que marcar,o craque do Barça fica no meio campo,distante das balizas.
As diferenças no Barcelona começam no esquema tático.O holandês Frank Rijkaard utiliza o 4-3-3,tradicional em seu país.A linha de 4 oferece sólida defesa.No ataque,Gujhonsen fica bem centralizado dentro da área,com Ronaldinho chegando pela esquerda e Giuly pela direita.Nesta posição ele cobre uma parte do meio campo,sempre partindo com a bola para o ataque.E não fica longe do gol.Mesmo que o Brasil jogasse tudo e fosse hexa,Ronaldinho não atuaria da forma que joga em seu clube,pois são estilos divergentes.
Cabe ao treinador analisar a melhor forma de utilizar cada jogador e adequá-la ao grupo. Dunga e Jorginho tem muito para pensar.

14 de dezembro de 2006

Ilustrada

7 de dezembro de 2006

De antemão, este não será um post jornalístico.
Meu forte não é o texto e sim as palavras que somente saem da boca pra fora!!
Descobri que estou com inicio de mal de Alzheimer [acho que é assim mesmo que se escreve], esqueci minha senha, e posto no nome da Ana Gabriela, vulgo Suzy Cabecinha. Para os que sabem o que quer dizer este apelido que bom, para os que não sabem, procurem se inormar mais. Aqui quem fala é Carmine Cruz, a Pequena Desbocada, porra! oO
Resolvi postar em homenagem ao ultimo dia de aula do semestre e graças ao meu bom senhor Jesus Cristo [imagine que sou extremamente católica], último dia de aula do ano também.
Um ultimo suspiro de alívio ao concluir a resenha de ética para o professor Jacizão, junto com a alegria de que todos meus colegas queridos passarão em todas as cabulosíssimas matérias desta trágica, sufocante e aparentemente interminável quarta fase.
Aí em baixo vai minha resenha sobre o livro" O menino do dedo verde", e uma breve comparação a tão aspirada profissão e a ética em torno dela.
Tistu, o Menino do dedo verde!
A ética e os bons costumes, a moral e a maneira de ser das pessoas. Cada um possui o seu jeito de ser, mas nem sempre um jeito comum aos que se encontram em volta.
Tistu, em O menino do dedo verde de Maurice Druon, é um ANJO, um pequeno sonhador de lindos ‘cabelos louros, grandes olhos azuis e faces rosadas’, como Maurice descreveu. Um jovenzinho que vive para alegrar o mundo triste e desigual em torno de si. O desentendimento entre as pessoas, o mal e a agressividade são o foco da missão do garoto. A falta de moral dos moradores de Mirapólvora, a cidade de Tistu, cutucava seu maior dom: humanizar tudo e todos e torna-los bons em todos os aspectos.
O mundo cinza e incrédulo de Tistu é o que hoje ainda nos encontramos, este é cada vez mais problemático. A falta de ética nas profissões, nas famílias, na rua, na escola, enfim, em todo local que passamos se mantém ativa e passa a transformar o planeta Terra em um planeta cada vez mais escuro, cada vez mais solitário.
Sua impressão digital mágica era mínima a olho nu, mas o resultado desse dedinho era o encantamento e a paz por onde passava.
A tarefa urgente e de muita boa fé do pequeno menino loiro era não somente fazer nascer flores e plantas lindas, porém era trazer o amor nos corações de quem as via.
Um livro cheio de apelos á paz, á moral e principalmente ao amor ao próximo. Quem o lê entende o significado simbólico do que deve ser ter um dedo verde como o de Tistu.
Maurice em seu livro também escreveu que ‘o polegar verde é invisível. A coisa se passa dentro da pele: é o talento oculto. Uma qualidade maravilhosa, um verdadeiro Dom do céu. Há sementes por toda a parte, que não servem para nada, esperando que um vento as carregue para um jardim ou um campo. ’ Essas sementes, como algumas pessoas, que vivem á espera de um momento certo para se libertarem do aprisionamento e da inutilidade. Ou há sementes que mesmo assim não possuem utilidade e não querem mudar. Ou até sementes como Tistu, com um Dom maior, de viver em torno de um propósito mais do que útil, de tentar alcançar os ventos com mais rapidez, de ser uma semente que florescerá em um lindo campo ou jardim repleto de outros semelhantes.
Talvez todos devêssemos ser como Tistu, como o menino sonhador, como Anjos, como pessoas boas e com ética. Entretanto sem esperar um momento certo, um local exato, ou sem precisar escolher o que e como fazer o bem para si e para os que nos relacionamos.
Como Martini, Arcebispo de Milão descreve: “a grande linguagem da ética é de que tu podes muito mais, é possível fazer melhor, és chamado a algo muito mais lindo na vida; é possível ser honesto e é uma aventura extraordinária do espírito”.
Essa aventura que relacionada à profissão de Jornalista, a profissão que anseio e que escolhi para a vida toda, e que por fim aspiro com força e vontade, é constante e de grande importância.
Para um jornalista ético, o acesso à informação é um direito e um dever importantíssimo à condição de vida em sociedade. A divulgação da informação precisa e correta, é dever dos meios de comunicação e principalmente do jornalista. O compromisso fundamental deste profissional é com a verdade dentro dos fatos e seu trabalho se baseia pela correta apuração dos acontecimentos e divulgação. Além de o jornalista ser responsável por toda a informação que publica desde que seu trabalho não seja alterado. E principalmente, um jornalista comprometido com a sociedade e com a função de comunicador que lhe foi atribuída é um jornalista ético. Pensando em melhorar a comunidade com os recursos que sua profissão lhe atribui, é assim que um jornalista ético se dedica à informação, se decida á população e aos princípios e deveres perante á sociedade.
Bom...é isso ae pessoal, obrigado Ana pela senha!!
E obrigado a todos meus coleguinhas queridos, amo-os de verdade, cada um a sua maneira.
Beijos e perdoem-me o atraso de postar aqui nesta bagaça.
Carmine {MiNe} [Pequena Desbocada] (Suzy Coleguinha).

3 de dezembro de 2006


Cotidianas

29 de novembro de 2006

Pedacinho de paraíso

Sem água, sem luz, e com os pés diretamente na areia úmida. É assim que há quatorze anos o pescador e comerciante Evori Alves, 52, recepciona seus clientes em seu bar, numa das praias mais belas do Brasil, a Guarda do Embaú.

Localizada na cidade de Palhoça há 50 km da capital catarinense, a praia da Guarda do Embaú é com certeza um dos lugares mais exóticos e sedutores da costa de Santa Catarina. Não há como visitar a praia e não se apaixonar pela beleza que os olhos podem ver. As ondas que batem estrategicamente na montanha de pedras causam fascínio aos olhos de moradores e turistas. “É realmente uma das coisas mais bonitas que eu já vi, não tem como ir embora daqui sem ficar com saudades.”, conta Érico Monteiro, empresário paulista de 30 anos.


E o bar do Evori, está lá, emprestando todo o charme para a paisagem da pequena vila de pescadores. É a própria família que cuida do bar e prepara ano após ano os quitutes que são apreciados por turistas de todos os lugares. Até artistas de fama nacional já puderam experimentar as delícias preparadas.

O rancho que abriga hoje o bar, antes era depósito dos barcos, e por algum tempo permaneceu abandonado. Evori via a necessidade de existir ali um local para que os surfistas e hippies, os primeiros a descobrir o pequeno vilarejo, pudessem comer e beber durante as tardes de verão, ele então vendo o rancho abandonado, teve a idéia do bar. “A família toda disse ‘tas’ doido cara, não vai dar, não tem luz, não tem água, mas eu sabia que ia dar certo”, conta Evori, relembrando o tempo em que o bar ainda era um sonho.

E toda sua simplicidade de pescador Evori traz nas mãos as marcas de uma vida inteira no mar, e hoje comemora, o bar é recheado de recordações, tão gostosas de ser apreciadas quanto os pastéis de camarão que sua esposa prepara há anos. São inúmeras fotos de todo o tipo de gente, desde famosos como Rodrigo Santoro e Gabriel Pensador, até dos pescadores, pessoas simples que viram o bar crescer e se estabelecer na região. Fotos estas que ornamentam as paredes de madeira improvisadas do local, um toque que faz o visitante se familiarizar ainda mais.


Mesmo sem ter energia elétrica nem água encanada, Evori aproveita o famoso “jeitinho brasileiro” para garantir aos visitantes aquela cerveja geladinha. Pensando nisso o ele criou um sistema de baterias, que mantém um refrigerador ligado o dia inteiro conseguindo assim satisfazer a vontade de seus clientes. Os alimentos também, Evori faz questão de trazer todos os dias de barco atravessando o rio da Madre que dá acesso à praia. “Venho já de manhã cedinho com o barco, trago as massas dos pastéis, e também vou pescar e limpar os peixes, camarões e siris”, conta.

Evori só se preocupa com uma coisa: ele deseja manter esse paraíso por muito tempo ainda, e para isso ele e a família recolhem todos os finais de tarde o lixo deixado pelos turistas. “O que a gente vê que não é do quadro a gente tira. Por que pra nós essa maravilha toda aqui, é um quadro.”, explica Evori, com toda sua simplicidade e consciência ambiental.

21 de novembro de 2006

Jornalismo é uma droga



Fazer jornalismo é ter, de certa maneira, o mundo nas mãos. Vendemos toda a noção de verdade que faz as pessoas acreditarem que o mundo existe e que muda constantemente. Não é a toa que a cada semana, os jornais trazem nas suas páginas um novo tema que será discutido até, pelo menos domingo. O fato, muitas vezes se sobrepõe aos seus personagens para que possa ser atualizado constantemente, até, que de uma hora para a outra, simplesmente se esquece do assunto e “vira-se a página”.

Considero, portanto, que devido a esse poder o jornalismo é uma droga. Uma droga que vicia quem trabalha com isso. O que diferencia aqueles que seguem os princípios éticos da profissão, daqueles que não o fazem, é exatamente como cada um se torna “dependente” desta profissão.

Existem várias maneiras de se tornar um viciado na prática jornalística. A primeira e mais comum (infelizmente), é o vício pelo “poder” da mídia. Muitos já entram na escola de jornalismo, considerando que a partir disso estão entrando em um seleto grupo de pessoas. É certo que em vários momentos, nós tenhamos acesso a várias coisas que a maioria das outras pessoas jamais terá. Além disso, como já disse, o poder de dar ao mundo o que ele “precisa” ouvir é extremamente tentador. Justificam-se neste último caso, as lutas dos principais donos da mídia para manterem seus oligopólios de comunicação.

Fazemos diariamente as pessoas crerem que apenas um determinado número de fatos são relevantes e que todos os outros não passam de meros acontecimentos do cotidiano. Entra aí a ética profissional dos que trabalham com a mídia. Jornalistas e publicitários precisam entender o seu papel na sociedade para que não sejam reféns dos donos da mídia e de suas ambições. E qual é esse papel? Na verdade, temos todos responsabilidade direta com a vida das pessoas. Tanto na vida daqueles que fazem parte da notícia, quanto dos que vão recebê-la. No caso dos publicitários, não basta apenas vender conceitos e produtos, mas sim vender aqueles que de uma forma ou de outra podem contribuir para o crescimento da sociedade.

Para distinguir cada tipo de informação e perceber que se ela é importante ou não para a vida
das pessoas, é necessário adquirir o máximo de conhecimento de todas as ciências sociais. Ainda que isto não garanta efetivamente que o compromisso social dos comunicadores será sempre alcançado, ao menos faz com que cada um dos que trabalham nesta área. Gabriel García Márquez lembra que “toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro”.

Apenas assim, é possível fazer parte, realmente, de um seleto grupo de pessoas. O de pessoas que fazem do Jornalismo e da Comunicação Social, um instrumento de revolução social. Pois são poucos ainda aqueles que pensam desta forma. Portanto, de acordo com as novas tecnologias de informação, que fazem com que qualquer um possa virar um noticiador dos fatos, só aqueles que puderem ter discernimento do que estão produzindo e para quem estão produzindo, terão possibilidade de manter-se no mercado.

20 de novembro de 2006

Sem dúvida valeu cada centavo gasto no ingresso.Quem viu,viu.Quem não viu terá que esperar até ano que vem,e provavelmente por um novo show.Sádado à noite o Los Hemanos fez uma das últimas apresentações da turnê "4", no salão do Lagoa Iate Clube,em Florianópolis.
A casa abria às 21h, e quem chegou cedo pode conferir os shows da Z? e Samambaia Sound Club.O mau tempo não fez com que o público deixasse de comparecer ao local.Por volta de 0h40,após uma apresentação sem graça do patrocinador do evento os Hermanos subiam ao palco.Em alguns momentos apenas os quatro integrantes da banda ficam em cena, Bruno Medina (teclados),Rodrigo Barba (bateria),Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (voz,revezando guitarras e baixo).Noutros contam com o apoio de Gabriel Bubu (baixo/guitarra) e o naipe de metais composto por Índio,Bubu e Mauro (sax,trompete e trombone,respectivamente).
Já na segunda música tocam "O Vento",mais famosa do último álbum.Em "O Vencedor" as caixas de som são abafadas pela voz da platéia,que acompanha cada verso.O repertório foi bem escolhido,misturando canções dos quatro discos.Pode-se dizer que,talvez à exceção de "Primavera",nenhum sucesso ficou de fora."Anna Júlia","Último Romance","Sentimental",não houve uma que não fosse cantarolada junto.Entre as não tão conhecidas do grande público estavam "De Onde Vem a Calma" e "Deixa o Verão",entre outras.A volta para o bis foi generosa,e nela relembraram "Azedume".Muito pedida,"A Flor" encerrou o espetáculo,ali pelas 2h.Sem dúvida um show completo.
Cinco estrelas para o Los Hermanos.

17 de novembro de 2006

A semana segue agitada em Floripa.Após O Rappa apresentar seu show acústico no feriado da última quarta feira,amanhã é a vez do Los Hemanos aterrisar na ilha.Depois de um ano de espera os fãs poderão curtir o som dos cariocas amanhã,no salão do Lic.O espetáculo começa às 21h,com abertura das bandas locais Z? e Samambaia Sound Club.A atração principal sobe ao palco 0h30.

O repertório da apresentação é baseado principalmente nos dois últimos álbuns,4 (2005) e Ventura (2003).Daquele sairam os sucessos "O Vento" e "Morena",deste "O Vencedor" e "Cara Estranho".Todavia,hits do Bloco do Eu Sozinho (2001) como "Todo Carnaval Tem Seu Fim" e "Sentimental",entre outras,não ficam de fora.O álbum de estréia da banda,Los Hermanos,de 1999,normalmente não tem músicas incluídas,o que não significa que eles não possam relembrar o megasucesso "Anna Júlia" ou outra canção.

Os ingressos antecipados estão a venda nas lojas da Claro,nos Shoppings Beira Mar e Itaguaçu,lagoa,trindade e centro.Custam R$ 40 (inteira),R$ 30 (clientes claro) e R$ 20 (meia).Na hora o preço é R$ 50.

16 de novembro de 2006

Jornalista pode se arriscar às vezes na tentativa de se fazer poeta?

Pode.

Afinal, o que mais é essencial a um profissional do jornalismo se não a habilidade [que no meu conceito defino como uma arte] de lidar com a palavra? É como escolher as cores de um quadro: pincelar sílabas à melhor maneira em um papel em branco. E eu digo que me arrisco! Não que eu seja passível de me comparar a Cecília Meirelles, por exemplo, jornalista e poetiza. Mas vez ou outra tento transmitir para a folha nada mais do que eu sinto. Esse sentir é a inspiração, seja de algo bom, seja de algo mau. Costumo publicar algumas dessas minhas viagens trazidas pelo meu singelo eu no meu fotolog, a fim de que ele não seja só uma exposição banal de sorrisos ou um diário da minha vida com que muita gente não tem a ver.
Já que o blog necessita de uma tão implorada movimentação, vi-me no direito de publicar um desses textos que recebeu alguns elogios. Sem esquecer-se, claro, de que esse espaço é para divulgar, inclusive, trabalhos realizados para a sala de aula. A composição que segue abaixo tem uma fotografia produzida em uma das saídas fotográficas da nossa turma [mais especificamente a saída com câmeras digitais que, confesso, não são minha preferência!]. Estou confiando no que me foi dito nos comentários do fotolog e aí vai:






Inspirar-se é feito o ato biológico.

É puxar o ar de si. Bem fundo: da foto, da bola de sorvete do fim de tarde em dia de veraneio, do sorriso desconhecido presenteado pela paquerinha à toa no ponto de ônibus, do amor da vida, do amor do dia, do amor da hora. Suspiro.
Sentir que aquele algo-de-dentro quer a todo custo sair em forma de palavra, de riso, de trocadilho; é inspirar-se.

[Ins]Pirar-se.

O giro em torno de si em cima do tapete da sala que faz o desenho bordado borrar. Gira. Gira. Gira. Cada vez mais rápido, embora de longe se veja lento. Pé-ante-pé que vez ou outra se esbarra. Quase cai; mas gira. Ainda gira e gira. Pára na tontura. Por ora parado, tudo em torno gira. Mudam as perspectivas. Não vê que tudo é relativo?




É o externalizar de quem se inspira!

Arielli Guedes Secco / CJM - 4o Semestre

14 de novembro de 2006

Saudade

Eu gosto da palavra saudade. Segundo o dicionário Priberam, saudade é a lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir.
Muitos autores já tentaram definir o verbete, e também gosto de algumas definições. Há quem diga que “saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue”. Entretanto, apesar de achar uma tremenda pretensão querer explicar sentimento, humildemente criei minha própria explicação.
Saudade é a lembrança dolorosamente prazerosa de um pedaço da gente que morreu, mesmo que ainda estejamos vivos. É a vontade de dar replay no filme da vida, para ficar repetindo sempre a mesma cena.
Saudade é aquela dor que dá no peito às dez da manhã ou às onze da noite, assim que sentimos um cheiro ou escutamos uma música. E algumas vezes, essa dor até nos faz sorrir. É a necessidade de reviver uma coisa que, no fundo, a gente sabe que não existe mais.
Saudade é um vazio, um buraco na alma, provocado pela ausência de quem se fez fundamental, e que nenhuma outra pessoa consegue cobrir. Saudade é a decepção que a agente sente quando acorda de um sonho e percebe que foi só um sonho.
O grupo musical Biquini Cavadão disse que “a saudade acorda a beleza que faz sofrer”. O Chico Buarque disse que “a saudade mata a gente”. Concordo com ambos. Saudade nos consome aos poucos: é um monstro com o qual precisamos conviver. Porque, de repente a gente percebe que, no fim, saudade foi tudo o quê restou…

13 de novembro de 2006










Ilustrações Cariocas

12 de novembro de 2006

Ontem foram eles. Amanhã, quiçá, sejamos nós!
Auto-crítica ao texto: ele pode ter parecido tendencioso, embora não tenha sido a intenção. Eu deveria ter falado com pessoas que receberam o prêmio e que não são muito conhecidas. É que realmente lá foi difícil, por dois motivos: primeiro, pelo rotineiro nervosismo que já me é de praxe [mais ainda quando, na função de estudante de jornalismo, entrevista-se jornalistas]; segundo pela muvuca, que tornou impossível a seleção das fontes. Enfim, foi uma oportunidade pra lá de bacana de ter contato com pessoas do nosso meio jornalístico que já têm uma bagagem bem maior do que a nossa.

Um agradecimento ao meu amigo Emilio que me deu [muito] apoio moral lá!




Prêmio Acaert 2006

Jornalistas e estudantes reunidos, Teatro Álvares de Carvalho praticamente lotado e microfones de ouro sobre a mesa à espera pela entrega como símbolo de reconhecimento. Marcada para as sete e meia da noite, a cerimônia do prêmio da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão, que acontece há cinco anos, foi nesse dia 08 de novembro. A edição teve quinhentos e cinqüenta e quatro trabalhos inscritos, realizados por profissionais de emissoras de rádio e televisão, e de agências de publicidade de todo o Estado de Santa Catarina.
Depois de pisar em um tapete vermelho e tomar alguns goles de champagne logo à porta do Teatro, quem presenciasse a cerimônia podia sentar-se à espera do início da celebração que teve atraso de uma hora. “O prêmio ACAERT de Rádio e Televisão, que este ano bateu o recorde de participação, é para nós da radiodifusão catarinense um momento único e marcante”, falou Ranieri Moacir Bertoli, presidente da Associação, em uma parte do breve discurso de abertura. Segundo Ranieri, o júri encarregado pela escolha dos vencedores foi formado por pessoas sem nenhuma relação com a Acaert e especializadas de acordo com a categoria a ser julgada.
O prêmio era dividido em três categorias: Profissionais de rádio e televisão, Peças Publicitárias e Monografia Estudantil. A comissão julgadora foi presidida pelo professor, radialista e publicitário Acácio Luis Costa, responsável pelo lançamento de mais de cem emissoras de rádio no Brasil.
Na categoria Profissionais da Televisão, Mário Motta recebeu o microfone de ouro como o melhor apresentador de telejornal. Antes, demonstrava o nervosismo roendo as unhas. Impaciente, trocou de cadeira três vezes. Ao final da entrega, enquanto saía do teatro tranqüilo e com uma felicidade que transbordava em inúmeros sorrisos, falou:
- Muito embora normalmente os premiados sejam aqueles que aparecem em frente às câmeras, ou cujo a voz está no auto-falante do rádio, ou no texto do jornal, há tanta gente por trás pra que você possa desempenhar seu papel que eu não me permito esquecê-los, especialmente em televisão onde eu não edito o jornal; me cabe apresentar, quer dizer, vivenciar a emoção daquilo que foi trabalhado pelos meus companheiros e companheiras. Então esse prêmio aqui é dividido mesmo!
Ricardo Von Dorff foi o vencedor de melhor repórter, também da categoria Profissionais da Televisão. No momento, Ricardo atua em Santa Catarina, mas já teve matérias veiculadas no Jornal Nacional. Ao final do evento, conversava com colegas na calçada em frente ao Teatro Álvares de Carvalho. Usava óculos de grau discreto, com armação fina, terno bege escuro e cigarro entre os dedos. “Eu fumo demais”, disse, olhando para o chão. Para ele, o problema por que passa o profissional do jornalismo atualmente está na saturação do mercado: “espero que o mercado venha a crescer em todas as áreas, em todas as mídias que fazem o jornalismo e que as pessoas que pensam em ser profissionais dessa área se qualifiquem o mais possível. É um mercado bastante apertado”, disse. Ricardo tem como sua maior conquista a credibilidade, que ele acredita ser o que todo jornalista procura trabalhar:
- “Eu acredito no que essa pessoa ta falando”. Isso não é gratuito! Acho que você só pode ter essa credibilidade ao longo de uma carreira.
Há aqueles que já deram longos passos em sua carreira e há quem ainda está no começo do caminho. Essa flexibilidade do prêmio Acaert, que dispôs de olhos tanto para os mais experientes quanto para os principiantes, permitiu a escolha de Andréia Carol Denardi com a melhor monografia estudantil. Cabelo preso, vestido longo preto e, por ora, a convicção de que tudo tinha dado certo: ela quase não conseguiu inscrever o trabalho a tempo. “O prazo para entregar a inscrição era até as seis horas. Consegui entregar era seis e meia. Foi muito corrido!”, contou. A monografia tem como título “A voz da rádio CBN/Diário no apagão na Ilha de Santa Catarina”, e faz uma análise da cobertura da emissora de rádio realizada durante o acontecimento. “Eu decupei sete CDs de gravação, mais de cinqüenta e cinco horas, com o trabalho de todos os profissionais da RBS, entrevistei a maioria envolvida com a cobertura do apagão. A minha monografia é uma viagem boa à cobertura que a CBN fez durante o apagão!”, explicou. Andréia se formou em 2003, na Unisul, e teve como orientador para o trabalho de pós-graduação o professor Eduardo Meditsch, da UFSC.
Na categoria Peças Publicitárias, as agências de propaganda que se destacaram foram a Neovox, a INCA e a One/WG, todas com três peças finalistas, seguidas pela Shift/Quorum e 9mm Propaganda e Marketing, ambas com duas peças selecionadas. As vencedoras do microfone de ouro foram a Neovox e a Propag. Você pode tomar conhecimento da lista completa dos premiados no link abaixo:
http://www.acaert.com.br/index.php?option=content&task=view&id=547&Itemid=



Arielli Guedes Secco / 4º semestre

9 de novembro de 2006

Já que toda contribuição é pouca, esse blog precisa ser movimentado e os textos que produzimos não precisam necessariamente ter como destino a "gaveta da bagunça", aí vai a matéria escrita pra aula de Redação Jornalística I dessa semana que se esvai. O intuito era produzir um hipertexto. Pena que meu precário entendimento com relação à "ínternéti" seja pouco para linkar de verdade endereços ao longo do texto.





Mudança de Hábito


De segunda à sexta-feira, nos corredores da Universidade do Sul de Santa Catarina, os alunos de naturologia interagem com os demais cursos através da venda de alimentos naturais. A feira é assim: expõem-se de forma improvisada, em mesas retiradas da própria sala de aula, produtos como o mel, o arroz integral e os florais. Os sanduíches de Paula Cristina Ischkanian, 36, aluna da nona fase do curso de naturologia, fazem sucesso. “Quem compra os meus lanches sabe que eu não uso nada de procedência animal na produção deles”, disse. A vegetariana que há sete anos não consome carne garantiu que a procura é grande.
Para quem aprecia, não há como negar que uma carne bem temperada, daquelas assadas em um churrasco de domingo, não seja uma boa pedida. O cheiro inconfundível é quase um convite. À mesa, as bordas crocantes com sal grosso, o sabor incomparável e a maciez que faz a faca, bem afiada, deslizar. O Brasil é o quarto país do mundo em que mais se come carne.
Em contrapartida, a mudança nos hábitos alimentares é uma tendência cada vez maior. Por ora, um prato colorido: diferentes texturas e aroma de frescor. O crocante é natural e a biologia explica. As receitas combinam com a criatividade na hora de lidar com os legumes, verduras e frutas. Uma pesquisa realizada pelo grupo Ipsos e publicada na revista Época indica que o segundo maior índice mundial de pessoas que “têm procurado comer menos carne” é o dos brasileiros, equivalente a 28%.
Há quem decida abolir completamente a carne das refeições, condição primordial para que uma pessoa se torne vegetariana. “O termo vegetarianismo não vem de vegetal, mas sim significa dar vida!”, disse a estudante de nutrição Débora Valadão, 25, que já foi vegetariana e há um ano voltou a comer carne porque sentiu necessidade.
As razões que resultam na opção pela dieta podem ser de saúde, ecológicas, éticas, econômicas e religiosas.“No meu caso, foi uma mudança de percepção. Passei a ver os animais não mais como comida, mas como seres conscientes do mundo, sujeitos-de-uma-vida”, falou Rodrigo Espinosa Cabral, que é vegetariano há dois anos. Rodrigo tornou-se também, há quatro meses, vegano, o que significa, além de não ingerir alimentos de procedência animal, não fazer uso de nenhum outro produto (por exemplo: cosméticos, vestuários, calçados, etc) que tenha essa origem. “Parto do princípio de que toda a morte desnecessária deve ser evitada. Desde que bem equilibrada, a dieta vegetariana também é muito saudável!”, alertou.
Para que se atinja esse equilíbrio, é imprescindível a busca de informações em fontes variadas e oficiais ou, preferivelmente, uma consulta a um médico. “Como consumimos proteína em excesso, a retirada da carne simplesmente causa uma adequação com relação à quantidade de proteínas consumida. Porém, o vegetarianismo, assim como qualquer outra dieta, passa a ser prejudicial quando o indivíduo não se alimenta adequadamente, tanto em variedade, quanto em quantidade”, explicou Eric Slywitch, médico coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira, especialista em nutrologia e nutrição clínica.





Sociedade Vegetariana Brasileira (SBV): http://www.svb.org.br




Arielli Guedes Secco/CJM-4º semestre

7 de novembro de 2006


Filmes Catarinenses



Para os amantes do cinema alternativo pode-se dizer que só faltou a pipoca. Já para aqueles que foram ao evento apenas por ser gratuito, o que faltou foi educação em alguns momentos. A 8ª edição da mostra de vídeos catarinenses (Catavídeo) acabou neste domingo. Ao todo, foram 120 produções exibidas durante a última semana, além de oficinas e palestras com várias pessoas ligadas à produção de vídeos.

Em uma das melhores salas de cinema (e também uma das mais desconhecidas) da capital, dentro do prédio da Justiça Federal, os visitantes tiveram acesso aos mais variados tipos de filmes. De comédias hilárias, a documentários emocionantes, passando por alguns filmes experimentais e outros um tanto bizarros, as pessoas puderam se identificar com as mais variadas formas de expressão audiovisual. A maioria dos vídeos apresentados era de alunos de cursos de comunicação do Estado. Na mostra não havia pré-seleção dos filmes, portanto, todos os que se inscreveram tiveram suas produções exibidas ao longo da semana. Uma das curadoras do evento, Patrícia Lopes, diz que a idéia de não haver uma pré-seleção dos filmes ajuda a “suprir a demanda de distribuição dos vários filmes produzidos no Estado”.

Adriano Petrycoski de 32 anos disse assistiu à mostra na sexta e no sábado. Para ele a mostra é extremamente importante para o audiovisual catarinense pois leva à tela um tipo de filme mais “suburbano, underground.” Ele lembra que no FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul) os filmes todos passam por uma banca julgadora e por isso, muitos que, eventualmente, mereceriam estar na mostra, não aparecem por causa dos critérios de julgamento, algo que não acontece no Catavídeo.

Com relação ao público, Patrícia diz que não houve uma grande procura pelo festival, (que teve uma média de 50 pessoas por noite) sendo que o dia em com mais pessoas para assistir aos filmes foi no sábado. A própria escolha da sala da Justiça Federal ocorreu porque em anos anteriores, a sala do Museu da Imagem e do Som, no CIC não comportava todas as pessoas que iam à mostra. Segundo ela, o auditório da Justiça Federal tem lugar para quase 300 pessoas, mas como o número de visitantes se manteve, a sensação de que não havia quase ninguém na mostra se acentuou. Nem a maior cobertura da mídia sobre o evento deste ano ajudou para que o cinema lotasse. Aliás, pelo que se pôde observar, só ajudou para levar pessoas que durante as sessões levantavam, conversavam, iam embora durante os vídeos e não se importavam com os que gostariam de ver os filmes.

Uma novidade este ano foi, que percebendo uma grande quantidade de vídeos da região de Florianópolis, a organização do evento buscou parcerias com várias empresas do Estado para levar oficinas de produção audiovisual para o interior. Ao todo, 10 cidades tiveram estas oficinas, possibilitando assim, que as produções do interior alcançassem 20% do que foi exibido. Um recorde segundo a organização. Os filmes produzidos nestas oficinas foram exibidos ao público, sempre antes da sessão principal da noite.

Após a exibição dos filmes, o público, assim nas edições anteriores, pôde dar o retorno aos produtores dos vídeos escolhendo aquele gostou. Neste ano, os mais votados foram:

• Dia 29/10
CHAPÉU - UM FILME DE CHAPEUZINHOS
Dir. Marilia Gervasi Olska - Ficção - Florianópolis / SC - 8'
• Dia 30/10
O FIM DA LINHA
Dir. Felipe G. Botelho - Ficção - Florianópolis / SC - 20'
• Dia 31/10
TINO SUTIL
Dir. Danilo Seemann - Ficção - Florianópolis / SC - 6'10''
• Dia 01/11
CONTO DE NORTEVILLE
Dir. Uriel Pereira - Ficção - Florianópolis / SC - 13'35''
• Dia 02/11
LEONOR GUEDES - MEMÓRIAS EM ORBITA
Dir. Fabíola Beck - Doc. - Florianópolis / SC - 10'
• Dia 03/11
APROVEITEM O MAR
Dir. Christian Abes - Ficção - Florianópolis / SC - 9'
• Dia 04/11
O CAMINHO DA VIDA
Dir. Grupo Senac - ( I Turma 2006) - Ficção - Florianópolis / SC - 8'40''
• Dia 05/11
ONDE DEUS SE ESCONDE
Dir. Sandro Ferreira - Ficção - Florianópolis / SC - 23'54''


Leia mais sobre as outras edições do Catavídeo: www.catavideo.alquimida.org

4 de novembro de 2006

Noites Cariocas

Peculiar,acho uma boa definição para o Rio de Janeiro. Diversos morros recortam a cidade,volta e meia se vê um paredão rochoso ao seu lado.Hora os morros são cobertos pela mata nativa,hora pelas favelas que crescem de forma desordenada.Barracos amontoam-se verticalmente,abrigando famílias inteiras em poucos metros quadrados.Em algumas entradas para as comunidades os 'funcionários' montam guarda armados.Do outro lado,aqui é o único estado do Brasil que a polícia militar usa fuzis em rondas rotineiras,como blitz nos túneis.

O único temor do tráfico é o batalhão de operações especiais, devido ao treinamento dos policiais. Eles realmente acreditam na causa, 'manter a lei e a ordem', dificultando acordos ou subornos. A sede do Bope fica no Pereirão, local antes problemático. Há uma placa com os dizeres 'apague os faróis, ande devagar, não faça movimentos bruscos'; ao lado o símbolo do grupo, um crânio com dois revólveres cruzados. O Bope é a elite da polícia, suas inserções nos morros a bordo do caveirão quase sempre resultam em alguma prisão ou morte. Porém, como a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, os donos da boca escondem-se enquanto o pessoal da contenção troca tiros com os militares.

Não pode-se negar a violência,mas o cotidiano do bairro onde fiquei,Humaitá,é tranqüilo.Ando despreocupado,o que não significa desatento.Há várias coisas para se fazer,nesse ponto Florianópolis deixa e muito a desejar.Locais como Centro Cultural Banco do Brasil e Museu de Arte Moderna recebem exposições de todos os tipos,sem contar os locais pequenos,como o Espaço Culural Sérgio Porto.Sempre com mesinhas para um café e agradável bate-papo. Vi mostra dos trabalhos de Aleijadinho no CCBB e '100 anos de arte no Brasil' no MAM.Este também abriga exposição fotográfica exelente,com instantâneos de Sebastião Salgado,Evandro Teixeira e Walter Firmo,entre outros.

A prostituição é gritante,seja na rua,seja numa das várias casas noturnas 'especializadas' no serviço.O turismo forte gera emprego para várias pessoas,e também para as que tem no corpo o único meio de sobrevivência.Copacabana é um dos locais onde mais acha-se tal serviço.O Beco das Garrafas,berço da Bossa Nova,não abriga mais boa música,e sim dois puteiros.A única coisa que lembra os anos 60 é uma loja de discos e livros chamada Bossa Nova & Cia,que tenta trazer de volta o ambiente artístico ao local.

Duas coisas chamam-me atenção.À noite os sinais não significam pare,e sim reduza,pois ninguém respeita o vermelho.Compreensível,visto o alto índice de assaltos aos carros parados nos semáforos.É a cidade mais tabagista que visitei.Todo lugar,de barezinhos a colégios,vejo mais fumantes que não fumantes.Na lapa ou na praia,existem ambulantes com uma bandejinha cheia de cigarros,todo tipo e marca.E a procura é grande.

Em Ipanema vejo um rapaz ser levado pela guarda municipal por fumar maconha na praia.Bobeou.Em Floripa,acho que não seria assim.
Seguem as noites cariocas.

31 de outubro de 2006

Voto consciente

Tem certas pessoas que só vemos em dias de funerais, festas no bairro ou dia de eleições. Parece que se escondem durante todo o ano, em alguma caixa perdida num depósito fechado. Hoje foi dia de rever alguns deles. Graças ao milagre do segundo turno, tive o prazer de vê-los duas vezes em menos de um mês. Pude perceber que, num dia ensolarado, muitos deles acabaram aproveitando também para tirar um pouco do mofo acumulado nas caixas de onde nunca saem.

Renato Antunes não gosta de sair de casa. Nunca gostou. Seus poucos amigos sempre o chamam de “Traça de Livro” – apelido que com o tempo foi diminuído apenas para “Traça” - pois toda vez que o convidam para sair de casa ele diz que não pode, pois está lendo. Ler era só uma desculpa. Ele raramente punha as mãos em um livro. O que ele gostava simplesmente era de ficar em casa. Não para ver televisão ou para navegar horas a fio na internet. Apenas ficar em casa, longe do convívio social.

Para tirar Traça de casa era preciso que houvesse um acontecimento muito grande. Eu nunca fui muito amigo dele. Apenas cruzávamos em alguns destes eventos. A última vez que o vi foi no reveillon. Em nosso bairro sempre fazem uma festa para celebrar o ano novo. E lá estava ele. Tinha mais álcool em seu sangue que no motor de um Opala 78 movido a esse combustível. Este era o grande defeito de Renato. Sempre que saía de casa e ia a festas, acabava bebendo além da conta.

Agora o reencontro aqui na fila da seção eleitoral. Votamos no mesmo local. Traça usando seu inconfundível terno bege. Ele quase sempre usa ternos beges. Quando chego ali vejo que ele está no meio de uma acalorada discussão sobre os candidatos. “O meu candidato é melhor porque não é ladrão”, dizia a pessoa que estava falando com Traça. “Se ele não é ladrão então por que existem tantas denuncias contra ele?” – defendia Traça.

Demorou pelo menos uns dois minutos até que Renato Antunes percebesse a minha presença. A pessoa que debatia com ele já tinha entrado na sala do grupo escolar onde votávamos. Comentei com Traça que pelo nível da discussão, ele deveria ter pensado muito antes de votar. Ele me respondeu que sim. Falou que apesar de ter defendido um candidato, votaria em outro só porque ele deu a uma prima dele um emprego de subsecretária na prefeitura há quatro anos e queria agradecê-lo por isso.

Tem pessoas que só vemos em funerais, festas de bairro e dia de eleições. E é melhor que seja assim.

28 de outubro de 2006

Dia desses, um amigo disse que o jornalismo é um estupro. Concordei. É um estupro intelectual. Às vezes, na minha humilde condição de estudante, me vejo obrigada a escrever sobre coisas das quais não entendo nadinha. E isso, é chato, pra falar a verdade. Muito chato. Como o meu amigo, eu também queria só escrever notinhas inocentes. Quer dizer, não tanto... no começo eu tinha a ilusão de que mudaria o mundo. Tudo brincadeira do destino.
Mas hoje quando estava indo fazer uma entrevista, me senti muito Jornalista. Foi a segunda vez que tive essa sensação, e admito que tava cheia de orgulho de mim mesma. E fiquei pensando que pra ser jornalista é preciso mesmo aquele dom natural de que tanto falam, uns chamam de talento. Sério! Porque honestamente escolhi uma profissão meio ingrata, rodeada de mitos e um certo glamour, quando na verdade, nós - jornalistas - passamos por certos perrengues. Mais do que cursar uma boa faculdade , a gente precisa de Feeling... quase como um instinto atrás do que é notícia, a curiosidade aguçada e segundo a minha mãe, até um pouco de obsessão pra saber tudo o que acontece. É uma coisa estranha! Porque mesmo não muito empolgada com a faculdade, em situações como hoje, eu sinto uma paixão imensa pelo jornalismo. E não sei de onde vem essa necessidade de saber e informar - certamente, não é hereditário... Acho que a faculdade tá me levando prum mundo paralelo...

24 de outubro de 2006

Acontece hoje no teatro Ademir Rosa show com o grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado. A apresentação faz parte da turnê do quarto álbum da banda,Transfiguração,lançado este ano.Após o show em Florianópolis seguem para Porto Alegre,onde tocam no bar Opinião.É possível baixar algumas músicas em MP3 no sítio do grupo, cordeldofogoencantado.com.br. A apresentação é às 21h,e os ingressos estão a venda na bilheteria do CIC por R$ 30.

4 de outubro de 2006

Música

Existe coisa mais linda do que música? Parei pra pensar nisso no show dos Engenheiros do Hawaíi, dia desses, no CIC. Quem me visse, pensaria até que eu estava apática diante do espetáculo. Ah, mas se as pessoas pudessem enxergar o que em mim se passava, diriam que eu estava em transe!
Fiquei admirando o momento, a banda tocando, a platéia acompanhando, a maioria absorvidos no mesmo ritmo, na mesma melodia, na mesma poesia. Alguns dançavam, outros apenas cantavam quase hipnotizados pelo som que envolvia a todos.
Não sei fazer música, sou apenas uma humilde admiradora da arte, não sei tocar nenhum acorde. Sou, no entanto, fã de música e de artistas da música. Desde bem pequena, a música tem um papel fundamental na minha vida. Tenho praticamente uma trilha sonora própria – e acredito que muita gente deva ter também. Simplesmente porque, sem saber como me expressar, sempre tem a música que fala por mim.
De certa maneira, foi a ausência de talento musical em mim, que me fez querer aprender a escrever. E mesmo assim, sempre me faltam o Dó Ré Mi para fazer ouvir o quê - e como - eu gostaria de gritar
Coisa fantástica essa de cinco - ou quantos forem - instrumentos tocarem em tamanha sintonia, que faz a gente viajar, o corpo balançar. Alguém já parou pra pensar o quão fantástico é fazer música? É tanta harmonia, que chego a me arrepiar.
Sim! Fico sem palavras pra me fazer entender. Acho que tem gente que ouve música, como ouve a qualquer outro barulho no mundo. Mas eu fico assim, escrevendo, pensando em como me fazer entender e escuto Chico Buarque. Fico com um pouco de inveja porque meu talento é muito pequeno perto dele. Escuto Los Hermanos e Zeca Baleiro, qualquer um que saiba fazer música de verdade e fico extasiada – e agradeço - por escutar quem sabe falar – e cantar – por mim.
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